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Capítulo 27

Autor: Reademi
last update Data de publicação: 2025-12-05 02:48:42

Lilian

Eu ficaria bem. Foi o que eu disse. O que eu tentei acreditar.

Mas a verdade é que não. Eu não estava bem.

Eu estava de luto por uma mulher que eu nunca conheci.

Doía de um jeito silencioso, profundo, como se alguém tivesse colocado uma pedra dentro do meu peito.

Doía saber que eu nunca olharia nos olhos dela e perguntaria.

Por que você me deixou?

Por que você me abandonou?

Eu não sentia amor por ela. Não sentia vínculo, nem memória, nem gratidão.

Mas, ainda assim, saber que ela havia s
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Último capítulo

  • PECAMINOSA    Epílogo

    Cinco anos depoisCinco anos haviam passado desde o dia em que escolhi ficar. Desde o dia em que escolhi nós.Às vezes, eu observava nossos filhos correndo pelo jardim da casa agora cheia de risadas, brinquedos espalhados, bicicletas abandonadas no meio do caminho e marcas de mãos pequenas nas paredes e me perguntava como sobrevivi a tudo antes deles. Eles já não eram mais bebês. Tinham vozes altas, perguntas difíceis, risadas escandalosas e uma curiosidade infinita sobre o mundo. Lucian dizia que herdaram minha teimosia. Eu dizia que herdaram o temperamento dele. No fim, ríamos, porque sabíamos que ambos estavam certos.Lucian continuava sendo quem sempre foi, temido, respeitado, estrategista. A máfia não desaparece ela se adapta. E ele se adaptou com uma frieza calculada, mas também com algo novo, limites. Ele voltava para casa. Sempre. Não importava o quão longa fosse a noite ou o quão pesado tivesse sido o dia. Ele voltava para nós. E agora Vicenzo vivia menos preocupado. Lucian

  • PECAMINOSA    Capítulo 58

    LilianEle parecia um anjo dormindo. Um anjo muito bonito. Mas qualquer pessoa que o conhecesse de verdade sabia que, de anjo, ele só tinha a aparência. Puxei o cobertor até a metade do seu tronco e toquei levemente os fios do seu cabelo, com cuidado, temendo acordá‑lo.Eu ainda não acreditava quando ele dissera que viria para minha casa. Lucian nunca foi de ceder a ninguém. Ainda assim, ali estava ele, em toda a sua imponência, tentando miseravelmente se ajeitar no meu pequeno sofá.Fui até a cozinha e abri a geladeira, encarando o interior enquanto pensava no que faria para o café da manhã. Senti braços me envolvendo por trás. Ele me abraçou como se realmente precisasse daquilo, e foi impossível não sorrir.— Bom dia, meu anjo. — ele beijou meu ombro e roçou o nariz no meu pescoço, fazendo meu corpo arrepiar.— Bom dia. — respondi, tocando seus braços enquanto ele acariciava minha barriga.— O que você está fazendo?— Preparando o café da manhã.— Deixa que eu faço isso. Vá se senta

  • PECAMINOSA    Capítulo 57

    LucianO acidente fora todo encenado, mas a dor era muito real, e o rádio quebrado era a prova mais concreta disso. Eu tinha calculado cada detalhe, cada segundo, cada consequência. Ainda assim, quando ouvi o estalo seco do plástico se partindo sob meu punho, entendi que fingir não apaga sentimentos. Se eu realmente quisesse Lilian de volta, teria que jogar baixo. Muito baixo. Os fins justificavam os meios. Eu estava deitado, imóvel, respirando no ritmo que ensaiei, enquanto o quarto do hospital cheirava a antisséptico e silêncio. O monitor marcava um tempo que não me pertencia. Tudo parecia suspenso.— Me perdoa. — Ela apertou minha mão com força. Senti gotas quentes de suas lágrimas deslizarem pela minha pele, e a vontade de levantar e ampará-las quase destruiu meu disfarce. — Eu não deveria ter gritado com você, ou pedido o divórcio... ou se quer deveria ter desejado a sua morte.O choque atravessou meu corpo. Quis tossir, quis abrir os olhos, quis dizer qualquer coisa. Nunca imag

  • PECAMINOSA    Capítulo 56

    LilianEu me afastei de Bryan rápido demais, levando a mão à boca como se pudesse apagar o que tinha acabado de acontecer. Meu coração batia descompassado, e a única pergunta que ecoava dentro de mim era... o que foi que eu fiz? Meu Deus, eu tinha beijado outro homem. Quando Bryan tentou tocar minhas mãos, eu me esquivei imediatamente, como se aquele contato pudesse me puxar ainda mais fundo para um erro do qual eu já me arrependia.— É-é melhor eu ir, tem pessoas me esperando.Minha voz saiu fraca, quebrada, traindo o turbilhão que eu tentava conter.— Vai fugir disso, Lilian, como você sempre faz? — ele perguntou, e eu o encarei confusa, quase ferida. — Eu sei que você também sente algo por mim, bem lá no fundo. Nós podemos funcionar juntos. Somos quase da mesma idade.— Bryan... eu... isso foi um erro — confessei, sentindo o peso da palavra cair sobre mim. — Você não deveria ter me beijado.— Mas você me deixou te beijar. E eu quero mais.— Como eu disse, foi um erro. Apesar de es

  • PECAMINOSA    Capítulo 55

    LilianA casa estava cheia, barulhenta e viva, como se cada canto respirasse. A organização do quarto dos bebês seguia a todo vapor, haviam caixas abertas, tecidos espalhados, tons neutros misturados a detalhes delicados, parecia surreal. Em menos de quarenta e oito horas, eu saberia o sexo deles, e essa simples ideia fazia meu peito vibrar entre ansiedade e medo.Não era só ele que me deixavam ansiosa. Havia o pai deles também, um homem com o dom raro de me desestabilizar sem sequer estar presente. Lucian sempre soube como me deixar doente por dentro. Mas eu repetia para mim mesma, como um mantra, isso não é mais problema meu. Perdão não se implora, se constrói. E ele ainda estava muito longe disso.Eu não era mais a garota ingênua que ele arrancou de um convento, ensinando da forma mais cruel que o amor também corrompe. Eu tinha aprendido. Tarde, mas aprendido.E o pior de tudo era que, eu ainda o amava.— Você parece pensativa — senti mãos pousando em meu ombro.Me assustei de leve

  • PECAMINOSA    Capítulo 54

    LucianMe conte lindas mentiras.Talvez fosse isso que eu quisesse desde o começo. Que alguém olhasse para mim, mentisse sem culpa e dissesse que eu ainda era digno de amor. Mesmo que fosse mentira. Porque a verdade doía demais.— Ela vem? — Bella perguntou, sentando-se ao meu lado no jardim.O mesmo jardim que, por meses, eu a proibi de frequentar.Só agora, ironicamente agora, o arrependimento encontrou espaço dentro de mim. Eu nunca fui um homem que se permitia esse tipo de sentimento, mas ali, observando a terra bem cuidada, as plantas crescendo livres, percebi o quanto fui pequeno ao tentar controlar até aquilo que florescia.Lilian amava cuidar das flores. Ela florescia junto delas.— Não — respondi curto.Passei quase vinte anos da minha vida empenhado em destruir os Petrov. Vinte anos respirando vingança, me alimentando dela, acreditando que tudo fazia sentido porque eu estava pagando uma dívida com o passado. Tudo isso por uma irmã que eu julguei morta. Uma irmã que, na verda

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