INICIAR SESIÓNA madrugada ainda pesava sobre o quarto, trazendo consigo o frio que a chama da lareira já não vencia. A cama guardava o cheiro do banho recente, o calor dos corpos e o silêncio de quem sabe que não terá muito tempo. Lisanne estava deitada contra o peito de Lian, a testa repousada na clavícula dele, respirando fundo como se quisesse prender em si o cheiro e o peso dele para sempre. — Preciso ir… antes que alguém acorde — sussurrou, embora a própria voz parecesse relutante. A mão dele deslizou até o meio das costas, firme, impedindo que ela se afastasse. — Não vai. Ainda não. — A voz era baixa, grave. — Fica mais um pouco. Ela sorriu pequeno, vencida pelo tom, e se aninhou outra vez. Talvez ainda houvesse alguns minutos antes que o mundo lá fora reclamasse a presença dos dois. …. Meia hora depois, o quarto ainda guardava a penumbra. Lian estava recostado à cabeceira, já vestido com uma camisa leve e a calça escura; Lisanne, ainda com o robe de tecido fino sobre a camisola, anin
⚠️ CAPÍTULO COM CONTEÚDO ADULTO EXPLÍCITO ⚠️ O tempo não parou. Pelo contrário, avançou com a precisão silenciosa dos ponteiros que ninguém vê, mas todos sentem. E, para Lisanne, cada volta parecia mais lenta. Um mês se passou desde o último contato mais próximo com Lian — aquele breve momento na cidadela, quando pode sentir brevemente a saudade dele. Os dias seguintes se diluíram entre a cozinha e o escritório, divididos entre as tarefas com Lara e as longas horas ao lado de Day — registrando, organizando documentos, ajudando no fluxo de pedidos e entregas para as casas sob proteção da mansão. Josy também não havia voltado devido ao seu primeiro sono da gestação, Jaden não quis arriscar uma viagem com ela naquele estado, então permaneceram no norte. Day era calma, observadora, e falava apenas o necessário — mas havia nela uma leveza que tornava o convívio fácil. Com Lara, a rotina se alternava entre risadas contidas e broncas carinhosas quando Lisanne insistia em mexer em recei
Três dias depois da chegada de Lian... A cidadela noroeste estava mergulhada num silêncio espesso quando Lian deixou o depósito principal. A noite trazia um vento cortante, carregado com o cheiro de fumaça das chaminés e o gosto metálico da umidade. As lanternas presas nos postes lançavam círculos de luz amarelada, deixando sombras largas entre um feixe e outro. Cada passo ecoava no calçamento, acompanhado pelo som distante de uma porta sendo fechada em alguma rua lateral. Havia passado o dia inteiro supervisionando o transporte de recursos, ajustando rotas de patrulha e resolvendo imprevistos. Agora, com os homens já dispersos, sentia o peso de um espaço que não tinha a respiração de Lisanne em algum cômodo próximo. Nem o cheiro sutil da mansão em Heradhor, nem o som leve de passos que ele já reconhecia no meio de dezenas. Aqui, havia apenas pedra, vento e a solidão funcional de um posto de guarda. Dobrou a esquina e a viu antes de ela falar. Encostada na parede de pedra, qu
A noite se espalhava pela mansão quando Lian e Nick atravessaram o corredor silencioso em direção à biblioteca. O som ritmado dos passos ecoava sob o teto alto, abafado pelo tapete central, mas ainda forte o bastante para ressoar nas paredes. O ar cheirava a cera de vela e madeira antiga, e a ala leste parecia mais fria que o restante da casa. Antes de chegarem à mesa central, Hérus já os aguardava à porta da sala menor ao fundo — um espaço reservado, onde só entravam assuntos que não podiam ser tratados diante de todos. Lian trocou um olhar rápido com Nick, um aceno quase imperceptível que dizia o que nenhum dos dois precisava falar: aquilo não era uma conversa comum. A sala tinha estantes baixas cheias de registros, mapas enrolados e um grande painel de madeira coberto por marcadores metálicos. O cheiro de tinta fresca e pergaminho misturava-se à fumaça de candelabro, projetando sombras longas sobre o mapa. Hérus ergueu o rosto assim que entraram. O olhar era o de quem avalia a
Quando Lisanne deixou a biblioteca, o silêncio se instalou como um manto espesso. Hérus não se moveu de imediato. Apenas encarou a porta fechada, como se as últimas palavras dela ainda vibrassem no ar. Lentamente, fechou o livro e o deixou sobre a escrivaninha, os dedos percorrendo a lombada num gesto distraído, enquanto a mente pesava mais do que as mãos. Lian sempre fora reservado. Quieto. Um predador paciente, mais inclinado a observar do que a intervir. Mas desde a volta do litoral havia algo… deslocado. A voz carregava um peso novo, e os gestos vinham com firmeza calculada. Antes, com Lisanne, ele se aproximava aos poucos — um jogo de olhares, quase inocente. Agora, havia menos descoberta e mais controle. Talvez fosse apenas amadurecimento. Ou talvez fosse outra coisa. Hérus sabia, pelos séculos que trazia nas costas, que mudanças assim nunca vinham sem motivo. Subindo para os aposentos, encontrou Day sentada na poltrona junto à janela, banhada pelo entardecer. A luz dour
A névoa da manhã ainda abraçava as janelas da mansão, como se o mundo lá fora quisesse permanecer adormecido por mais algumas horas. O silêncio do saguão foi cedendo aos poucos, preenchido pelos primeiros sons de movimento — passos medidos, portas rangendo, o estalar suave da madeira aquecida pela lareira que ainda ardia em brasa. Lian ajeitava as luvas diante do espelho lateral. O sobretudo escuro moldava-se ao corpo como uma segunda pele, sem adornos ou detalhes supérfluos. A postura ereta, contida, não era apenas disciplina… era um esforço consciente para conter tudo o que fervia por dentro. O rosto permanecia impassível, mas os olhos — fixos no reflexo — carregavam um brilho denso demais para se explicar como mera prontidão para uma missão. Nick surgiu pelo corredor com o casaco jogado nos ombros, uma maçã mordida na mão. Atravessou o salão com passos preguiçosos e um sorriso enviesado. — Quem diria… você madrugando para os deveres oficiais. Milagre ou possessão? — provocou, n







