INICIAR SESIÓNAfonso Vilares morreu deixando uma fortuna, uma mansão e segredos capazes de destruir os próprios filhos. Para receberem a herança, os quatro irmãos deverão viver durante doze meses sob o mesmo teto com suas esposas — mulheres que se odeiam, se provocam e escondem verdades perigosas. No meio dessa guerra está Chelsea, a jovem amante de Luke Vilares, desejada por ele com uma intensidade quase obsessiva e escolhida por Afonso para encontrar aquilo que ninguém deveria descobrir. Três caixas. Três mulheres. Três segredos. Enquanto desejo, ciúme e traição queimam dentro dos quartos da mansão, antigas mentiras começam a vir à tona. Porque na família Vilares, amor nunca foi suficiente. E algumas verdades são capazes de destruir muito mais do que um casamento.
Ver másChelsea Ramires não atravessava uma passarela. Ela a dominava.
O salto marcava o ritmo sob a música, firme e calculado, e cada flash parecia persegui-la como se o restante das modelos tivesse desaparecido. O vestido existia para ser visto; Chelsea, porém, fazia parecer que a peça existia apenas porque estava em seu corpo.
Afonso Ambrouse Vilares acompanhou o desfile com um sorriso discreto. Conhecia aquela garota desde antes de o mundo aprender a chamá-la de modelo, e gostava do que via: postura, coragem, uma língua afiada e a irritante incapacidade de abaixar a cabeça para alguém.
Os cabelos negros desciam pelas costas, a pele bronzeada se destacava sob as luzes e os olhos verdes, quando encontravam uma câmera, não pediam atenção. Exigiam.
Afonso desviou o olhar para o homem sentado ao seu lado.
Luke, seu filho mais velho, não piscava.
— Quando vai criar coragem para convidá-la para sair? - Afonso perguntou, baixo o bastante para não competir com a música. Luke sorriu sem tirar os olhos da passarela. — Continue demorando e outro homem vai perceber o que você está desperdiçando.
— Você já tem noras demais para se preocupar com uma nova, pai. - Luke tentou soar indiferente. O olhar preso em Chelsea o traiu antes mesmo de terminar a frase.
— Eu não gosto das outras. Elas não fazem meus filhos felizes - Contou, mas dessa vez, chamou atenção de Luke ao lado que lhe encarou rapidamente. — Eu sei das coisas, pequeno Luke.
— Devia me contar. Gosto de saber de todas as fofocas da família - Voltou para o palco onde as luzes se acediam para dar lugar à música baixa e aos aplausos da grande estilista que montará o desfile grandioso daquela noite. Os homens levantaram para aplaudir a mulher que voltava com todas as suas modelos para o palco, e claro, sua filha Chelsea que sorria cordialmente parando apenas em Luke. Ele abriu um sorriso. Ter sua atenção era especial demais que nem podia esconder. — Afinal, eu sei de uma que meus irmãos se matariam para conseguir.
— E posso saber qual é? - O desfile havia terminado quando os homens se olharam novamente.
— Você a senhora Ramires. - Sorriu malicioso fazendo Afonso até abrir a boca para comentar o fato, mas preferiu ficar calado.
Desde a morte de sua esposa, nunca passou por sua cabeça ter outro relacionamento sério com qualquer mulher. Tinha suas namoradas e sempre deixava claro que tudo não passava de alguns dias. Afonso não era o tipo de pessoa que buscava apoio ou amor nos braços de outra mulher. Não quanto o amor da sua vida já tinha partido.
No entanto, conhecer um pouco melhor Marisa Ramires lhe proporcionou picos de prazer e carinho que lhe trazia paz, alguns momentos de alegria e até felicidade ao ter a pequena Chelsea o chamando de pai. A amizade de longa data se tornou um namoro oculto, onde nem Afonso ou Marisa queriam expor. Suas carreiras e famílias eram agitadas demais para aquele tipo de “fofoca”.
— Meus parabéns - Afonso apertou a mão da sua pequena paquera seguido de um abraço apertado na frente de todos os presentes. Muitas modelos, fotos sendo tiradas, revistas precisando de capas e repórteres que pareciam querer ler seus pensamentos, não podiam mostrar muito. — Outro desfile sensacional.
— Tudo graças aos tecidos das empresas Vilares, não há outro melhor - avisou e mirou no outro ao lado. — Luke, é um prazer te ver aqui. Mora a tanto tempo de Seant e nunca te vi assistir qualquer desfile sentado na plateia, seja bem-vindo, espero te ver mais vezes. - Abraçou o mais novo por alguns segundos. — O que achou?
— Que foi incrível. Tudo, as luzes, a música, as modelos. Os desenhos, as roupas estavam incríveis.
— E a Chelsea? - Murmurou para o homem que abaixou o olhar um momento dando um sorriso de canto. Será que todo mundo já tinha notado seu interesse particular? — Não vejo a hora de vocês pararem de flertar um com o outro e finalmente assumirem um namorinho. Não vai machucar nenhum dos dois, aposto - Afonso achou graça junto da mãe da menina.
— Posso a convidar para um jantar? Um jantar em família. Estarei voltando para Valcolink em alguns dias, quero aproveitar as férias ao máximo, e prolonga-la - Avisou aos dois presentes, mas acertou em cheio apenas o coração de Marisa que assentiu sem dizer nada.
— Claro que sim. A festa acontecerá no andar debaixo, podemos ir para minha casa. Todo mundo - Voltou a olhar para Luke que queria sair do jantar mesmo sem ter chegado lá, não queria ser o único a segurar vela. — Vou chamar Chelsea para irmos, e nos encontramos no estacionamento? Mais discreto, se me permite dizer.
Afonso sorriu quando a viu dar as costas e caminhar por entre as pessoas dentro de seu vestido vermelho rodado onde mostrava as pernas bonitas. Se ele estava velho demais ou não, gostava de apreciar bonitas pernas, além de está perto daquela mulher. Alguma coisa em sua alma dizia que poderiam ter algo mais sério. Ou eram apenas consequências de noites tórridas de um sexo envolvente?
— É engraçado te ver babando por outra mulher que não seja a minha mãe - Luke comentou enquanto desciam para o estacionamento e toda aquela barulheira ia ficando para trás. — Não estou dizendo que não gosto, longe de mim. Acho que demorou muito para que conhecesse alguém que gostasse de verdade e ter algum tipo de… Relacionamento. Não sei que nome dar a duas pessoas tão velhas tentando ter relações.
— Diferente do que você pensa, sou um homem novo, e estou dando conta do recado. - Avisou em tom de brincadeira e logo acharam o carro de Luke — Diferente de você, que vai namorá-la com os olhos e logo vê-la namorar, com outro depois.
— Eu tenho uma vida cheia. Cuido da sua filial aqui e da minha própria empresa. Reuniões para todo lado e convites de festas que não quero ir, mas muitas vezes são necessárias. - Se se encostou ao carro soltando um longo suspiro. — Não quero que ela se prenda a mim desta forma. Não tenho tempo de ir a todas as entrevistas ou sessões de fotos desfiles ou boates que ela sempre está para apresentar a agência de modelos. - Contou de repente e Afonso estreitou os olhos dando um sorriso. — Não que eu esteja seguindo ela em todas as redes sociais, não foi isso que quis dizer.
— Chelsea é uma garota de vinte anos, é nova, mas mantém uma postura madura, o que me incomoda em não casá-la com um filho meu. E você e o mais velho, o único solteiro e o homem que está a paquerando com os olhos há muito tempo. Eu estou surpreso com essa calmaria, paciência.
Luke riu de canto, outra vez, abaixando a cabeça. Ele tinha Chelsea em sua mente como uma garota nova que jamais daria bola a um homem mais velho, não importava a troca de olhares ou aquele sorriso grande com seus charmosos lábios quase o chamando. Não ia perseguir a garota sem mais nem menos.
Mas gostaria de saber a opinião dela ao seu respeito. Seria o Luke Ambrose Vilares velho demais para seu rosto gentil como de uma boneca de porcelana? Ela talvez desejasse um namorado da sua idade que pudesse sair e se divertir com assuntos e lugares de jovens. Ele não teria todo esse fogo para segui-la a todo o lugar.
Mas com certeza teria uma grande paixão para oferecer, além de uma admiração tão grande que chegava a não caber no peito. Será que aquilo ainda era caracterizado como admiração? Ou era paixão? Amor? Encanto? Tantas coisas ao mesmo tempo.
— Marisa… - Afonso chamou pela mulher que apareceu rapidamente, Luke se ajeitou em frente ao carro e quis rir quando, enfim, longe de tantas câmeras, seu pai acabou por não apenas abraçar a mulher como lhe roubar um selinho. Um sorriso gracioso dos dois foi mostrado. Ela também parecia gostar de seu velho. — Vamos, vou abrir a porta para você.
Com todo cuidado do mundo, ele se direcionou ao banco de trás dando passagem para Marisa entrar sem nunca tirar o sorriso do rosto. Luke observava tudo, até se dar conta de que também era observado. Encarou a garota que sorriu cruzando os braços, entreolhando o casal e Luke que assumiu uma postura rapidamente.
— Oi. - Cumprimentou a menina logo abrindo a porta do carro para ela entrar.
— Espero que você esteja nervoso por causa do casal que não desgruda, e não por minha causa. - Falou enquanto o encarava ambos fora do carro, os outros dentro de seus mundinhos apaixonados. — Eu vi o quanto me olhou na passarela.
— Não tinha como não olhar. - Devolveu fazendo-a sorrir — Você desfilou muito bem.
— Obrigada. Mas na verdade não sei se agradeço pelo elogio, ou a Afonso por ter consigo te trazer. É bom te ver, Luke, pessoalmente e tão de perto. - sussurrou a última frase e depois de outro sorriso entrou no carro deixando o moreno sem palavras.
— Vai ficar insuportável — Liam comentou.— Já é — Lorenzo respondeu.— Ela puxou o pai.Leon e Lorenzo se encararam.— Qual deles? — Leon perguntou. Todos começaram a rir.Até Afonso. A risada foi diminuindo lentamente. E pela primeira vez aquela sala pareceu leve. Não feliz. Ainda havia cicatrizes. Casamentos destruídos. Confianças quebradas. Uma paternidade roubada. Dinheiro desviado. Uma criança prestes a nascer dentro de uma família que já começava separada. Mas as mentiras haviam acabado. Luke se desencostou da parede.— Falta uma coisa. — Afonso olhou para ele. — Chelsea. — Afonso abriu um sorriso.— A única escolha decente feita por um filho meu.— Ei — Liam reclamou.— Eu estou solteiro. Pode continuar — Lorenzo incentivou.Luke riu.— Por que ela? — Afonso entendeu a pergunta. — Por que deixou tudo para Chelsea encontrar?Afonso olhou para a janela.— Porque ela não tinha nada a ganhar destruindo vocês.Os irmãos ficaram em silêncio.— Chelsea tinha dinheiro próprio. Carreir
Leon ficou de pé também.— Nós chegaremos nessa parte.A voz dele era assustadoramente calma.— Primeiro termina de explicar como conseguiu colocar um caixão vazio no meio da nossa sala. — Afonso massageou a testa. — O caixão realmente estava vazio.Liam arregalou os olhos.— Eu sabia!— Você não sabia porra nenhuma — Lorenzo rebateu.— Eu sempre achei estranho não podermos abrir.Luke olhou para Afonso com uma expressão que misturava incredulidade e vontade de rir.— Nós rezamos para um caixão vazio.— Basicamente.— Pai!— Eu sei que parece horrível quando digo assim.— Parece horrível de qualquer jeito! — Leon rebateu.Afonso levantou as mãos.— O hospital alegou que meu corpo não deveria ser exposto por causa dos procedimentos e da transferência. Meu advogado cuidou do restante.— Seu advogado é um criminoso — Luke murmurou.— Um excelente criminoso.Lorenzo caiu na gargalhada.— Eu não acredito nisso.Afonso também quase sorriu.— A documentação real permaneceu sob sigilo. Eu não
— Eu atravessei o inferno para chegar até este casamento, Luke. Não ouse transformar o dia da pequena Chelsea em um interrogatório.Foi apenas quando ouviu o nome dela que Luke pareceu lembrar onde estava.Virou-se.E encontrou Chelsea no início do corredor.Os olhos dela estavam cheios de lágrimas.Mas havia um sorriso ali.Um sorriso tão bonito que alguma coisa dentro dele finalmente se acalmou.Afonso acompanhou seu olhar.— Além disso... — murmurou. — Passei anos dizendo que queria essa menina como minha nora. Não vou perder justamente a parte em que finalmente consigo o que queria.Chelsea riu no meio do choro.— Você continua mandão.— E você continua respondona.— Pensei que estivesse morto. Posso me dar esse direito.Afonso abriu os braços.Chelsea não resistiu.Entregou o buquê para Marisa e correu até ele.O abraço foi apertado.— Eu senti sua falta — confessou contra o peito dele.Afonso beijou seus cabelos.— Eu também senti sua falta, pequena.— Isso foi cruel.— Eu sei.
— Ah minha maquiagem — Reclamou ao ver Chelsea se aproximar para um abraço forte. — Você está tão linda.— Senti a sua falta. Senti muito a sua falta — Avisou ainda a abraçando e se pudesse não soltaria por um longo tempo. Mas é claro, não podia se dar esse luxo no momento — eu não posso chorar ou vou acabar com minha maquiagem, olha o que está fazendo.— Lágrimas de noiva é sinal de boa sorte. Lea, e estou feliz em finalmente conhecê-la, sua filha fala muito de você. — Cumprimentou a mais velha que assentiu gostando do agrado. — Eu vou deixar vocês sozinha, mas lembrem-se, vocês tem apenas alguns minutos, conversam, matem a saudade e desça, o Luke está desesperado a voou da lua-de-mel sai à meia noite.Chelsea acabou rindo, todo mundo se preocupou em preparar-se para o casamento, com convidados, roupas e flores, enquanto Luke, Liam, Leon e Lorenzo fizeram uma rota de lua-de-mel para os pombinhos como presente de casamento. Podia reclamar dos seus cunhados, claro que não.— A minha me






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