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last update Fecha de publicación: 2026-05-11 09:55:27

O trajeto se tornou uma tortura. Em três ocasiões ele tentou arrancar dela um endereço coerente, mas Alisson só respondia com grunhidos sonolentos ou palavras mastigadas que se perdiam no ronco do motor.

— O que eu supostamente devo fazer com você? — perguntou-se, batucando os dedos no volante.

Ele apertou o volante com força. O que passou por sua cabeça foi que talvez pudesse deixá-la na calçada de algum hotel, mas a paranoia começou a corroer seu juízo. Se ela caísse, se alguém a roubasse ou se, por azar, a imprensa a encontrasse jogada após ter saído de seu carro, sua cabeça rolaria no conselho de administração. Era um problema que ele não queria enfrentar.

— Maldita seja a minha sorte — murmurou, desviando-se para a rampa privativa do seu prédio.

Ao chegar à sua vaga de garagem, o silêncio do motor desligado não a acordou. Massimiliano deu a volta no carro e abriu a porta do passageiro. Foi então que a luz branca da garagem iluminou a cena: Alisson tinha um arranhão sangrento no joelho, resultado da queda no asfalto. Uma linha vermelha escorria por sua perna pálida, manchando o estofado de couro.

— Acorda — pediu ele, balançando o ombro dela com brusquidão. — Não vou te carregar, mexa-se.

Alisson entreabriu os olhos, desfocada e profundamente mal-humorada.

— Me deixa... quero dormir. Julian, apaga a luz... — murmurou, tentando se encolher no banco.

— Não sou o Julian e este não é o seu maldito quarto. Fora! — Massimiliano perdeu a pouca paciência que lhe restava. Pegou-a pelos braços e a tirou do carro quase à força.

Ela soltou um gemido, cambaleando. Ele, paranoico, olhou para todos os lados procurando câmeras ou vizinhos curiosos. Praticamente a arrastou para o elevador privativo que levava direto à sua cobertura. Felizmente, não houve testemunhas.

Ao entrar no luxuoso apartamento, Alisson nem sequer reparou nas janelas do chão ao teto ou nos móveis de design italiano. Só via sombras turvas. Massimiliano a deixou cair no sofá de couro preto, mas ao ver que o sangue do seu joelho continuava pingando, soltou um suspiro de frustração. Não podia deixá-la assim; seu senso de ordem o impedia de permitir que ela manchasse sua mobília.

Foi buscar um kit de primeiros socorros. Quando voltou, encontrou-a rindo feito boba, tocando as estatuetas da mesa de centro com dedos desajeitados.

— Quieta! — ordenou ele com voz forte, e ela deu um sobressalto. Sentiu até os pelos se arrepiarem ao ouvir a voz dele, e uma sensação em forma de formigamento dentro do peito, mas o medo também era real.

Alisson se assustou, levantando a cabeça. Viu-o embaçado, porém imponente. De repente, só soube que precisava se afastar dele. Levantou-se tentando fugir, tropeçando nos próprios pés enquanto Massimiliano apenas a observava, tentando entendê-la.

— Tenho que sair daqui! Você me sequestrou! — acusou ela em um balbucio quase incompreensível, cambaleando em direção ao corredor.

Massimiliano a alcançou em dois passos largos. Foi muito fácil. Envolveu sua cintura, colando-a ao seu corpo sólido. Naquele momento, seus olhares se cruzaram. Ele viu a instabilidade naqueles olhos verdes vidrados e ela viu um par de safiras que a penetravam. A tensão foi tão profunda que Massimiliano quebrou o contato visual imediatamente, erguendo-a do chão para sentá-la sobre a mesa de jantar de mármore.

— Cale a boca e não se mexa — sentenciou.

Ele se ajoelhou entre as pernas dela e começou a levantar a saia do seu vestido para alcançar a ferida. Alisson engoliu em seco com dificuldade. Daquela altura, podia ver a perfeição do rosto dele: o cabelo escuro perfeitamente penteado, os cílios longos que emolduravam seus olhos intensos e aquela mandíbula viril que se tensionava a cada movimento. Ele limpava o joelho com uma delicadeza que não condizia com o tom de sua voz. E ela estava ali, sentindo-se cheia de emoções conflitantes.

— Devo estar no céu... só no céu existem anjos, embora você seja um... — sussurrou ela, perdida na névoa do álcool.

Massimiliano levantou a cabeça, erguendo uma sobrancelha com desprezo.

— No céu? Você deveria ficar calada, amanhã vai se arrepender de cada palavra — resmungou ele.

— Pode ser que você tenha razão... — emitiu ela baixinho, mas algo dentro dela se partiu. Estava farta de ser a boa moça, a melhor amiga ignorada, a funcionária perfeita.

Quando ele terminou e guardou o algodão, fez menção de tirá-la da mesa, mas Alisson foi mais rápida. Em um movimento impulsionado pela audácia da embriaguez, enganchou as pernas ao redor do quadril de Massimiliano e entrelaçou as mãos no pescoço dele, obrigando-o a ficar a centímetros do seu rosto.

— O que diabos você acha que está fazendo? — rosnou ele, com a voz se tornando perigosa.

— Não sei... — sussurrou ela sobre os lábios dele. — Talvez eu esteja cansada de ser a que sempre segue as regras. Quero sentir algo real, algo que me faça esquecer. Só quero viver o momento.

— Você perdeu o juízo! Só... — parou de falar porque ela colou os lábios nos dele.

Alisson o beijou. Foi um beijo cheio de desespero. Massimiliano tentou afastá-la por um segundo, mas o gemido que ela soltou contra a sua boca foi o estopim. Seu autocontrole, aquele do qual tanto se orgulhava nos negócios, virou pó. Ele investiu contra ela com uma fome que o surpreendeu a si mesmo.

— É isso que você quer? — questionou ele com a voz mais rouca que o habitual.

Alisson, fora de si e querendo apagar a lembrança de Julian, assentiu.

Ele a pegou no colo, desta vez com uma urgência elétrica, e caminhou até a suíte principal. Alisson sentiu que o mundo girava até que suas costas afundassem na maciez da colcha de seda. O contraste do frio dos lençóis com o calor do corpo de Massimiliano a fez arquear as costas.

Ele não parou. Suas mãos, antes delicadas com a ferida, agora eram possessivas. Beijou suas coxas enquanto as roupas desapareciam na penumbra do quarto. Alisson, longe de se assustar, exigiu mais daquelas carícias, enredando os dedos no cabelo escuro dele.

Para ela, tudo era uma descoberta nova, uma explosão de sensações que nunca havia sentido com ninguém. Para ele, que já tinha tido centenas de mulheres, aquilo parecia estranhamente diferente. Não era apenas sexo; era como se algo real estivesse derretendo o gelo dentro dele.

Naquela noite, entre os lençóis de seda, Alisson Harper entregou tudo de si a um estranho. A primeira vez que passava a noite com um homem, sentindo que estava nas nuvens para depois cair em queda livre.

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Último capítulo

  • PRESA PELO DESTINO DO CEO: Terei seus Gêmeos   153 Fim

    Seis meses depois, não havia imprensa, nem câmeras, nem convidados por obrigação. Apenas o aroma das peônias brancas, o sussurro do vento por entre os salgueiros e o som de uma pequena orquestra de cordas que tocava uma melodia suave, quase etérea. Alisson olhou-se uma última vez no espelho do quarto que Mariola lhe tinha preparado. O vestido, desenhado por ela própria, era uma obra-prima de seda minimalista que abraçava a sua silhueta recuperada, com um caimento que lembrava a água em movimento. No seu pescoço, a safira de Brenda brilhava com uma intensidade nova, como se finalmente tivesse encontrado o seu lugar na luz. — Você está linda, filha. — A voz de Mariola fê-la virar-se. A matriarca dos Fitzwilliam entrou no quarto com os olhos marejados, segurando a pequena Aurora, que usava um vestido de renda lilás feito sob medida —. Guido já está no altar com o Massimiliano. E o Alistair... bem, o Alistair decidiu que o dedo do avô é o melhor brinquedo do mundo. Alisson riu, um ris

  • PRESA PELO DESTINO DO CEO: Terei seus Gêmeos   152

    A cobertura dos Fitzwilliam tinha se transformado. Já não era apenas uma fortaleza de vidro e aço de onde Massimiliano dominava a cidade; agora respirava vida. Tinham se passado apenas três semanas desde o nascimento de Aurora e Alistair, mas a mudança no ambiente era absoluta. No entanto, naquela manhã em particular, o salão principal recuperou por algumas horas a sua antiga frieza corporativa.Os três advogados principais da firma que representava Lorenzo Santoro estavam sentados rigidamente nos sofás de couro. Em frente a eles, uma tela plana de alta resolução mostrava uma Alessandra Santoro abatida, transmitindo de uma vila isolada na Suíça. O seu rosto, antes uma máscara de perfeição e arrogância, agora refletia a insônia e a fúria de um animal encurralado.Alisson entrou na sala com passos firmes. Usava uma blusa de seda num suave tom lilás, elegante e confortável, um reflexo da paz que finalmente tinha conquistado para si mesma. Ao seu lado, Massimiliano caminhava com aquela pr

  • PRESA PELO DESTINO DO CEO: Terei seus Gêmeos   151

    Meses depois.O sol da tarde filtrava-se através das grandes janelas da cobertura, criando um caminho de luz pelo ambiente. O mundo seguia o seu rumo e ritmo, mas neste espaço, o tempo era medido de uma forma diferente: pelo ritmo dos chutes no ventre de Alisson e pelo suave tique-taque de um relógio de parede que marcava a paz recuperada.Alisson estava recostada num divã confortável, rodeada de almofadas. O seu ventre, agora uma curva proeminente e orgulhosa de quase oito meses, ditava cada um dos seus movimentos. Tinha um tablet entre as mãos, mas não estava analisando balanços financeiros nem notícias sobre a liquidação dos bens de Alessandra. Estava retocando o design de uma coleção infantil: "Dourado".— Se você continuar trabalhando, a Aurora vai nascer sabendo usar o Photoshop — brincou uma voz na entrada.Regina entrou na sala, segurando uma sacola de uma butique exclusiva e um café descafeinado. Parecia radiante, mas ao ver Alisson, a sua expressão enterneceu-se.— Não é tra

  • PRESA PELO DESTINO DO CEO: Terei seus Gêmeos   150

    O hospital estava em silêncio. Lorenzo Santoro já não era o magnata que fazia tremer a indústria imobiliária; era apenas um homem esgotado numa cama de oncologia. O monitor cardíaco marcava um ritmo lento, quase resignado.Ao seu lado, o seu advogado fechou uma pasta.— Tudo está pronto, senhor Santoro — avisou em voz baixa —. O fundo de garantia fiduciária de Aurora e Alistair é intocável. Nem Alessandra nem ninguém poderá tirar-lhes nada. Alisson tem agora o controle legal da empresa. Só falta a sua assinatura.Lorenzo pegou a caneta de ouro com esforço e assinou. Foi o seu último ato: desmantelar o seu império para proteger a única coisa que realmente importava.A porta abriu-se e Massimiliano Fitzwilliam entrou. Não havia tensão nem vontade de brigar no seu rosto, apenas um respeito sóbrio.— Você veio — sussurrou Lorenzo.— A Alisson está estável, mas continua sedada — respondeu Massimiliano, aproximando-se da cama —. O médico diz que os bebês estão fora de perigo. Venho em nome

  • PRESA PELO DESTINO DO CEO: Terei seus Gêmeos   149

    O trajeto para o hospital, ela ficou em silêncio. Massimiliano, com as mãos apertadas no volante e o maxilar rígido, não havia deixado de expressar a sua desconfiança. Para ele, Lorenzo Santoro era um estrategista nato, e custava-lhe acreditar na sua vulnerabilidade.— Alisson, apenas tome cuidado — advertiu ele enquanto estacionavam —. Você não tem que carregar os arrependimentos de última hora dele. A sua saúde e a de Aurora e Alistair é a única coisa que importa.Alisson suspirou, acariciando o ventre.— Massimiliano, ele não sabia que eu existia. Não posso culpá-lo de um abandono que não foi consciente, mas também não posso fingir que somos família. Eu só quero ouvir o que ele tem a dizer.Sob a estrita vigilância da segurança dos Fitzwilliam, subiram para o andar de oncologia. Ao chegarem ao quarto privativo, Alisson parou por um segundo. Massimiliano segurou a sua mão, dando-lhe uma força silenciosa antes de entrar.Lorenzo Santoro não estava numa cama, mas sentado numa poltrona

  • PRESA PELO DESTINO DO CEO: Terei seus Gêmeos   148

    O sol da tarde começava a se pôr, tingindo as paredes de vidro com tons de âmbar e lilás. Onde antes havia um quarto de hóspedes minimalista e frio, agora batia o coração do novo lar que Alisson e Massimiliano haviam construído.As caixas de madeira e as embalagens de seda estavam espalhadas pelo tapete branco.Alisson, sentada numa cadeira de balanço de madeira clara, observava Massimiliano. Era uma imagem que ela nunca se cansaria de guardar na memória: o homem que fazia tremer os mercados financeiros estava agora concentrado, com a testa franzida e as mangas da sua camisa branca arregaçadas, terminando de montar o segundo berço.— O que você acha? Tudo está perfeito para eles — disse ele com doçura.Alisson sorriu, sentindo um calor que se expandia do seu peito até ao seu ventre. Levantou-se com cuidado e caminhou em direção a ele. Massimiliano deixou as ferramentas de lado e levantou-se imediatamente para recebê-la, envolvendo a sua cintura com uma delicadeza absoluta.— Já está t

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