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05 - Amélie Petit

Autor: Anne Vaz
last update Data de publicação: 2023-09-07 20:30:48

Amélie Petit

Me recordo da forma bruta que o Tommáz me tomou naquele quarto no Moulin Rouge, em como mesmo ele aceitando estar vendado tentou me dar o máximo de prazer possível, em como mesmo tendo o som da outra dançarina no palco fazendo a sua apresentação fosse alto, o som dos nossos gemidos foi o suficiente para que criássemos uma bolha com o tesão que sentimos naquele momento, o fato de criar uma conexão com ele ali, foi algo que me deixou surpresa.

Faz alguns meses que terminei o meu último relacionamento, principalmente quando tinha o louco do Jacques no meu encalço, acabei ficando que o medo que sentia daquele agiota, que ele acabasse matando o meu ex. Não queria ter o sangue de um inocente em minhas mãos.

Começo a me servir do café que estava ali na mesa para os criados da mansão, mesmo que a minha chefe gostasse que me sentasse a mesa com ela, não via motivos para estar lá sozinha quando, pelo visto, eles estavam em reunião com a matriarca da família Miller.

A madame Enora Miller é uma senhora carismática e sempre disse que o meu namoro não levaria a lugar nenhum, que eu tinha beleza para destruir Troia e fazer homens de caráter duvidosos se renderem ao meu charme, sempre caio na gargalhada quando ela inicia esse assunto.

Mas é impossível não gostar da Madame Enora, ela é uma velinha que desejaria como uma avó, a mesma que estaria sentada ao meu lado para ouvir suas histórias de vida, assim como já ouvi algumas das suas peripécias da juventude.

Estava tão absorta em meus pensamentos que nem percebi quando Elisa se aproximou e tocou em meu ombro, causando um assombro e nos fazendo rir por derramar um pouco de café sobre a mesa da cozinha.

— Deixe isso aí menina… — Ouço a moça que prepara as refeições dizendo enquanto tento limpar a bagunça que causei.

— Desculpa se te assustei, mas conhece a minha mãe, ela está na mesa esperando por você para tomar café. — Reviro os olhos para a minha chefe preocupada.

— E você já tomou o seu? Daqui a pouco é seu grande momento! — Os olhos da Elisa se arregalam e um brilho de euforia me deixa feliz.

Mesmo trabalhando diretamente para a Noely, sempre tive um bom convívio com todas as mulheres da família, até mesmo com o ex-marido da minha chefe precisei lidar esporadicamente, mas quando eles finalmente se separaram devidos as diversas acusações de traições me livrei de ter que olhar para aquele cretino, que não merece a família maravilhosa que acabou ganhando.

— Estou eufórica… — Ela começa a falar e somos interrompidas por madame Enora, que interrompe a nossa fala, assim que nos aproximamos da mesa de café com a família toda reunida.

— Bom dia! Amélie, como está querida? — A doce vovó me cumprimenta e retribuo o seu sorriso.

Paro ao seu lado enquanto olho que o lugar que normalmente sento estava ocupado, deixando apenas a cadeira de frente para o Tommáz vago para mim.

— Deve conhecer o Tommáz não é “chérie”? — Olho para o neto que ela indica e apenas meneio com a cabeça.

— Eles se conheceram ainda pouco mamãe. — Percebo um olhar nascendo entre todos na mesa, o que me deixa intrigada com as trocas de olhares.

Caminho para a cadeira vaga e o irmão mais novo do Tommáz se levanta e gentilmente puxa a cadeira para poder me sentar. A mesa estava em uma conversa leve sobre o que se esperar da cerimônia que acontecera em algumas horas e principalmente para o primeiro dia de desfile que será no início da noite.

— Querida, se não fosse por Amélie hoje, tenho certeza que não conseguiríamos dar conta dos eventos. — Minha chefe fala com a mãe do Tommáz que estava sorrindo com gentileza para mim.

— Que isso, fiz apenas o meu trabalho, é minha função fazer de tudo para facilitar a vida de vocês hoje. — Digo com carinho para a Noely que estava algumas cadeiras ao meu lado.

Iniciamos uma conversa sobre o dia hoje, percebo quando Elisa se levanta e pede licença para poder ir se arrumar, tomo o café lentamente enquanto ouço os pedidos gentis da Noely, para falar com as modelos, principalmente as de peças intimas.

— Falando nisso, tia, essa madrugada encontrei uma peça branca assinada por você. — Ouvimos a voz do Tommáz fazendo todos o olharem. — No Moulin Rouge.

Quando ele falou me engasguei com o brioche que havia acabado de colocar na boca, merda ele reconheceu a peça, mas como assim ele sabe que a peça que estava dançando faz parte de uma coleção da Miller?

— Por isso que chegou tão tarde! — Ouço a voz de Emily repreendendo o filho que continua tomando o seu café tranquilamente.

O que faz que a atenção de todos saiam de mim e se volte para o sorridente safado que estava na minha frente, sinto um rubor crescendo no meu rosto quase como uma confirmação que era a mulher mascarada que usava uma peça exclusiva de alta costura, enquanto dançava no poli dance no bordel mais famoso do mundo.

Baixo o olhar quando percebo que chamei atenção de quem menos queria nesse momento, a matriarca Miller, seus olhos estreitos me sondavam, enquanto uma conversa paralela circulava entre os outros componentes da mesa, praticamente travava uma batalha de olhares com a doce vovó.

— Mas que peça é, talvez eu te ajude a encontrar a tal mascarada. — Ouço Noely falando as risadas, enquanto volto com a minha atenção para a conversa.

— Uma branca com renda portuguesa, a parte de trás da calcinha era cavada deixando ela quase como um fio dental… — Sinto o olhar de minha chefe em cima de mim.

— Acho que essa peça não deva ser minha, Tom! — Ouço Noely falando e mantenho o meu olhar em minha xícara vazia.

Sentia vergonha de olhar para qualquer uma das duas, pelo simples fato de que o linguarudo disse onde encontrou a tal lingerie exclusiva, nem é pelo fato de ter ido para cama com ele, apenas a vergonha por dizer que estava no Moulin.

Deixo uma respiração sair de mim, com a tristeza de ter que encarar as duas mulheres que provavelmente vão me encher de perguntas assim que for possível.

— Vamos nos arrumar família, que daqui a pouco é hora de casar a nossa Elisa. — Ouvimos a voz de Emily, o que foi o suficiente para que me erguesse da mesa e tentasse ir trabalhar.

— Amélie, preciso que você resolva algo comigo! — Suspiro derrotada quando ouço a voz da Enora na ponta da mesa, viro em sua direção e me aproximo dela para ajudar a se levantar.

Ajudo a vozinha caminhar, deixamos todos ou outros conversando sobre a noite em Paris, aparentemente Tommáz e Ethan já tinham alguns planos para a noite após o desfile da primeira noite, madame Enora estava com um sorriso no rosto que me parecia que ela estava tramando alguma coisa, caminhamos e entro com ela no escritório que ela tem ao lado da escada tão linda e cheia de ornamentos, deixando a sua mansão com certo requinte ao luxo.

Assim que entramos no amplo escritório, caminhamos até um sofá de frente para a mesa de carvalho escuro, ajudo para que ela se acomode em meio as almofadas que faziam parte da decoração do lugar.

— Por que estou vendo culpa em seus olhos jovem? — Ouvir a sua pergunta, sinto que uma bola em meu peito quase me sufoque, apenas dou de ombros para a sua pergunta.

— Percebi os seus olhares, mesmo que muito discretos, os percebi. — Não foi uma acusação, ela apenas deixou sair o que percebeu, respiro fundo e decido falar a verdade.

— Estava apenas dançando para juntar um pouco de grana Madame. — Confesso. — Não imaginei que chamaria atenção do seu neto, mas ele não me viu. — Digo.

Ouço a sua gargalhada, o que me assusta e olho com atenção para a velinha sentada ao meu lado no sofá segurando agora as minhas mãos. Não consigo explicar em como me sinto confortável no meio delas, quando as conheci acabei me sentindo acolhida por elas assim que comecei a trabalhar diretamente para a Noely e sempre estava fazendo algo para auxiliar a Madame Enora ou a Elisa com o seu casamento.

— Não me importo o que estava fazendo, ou o que faz depois do seu expediente querida, o que está me interessando é que você fez algo que deixou o meu neto curioso. — Estreito os olhos sem entender o que ela falava.

— Madame não estou entendendo o que está querendo me dizer… — Somos interrompidas por Noely que abre a porta com um sorriso convencido no rosto.

— Me diz que é você a Cinderella? — Noely entra no escritório com um sorriso enorme no rosto e me afundo no sofá, com vergonha das duas mulheres que são um ícone para mim.

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Último capítulo

  • PROCURA-SE UMA NOIVA   Agradecimento

    Queridas leitoras, meu muito obrigada por estarem acompanhando a história de minha francesa e seu herdeiro mulherengo. Somente aqui na Buenovela somos 7mil visualizações e mesmo que seja um número muito pequeno ainda assim, sou grata a cada uma de vocês.Sou grata a cada comentário, votos, desbloqueios com moedas e até mesmo bônus. A cada novo seguidor no Instagram que vem acompanhando as notícias dos tabloides europeus que montei apenas para deixar vocês entusiasmadas com os pequenos spoilers.Deixei para vocês vários ganchos de novas histórias, mas por hora, escreverei “Um anestesista em minha vida”, assim que estiver perto de concluir o livro, vou continuar escrevendo “Minha Estagiária”, e como viram pelo bônus, teremos a história desses dois, que tenho certeza que será algo bem quente e bastante problemático.Uma vez que tanto Ella como Léo, não tem ideia quem são as pessoas que cresceram com eles. Escrevê-los deve acontecer em algum momento até o fim do ano, aqui na plataforma ou

  • PROCURA-SE UMA NOIVA   Bônus

    Ella WalkerEstava me preparando para estudar em Chicago, passarei pelo menos dois anos na casa dos meus avós enquanto faço essa extensão em administração e gerenciamento que quero para poder trabalhar na Miller.Enquanto desejo cuidar das empresas Miller, meu irmão ficou para cuidar da filial Walker que está em expansão em Paris, nosso pai conseguiu fazer com que a empresa crescesse ano após ano.Termino de arrumar minhas malas sob o olhar atento do Léo, por várias razões ele estava irritado pela minha ida, mas sabia que o motivo real é que ele não poderia ficar perto da Fay Carter pelo próximo ano. Já que precisa trabalhar na Miller e na Walker enquanto estiver na América.— Queria poder ir junto! — Ele queixa novamente.— Quando tiver um feriado vá, tenho certeza que papai não se importará. — Digo ao segurar o meu passaporte.— Até parece que madame, Amélie Walker, deixará! — Respiro frustrada.Porque sei que a nossa mãe é contra a nossa relação com os Carter, mas nunca nos disse p

  • PROCURA-SE UMA NOIVA   Epílogo

    Tommáz WalkerJá se passaram cinco anos que me mudei para Paris, esse ano decidimos comemorar o quarto aniversário dos gêmeos em um lugar novo, havíamos chegado a Chicago no início da semana para aproveitar o fim da gravidez da Melissa e comemorar o aniversário dos meus filhos.Meu irmão Ethan está tão protetor ao lado de sua esposa ou até mais do que fui com a Amélie durante a gestação dela. Não deixamos de nos divertir com o jeito que ele orbita em torno da mulher que mal consegue mais andar.Observava meus filhos correndo por toda a área gramada da casa da tia Emma, estávamos de olho nas crianças que se divertindo com as outras que havíamos convidado para brincarem com elas.Não podíamos estar mais felizes com tudo o que estava acontecendo atualmente no nosso meio.Amélie estava terminando a faculdade que sempre sonhou em fazer, ela deixou de trabalhar como assistente da tia Noely, mas treinou outra garota para fazer o seu papel. Agora ela trabalhava como relações-públicas da Mille

  • PROCURA-SE UMA NOIVA   56 - Amélie Walker

    Amélie WalkerOs meses se passaram e mesmo que a Rafaela tenha sido praticamente sequestrada por um dos homens da máfia que havia nos ajudado a nos livrar do Jacques. Sabíamos que ela estava bem, já que ela não deixava de se comunicar diariamente comigo para saber se o Tom estava fazendo os exercícios corretamente.Levanto da cama com dificuldade com a barriga de oito meses, continuo sentindo o cansaço de passar ontem o dia no hospital com a Laura que depois de um pico de pressão acabou tendo o seu parto feito em emergência, mas seu pequeno Scott, precisou ir para a incubadora.Havia decidido não saber o sexo dos bebês, mas assim que Rafaela foi levada da mansão tive um mal-estar pelo nervoso e com o Tom nervoso não pedimos para a médica manter o segredo e ela acabou nos dizendo que esperávamos um casal.Então hoje nos temos a Ella e Léo, a novidade deixou a família toda em festa e o motivo de que minha sogra praticamente tenha se mudado no início do mês para acompanhar o fim da minha

  • PROCURA-SE UMA NOIVA   55 - Tommáz Walker

    Tommáz WalkerSabia que a minha francesinha estava fingindo uma tranquilidade inexistente naquele momento, assim como em mim também. Quando consegui escapar um pouco dos holofotes da imprensa, fui até onde a minha esposa conversava com a minha avó.Por sorte não recebemos nenhum comentário sobre o que havia acontecido no arco do triunfo, parece que as notícias ainda não haviam chegado até os jornalistas que estavam para fazer a cobertura do desfile de amostras da casa Miller. Agora olhando para a minha esposa um pouco mais distante, conversando com alguns estilistas e com a minha avó ao seu lado, estava muito mais calmo e tranquilo.Um pouco antes já havia atendido uma ligação do Henrique dizendo que ele já estava com Jacques e que não precisavam mais nos preocupar com ele, mas que eles tinham que partir, houve um imprevisto e eles tiveram que sair daqui às pressas, ao que entendi alguém foi atingido.Algo que não tenho pretensão de compartilhar com Amélie, não a quero preocupada e pr

  • PROCURA-SE UMA NOIVA   54 - Amélie Walker

    Amélie Walker Acordar e ver a russa misteriosa na minha sala com o meu marido foi o alerta de que tudo estava acontecendo ao nosso lado. Hoje é o dia do desfile para poucos convidados na Miller. Tenho certeza que Jacques tentará algo, principalmente que sairemos de casa pela primeira vez sem ter tantos seguranças, primeiro por que a intenção é pegá-lo para nos livrar dessa situação. Mas agora com o que aconteceu essa madrugada entre eles com todo esse fogo amigo tem o risco de que mais pessoas saiam machucados. No café da manhã, já estava usando um conjunto de blazer da Armani que foi desenhado para mim, como o tempo havia esquentado um pouco por baixo usava um crooped e uma calça de alfaiataria para compor um estilo social. Antes de acordamos, a russa em questão já não estava mais no apartamento, o que nos preocupou! Tom já estava pronto, enquanto tomava o café que a nossa governanta havia preparado, ele estava andando de um lado para o outro com o telefone em uma chamada, não ti

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