INICIAR SESIÓNEu e a Ingrid tivemos uma longa conversa, ela me contou com detalhes sobre como ela conseguiu bancar toda a reforma da casa dela, assim também como conseguiu pagar todas as dívidas que ela tinha, e apesar de eu não concordar com tudo o que ela permitia que aqueles caras fizessem com ela, eu não poderia julgá-la.
Eu fiquei pensativa, pois apesar de saber que ela ganhava muito bem, eu não tinha como ajudá-la financeiramente, já que eu estaria morando com ela era obrigação minha contribuir com as contas da casa. Ingrid: Que cara é essa? – Eu preciso arranjar um emprego, eu não posso ficar aqui dependendo totalmente de você. Ingrid: Eu ganho o suficiente pra nós duas Hana, isso não será um problema. – Eu quero trabalhar Ingrid, será que existe alguma possibilidade de você conseguir um emprego pra mim na agência que você trabalha? Ingrid: Você não ouviu tudo o que eu acabei de falar? – Sim, mas eu iria trabalhar apenas desfilando, eu tenho quase o mesmo padrão que o seu. Ingrid: Você ainda não entendeu? A agência é só uma fachada Hana, pra você conseguir ser uma modelo da agência, você precisa aceitar fazer book vermelho. – Pelo visto se prostituir é quase uma obrigação. Ingrid: Eu não sou obrigada, mas se eu recusar, perco os desfiles, e o meu nome, a minha carreira, depende totalmente disso, digamos que pra eu ser reconhecida pelo o meu trabalho, eu tive que pagar um preço muito alto, e continuo pagando, mas posso parar de pagar a hora que eu quiser. – Isso é um absurdo, e ilegal, você sabe disso não é? Ingrid: Grande parte das agencias funcionam dessa forma Hana, não seja tão inocente, pessoas do mundo todo pagam uma verdadeira fortuna por esses desfiles, e querem receber uma recompensa a altura. – A recompensa é foder garotas com sonhos? Ingrid: Já chega dessa conversa, eu já falei o bastante, agora eu preciso dormir, eu estou exausta, eu preciso estar bem pro desfile que acontecerá nesse final de semana. – Eu posso ir ver seu desfile? Ingrid: Se for só pra ver, pode sim, eu vou conseguir sua entrada. Ela me deu um beijo no rosto, e se retirou, enquanto eu fui fazer um lanche pra mim. Toda aquela história, tudo o que ela havia me revelado, mexeu muito com a minha cabeça, eu tinha 18 anos, precisava de um emprego, tinha o perfil das agências, mas eu não saberia transar com um homem que fizesse comigo o mesmo que estavam fazendo com a Ingrid, fora o fato de eu ainda ser virgem, e nunca ter experimentado o pênis de um homem dentro de mim. A pergunta que não queria calar era: Eu seria capaz de perder a minha virgindade com um completo desconhecido? Seria forte o suficiente pra aguentar ele fazendo tudo com o meu corpo? Na mesma hora eu senti um arrepio na espinha, tudo aquilo era loucura demais, e eu não era tão louca quanto a Ingrid. Depois de me alimentar, eu fui pro quarto de hóspedes, organizei as poucas coisas que eu havia levado, e depois eu fui dormir. Quando eu acordei, a noite já havia chegado, e eu senti um cheiro maravilhoso de comida, ao chegar na cozinha, eu vi a Ingrid preparando camarão ao molho branco. – Eu não sabia desses dotes culinários. Ingrid: Pois se prepare, pois você irá provar a melhor comida da sua vida. Nós duas rimos, jogamos conversa fora, assistimos a um filme, e eu nem conseguia lembrar da dor que eu estava sentindo por tudo o que aconteceu entre eu e minha mãe. O dois primeiros dias foram maravilhosos, eu e a Ingrid saímos e nos divertimos, mas no terceiro dia eu assisti de perto o quanto ela estava abalada psicologicamente. Quando eu acordei pela manhã, ela não estava em casa, tudo o que eu encontrei foi um bilhete dela me avisando que havia ido pra agência, eu não sabia que horas ela iria voltar, então eu aproveitei que estava sozinha e fui dar uma limpeza naquela casa enorme. Ela chegou duas horas depois furiosa, eu nunca havia visto ela daquela forma, toda aquela doçura na voz havia desaparecido e dado lugar a alguém totalmente desequilibrada. Eu havia acabado de limpar a sala, e ela quebrou jarros e quadros, e a minha primeira reação foi segurá-la e abraçá-la. – Calma Ingrid, respira por favor, eu estou aqui. Ela então desabou e começou a chorar, aquele choro não era um simples choro, era um verdadeiro desabafo. Ingrid: Eu odeio aquele cara, eu queria que ele morresse, filho da puta insensível, coração de gelo, tudo o que importa pra ele é a porra do dinheiro, é só nisso que ele pensa. Eu fiquei ouvindo tudo, sem dizer nenhuma palavra, sem saber exatamente de quem ela estava falando, eu esperei ela ficar calma e a vontade pra me falar o que havia acontecido, e isso levou longos 30 minutos. Ingrid: Me desculpe por isso Hana, não era pra você ter presenciado o meu descontrole. – Você quer me dizer o que aconteceu? Ingrid: O dono da agência, o intocável "Jonh Carter", me tirou do desfile só porque eu não quero fazer book vermelho, eu ainda estou com essas marcas, eu só quero dar um descanso pro meu corpo, e ele simplesmente me tirou do desfile de uma das marcas mais famosas do país. – Você está falando sério? Ele teve coragem de fazer isso mesmo vendo essas marcas no seu pescoço? Ingrid: Ele não se importa com isso Hana, aquele cara é o pior tipo de homem existente na terra. Só em ouvir a Ingrid falar daquele jeito, eu já odiava ele, eu não precisava nem conhecê-lo pra saber que ele era desprezível, eu só não sabia que aquele homem iria virar a minha vida de cabeça pra baixo. Sabe o destino? Ele é traiçoeiro. O destino não quer saber o tipo de homem que você quer na sua vida, ele não faz esse filtro pra você, na maioria das vezes você precisa ser forte o suficiente pra bater de frente com o próprio destino, e recusar as opções devastadoras que ele te apresenta.HANA*DOIS ANOS DEPOIS Quando o Jonh mudou toda a vida dele, pra que pudesse me sentir segura e em paz, uma chavinha virou na minha cabeça.Afinal, o que eu estou fazendo por mim, pra que o meu "EU", pudesse se sentir segura, em paz e realizada?Viver apenas do dinheiro que ganhei, não era uma opção, muito menos ser esposa de um homem milionário e mulher "troféu" dele, eu precisava encontrar uma inspiração, algo que eu pudesse dizer: EU ME ESFORCEI POR ISSO, FOI MÉRITO MEU.E foi então que eu procurei algo que fizesse o meu coração vibrar, e me achei ao notar que todas as vezes que eu olhava pra um vestido, eu imaginava tudo aquilo que poderia melhorar nele, procurei uma faculdade, comecei a estudar, enquanto eu estudava, eu investi o meu dinheiro naquilo que se tornou o meu sonho.Dois anos depois, eu estava apresentando minhas criações, nos corpos mais bem pagos do mundo, em um evento organizado pelo o meu marido, que durante todo o processo, me apoiou em tudo, até nas minhas louc
Dois anos depois *O evento estava cheio, empresários, olheiros, repórteres, celebridades, e amigos.— Sr. Felipe, o desfile já vai começar.— Já estou indo, obrigado.Subir na passarela e divulgar a marca de Hana, era algo surreal pra mim, ela conseguiu construir em dois anos, uma empresa que fatura milhões por mês, tudo pelo próprio mérito.— Boa noite a todos, estou muito feliz de vê-los aqui, prestigiando essa marca incrível, que posso falar com muito orgulho que é da minha esposa, Hana.Certo dia, Hana apareceu com um contrato, colocou na minha mesa e disse: Assine...(Risos).Não era segredo pra mim que as roupas de luxo de Hana haviam tomado uma grande proporção, mas eu não esperava que a minha esposa fosse solicitar os serviços da agência pra divulgar a marca.Então, eu peguei o contrato pra ler, e ela disse: Não disse pra ler, disse pra assinar. (Risos).Eu não era louco de bater de frente com a Hana, vocês já viram ela com raiva? Não queiram ver. (Mais risos)...A verdade é
Eu nunca tive que pagar tão alto pela minha paz, durante anos pensei estar vivendo um sonho, mas o meu sonho sempre foi ter uma família diferente da que eu cresci, era dever meu construir um futuro que pudesse dar orgulho pro meu filho, entender isso, foi a coisa mais difícil que eu tive que fazer.O processo de alguém "Quebrado" como eu, foi angustiante, e trouxe cicatrizes pra todos que de alguma forma passaram pela minha vida, eu não tenho orgulho do percurso que trilhei, e das pessoas que magoei ao longo do caminho, mas eu estava orgulhoso por ter me permiti ser alguém diferente.— Flávia, solte pra imprensa a venda da agência, e amanhã, poderá tomar posse do que é seu.Falei depois de ter deixado tudo resolvido.— Vocês estão chateados comigo?— Você fez o que achou ser o correto, o seu único erro foi não ter me informado sobre isso antes.— Me desculpe.— Eu agradeço a você por tudo o que fez e suportou ao meu lado Flávia, sem você, certamente eu estaria arruinado, eu tenho cert
JONH*Eu já sabia o que fazer, por muitas vezes eu me fiz a mesma pergunta: Eu seria capaz de viver sem a Hana ou torná-la infeliz?A resposta era "Não", e sempre seria, pois eu assumi esse compromisso não só com a Hana, mas comigo.O silêncio dela dentro do carro, já me passava várias informações ao mesmo tempo, driblar os problemas, fazer sexo intenso e apaixonado, não iria alterar em nada aquilo que se passava dentro dela, e eu já esperava por aquele pedido..."Demitir Shell"...Essa palavra vinha entrelaçada silenciosamente à frase "Interferir no trabalho de Flávia" ou "Tirar o direito da Flávia de fazer escolhas sendo ela minha sócia"...Enfim, apesar do grande problema que eu teria pela frente, a minha esposa estava acima de tudo.No dia seguinte, acordei bem cedo, fiz de tudo pra não acordar Hana, eu sabia exatamente do caos que eu estava prestes a causar e não queria que a Hana presenciasse nada disso.Me arrumei, fui pro jardim e liguei pra Flávia solicitando a presença da S
No dia seguinte, acordei sozinha na cama, levantei, fiz minha higiene pessoal, e só depois eu fui procurar o John pela casa, mas eu não o encontrei.— Que estranho, ele não sairia sem me avisar ou se despedir.Eu peguei o celular e liguei pra ele, mas a ligação foi direto pra caixa postal.Eu não queria pensar no pior, a conversa que havíamos tido no dia anterior, deveria ser o suficiente pra me deixar segura, afinal, ele iria demitir a Shell...Ou não iria?Eu fiquei pensando em ir até a agência, testificar com os meus próprios olhos se ele estava lá, fazendo o que ele disse que iria fazer. — Não, eu não vou fazer isso, que droga de insegurança é essa? Eu precisava parar de pensar em tantas besteiras.Eu resolvi então ligar pra Flávia, ela sim me atendeu, mas a forma que ela falou comigo me deixou ainda mais cismada.— Hana, não posso falar com você agora, desculpa.Ela simplesmente desligou na minha cara, sem ao menos esperar uma resposta minha.— Tem algo de errado.Eu tinha duas
HANA*" Uma modelo freelancer"...Era exatamente isso o que o John falava sobre mim, somente pra esconder que estava pagando milhões pra ser o primeiro a me comer.Mas apesar disso, naquele momento, eu não era a comidinha bem paga dele, eu era a esposa, e a mulher bem a minha frente precisava respeitar isso.Em nenhum momento eu pensei em quebrar a cara dela, tudo o que eu queria era que ela tomasse ciência de quem eu era, e de como ela deveria se comportar, eu sabia que eu não precisava brigar por algo que já era meu, da qual ela passou anos lutando pra ter.Depois de bater boca com ela, a Flávia parecia saber exatamente o que falar pra que ela não continuasse com toda aquela cena.Assuntos para resolver com o meu marido? Só nos sonhos dela.Eu virei as costas pra ela, e encostei Jonh antes de continuar o percurso interrompido até o elevador.Enquanto as portas se fechavam, o meu olhar fuzilando ela deixava claro que eu jamais abriria espaço pra que ela fizesse bagunça na minha vida







