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Um Cachorro e um Rapaz

Autor: Rafa Cabral
last update Fecha de publicación: 2025-06-23 07:48:52

Parei num bar de frente para o mar, me sentei numa banqueta junto ao balcão e como era cedo para beber, pedi um drink sem álcool e uma porção de anéis de lula. Enquanto preparavam meu pedido, fui ao banheiro e na volta senti algo peludo bater nas minhas pernas, me desequilibrei e de repente eu estava no chão, sentindo minha bunda dolorida. Logo me estenderam a mão para me ajudar a levantar, olhei para cima e fiquei simplesmente encantada com o que vi, era um rapaz loiro de olhos azuis, a pele bronzeada e um sorriso despreocupado.

— Me desculpe por isso, o Ted é um cão guia bem fujão. — peguei a mão dele e levantei.

— Obrigada. — olhei para o lado e lá estava o infrator, um Golden Retriever que parecia se divertir com a situação. — Acho que esqueceram de te ensinar a não correr em estabelecimentos fechados. — brinquei com o Ted e o rapaz riu.

— Acho que ele só está com fome. Vou levar ele de volta para o dono. — o desconhecido se abaixou e fez um carinho na cabeça do Ted e em seguida pegou a coleira guia dele. — Vamos lá garoto.

O rapaz sorriu antes de sair e voltei ao balcão, onde minha comida me esperava. Minutos depois, o rapaz voltou e se sentou ao meu lado. Olhei para ele e tomei um gole do meu drink, esperando que ele fosse falar alguma coisa e falou.

— Eu sinto muito pelo que aconteceu. Acho que foi culpa minha, ele estava fugindo de mim. — sorriu e sorri de volta.

— Está tudo bem, o importante é que ninguém se machucou.

— A propósito, eu sou o Marcos. — falou estendendo a mão e a apertei.

— Amélie.

— É sua primeira vez em Noronha?

— Não, na verdade já vim muitas vezes e é sempre uma novidade. — Marcos pediu um drink também e se voltou para mim.

— Esse lugar é um pouco mágico. Eu mesmo, depois que cheguei não quis mais sair e todos os dias são incríveis aqui. — a bebida dele chegou, ele agradeceu e tomou um gole. — Se você quiser, posso te mostrar alguns lugares desconhecidos dos turitas.

Ele estava mesmo dando em cima de mim? Normalmente eu não recusaria um convite desses, mas com tudo que vem acontecendo, não sei se seria uma boa ideia, apesar que seria ótimo para esquecer tudo.

— Bem eu... Posso pensar sobre isso.

— Claro, quando quiser é só me procurar na barraca de pescados. — o lugar começou a lotar com os turistas voltando de trilhas ou da praia.

— Vamos para um lugar mais calmo? — perguntei. Ele concordou, pagamos a conta e saímos. O centro da vila não era uma opção, horário de almoço era um momento de fluxo de pessoas, então descemos até a praia e paramos na sombra de uma árvore, o sol estava bem intenso e a água em inúmeros tons de azul, bem convidativa, mas eu não trouxe roupa para trocar.

— Quanto tempo vai ficar aqui? — perguntou Marcos se sentando ao meu lado.

— Dois meses. — respondi, querendo esquecer o porquê de tudo isso.

— Uau, vai pegar pouco do verão, o bom é que da tempo de conhecer toda a ilha.

— Sim, mas sei que nem todos os dias serão divertidos. — olhei para o mar. — Meu pai está doente, viemos para cá porque ele ama esse lugar e quer passar seus últimos dias aqui.

— Eu sinto muito.

— Obrigada. — eu não queria demonstrar tristeza, mas foi o que fiz.

— O que acha de um mergulho? Dizem que essas águas tem o poder de curar a tristeza.

— Não tenho certeza sobre a cura, mas um mergulho parece uma ótima ideia.

Deixei meu shorts sob a árvore e caminhamos até a água, que estava muito boa, quente na medida certa. Me diverti muito com o Marcos e talvez não seja a água que tem efeito curativo, mas sim a companhia. Infelizmente, ele precisava voltar ao trabalho, estava em seu horário de almoço, mas fiquei ansiosa para vê-lo novamente. Após nos despedirmos eu voltei para casa, tinha um jantar de noivado para participar e nesse caso, eu era a noiva.

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