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Autor: Masttani H.
last update Fecha de publicación: 2024-09-24 07:46:58

Chiara estava sentada no sofá apenas pensando no que havia acontecido. Dario já havia ido descansar, deixando-a sozinha para esperar Martina. O toque da campainha a trouxe de volta à realidade.

Ela se levantou rapidamente e abriu a porta. Lá estava Martina, com a expressão preocupada.

— E aí, o que rolou? — perguntou Martina, sem rodeios, entrando no apartamento como um furacão.

Chiara soltou um suspiro pesado, fechando a porta atrás de si.

— Vamos para o quarto, não quero acordar o Dario — sugeriu ela, apontando para o corredor.

As duas caminharam até o quarto, e assim que se sentaram na cama, Chiara começou a contar tudo. Cada palavra dita por Roberto, cada olhar cheio de julgamento. Ela tentou manter o tom neutro, mas a dor era visível. Martina ouviu em silêncio, mas suas expressões falavam por si.

Quando Chiara terminou, Martina explodiu.

— Eu juro, Chiara, esse homem é um desgraçado! — começou ela, jogando as mãos no ar. — Que tipo de pai faz isso? Como ele pode tratar você assim? Ele é um péssimo pai! PÉSSIMO! E ele vai pagar por tudo isso. Ah, se vai!

Chiara suspirou, sentindo o calor da fúria de Martina.

— Ele sempre foi assim, Marti — disse, tentando não chorar de novo. — Eu não esperava outra coisa.

— Não! Não vem com essa de 'eu já esperava'. — Martina se levantou, andando de um lado para o outro no quarto. — Ele é um miserável, Chiara! Miserável! E o pior é que ele sabe o que está fazendo com você, e ainda continua. Como se você tivesse culpa de alguma coisa. Ele é um covarde. E eu estou cansada disso.

— Martina, calma. — Chiara tentou, mas a amiga estava em plena combustão.

— Calma? CALMA? — Martina praticamente gritou, mas em seguida abaixou a voz para não acordar Dario. — Chiara, você é incrível! Eu não sei como você aguenta ele. Eu já teria virado a mesa, gritado na cara dele, e jogado tudo que eu pudesse nas costas daquele homem. Ele vai pagar por isso, por tudo que ele fez e faz com você. 

Chiara a observou, e mesmo em meio à explosão de raiva, sentiu-se grata por ter alguém como Martina ao seu lado. Ela sabia que a amiga estava apenas expressando tudo o que ela mesma, muitas vezes, tinha medo de dizer.

— Obrigada, Marti. — Chiara murmurou, com um sorriso cansado. — Você é a única pessoa que me entende de verdade.

Martina parou por um segundo e voltou para a cama, sentando-se ao lado de Chiara.

— Sempre estarei aqui pra você, tá ouvindo? — disse, agora com a voz mais suave, colocando o braço ao redor da amiga. — E a gente vai passar por isso juntas. Sempre.

Martina deu um longo suspiro, tentando se acalmar depois de toda a explosão sobre Roberto, e perguntou:

— Mas e aí, como foi o treino? Quero detalhes.

Chiara soltou o ar lentamente, lembrando-se do esforço e da tensão do dia.

— Foi bem melhor do que eu esperava, pra ser sincera. Consegui receber várias bolas sem vacilar. Ainda bem que o Dario sugeriu usar os manguitos — ela levantou os braços, mostrando-os levemente vermelhos. — Se não fosse por isso, meus braços estariam destruídos.

— Aí sim! — Martina abriu um sorriso enorme. — Sabia que você ia arrasar. E como foi com a galera do time? Todos foram legais?

Chiara riu, pensando na recepção que teve.

— A maioria foi de boa. Todos vieram falar comigo, me deram boas-vindas, menos o Aki Ishikawa. Ele só ficou me encarando, como se estivesse me analisando o tempo todo.

Martina ergueu as sobrancelhas, claramente intrigada.

— O Aki Ishikawa, é? Hum, já ouvi que ele é uma peça rara. — De repente, um sorriso travesso apareceu no rosto dela. — Que homem, hein? Lindo demais, j**a muito bem, e ainda tem aquele ar de "não ligo para nada". Tem certeza de que ele não tá é de olho em você?

Chiara bufou e jogou a cabeça para trás, rindo.

— Aki? Marti, ele me ignorou completamente. Se pudesse, me jogava para fora do time na primeira chance.

Martina arqueou as sobrancelhas, claramente se divertindo com a reação da amiga.

— Hum, então ele tá te ignorando? Aposto que ele tá te observando. E, sabe, esses caras que ficam quietinhos, de canto, são sempre os mais interessantes.

Chiara revirou os olhos.

— Não é nada disso. O cara só me olha como se eu fosse um problema. 

Martina riu.

— Tá bom. E se ele só estiver interessado em você? — provocou, piscando.

Chiara balançou a cabeça, rindo de novo.

— Só se ele for gay, Marti. Afinal, para ele eu sou um homem.

Martina fez uma pausa dramática, depois deu de ombros com um sorriso malicioso.

— Vai que ele é gay, ninguém sabe. Já pensou? Plot twist.

Chiara deu uma gargalhada, cobrindo o rosto com as mãos.

— Ai, meu Deus! — Ela jogou uma almofada em Martina, que desviou com facilidade. — Você tá delirando.

Martina riu alto, erguendo as mãos como se estivesse se rendendo.

— Tô só dizendo! Cuidado com o seu coraçãozinho, Chiara. Esses caras que ficam na deles, calados, são os piores. E você tem uma tendência a gostar de quem te ignora.

Chiara revirou os olhos ainda sorrindo.

— Claro, porque essa situação já não é complicada o suficiente. Agora você quer me enfiar num romance impossível.

— Ah, é o que você pensa. — disse Martina, sorrindo de forma travessa. — Vai que, por dentro, ele tá lutando contra uma paixão avassaladora que nasceu no primeiro instante em que ele olhou para você.

— Marti, para. — Chiara riu de novo. — A única coisa que ele quer é me ver fora do time. Confia em mim.

— Veremos. — disse Martina, com um tom misterioso e piscando, antes de mudar de assunto. — Mas agora, sério. Deixa eu te contar o que tá rolando no meu time. As meninas lá estão insuportáveis. Algumas só pensam em tirar fotos para as redes sociais, sabe? E jogar que é bom, nada! Eu juro, às vezes parece que estão mais preocupadas em serem famosas do que em ganhar os jogos.

Chiara riu, balançando a cabeça em concordância.

— Sério? Tão ruim assim?

— Pior. — Martina bufou. — Uma das novatas lá passa o treino inteiro mexendo no cabelo, sabe? Tipo, gata, tem uma bola de vôlei vindo na tua direção, presta atenção. Mas não, parece que o foco é a próxima selfie. Se eu fosse a capitã, já tinha colocado todo mundo no lugar.

Chiara soltou mais uma risada, se sentindo um pouco mais leve com a mudança de conversa.

— Você deveria ser a capitã, Marti. Aposto que todo mundo entraria na linha rapidinho.

— Ah, sem dúvida! — Martina piscou, rindo junto. — Mas até lá, vou continuar fingindo que não tenho vontade de socar umas bolas na cabeça de certas pessoas.

Martina se deitou de costas na cama de Chiara, soltando um suspiro exagerado.

— Ai, Chiara, vou te falar uma coisa, eu preciso transar. Sério! — disse, balançando as mãos dramaticamente no ar. — Faz tanto tempo que tô sozinha que já tô criando teia de aranha.

Chiara riu, jogando uma almofada em cima de Martina, que a pegou no ar.

— Ai, Marti, só você mesmo, para mudar para esse tipo de assunto do nada.

— Mas é sério! — insistiu Martina, sentando-se e colocando as mãos no rosto, fingindo desespero. — Não tô tendo tempo nem para respirar ultimamente, quem dirá para encontrar alguém que me ajude com as minhas necessidades, sabe?

Chiara continuou rindo, sacudindo a cabeça.

— Bom, pelo menos você tem a temporada pela frente. Quem sabe não aparece alguém interessante?

— Durante a temporada? — Martina bufou. — Vai ser pior ainda. — Ela fez uma careta dramática. — Acha que vou arrumar tempo para saciar minhas vontades? Pff, tá difícil, amiga.

Chiara deu de ombros, ainda rindo da situação.

— Ainda bem que não tenho esse problema.

Martina se virou com os olhos arregalados, o sorriso brincalhão já se formando nos lábios.

— Ai, cala a boca, virjona! — disse ela, rindo e jogando uma almofada de volta em Chiara. — A gente precisa arrumar alguém para você, já que você também tá nessa seca eterna.

Chiara gargalhou, balançando a cabeça.

— Eu tô de boa, obrigada.

Martina suspirou dramaticamente mais uma vez.

— Pois é, já vi que tá todo mundo mal resolvido aqui. Mas, sério, chega de drama por hoje. Vamos dormir antes que eu fique ainda mais maluca.

Chiara sorriu e se deitou na cama, puxando o cobertor enquanto Martina fazia o mesmo.

— Boa ideia. Amanhã será um longo dia.

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Último capítulo

  • Por trás do jogo   55

    Chiara quase esqueceu de responder pelo nome de Dario.Foi por um segundo apenas.Um segundo pequeno, ridículo, perdido entre o rangido dos tênis na quadra, o eco da bola batendo no piso e a voz do treinador cortando o ginásio como um apito.— Dario! Na cobertura!A bola vinha rápida pela diagonal.Chiara ouviu o nome.O nome que vinha usando há semanas.O nome que já tinha colado na sua pele como uma segunda camisa suada.Mesmo assim, naquele instante, ela demorou.Não porque estivesse distraída com o treino.Mas porque, dois dias antes, Aki tinha dito Chiara contra sua boca, contra sua pele, contra o silêncio quente do apartamento dele. E depois disso, voltar a ser chamada de Dario parecia vestir uma roupa molhada: servia, mas incomodava em todos os lugares.— Dario! — Luca gritou de novo.Dessa vez, ela se moveu.Jogou o corpo para frente, sentiu os joelhos queimarem contra o piso e conseguiu salvar a bola no último segundo. A recepção subiu torta, mas viva. O bastante para Aki cor

  • Por trás do jogo   54

    O som da chuva fina batendo na janela foi a primeira coisa que Chiara escutou. Ainda de olhos fechados, ela sorriu ao sentir o toque suave de dedos passeando por suas costas, desenhando caminhos invisíveis na pele quente.— Você sempre acorda assim, quietinha? — a voz de Aki soou baixa, rouca de sono, tão próxima que ela podia sentir o calor da respiração dele em seu pescoço.— Estou processando... — murmurou, abrindo os olhos lentamente, sem querer encarar o mundo de vez.Aki riu baixinho e se aproximou mais, o peito nu encostando em suas costas.— Processando o quê? A noite maravilhosa que a gente teve ou o fato de eu ser excelente companhia matinal?— As duas coisas. — ela respondeu, virando-se de lado, até ficar de frente para ele. — Mas eu ainda não decidi se você é excelente ou só convencido.Ele sorriu, os olhos apertados de sono.— Eu voto nos dois.Chiara riu e, sem pensar muito, passou o dedo no cantinho da boca dele.— Você dorme de um jeito engraçado... meio sério demais.

  • Por trás do jogo   53

    O quarto de Aki estava um pouco escuro, iluminado apenas por alguns raios solares que passavam pelas persianas. O único som era o da respiração acelerada de ambos. Chiara desceu do colo dele, mas rapidamente sentiu a presença dele atrás de si, o calor que emanava do corpo dele a deixava completamente excitada. Antes que pudesse dizer qualquer coisa, Aki aproximou-se, sua mão firme envolvendo delicadamente sua garganta. Não era força, mas controle, um gesto que fazia seu coração disparar e sua pele se arrepiar. Ele inclinou o rosto dela para o lado, a ponta dos dedos roçando seus lábios, tudo que se passava em sua mente era o quanto ele desejava aquela mulher.Quando os lábios dele encontraram os dela, o beijo foi cheio de desejo contido. Chiara mal conseguia raciocinar, só sabia que tudo que ela queria era ele. Sem aviso, ela girou o corpo, seus braços se agarrando ao pescoço de Aki enquanto ela pulava em seu colo, as pernas se entrelaçando em volta de sua cintura. O movimento foi ráp

  • Por trás do jogo   52

    Chiara saiu do quarto usando a camiseta de Aki, que caía levemente solta em seu corpo, cobrindo até metade das coxas. O tecido macio roçava sua pele, e ela se sentia estranhamente confortável – e ao mesmo tempo inquieta. Aki, por outro lado, ficou estático ao vê-la. Seus olhos demoraram um pouco mais do que o necessário para subir das pernas de Chiara até seu rosto. Ele engoliu em seco, afastando pensamentos que, claramente, não deveria estar tendo.“Eu poderia me acostumar com isso”, pensou ele, sem conseguir desviar o olhar.— Serviu? — Ele perguntou, tentando soar casual, mas sua voz entregava algo mais.— Sim. — Chiara respondeu, mexendo na barra da camiseta como se tentasse se esconder. Ela se sentou no sofá novamente, mas o ar parecia mais carregado do que antes.Aki respirou fundo, passando a mão pela nuca enquanto tentava recobrar a compostura. Sentou-se ao lado dela, a uma distância que considerava segura – embora a proximidade fosse suficiente para ele sentir o perfume dela.

  • Por trás do jogo   51

    Chiara respirou fundo, parada na frente da porta do apartamento de Aki. A sensação de desconforto que vinha sentindo desde a noite anterior parecia crescer a cada segundo. A mensagem de Asana, que havia perturbado sua mente por horas, fora esquecida temporariamente. Agora, tudo o que ocupava seus pensamentos era o convite de Aki e o fato de que passariam o dia juntos. Ela estava nervosa – mais do que gostaria de admitir.Ergueu a mão para tocar a campainha, mas hesitou no último segundo.“Você consegue, Chiara,” pensou, mordendo o lábio inferior.“É só um dia. Nada demais.”Antes que pudesse reunir coragem para bater, a porta se abriu, e Aki apareceu. Ele usava uma camisa básica e jeans escuros, algo raro de se ver, já que estava quase sempre em roupas esportivas. O cabelo úmido caía de forma despretensiosa na testa, como se ele tivesse acabado de sair do banho.— Achei que você fosse ficar aí para sempre. — Ele cruzou os braços, apoiando-se no batente da porta, um pequeno sorriso dan

  • Por trás do jogo   50

    Quando Chiara chegou à academia, a primeira coisa que viu foi Aki, focado em seu primeiro exercício. Ele estava de costas, os músculos bem definidos se movendo sob o tecido leve da camiseta, e sua concentração parecia inabalável. Chiara percebeu que havia esquecido completamente da mensagem de Asana. O incômodo inicial da manhã, a irritação por ela ter encontrado o seu Instagram, tudo tinha desaparecido tão logo ela viu Aki.Era como se ele estivesse monopolizando todos os seus pensamentos naquela manhã, e, sinceramente, ela não sabia como se sentir sobre isso. Na verdade, ela não queria admitir, mas estava completamente apaixonada por Aki Ishikawa. Ela olhou ao redor, procurando Luca, seu parceiro de sempre, mas ele não estava em lugar nenhum.“Provavelmente dormiu demais”, pensou, mordendo o lábio.Luca era pontual, mas até ele tinha suas manhãs de preguiça. O pensamento trouxe um sorriso breve, mas ela ainda se sentia ansiosa, como se algo estivesse para acontecer.O ambiente da a

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