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Autor: Masttani H.
last update Fecha de publicación: 2024-09-21 12:00:32

O silêncio tomou conta do apartamento após a pergunta de Roberto. Chiara sentia o olhar pesado do pai sobre ela, e seu coração batia acelerado. O corpo parecia paralisado, mas sua mente trabalhava rápido, buscando uma forma de explicar tudo.

Roberto deu um passo à frente, com o rosto marcado pela raiva contida. Ele passou a mão pelos cabelos grisalhos e voltou a fitar Chiara, o tom de sua voz saiu cortante.

— Então, me expliquem. Que merda vocês fizeram? — repetiu, mas dessa vez a pergunta parecia mais dirigida a ela.

Chiara engoliu em seco, sem saber por onde começar. O olhar de seu pai fazia com que se sentisse pequena, como se cada palavra pudesse ser um erro fatal.

— Pai, calma. — Dario interveio, tentando suavizar a tensão. — Aconteceu um acidente, você sabe como essas coisas são. Eu não posso jogar por um tempo.

— Um acidente? — Roberto interrompeu, o tom mais alto e incrédulo. — Isso não justifica essa loucura. — Ele virou-se para Chiara, os olhos fixos nela como lâminas. — E você, Chiara? Como se atreve a pensar que pode substituir o seu irmão? Você sabe o quanto eu investi nesse time? Milhões, Chiara! Para ver o Dario jogando, não você.

Chiara sentiu o peso das palavras do pai. O desconforto aumentava a cada segundo. Ela sempre soubera que Roberto dava mais atenção ao irmão, mas ouvir aquilo em voz alta, doía muito. Mesmo assim, ela sabia que não podia ficar calada.

— Pai, eu só estou tentando ajudar. — começou Chiara, a voz um pouco hesitante, mas firme. — Dario não pode jogar, e o time precisa dele. Se eu não fizer isso, ele pode perder tudo pelo que trabalhou. Eu estou fazendo isso por ele.

Roberto soltou uma risada amarga e sarcástica, balançando a cabeça.

— Ajudar? Você acha que pode ajudar? — Ele deu um passo mais próximo dela, a voz carregada de desprezo. — Você não tem capacidade para isso, Chiara. Não é sua responsabilidade, e muito menos seu lugar. Você vai arruinar a vida do seu irmão, assim como arruinou a minha.

As palavras bateram nela como uma pedra. A menção do pai ao passado era como um golpe baixo, uma acusação que sempre pairava sobre ela. Chiara sentiu o estômago revirar, mas, antes que pudesse reagir, Dario se adiantou.

— Pai, para com isso! — Dario levantou a voz, protegendo a irmã. — A Chiara está me ajudando, e isso foi ideia minha também. Ela está arriscando muito por mim, por nós!

Roberto bufou, frustrado, e passou a mão no rosto.

— Ela não tem como fazer isso dar certo, Dario. Ela vai destruir tudo pelo que você trabalhou. — Ele olhou novamente para Chiara, seus olhos duros. — Você não sabe nada sobre a responsabilidade que está carregando. Você vai falhar, e quando isso acontecer, você vai acabar com a carreira do seu irmão.

Chiara respirou fundo, sentindo a pressão em seus ombros aumentar, mas algo dentro dela se recusava a ceder. Ela não podia deixar o pai falar com ela daquele jeito, não dessa vez.

— Eu sei o que estou fazendo, pai. — As palavras saíram mais firmes do que ela esperava. — Eu sei que não sou Dario, mas eu vou fazer o possível e o impossível para fazer isso dar certo. Porque é o que eu posso fazer agora para ajudar. Com o seu apoio ou não, eu vou continuar.

Roberto a encarou por um longo momento, o silêncio tomando conta da sala novamente. Dario olhava de um para o outro, sem saber o que dizer. Por fim, Roberto deu um passo para trás, cruzando os braços.

— Eu espero que você saiba o que está fazendo, Chiara. Porque, se não souber, você terá que lidar com as consequências.

Ele se virou, pegando suas chaves na mesa e caminhando em direção à porta. O som da porta se fechando ecoou pelo apartamento, deixando apenas Chiara e Dario na sala.

Chiara permanecia em pé, olhando para a porta fechada, com o coração ainda acelerado.

— Você está bem? — A voz de Dario quebrou o silêncio.

Chiara soltou um suspiro profundo, mas não respondeu imediatamente. Ela se aproximou do sofá e sentou-se ao lado dele, os ombros caídos como se todo o peso do mundo estivesse sobre eles. Finalmente, murmurou:

— Ele nunca vai gostar de mim, Dario. — disse, com um tom de resignação. — Não importa o que eu faça, não importa o quanto eu tente ele nunca vai me aceitar.

Dario franziu a testa, virando-se para olhar a irmã.

— Chiara. — começou ele, pegando a mão dela. — Não fala assim. O que o pai pensa não define quem você é. Não define o seu valor.

Ela balançou a cabeça lentamente, desviando o olhar, enquanto uma lágrima solitária escorria por sua bochecha.

— Mas é verdade, Dario. Desde que a mamãe morreu. — Chiara hesitou, as palavras presas em sua garganta. — Desde aquele dia, ele me culpa. Como se tudo fosse minha culpa. E agora, mesmo que eu esteja tentando ajudar, ele só consegue dizer que eu sou uma incapaz.

Dario apertou a mão dela com mais força, sentindo a dor que ela carregava.

— Você não tem culpa de nada, Chiara — disse ele com firmeza. — Eu nunca, nem por um segundo, pensei que a morte da mamãe fosse sua culpa. Ela teria tanto orgulho de quem você se tornou. Eu tenho orgulho de você.

Chiara soltou um suspiro trêmulo, enxugando rapidamente a lágrima que insistia em cair.

— Às vezes eu me sinto tão cansada, Dario. — admitiu, com a voz embargada. — Cansada de tentar ser boa o suficiente para ele, de tentar ser amada por ele. Eu só queria que ele me visse de verdade, sabe? Mas é como se eu estivesse sempre em segundo plano, sempre na sombra.

Dario puxou Chiara para um abraço apertado, sem se importar com as palavras, mas apenas transmitindo o conforto que sabia que ela precisava. Ela se agarrou a ele, permitindo-se finalmente desmoronar um pouco, o peso da dor e do ressentimento aflorando.

— Eu te vejo, Chiara — sussurrou ele. — Sempre vi. E não importa o que o pai diga ou faça, você tem a mim. E eu sei que você é incrível. Forte. E que vai fazer isso dar certo, porque você sempre faz.

Chiara respirou fundo no abraço, encontrando algum consolo nas palavras do irmão. O vínculo entre eles, forjado em anos de desafios e apoio mútuo, era inabalável. E naquele momento, no silêncio acolhedor do apartamento, ela sabia que, mesmo sem o amor de Roberto, ela tinha o de Dario.

Chiara afastou-se do abraço de Dario, enxugando os resquícios de lágrimas de seu rosto com um suspiro.

— Obrigada, Dario — murmurou, forçando um sorriso, mesmo que fraco. — Você sempre me salva.

Dario sorriu de leve, bagunçando o cabelo curto dela como fazia quando eram crianças.

— Alguém tem que fazer isso, né? — ele brincou, tentando suavizar o clima. — E o que você vai fazer agora?

Chiara deu um suspiro, encostando-se no sofá e olhando ao redor, como se estivesse buscando uma resposta naquelas paredes familiares. Ela sabia o que precisava fazer: falar com Martina. A amiga sempre sabia como acalmá-la, e depois de tudo o que tinha acontecido, Chiara precisava daquele suporte.

— Vou mandar mensagem para a Martina — decidiu, pegando o celular.

Dario assentiu, compreendendo. Ele também gostava de Martina, a energia dela era quase contagiante, sempre conseguindo arrancar um sorriso, mesmo nos piores momentos.

Chiara desbloqueou o celular, digitando rapidamente:

Marti, pode vir aqui? Preciso conversar…

Ela ficou encarando a tela por alguns segundos, esperando pela resposta. Dario se levantou e esticou os braços.

— Você sabe que ela vai vir correndo, né? — ele disse, rindo. — Aquela doida nunca te deixa na mão.

Chiara deu um sorriso genuíno pela primeira vez naquela noite.

— Eu sei — respondeu, o tom um pouco mais leve. — Ela sempre é a minha rocha quando as coisas ficam difíceis.

Quase imediatamente, o telefone vibrou com a resposta de Martina:

Chego aí em 10 minutos! Tô na área!

Chiara soltou um suspiro de alívio, sentindo o coração relaxar um pouco.

— Tá vindo — avisou ela, colocando o celular de lado.

Dario sorriu e acenou com a cabeça.

— Ótimo. E quanto a você? — ele perguntou, sentando-se de novo ao lado dela. — Vai ficar bem?

Chiara deu de ombros, olhando para o irmão com um sorriso cansado, mas sincero.

— Vou, sim. Quer dizer, é difícil, mas com você e a Martina aqui, acho que consigo sobreviver a isso tudo.

Dario a puxou para um último abraço, apertando-a com força.

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Último capítulo

  • Por trás do jogo   55

    Chiara quase esqueceu de responder pelo nome de Dario.Foi por um segundo apenas.Um segundo pequeno, ridículo, perdido entre o rangido dos tênis na quadra, o eco da bola batendo no piso e a voz do treinador cortando o ginásio como um apito.— Dario! Na cobertura!A bola vinha rápida pela diagonal.Chiara ouviu o nome.O nome que vinha usando há semanas.O nome que já tinha colado na sua pele como uma segunda camisa suada.Mesmo assim, naquele instante, ela demorou.Não porque estivesse distraída com o treino.Mas porque, dois dias antes, Aki tinha dito Chiara contra sua boca, contra sua pele, contra o silêncio quente do apartamento dele. E depois disso, voltar a ser chamada de Dario parecia vestir uma roupa molhada: servia, mas incomodava em todos os lugares.— Dario! — Luca gritou de novo.Dessa vez, ela se moveu.Jogou o corpo para frente, sentiu os joelhos queimarem contra o piso e conseguiu salvar a bola no último segundo. A recepção subiu torta, mas viva. O bastante para Aki cor

  • Por trás do jogo   54

    O som da chuva fina batendo na janela foi a primeira coisa que Chiara escutou. Ainda de olhos fechados, ela sorriu ao sentir o toque suave de dedos passeando por suas costas, desenhando caminhos invisíveis na pele quente.— Você sempre acorda assim, quietinha? — a voz de Aki soou baixa, rouca de sono, tão próxima que ela podia sentir o calor da respiração dele em seu pescoço.— Estou processando... — murmurou, abrindo os olhos lentamente, sem querer encarar o mundo de vez.Aki riu baixinho e se aproximou mais, o peito nu encostando em suas costas.— Processando o quê? A noite maravilhosa que a gente teve ou o fato de eu ser excelente companhia matinal?— As duas coisas. — ela respondeu, virando-se de lado, até ficar de frente para ele. — Mas eu ainda não decidi se você é excelente ou só convencido.Ele sorriu, os olhos apertados de sono.— Eu voto nos dois.Chiara riu e, sem pensar muito, passou o dedo no cantinho da boca dele.— Você dorme de um jeito engraçado... meio sério demais.

  • Por trás do jogo   53

    O quarto de Aki estava um pouco escuro, iluminado apenas por alguns raios solares que passavam pelas persianas. O único som era o da respiração acelerada de ambos. Chiara desceu do colo dele, mas rapidamente sentiu a presença dele atrás de si, o calor que emanava do corpo dele a deixava completamente excitada. Antes que pudesse dizer qualquer coisa, Aki aproximou-se, sua mão firme envolvendo delicadamente sua garganta. Não era força, mas controle, um gesto que fazia seu coração disparar e sua pele se arrepiar. Ele inclinou o rosto dela para o lado, a ponta dos dedos roçando seus lábios, tudo que se passava em sua mente era o quanto ele desejava aquela mulher.Quando os lábios dele encontraram os dela, o beijo foi cheio de desejo contido. Chiara mal conseguia raciocinar, só sabia que tudo que ela queria era ele. Sem aviso, ela girou o corpo, seus braços se agarrando ao pescoço de Aki enquanto ela pulava em seu colo, as pernas se entrelaçando em volta de sua cintura. O movimento foi ráp

  • Por trás do jogo   52

    Chiara saiu do quarto usando a camiseta de Aki, que caía levemente solta em seu corpo, cobrindo até metade das coxas. O tecido macio roçava sua pele, e ela se sentia estranhamente confortável – e ao mesmo tempo inquieta. Aki, por outro lado, ficou estático ao vê-la. Seus olhos demoraram um pouco mais do que o necessário para subir das pernas de Chiara até seu rosto. Ele engoliu em seco, afastando pensamentos que, claramente, não deveria estar tendo.“Eu poderia me acostumar com isso”, pensou ele, sem conseguir desviar o olhar.— Serviu? — Ele perguntou, tentando soar casual, mas sua voz entregava algo mais.— Sim. — Chiara respondeu, mexendo na barra da camiseta como se tentasse se esconder. Ela se sentou no sofá novamente, mas o ar parecia mais carregado do que antes.Aki respirou fundo, passando a mão pela nuca enquanto tentava recobrar a compostura. Sentou-se ao lado dela, a uma distância que considerava segura – embora a proximidade fosse suficiente para ele sentir o perfume dela.

  • Por trás do jogo   51

    Chiara respirou fundo, parada na frente da porta do apartamento de Aki. A sensação de desconforto que vinha sentindo desde a noite anterior parecia crescer a cada segundo. A mensagem de Asana, que havia perturbado sua mente por horas, fora esquecida temporariamente. Agora, tudo o que ocupava seus pensamentos era o convite de Aki e o fato de que passariam o dia juntos. Ela estava nervosa – mais do que gostaria de admitir.Ergueu a mão para tocar a campainha, mas hesitou no último segundo.“Você consegue, Chiara,” pensou, mordendo o lábio inferior.“É só um dia. Nada demais.”Antes que pudesse reunir coragem para bater, a porta se abriu, e Aki apareceu. Ele usava uma camisa básica e jeans escuros, algo raro de se ver, já que estava quase sempre em roupas esportivas. O cabelo úmido caía de forma despretensiosa na testa, como se ele tivesse acabado de sair do banho.— Achei que você fosse ficar aí para sempre. — Ele cruzou os braços, apoiando-se no batente da porta, um pequeno sorriso dan

  • Por trás do jogo   50

    Quando Chiara chegou à academia, a primeira coisa que viu foi Aki, focado em seu primeiro exercício. Ele estava de costas, os músculos bem definidos se movendo sob o tecido leve da camiseta, e sua concentração parecia inabalável. Chiara percebeu que havia esquecido completamente da mensagem de Asana. O incômodo inicial da manhã, a irritação por ela ter encontrado o seu Instagram, tudo tinha desaparecido tão logo ela viu Aki.Era como se ele estivesse monopolizando todos os seus pensamentos naquela manhã, e, sinceramente, ela não sabia como se sentir sobre isso. Na verdade, ela não queria admitir, mas estava completamente apaixonada por Aki Ishikawa. Ela olhou ao redor, procurando Luca, seu parceiro de sempre, mas ele não estava em lugar nenhum.“Provavelmente dormiu demais”, pensou, mordendo o lábio.Luca era pontual, mas até ele tinha suas manhãs de preguiça. O pensamento trouxe um sorriso breve, mas ela ainda se sentia ansiosa, como se algo estivesse para acontecer.O ambiente da a

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