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5 - Pânico

Autor: Grazy Souza
last update Data de publicação: 2024-10-22 20:35:55

Hanna

— Finalmente te encontrei. — Diz minha irmã, vindo ao meu encontro. — O que aconteceu?

Hazel me tira do meu transe do passado.

— Nada, Hazel, vamos, desculpe, eu precisava respirar.

— Tem certeza? Você estava chorando! — Ela insiste.

— Estou bem, Hazel! — digo um pouco ríspida.

— Ok, Ok! Não precisa ser grossa.

No caminho de volta para a cozinha, não olho para os lados, apenas foco no meu caminho, até que sinto uma mão segurar em meu braço, sinto como um choque, sabia que era ele sem nem ao menos olhar.

— Hanna, podemos conversar?

Sem olhar para ele, respondo, tentando ser o mais educada possível para que Hazel não perceba.

— Desculpe, estou trabalhando agora e não posso conversar, com licença, senhor.

— Não me chame de senhor, não sou velho e já tenho intimidade suficiente para dizer meu nome. — Interrompo-o antes que diga seu nome.

Olhando para ele, digo:

— Nunca fomos íntimos, foi algo passageiro que passou, tenha uma boa noite, senhor!

Não dou brecha para ele falar, sigo para a cozinha sem olhar para trás, mas com os olhos de Hazel fixos em mim, desconfiada. Kevin era uma pessoa pública e com certeza ela o reconheceu. Coloco a máscara que há muito estava esquecida e entro na cozinha, me perdendo no trabalho, ignorando os questionamentos da Hazel e todos os olhares curiosos.

Quase no final da festa, já estava organizando as coisas, de costas para a entrada da cozinha. Tentava não pensar no reencontro com Kevin, quando uma voz grossa fala.

— Desculpe incomodar, mas minha esposa está grávida e ela amou seus canapés, teria mais alguns para ela?

“Aquela voz… aquela voz que me atormenta até hoje!”

Não consigo responder, sinto meu corpo começar a tremer, lágrimas começam a se formar nos meus olhos, mas eu não consigo deixá-las cair. Minha respiração acelera e, de repente, parece que o ar some. O som ao meu redor vai ficando distante, como se estivesse submersa em algum lugar escuro e profundo.

“Eu estava novamente naquele maldito quarto de empregadas, estava me debatendo, implorando para que ele não me tocasse…”

Meu corpo não responde, minhas pernas ficam moles e meu coração dispara no peito, cada batida mais forte que a outra, ecoando nos meus ouvidos. 

— Hanna? — Hazel percebe meu estado, mas sua voz soa distante. Vejo seus lábios se movendo, mas não consigo entender o que ela está dizendo. O ambiente ao redor gira, como se tudo estivesse desmoronando sobre mim.

Preciso sair daqui. Preciso sair agora!

Agarro a borda da mesa, tentando manter o controle, mas minha visão embaça. Não posso deixar que ele me veja assim, não posso…

O som da voz dele ainda ressoa na minha mente, trazendo de volta as memórias que tentei enterrar.

“ — Não se preocupe, prometo que vai gostar!”

Sinto vontade de vomitar, a bile sobe a todo momento… Ele está aqui, tão perto, e eu me sinto novamente presa, impotente. Tudo o que aconteceu, todos aqueles momentos de terror, voltam com força total.

— Hanna, respira, por favor! — Hazel me sacode levemente, mas não adianta. O pânico me consome, e eu me sinto como aquela garota de anos atrás, sem controle, sem saída.

Fecho os olhos tentando me recuperar, e o sorriso dele aparece em minha mente, sinto seu aperto em meu corpo, enquanto sorria, repetindo o quanto eu ia gostar, o quanto eu era gostosa. 

Sinto minha garganta fechar, não consigo respirar…

— Eu… não consigo… fo… foi e… ele… Hazel. — As palavras saem entrecortadas, como se houvesse um nó na minha garganta. Meus pulmões queimam de tanto quando tento puxar ar.

Hazel me puxa para um canto mais afastado da cozinha, longe dos olhares curiosos. — Você está segura, está tudo bem. Ele não pode te machucar. — A voz dela é suave, tentando me ancorar na realidade, mas meu corpo não para de tremer. As lembranças são fortes demais, sufocantes.

Sinto a presença de alguém mais se aproximando, mas não tenho coragem de olhar. Hazel segura minhas mãos, tentando me manter firme no presente.

— Hanna, estou aqui. Olha para mim. — Ela continua, insistindo.

Eu tento, tento com todas as forças, mas a sensação de estar presa no passado ainda domina.

— SAIA DAQUI, seu monstro. — Hazel grita.

Ao longe, o escuto dizer.

— Do que está falando, nem sabe quem eu sou! — Ele diz com sua arrogância de sempre.

— Você é o filho da puta que… Hanna! Hanna! Ajuda, por favor, ajuda… VOCÊ NÃO! SAIA DAQUI SEU DESGRA…

Não ouvi mais nada, me entreguei à escuridão, senti meu corpo e mente leve.

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Último capítulo

  • Primeiro Amor do CEO   186. Fim

    Kevin.Mais tarde, quando finalmente nos recolhemos ao nosso quarto de núpcias, a excitação e a felicidade do dia ainda estavam estampadas em nossos rostos. Hanna estava deslumbrante, mesmo depois de tantas horas e tanto choro, foi um dia muito emocionante para nós dois. O vestido de noiva parecia feito para ela, mas o brilho em seus olhos era o que realmente roubava a cena.Eu me aproximei lentamente, o coração batendo acelerado enquanto a observava. Ela me olhou, com aquele sorriso que sempre parecia capaz de parar o mundo, e esperei até estar bem perto para falar.— Pronta para o primeiro dia da sua vida… junto comigo para o resto de nossas vidas?Ela sorriu, os olhos marejados mais uma vez e se inclinou para me beijar.— Eu já estou vivendo isso, Kevin. Cada momento ao seu lado é o primeiro de muitos que quero ter.Eu a puxei para perto, nossos lábios se encontrando em um beijo cheio de promessas e paixão. O mundo lá fora podia esperar. Ali, naquele instante, éramos só nós dois, pr

  • Primeiro Amor do CEO   185. Eu estava errado. Em tudo.

    Kevin.Todos estavam radiantes, celebrando o casamento com risos e lágrimas de felicidade. Mas, no meio de toda aquela alegria, eu mal conseguia conter o turbilhão de sentimentos dentro de mim. Meu coração parecia prestes a explodir. Cada olhar de Hanna, cada sorriso que ela dava me lembrava de como eu era sortudo por chamá-la de minha esposa.Enquanto conversávamos com alguns convidados, Davis se aproximou, discreto como sempre, mas com um sorriso que denunciava que ele estava aprontando algo. Em suas mãos, havia uma pasta que ele entregou a Hanna.— O que é isso? — ela perguntou, curiosa, enquanto segurava o objeto com cuidado.— Meu presente de casamento para vocês — respondeu ele, com um brilho de satisfação nos olhos.Hanna abriu a pasta para ver o conteúdo. Hanna ficou boquiaberta.— O quê? Não!… Não posso aceitar isso! — ela disse, balançando a cabeça, ainda tentando processar o que estava diante de seus olhos.Davis deu de ombros, com um sorriso tranquilo.— Já está no nome de

  • Primeiro Amor do CEO   184. O grande dia.

    MargothO som dos passos ecoava suavemente no hall, acompanhando as vozes baixas e animadas de Hazel e Hanna enquanto desciam as escadas. Do alto, eu as observei com um sorriso, o coração apertado e cheio ao mesmo tempo. Minhas meninas estavam lindas, radiantes, cada uma com um brilho próprio.O vestido de Hazel, delicado e elegante, parecia ter sido feito sob medida para destacar a força e a suavidade que sempre coexistiram nela. Já Hanna, com seu vestido simples, mas deslumbrante, tinha o olhar de alguém completamente em paz. Era como se o peso do passado tivesse finalmente ficado para trás.Porém, quando chegaram ao último degrau, ambas pararam abruptamente. Fiquei tensa ao perceber o motivo.Ali, parado no meio do hall, estava Richard, ele disse que não viria. O homem que tantas vezes fora fonte de dor e frustração, mas que agora parecia diferente. Sua postura estava ereta, mas havia uma hesitação nos olhos, como se ele também não soubesse o que esperar daquele encontro.Caminho d

  • Primeiro Amor do CEO   183. Isso é o seu vestido, Hazel.

    Hazel.Eu não sei como a Hanna está se sentindo, mas dentro de mim há um conflito gigantesco. Quero acreditar que minha mãe mudou, ou que pelo menos está tentando mudar. Quero acreditar nas lágrimas, na sinceridade de suas palavras, mas…Foram tantas brigas, tantos momentos de descaso, de preconceito. Tantas vezes em que ela preferiu se calar em vez de nos defender, tantas vezes em que virou as costas quando precisávamos dela. Essas feridas não cicatrizam facilmente.Minha mente está dividida entre a memória dolorosa do passado e a possibilidade esperançosa de um futuro diferente. E isso me consome.Olho para Hanna, que, mesmo com os olhos marejados, parece mais em paz do que eu jamais estive em relação à nossa mãe. Ela sempre foi mais generosa, sempre teve essa capacidade de perdoar que admiro, mas nunca consegui ser como ela.Minha mãe está aqui agora, diante de nós, dizendo todas as coisas que esperei ouvir por anos. Palavras que, no passado, poderiam ter mudado tudo. Mas será que

  • Primeiro Amor do CEO   182. Não sei se estou pronta para te perdoar.

    Hazel.Eu estava muito feliz pela minha irmã. De verdade, Kevin foi feito para ela, assim como ela foi feita para ele. Cada palavra que falei durante aquele momento especial veio do fundo do meu coração, com total convicção. Mas, enquanto eu falava, vi algo nos olhos de Hanna, uma sombra passageira que me fez suspeitar de seus pensamentos.Arrisco dizer que, naquele momento, ela pensou em nossos pais. Sempre fomos muito unidos, e ela sempre foi a preferida deles. Sei o quanto à distância e as circunstâncias a machucaram, mesmo que ela tente esconder.Mas o que importava, acima de tudo, era que Hanna estava feliz. Isso era visível em cada gesto, em cada sorriso.Então, escutamos uma batida na porta. Meu coração acelerou. “Quem será?” pensei, já antecipando a surpresa ou talvez alguma confusão. Quando abri a porta, fiquei completamente paralisada.— Mãe? — Eu e Hanna dissemos juntas, em uníssono, a surpresa estampada em nossas vozes.— Posso entrar? — perguntou ela, hesitante, como se e

  • Primeiro Amor do CEO   181. Hoje é o dia mais feliz da sua vida!

    HannaEu estava nervosa pela Hazel. O grande dia dela havia finalmente chegado! Estávamos em um dos quartos do hotel Salivam, eu, ela, a mãe de Kevin e Kat.Kevin não mentiu. Esse hotel é exatamente como ele disse: a minha cara. Cada detalhe é encantador, transbordando amor, paz e uma serenidade que parecia abraçar o coração.Conversávamos descontraidamente enquanto as maquiadoras e cabeleireiras ajustavam os últimos detalhes. O ambiente estava leve, mas, de repente, Hazel levantou-se. Sua expressão mudou, e ela começou a falar com uma intensidade que prendeu minha atenção.— Esse sempre foi o seu sonho. Mesmo depois de tanto sofrimento, de tantas desilusões, você nunca desistiu, por mais que dissesse que isso não era para você. — Sua voz estava embargada, cada palavra era carregada de emoção. — Eu te vi quebrar de todas as maneiras possíveis, física e psicologicamente, e estive lá com você, sempre. Estar aqui hoje é um privilégio. Ser sua irmã é um privilégio.Ela fez uma pausa, resp

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