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Capítulo 4

Author: Peachy
— Mamãe, estamos com fome.

Três bebês olharam para mim com olhos claros, suas vozes suaves e doces como açúcar.

Mas a cena era simplesmente bizarra demais.

Três minutos atrás, eles eram filhotes de lobo.

— Como… como vocês viraram humanos?

— É fácil — disse um dos pequenos, inclinando a cabeça. — A gente só pensa nisso, e acontece.

Enquanto falava, ele se transformou de volta em um lobinho peludo e, em seguida, de volta em um bebê humano.

— Viu!

Toda a minha visão de mundo se despedaçou.

Nos dias seguintes, descobri que não apenas os três podiam mudar de forma quando quisessem, como também cresciam a uma velocidade alarmante.

No primeiro dia, pareciam recém-nascidos. No terceiro dia, já falavam claramente. No quinto dia, corriam e pulavam.

E comiam uma quantidade assustadora de comida.

— Mamãe, tem mais carne? — o mais velho — eu o chamei de Leo — olhou para mim com esperança nos olhos.

Encarei o prato vazio. Aquela já era a quinta porção de carne dele.

— É tudo o que tem — disse, sem saber o que fazer. — Essa é a ração que a cozinha dá aos empregados.

A testinha de Leo se franziu. Ele trocou um olhar com os dois irmãos.

— A mamãe sempre passa fome para nos alimentar — disse o do meio, Max.

— Não é justo — concordou o mais novo, Felix. — A mamãe também precisa comer carne.

— Eu não estou com fome — menti. A verdade era que eu não fazia uma refeição decente havia três dias.

Naquela noite, fui dormir cedo.

No meio da madrugada, um som suave me acordou.

A caixa de papelão ao lado da cama estava vazia.

— Leo? Max? Felix? — chamei em voz baixa. Nenhuma resposta.

O pânico tomou conta de mim. Para onde eles tinham ido?

O que eu não sabia era que eles estavam na cozinha da casa principal.

Três pequenos filhotes de lobo estavam realizando o assalto perfeito à comida.

Leo usou suas garrinhas para puxar a porta da geladeira. Max ficou de vigia. Felix se esgueirou para dentro, procurando os melhores cortes.

— Este aqui! — Felix arrastou um enorme pedaço de bife wagyu. — Para a mamãe!

Leo assentiu e agarrou o bife com os dentes.

Mas, naquele instante, ele viu uma caixa ornamentada sobre a ilha da cozinha.

A caixa estava entreaberta. Dentro dela, havia um anel antigo.

Era único — uma aliança de platina segurando uma gema vermelho-sangue, com fogo ardendo em seu interior.

Mais importante ainda, ele exalava um cheiro. Um cheiro profundamente reconfortante. Cheirava ao papai.

Leo largou o bife e pegou o anel com cuidado.

— Irmão, não podemos pegar isso — alertou Max.

— Mas o cheiro é bom — disse Leo. — E… está me chamando.

Felix correu até lá.

— Também acho que cheira bem. Como casa.

Os três filhotes se olharam e decidiram levar o anel com eles.

— Onde vocês estavam?!

Eu estava ao mesmo tempo em pânico e furiosa quando os três filhotes voltaram, arrastando comida.

— Trouxemos comida para a mamãe — disse Leo, orgulhoso, largando o bife.

— E isto! — Felix apresentou o anel como um troféu.

Meu sangue gelou.

Eu já tinha visto aquele anel antes. Killian o usava quando assinei o contrato.

Ele nunca o tirava. Diziam que tinha um significado especial.

— De onde vocês roubaram isso?!

— Da cozinha — disse Max, piscando inocentemente. — Cheirava bem. Achamos que a mamãe ia gostar.

Nesse exato momento, um alarme estridente começou a soar.

Toda a propriedade foi inundada por luzes vermelhas piscando.

— Alerta de intruso! — a voz de um segurança ecoou pelos alto-falantes. — Tranquem todas as saídas!

Agarrei o anel, meus dedos tremendo tanto que mal consegui segurá-lo.

Passos.

Dezenas deles. Todos vindo direto para o meu quarto.

— Rápido! — empurrei as três crianças para dentro do armário. — Virem humanos! E não façam barulho!

Os passos se aproximaram.

Alguém estava farejando.

— O rastro termina aqui — disse um guarda.

— Impossível — respondeu outra voz. — Continuem procurando.

Então ouvi a voz que fez o ar congelar.

— O ladrão está perto. Eu sinto o cheiro do meu anel.

Killian.

Ele estava ali.

BUM!

A porta não se abriu. Ela explodiu para dentro. Lasca de madeira voaram como estilhaços.

A silhueta imponente de Killian ocupou a entrada, seis seguranças fortemente armados atrás dele.

Seus olhos cinzentos brilharam perigosamente na escuridão. O olhar varreu o quarto e pousou em mim.

— O ladrão está aqui.
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