FAZER LOGIN3 semanas depois:
— Vai mesmo ficar deitada o dia todo como se estivesse aguardando a morte de braços abertos? — Ethan tentou puxar as cobertas das quais Victoria tentava se esconder a todo custo. — Anda Victoria, vamos sair para comer! Pare de agir como uma criança birrenta. Se não levantar, eu vou te arrastar nem que seja pelos cabelos, garota, escuta o que estou dizendo e não me obrigue a usar a força bruta contra você.
— Você está jogada desse jeito desde ontem e até agora não saiu para comer. — Reclamei e ponderei na possibilidade de lhe contar sobre as várias vezes que fiquei em ligação com Nicolle nas últimas semanas apenas para deixá-la mais alerta, mas não era hora. — Ethan foi até o meu dormitório, preocupado com você, dizendo que a madame não havia comido ainda. Você não come direito desde semana passada, quando trocou de número. Vamos em uma lanchonete aproveitar nossa sexta-feira livre. Finalmente temos um tempo livre.
— Não estou com fome no momento. — Disse com a voz abafada devido ao cobertor que cobria seu rosto. — Quero dormir, estou extremamente cansada. Podem ir, talvez de tarde eu coma alguma coisa. Agora eu só quero descansar e passar o dia dormindo, então por favor, me deixem dormir.
— Pare de mentir. Tanto eu, quanto o Ethan sabemos que você está apenas evitando encarar a realidade que a cerca. — Bufei começando a me irritar. — Eu realmente não sei o que aconteceu entre você e aquela tal Nicolle — fui até as cortinas e as abri com um pouco de brutalidade — mas tenho certeza que ela está arrependido e quer se desculpar. Mas a madame trocou o número umas quarenta vezes e continua a evitando e não dando chances para a coitada explicar o que quer que ela tenha para explicar. — Puxei o cobertor deixando ela assustada e a encarei. — Levanta a bunda da cama e vamos sair para comer. Nicolle parece ser alguém legal e está bem evidente que está extremamente arrependida, mesmo quase um ano após separados e ela não podendo sequer se aproximar de forma alguma de você, ela ainda tenta. Então seja mulher e encare a realidade, ou melhor, encare Nicolle.
— C-como? — Arregalei os olhos ao perceber tudo o que havia dito. Ethan apenas riu da minha cara e suspirou carregando um olhar preocupado ao encarar Victoria.
— O Ryan tem razão, levante-se e vamos comer, depois, apenas se quiser, mande uma mensagem para essa tal Nicolle. Provavelmente ela irá querer se explicar sobre o que aconteceu. — Ethan falava com calma.
— Eu já disse para ela que pedir desculpas por mensagem ou ligar era ridículo. — Victoria me encarou duramente ao perceber que eu e ela havíamos conversado. — Antes que você venha com pedras na mão para me atacar achando que procurei ela primeiro, vou dizer apenas uma coisa, ela ligou para você diversas vezes naquele dia que você esqueceu o celular comigo, ainda pediu para que eu apagasse as ligações e depois entrei em contato com ela. Caso queira eu lhe mostro as mensagens, aliás passei o seu novo número para ela e por isso fui tão contra a você bloqueá-la aquele dia.
Victoria balançou a cabeça e se levantou preguiçosamente. Apesar de conhecer ela apenas há um ano, doía vê-la daquela forma tão depressiva. Tanto Ethan, quanto eu, acabamos criando um vínculo muito forte com ela. Era difícil ver nossa mais nova amiga tão para baixo, sabíamos que aquela não era ela de verdade. Ela podia ser quieto e bastante tímida, mas pelo que presenciei quando ela estava “genuinamente feliz” na festa, aquela garota quieta e tímida, não era exatamente somente aquilo, havia uma pureza e animação que ninguém imaginava.
— Me deem vinte minutos, irei tomar um banho e poderemos sair, se é isso que vocês realmente querem. — Victoria levantou da cama bufando e bagunçando mais ainda os fios escuros que estavam desgrenhados.
— Iremos esperar aqui mesmo, não quero correr o risco de você se trancar o quarto como fez inúmeras vezes. — A voz calma e suave de Ethan fez com que Victoria se encolhesse e bufasse.
— Vocês parecem meus pais. — Victoria bufou e caminhou até o banheiro. — Vocês precisam sair, irão reclamar se descobrirem que tomei banho com vocês aqui no quarto, não quero me meter em encrencas, peguem a chave na porta e fiquem do lado de fora.
…
— Sei que vai ser muito indelicado da minha parte, porém não posso mais deixar de perguntar. — Ethan me olhou como se pedisse para eu parar, porém, ignorei o seu olhar e encarei Victoria firmemente. — Eu disse para Nicolle que provavelmente não iria perguntar sobre o que aconteceu entre vocês porque isso era assunto de vocês e não tem nada a ver comigo, porém, visto como você tem agido ultimamente, creio que tenha sido algo grave, algo que realmente magoou seu pequeno coraçãozinho. Então, pelo amor de Deus, me conte o que aconteceu, só assim saberei o que posso fazer para ajudar ao menos um pouco.
— Ainda não acredito que Nicolle teve a cara de pau de ligar para mim e depois para você e continuar a conversa como se não fosse nada de mais.
— Já vimos que o alvo não era o Ryan, mas sim você, foi só uma coincidência bem estranha ela ter ligado justamente quando seu celular estava no quarto dele, não entraremos nesse assunto agora. Então deixe de frescura. — Ethan a olhou de forma séria. — Como poderemos lhe ajudar se nem ao menos sabemos o que realmente aconteceu entre vocês duas? Seja de forma amorosa ou não, não estaremos aqui para julgar, só queremos ajudar nosso amigo.
— Certo. — Victoria suspirou de forma cansada. — Antes de tudo, não sou lésbica, eu e ela não tínhamos esse tipo de intimidade. Enfim, Nicolle e eu nos conhecemos desde que éramos bebês. Nossas mães são melhores amigas desde a faculdade e por estarmos sempre juntos viramos melhores amigas. Vivíamos grudadas e as pessoas das quais eu gostava praticamente se jogavam aos seus pés, ela tinha um rostinho lindo e um ar de menininha inocente e bobinha. — Riu sem graça. — Mas eu era um tanto quanto babaca e sempre a fazia escolher lhe dizendo “se você ficar com tal pessoa, nossa amizade estará acabada” e no outro dia essa pessoa estava xingando pelos cantos após ser descartado por ela, e isso acabava me irritando. Confesso que o fato dela desistir de qualquer coisa, literalmente tudo por mim, me dava nos nervos. Ela poderia ter tudo aos seus pés e ainda assim não tinha absolutamente nada, por mim. — Eu e Ethan não sabíamos o que dizer, estávamos intrigados de certa forma com tudo o que ele estava dizendo. — Mas aí conheci o Petter, Petter Smith. Um garoto que tinha sido transferido para a nossa escola. Nossa dupla se tornou um trio, até ele começar a gostar dela também. — Seu olhar se tornou triste. — Eu estava desfrutando o que era aquele sentimento de estar apaixonado verdadeiramente. Era até estranho para mim, logo eu, que sempre havia sido rejeitada incontáveis vezes, pela primeira vez senti que o sentimento entre mim e Petter poderia ser mútuo. Foi então que, em um dia, eu vi Petter puxando a Nicolle para o jardim dos fundos do colégio, ela sabia que eu gostava dele, então por um momento pensei realmente que eles só estavam se afastando para conversar sobre mim. Fui uma idiota por pensar isso, mesmo de longe consegui ver a confusão em seus olhos, e como eu odiava esse olhar. Foi então que eu os segui, sei que foi errado e algo dentro de mim me dizia que eu não deveria estar fazendo aquilo. Quando cheguei próximo o suficiente para ouvir o que eles estavam conversando, ouvi Petter confessando seus sentimentos a ela. Aqueles olhares dele nunca foram direcionados a mim, mas sim a ela, eu me senti traída porque ela sabia que eu estava apaixonado por ele, eu falava sobre ele o tempo todo quando estávamos a sós. Então, quando eu me aproximei mais, eu os vi se beijando, aquilo me destruiu ao ponto de eu não conseguir mais olhar na cara dela depois daquilo, a mágoa me consumiu e para não descontar nela, decidi que seria melhor apenas me afastar.
Eu estava verdadeiramente perplexo, Nicolle não parecia ser aquela babaca, ao menos não pelas mensagens, e parecia estar verdadeiramente arrependida, mas se estava arrependido era porque havia feito algo, não?
— Quando eu lhe perguntei o que havia acontecido, ela havia dito que fora pega de surpresa naquele dia e em nenhum momento falou sobre o beijo, não sabia se era porque tinha gostado ou só porque não queria me magoar. — Victoria deu uma risada fraca. — O que me deixa pior é saber que Nicolle sabia muito bem que eu gostava dele, ela sabia que eu estava verdadeiramente apaixonada por ele, mas aparentemente aquilo não importou para ela…
— Você é idiota? — Uma voz trêmula se fez presente fazendo Victoria engasgar com seu refrigerante. — Eu tentei esquivar, eu tentei lhe explicar o porquê daquilo ter acontecido de verdade, mas você ignorou completamente todas as minhas tentativas. Você quis acreditar naquele garoto que conhecíamos há apenas 6 meses, ao invés de acreditar em mim, a pessoa que você mais conhece e que mais te conhece, você optou por jogar uma amizade de 15 anos no lixo como se fosse nada, você preferiu acreditar em um garoto ao invés do seu melhor amigo.
— Nicolle? — Victoria arregalou os olhos ao ver aquela garota se aproximar de nossa mesa lentamente. — O que você está fazendo em Londres?
— Não ficou claro para você que aquilo tudo foi intencional? Petter se afastou de nós duas logo depois que aquilo aconteceu, se ele realmente estava a fim de mim, por que simplesmente se afastou de nós duas quando você virou as costas para mim? A intenção era nos afastar a todo custo e você permitiu que isso acontecesse. Tem noção do quanto precisei de você? Eu estava no meu pior momento e não tive ninguém ao meu lado! — Nicolle era uma garota extremamente bonita, a voz aveludada e levemente rouca por estar segurando o choro e os olhos marejados faziam com que eu sentisse vontade de levantar para abraçá-la e protegê-la a todo custo, mas contive qualquer sentimento e me mantive quieto apenas observando. Seus pulsos levemente roxos me chamaram atenção, o roxo estava se tornando um amarelado, pareciam estar ali há algumas semanas, mas não perguntei, não era o momento, mas algo em minha cabeça apitou como um alerta. — Minha mãe morreu! E quando precisei de um ombro amigo, o único que eu precisava não estava lá. Você havia se mudado para Londres por um garoto fútil e medíocre. Quando tentei me aproximar e mandar mensagens para você, eu era incansavelmente bloqueada. Você não faz ideia do quão assustada eu estava, eu precisava de você! EU PRECISEI RECORRER AO BABACA DO MEU PAI!
Victoria estava tremendo e estava com os olhos brilhando pelas lágrimas que queriam cair. Então, levantou-se e segurou os ombros de Nicolle que parecia que iria cair em qualquer momento.
— Você emagreceu tanto. — Victoria sussurrou com a voz manhosa, a ajudando a se sentar na mesa. — Me perdoa, você deve estar passando um tormento e eu não estava lá para te ajudar.
— Sua idiota sem coração. — Observei as duas em seu próprio mundo quando Ethan segurou meu pulso chamando a minha atenção.
— Seria melhor deixá–las a sós. — Concordei com Ethan e então saímos dali. — Você sabia que ela estava vindo?
— Sabia, na verdade, fui eu quem o chamou para vir até aqui. Desculpe não contar antes, mas eu não podia ver a Victoria se acabando daquele jeito e ficar de braços cruzados. — Ethan bagunçou meu cabelo e sorriu.
— Então era por isso que você insistiu tanto em tirá-la do quarto. Bom, agora acho que ela ficará bem. — Colocou as mãos nos bolsos da calça enquanto olhava para a mesa onde estavam. — Pelo menos espero que as duas fiquem bem após essa conversa.
O tempo havia tecido sua teia sobre a história de Emma e Ethan, transformando uma origem conturbada em uma jornada de amor, perdão e construção de uma família. Era uma manhã tranquila na cidade que os viu começar, e agora, uma cidade que testemunhava o capítulo final de sua história. Ethan, agora um renomado escritor, preparava-se para mais uma sessão de autógrafos de seu último best-seller. Seu talento para palavras havia conquistado corações ao redor do mundo, e seus livros eram sinônimos de sucesso literário. Ao lado dele, Emma, agora uma âncora respeitada em um jornal nacional, estava prestes a apresentar uma reportagem especial. Sua voz era uma presença constante nas casas de milhares de espectadores, e sua dedicação ao jornalismo a tornara uma figura influente no mundo das notícias. Juntos, eles construíram uma vida que superou os erros do passado. Seu filho, fruto do amor que cresceu entre eles, agora estava no auge da adolescência. Ethan e Emma aprenderam juntos a arte de se
Havia demorado no mínimo uns cinco anos naquela extensa lista de adoção. Tinham sido longos e dolorosos cinco anos na fila de espera. Inúmeras visitas e inúmeras crianças que eles tinham conhecido. Havia chegado um momento em que Charlotte já não acreditava mais que conseguiriam adotar uma criança. Ela estava cada vez mais desesperançosa. Mas Alec não a deixou desistir, pois ele também queria muito adotar uma criança, não era somente ela que estava triste, mas ele também estava sentindo uma aflição devido à demora. Alec observava Charlotte pela janela da sala, seu olhar perdido na chuva que caía lá fora. Ele podia sentir a tristeza que pairava sobre ela como uma sombra. Os cinco anos de espera na fila de adoção haviam sido exaustivos para ambos, mas ultimamente, a desesperança parecia ter se instalado no coração de Charlotte. Sentando-se ao lado dela no sofá, Alec segurou suavemente a mão de Charlotte. — Não podemos desistir agora, meu amor. Nós já passamos por tantas dificuldad
Respirou fundo e suspirou se afastando do pai e indo direto para a cozinha ainda sem palavras. Era estranho pensar que um dia seus pais se divorciariam, e ao ver a situação do pai, sabia que a ideia não era dele. Tateou os armários da cozinha procurando as panelas e comida para começar a preparar algo para a janta, preferiu ficar em silêncio e não incomodar o pai naquele momento, pois sabia que o mesmo estava precisando deixar que tudo fosse jogado para fora. Sabia que o pai não ficaria bem de uma hora para outra e que naquele momento a única coisa que podia fazer por ele, era deixá-lo chorar até não ter mais lágrimas. Quando o pai por fim terminou de chorar e se levantou caminhando lentamente para o quarto, Jully soube que ele estava ao menos se esforçando para parecer estar bem na frente dela. Se sentiu cabisbaixa por não poder fazer nada pelos pais, desde os seus dezoito anos sabia que o casamento dos pais era diferente de quando ela era criança. Mas não culpava nenhum dos do
Andrew encarava os papéis em sua mão desacreditado, a palavra "DIVÓRCIO" estampado logo no início do papel lhe dava calafrios. Estavam juntos desde os quinze anos, mais de trinta anos haviam se passado, tinham suas filhas que já estavam moças com seus 22, quase 23 anos, tinham passado por tantas coisas juntos. Andrew não conseguia acreditar que toda a história que ele e Amber tinham construído juntos seria simplesmente apagada por aquele maldito acordo de divórcio. Ele nem sequer sabia o que tinha feito de errado, ou desde quando o casamento estava tão desgastado ao ponto de ser acabado com uma assinatura. — Um acordo de divórcio? — Andrew perguntou ainda receoso assim que encontrou voz depois do choque. — Por quê? Nós estamos juntos há tanto tempo... Não podemos simplesmente acabar com toda nossa história por causa de um papel. Se eu fiz algo que a magoou, você pode ao menos me dizer e eu irei mudar, eu prometo. — Andrew querido. — Amber apenas suspirou e juntou as mãos cansada d
Três anos haviam se passado desde que a Detetive Aurora Colerman trocou as luzes urbanas de Londres pelos vastos campos verdejantes de Kentucky. A cidade pequena oferecia uma mudança de ritmo, uma pausa bem-vinda da agitação constante que ela estava acostumada. Kentonville era daquelas cidades onde todos conheciam todos, um lugar onde os segredos pareciam mais difíceis de se esconder. Aurora, aos 42 anos, sentia que tinha encontrado um refúgio tranquilo para sua carreira e uma vida mais estável. Seu marido, David, um jornalista experiente, sempre a alertava sobre os perigos inerentes à profissão dela. Ele ainda se lembrava vividamente das notícias trágicas de colegas jornalistas mortos ou feridos em busca da verdade, ele se arrepiava só de pensar o que poderia acontecer com sua esposa. Ele vivia a lembrando do quão perigoso era o trabalho dela e que ela precisava se aposentar quanto antes, eles já haviam acumulado riquezas o suficiente para se manterem até o fim de suas vidas, estav
10 anos depois — Mãe! — Thomas correu segurando a alça da mochila em direção à médica que estava distraída enquanto respondia algumas mensagens. Assim que viu o filho correr em sua direção, sorriu animadamente. — Morri de saudades sabia? — Sorriu e a abraçou forte quando a alcançou. — Sentiu falta do seu lindo filho te seguindo o tempo todo? — Foram só quatro dias. — Nicolle abraçou o filho com força e beijou sua testa gentilmente. Constatou que o garoto já estava da sua altura e logo ultrapassaria, isso fez com que ela risse consigo mesma pensando em como o tempo tinha passado rápido. — Como foi? Está com fome? Não deveria ir para casa descansar? — Eu cheguei às oito da manhã, o papai foi me buscar no aeroporto e eu pude dormir um pouco. — Sorriu abraçando a cintura da mãe. — Como você já tinha vindo para o hospital e eu não consegui te ver de manhã, aproveitei para vir te ver e almoçar com você antes do curso. — Sabe que eu e o seu pai não queremos que se esforce tanto assim, n







