INICIAR SESIÓNCoraA vida é bela.Às vezes, tão bela que chega a parecer impossível.E talvez justamente por isso eu tenha aprendido a valorizá-la de uma maneira que nunca imaginei.Hoje faz exatamente cinco anos desde o dia em que nós rejeitamos Alma De Lucca.Cinco anos desde que decidimos que não permitiríamos mais que aquela mulher ditasse nossas vidas.Cinco anos desde que escolhemos a liberdade.E, olhando para aquela sala naquela noite de Natal, eu sabia que havia sido a melhor escolha de nossas vidas.Porque estávamos vivos.Estávamos juntos.Estávamos felizes.E, principalmente, estávamos livres.Nossa casa continuava cheia.Na verdade, acho que "nossa casa" já não era uma expressão suficiente para explicar o que havíamos construído.Continuávamos morando no mesmo prédio.Todos nós.Um andar inteiro transformado em lar.Uma família inteira vivendo lado a lado, compartilhando almoços, jantares, aniversários, brigas bobas, risadas, filmes, segredos e, principalmente, amor.Naquela noite, o a
KamiA mensagem do Dr. Almeida chegou como sempre, pontual, às oito da manhã.— Kami, precisamos que você venha ao hospital hoje. Os exames de rotina estão atrasados, e eu preciso ver como você está.Eu olhei para a tela do celular, sentindo o peso daquelas palavras. Eu sabia que precisava ir. Eu sabia que precisava encarar a realidade. Mas uma parte de mim queria continuar vivendo naquele sonho, naquele mundo onde eu era feliz, onde eu era esposa, onde eu era amada.Kael ainda dormia, e eu deixei-o descansar. Eu precisava fazer isso sozinha. Eu precisava enfrentar meus medos sem o peso de vê-lo sofrer.Vesti uma roupa confortável, um vestido leve, e peguei uma bolsa. Antes de sair, deixei um bilhete na mesa da cozinha.— Fui ao hospital. Volto logo. Te amo.Eu sabia que ele ficaria preocupado quando acordasse e não me encontrasse. Mas eu precisava fazer isso. Eu precisava saber.O caminho até o hospital foi silencioso. Eu olhava pela janela do táxi, vendo a cidade passar, sentindo o
CoraOs enjoos matinais tinham começado há três dias. Eu acordava com o estômago embrulhado, uma onda de náusea que subia da garganta e me obrigava a correr para o banheiro. No começo, eu tinha atribuído à ansiedade, ao estresse da volta à rotina, à mudança na alimentação. Mas quando o atraso se tornou evidente, quando as cólicas leves começaram a incomodar, quando os seios ficaram doloridos e sensíveis, uma suspeita começou a crescer dentro de mim.Eu estava grávida. Eu tinha quase certeza.A ideia me assustava e me enchia de alegria ao mesmo tempo. Dante e eu tínhamos conversado sobre ter filhos, tínhamos planejado, tínhamos tentado. Mas agora, diante da possibilidade real, eu sentia o coração acelerar, as mãos suarem, uma mistura de medo e expectativa que me tirava o fôlego.Eu não queria fazer o teste sozinha. Eu precisava de apoio. Eu precisava das minhas amigas.Sentei-me na cama, o celular na mão, e respirei fundo. Meus dedos tremeram enquanto eu digitava a mensagem no grupo qu
KamiO sol entrava pelas frestas das cortinas, pintando o quarto com tons dourados, e eu acordei com o coração acelerado, uma ansiedade gostosa crescendo no peito. Hoje era nosso primeiro mês de casados. Trinta dias desde aquele dia perfeito na fazenda, trinta dias desde que eu e Kael tínhamos selado nosso amor diante de todos, trinta dias de pura felicidade.Eu me virei na cama, observando Kael dormir. O rosto sereno, a respiração calma, os lábios entreabertos. Ele estava tão lindo, tão meu. Eu estendi a mão, acariciando o rosto dele com a ponta dos dedos, sentindo a textura da pele, o calor do corpo.— Bom dia, marido. — sussurrei, a voz cheia de amor.Ele murmurou algo incompreensível, virando de lado, e eu ri, baixinho. Deixei-o dormir mais um pouco e me levantei, vestindo um vestido leve, amarelo, que combinava com a minha felicidade. Eu tinha planos para hoje. Planos que envolviam uma surpresa, um piquenique, e o homem que eu amava mais do que qualquer coisa no mundo.Desci as e
CoraA semana na fazenda tinha sido um sonho. Cada dia parecia uma bênção, um presente que o universo tinha resolvido nos dar depois de tantas provações. Acordar com o sol batendo no rosto, o cheiro de café fresco vindo da cozinha, as risadas das crianças ecoando pelo jardim, as conversas longas na varanda, os jantares regados a vinho e histórias. E as noites, ah, as noites eram sempre minhas e de Dante, entregues ao amor, ao prazer, à redescoberta constante um do outro.Mas toda boa fase precisa de um fim. E quando a manhã de domingo chegou, com as malas sendo arrumadas e os abraços de despedida sendo trocados, eu senti uma pontada de tristeza no peito. A fazenda tinha se tornado um refúgio, um lugar onde o tempo parecia andar mais devagar, onde os problemas pareciam distantes. Mas a vida real nos chamava de volta, e eu sabia que precisávamos responder.— Vamos sentir saudade de vocês — Kami disse, me abraçando apertado na porta da casa. O vestido leve dela ondulava com a brisa da ma
Cora O dia amanheceu claro, com um céu azul sem uma única nuvem, como se o próprio universo tivesse se vestido para a ocasião. Eu acordei antes do sol, o coração batendo acelerado no peito, uma mistura de ansiedade e alegria me envolvendo como um abraço. Hoje era o dia. O dia do casamento duplo. O dia em que duas histórias de amor seriam celebradas diante de todos.Dante ainda dormia ao meu lado, o rosto sereno, a respiração calma. Eu me virei para olhá-lo, sentindo o amor transbordar dentro de mim. Ele tinha chegado na noite anterior, depois de semanas de trabalho, e a gente tinha passado a noite inteira nos amando, como se o tempo tivesse parado. Mas agora, o tempo tinha voltado a andar, e eu precisava me levantar.— Cora? — ele murmurou, os olhos ainda fechados. — Que horas são?— Cedo. — Beijei a testa dele. — Dorme mais um pouco. Eu preciso me arrumar.— Hmm. — Ele sorriu, puxando o cobertor sobre a cabeça. — Boa sorte.Eu ri, vestindo um roupão, e desci as escadas. A casa estav







