INICIAR SESIÓNKILLIAM
Foi como se o mundo desaparecesse por um instante. Uma onda brutal de prazer me atravessou, arrancando de mim um gemido rouco enquanto eu me desfazia dentro dela.
Meu lobo rugiu — rouco, possessivo.
Meus olhos brilharam com a intensidade do momento e, naquele instante, eu soube: não havia mais volta.
Eu era dela.
Ao sentir sua marca, meu corpo ganhou vida própria, pulsando com uma energia crua e selvagem. Cada fibra parecia incendiada, e a fome que sentia por Aurora cresceu de forma quase insuportável — urgente, primitiva — como se cada batida do meu coração gritasse por ela.
Num movimento firme, virei-a, colocando-a de bruços e erguendo seus quadris ao meu encontro.
Meu lobo se impôs, e Aurora se entregou sem resistência. Mesmo sem tê-la marcado ainda, sua loba já reconhecia o meu, entregando-se sem reservas.
Aquilo despertou em mim uma satisfação instintiva — poder e pertencimento misturados — e voltei a me mover com intensidade, marcando cada investida como uma promessa silenciosa.
A forma como me olhava por sobre o ombro… a maneira como se arqueava para mim… tudo nela era um convite. Ela queria que eu assumisse o controle.
E eu assumi.
Movi-me com ritmo e força, sentindo cada reação dela incendiar ainda mais meus sentidos.
— Ki-Killiam… — gemeu. — Eu vou gozar…
— Goze para mim — minha voz saiu rouca, animalesca, arrancada do fundo da alma.
E quando ela se entregou ao prazer, eu fui junto.
Perdi-me outra vez dentro dela, como se tudo em mim — carne, alma e lobo — tivesse se rendido àquele momento.
Antes que eu pudesse recuperar o fôlego, vi seu corpo relaxar sobre a cama: exausto, suado, mas sereno.
Deitei-me ao seu lado, ainda ligado a ela, e a puxei para junto de mim, mantendo-a envolta em meus braços como se fosse parte do meu próprio corpo. E dessa forma, o sono nos venceu.
Adormeci certo de que ela ainda estaria ali quando eu abrisse os olhos. Mas, ao despertar e estender a mão para o lado, encontrei apenas o lençol frio.
Meu lobo rosnou em frustração pela ausência dela.
Levantei-me e percorri cada canto daquele espaço montado sobre o restaurante, cada cômodo que ela pudesse ter tocado. Era como se ela tivesse evaporado.
Por um instante, uma dúvida cruel me atravessou — e se tudo aquilo tivesse sido apenas um sonho?
Mas, ao chegar ao banheiro e encarar meu reflexo no espelho, a marca dela estava ali.
Viva.
Pulsando sob a minha pele no mesmo ritmo do meu coração, como se Aurora tivesse deixado um pedaço dela cravado em mim.
Meu corpo estremeceu. Meu lobo se aquietou por um segundo — não em submissão, mas em reconhecimento.
Ela havia me marcado como seu — e ainda assim partiu.
Dois dias.
Dois malditos dias que pareceram uma eternidade.
Procurei por ela em toda região, mas não havia sinal algum. Apenas o vazio ecoando dentro de mim como um uivo preso na garganta.
A marca em meu ombro latejava como uma ferida aberta — um lembrete constante de que ela existia… mas estava distante.
Mantinha-a escondida sob a camisa. Não queria que ninguém soubesse. Não queria que percebessem o quanto meu lobo havia baixado a guarda.
E o que eu não conseguia entender era por que ela fugiu.
Nunca fui impulsivo. Cada passo meu foi calculado. Até quando o mundo desabou sobre mim. Até quando a perda de Jade quase me arrastou junto.
Mas, naquela noite, ao tocar Aurora, ao sentir seus lábios nos meus… não houve lógica. Apenas ela. O calor da sua pele. O encaixe inevitável dos nossos corpos.
Eu havia cruzado uma linha.
Meu lobo estava irritado, frustrado e ferido — como se algo sagrado tivesse sido rompido.
E isso só reforçava uma certeza: Aurora escondia algo. Estava fugindo de alguma coisa.
E eu precisava encontrá-la.
Seu cheiro ainda permanecia em mim, um lembrete cruel do que aconteceu — e do que mudou para sempre. Suelen se aproximou, interrompendo meus pensamentos.
— Encontrei a loba de dias atrás — disse ela, ciente de que Aurora havia mexido comigo, mas sem imaginar até onde aquilo tinha ido.
Meu corpo enrijeceu.
— Então… ela não partiu? — perguntei, incapaz de esconder totalmente a surpresa.
Suelen arqueou uma sobrancelha.
— Depois da forma como você a tratou no restaurante, não me surpreenderia se tivesse ido embora. Mas, ela ficou. E… concordou em conhecer nossa alcateia.
Cruzei os braços, tentando esconder a tensão que me atravessava.
— Não gosto de estranhos no meu território.
— Não seja idiota, Killiam. Você sabe que aquela loba não oferece risco algum. Ela parece… sozinha. Talvez precise disso.
As palavras dela ecoaram.
— Não sei explicar — continuou Suelen — mas aquela loba me parece assustada. Está sempre olhando por cima do ombro. Como se estivesse fugindo de algo.
Meu lobo se agitou imediatamente. O instinto de proteção aguçou meus sentidos.
— Por que você está dizendo isso?
— É só uma sensação.
Por mais que eu tentasse manter o controle, algo queimava sob minha pele — não apenas irritação, mas frustração. Ela fugiu da minha cama como se eu não significasse nada.
Meu orgulho ainda sangrava. E agora ela surgia novamente… pisando na minha alcateia sem sequer me procurar. Parte de mim ardia em fúria.
Mas outra parte — aquela que eu jamais admitiria em voz alta — sentia expectativa.
Pois bem.
Se ela acreditava que podia entrar no meu território como se nada tivesse acontecido, estava enganada.
Ela podia ter fugido da minha cama.
Mas não fugiria do meu território.
KILLIAMNo dia em que Aurora me disse que estava em trabalho de parto, eu quase enlouqueci. Meu coração disparou de um jeito que nunca antes havia sentido. Corri para casa, e o mundo pareceu entrar em câmera lenta.Não foi fácil para ela. Aurora estava exausta depois de quase doze horas de dores intensas. A cada contração, eu sentia como se parte da minha própria alma estivesse sendo testada junto com a dela.Segurei sua mão o tempo todo, sentindo os ossos dos meus dedos quase se esmagarem contra os delas — e, ainda assim, não soltei.Sua respiração estava acelerada, o suor escorria por sua testa, mas seus olhos… aqueles olhos brilhavam com uma determinação que me deixava sem ar.— Você consegue, pequena… já está tão perto — murmurei, tentando soar firme, embora minha voz tremesse.E então aconteceu.Um choro agudo e forte preencheu o ar, cortando qualquer outra sensação, como se o mundo inteiro tivesse parado apenas para ouvir aquele som.Meus olhos arderam instantaneamente. Quando n
KILLIAMO quarto estava mergulhado em um silêncio quase sagrado, quebrado apenas pela respiração serena de Aurora ao meu lado. A luz suave que atravessava a janela desenhava sombras delicadas sobre o corpo dela, ainda levemente corado depois do que havíamos compartilhado.Fiquei ali, imóvel, como se qualquer movimento pudesse desfazer aquele instante.Meus dedos deslizaram devagar por uma mecha do seu cabelo, afastando-a de sua face. Era impossível não sorrir — não um sorriso de desejo, mas de gratidão.Olhei para trás, para tudo que vivi, para o homem que eu fui.Jamais imaginei que encontraria paz. Muito menos uma felicidade tão inteira, tão viva, a ponto de doer no peito de tão intensa. Aurora foi um pulo no escuro. Tínhamos um laço, é verdade… mas laços não vêm com garantias.Houve um tempo em que eu acreditava que momento assim não eram feitos para mim.Passamos por tempestades que quase nos afogaram. Feridas que pareciam profundas demais para cicatrizar. Escolhas difíceis — algu
AURORAJoyce e Suelen comemoraram meu retorno à alcateia como se eu tivesse voltado de uma guerra.Suelen precisou sair para trabalhar, mas Joyce assumiu a missão de me mimar. Enchia meu prato sem piedade, repetindo que grávida não podia passar fome — como se aquela fosse a lei mais sagrada do mundo.Passei o dia entre risadas, histórias acumuladas e aquela sensação rara de pertencimento. Era reconfortante recuperar uma parte da minha vida que parecia ter ficado suspensa por semanas.Eu sabia que Killiam havia me machucado.Talvez eu o tivesse perdoado rápido demais.Mas eu acreditava no arrependimento dele — caso contrário, não estaria tentando da forma como vinha tentando.Não queria gastar energia remoendo a dor. Preferia reconstruir o que nos foi roubado… tudo aquilo que aquela cadela — agora apodrecendo no inferno — tentou destruir.Imaginei que ele tentaria algo mais íntimo naquela noite.Mas Killiam me surpreendeu.Era carinhoso. Cuidadoso. Respeitoso ao extremo. Limitava-se a
KILLIAMAquela desgraçada havia armado tudo.Meu lobo rugiu, tomado por uma fúria tardia. Nayara já não estava mais ali — e não existia vingança possível contra os mortos. Restava-me apenas focar no presente — e o presente era reconquistar minha mulher.Eu sabia que não podíamos continuar adiando certas verdades.Peguei a xícara, mas o café esfriava entre meus dedos.— Eu errei. Errei ao permitir que tudo chegasse a esse ponto, ao não impedir que você fosse magoada, ao deixar que essa situação nos afastasse… — respirei fundo. — Mas não errei sobre o que Nayara fez você acreditar.Os olhos de Aurora não vacilaram.— Então me explique… por que você a trouxe para dentro de nossa casa?A pergunta não carregava gritos. E isso doía mais.— Naquela época, Nayara ameaçou ir embora. Disse que levaria o bebê com ela. — Minha mandíbula travou. — E eu acreditava que ele era meu. Eu não podia correr esse risco. Aurora apertou a xícara com força; os dedos ficaram esbranquiçados.— Então você pref
AURORAJá fazia duas semanas que Killiam estava em Bloodhowl. Kael tocara no assunto algumas vezes, mas, na última conversa, fora direto — a situação havia se tornado insustentável.Killiam não saíra do quarto nem uma única vez. Manter outro alfa ali por tanto tempo poderia gerar interpretações perigosas dentro da alcateia.— Ele ainda tem espaço no seu coração? — Alana perguntou, com uma calma que feria mais do que qualquer acusação.A pergunta reverberou dentro de mim.Por mais que Killiam tivesse me magoado, meus sentimentos não haviam simplesmente desaparecido. Minha loba deixava isso claro a cada silêncio pesado, em cada batida inquieta no peito.Eu sabia que ele errara. Sabia que me ferira.Mas também sabia que ele permanecia ali — suportando o constrangimento, o peso de estar sob o teto de outro alfa… apenas por mim.Eu precisava ir até ele. Encarar o homem que me destruíra — e que, ainda assim, fazia meu coração perder o compasso — já não era uma escolha. Era inevitável. Ass
KILLIAMNunca me senti tão perto de perder o controle.Minha pele queimava como se algo tentasse rasgá-la de dentro para fora. Os músculos permaneciam tensos, vibrando sob a pressão da fúria contida, e meus olhos ardiam, alimentados por uma raiva que eu já não sabia conter.Meus punhos estavam cerrados. Se eu afrouxasse o domínio por um único segundo, esmagaria qualquer coisa que estivesse diante de mim.Duas semanas.Duas malditas semanas desde que Aurora partiu.Eu tentava — incessantemente — alcançá-la pelo nosso elo mental. Forçava minha mente contra a dela, chamando-a no silêncio. E todas as vezes… era repelido.Rejeitado.Meu lobo arranhava minha consciência, uivando pela ausência dela. Pela ausência do que era nosso. Pela ausência de nossa metade.A transformação veio sem aviso.Num instante eu ainda lutava contra o impulso. No seguinte, corria pela floresta, consumido pela fera. Galhos se partiam sob meu peso, troncos eram marcados pelas minhas garras. Um rastro de destruição







