INICIAR SESIÓNOlhei para o semblante de Lucas e, por um breve momento, achei que tinha visto um traço de tristeza em seu rosto, não sei dizer se por mim ou por Fadi.
–– O chefe está chamando todo mundo para uma reunião de emergência –– sua voz era fria, seca, distante e polida –– É sobre os resultados da sua pesquisa.Com a ajuda do djinn, levantei-me correndo e juntei ordenadamente todos os papéis no chão com minhas anotações, levando-as agarradas nos braços.Lucas foi na frente, sendo seguido— Há muito, muito tempo atrás Um tempo que eu não lembro mais Um tempo que não volta mais Perdido no esquecimento. Havia um lugar de ninguém que era o sonho de alguém e o pesadelo pros do “bem” O vil desentendimento. A voz de Maya ecoava pelo salão real, e seu bandolim seguia a canção assim como o seu próprio corpo, que dançava com a maestria dos verdadeiros bardos de antigamente. Dessa vez, não havia magia de fogo a envolvendo, mas seus passos soavam como se ela mesma fosse feita de chamas. Fadi mantinha os olhos fechados, focado na melodia e nos dois tambores a sua frente, que tocava para acompanhar a canção entoada pela humana. Suas batidas eram fortes e firmes, e exponeciavam a atmosfera incandescente provocada pela música. — E o mal então se apossou daqueles que se achavam bons
A resposta era óbvia para todos. Joa Teresia, infante real e duquesa de Mashir, não tinha um resquício de magia natural. A decepção era visível na expressão em seu rosto, que a princesa nem tentou esconder, e gerou reações divergentes entre os espectadores e alistados, que iam de compaixão pura, pena condescendente à zombaria pela sua derrota.Não chorou uma só vez, apesar de demonstrar sua raiva e indignação em seu olhar, movimento do corpo e até em seu caminhar, com pisadas fortes e pesadas. A examinadora falou algumas palavras em seu ouvido, e ela assentiu com a cabeça, acalmando-se e indo sentar-se junto de sua irmã.— Alistado número três, — Archise chamou o próximo — Kai Hoshnaff.O rapaz chamado Hoshnaff subiu à arena e, assim como as duas primeiras, colocou suas mãos na bola auroral, que tomou a coloração marrom, indicando que ele possuía a magia da terra. Todos bateram as palmas para o rapaz, que desceu e se dirigiu para o banco vazio destinado a ele.— A
Todos olharam na direção das duas recém-chegadas, incluindo Lucas, que colocou a mão no meu ombro para mostrar que seus pensamentos estavam em sintonia com os meus. Pensávamos que demoraria um pouco até termos contato com membros da família Teresia, mas o destino facilitou muito dessa vez, nos dando uma chance que não poderíamos perder.Elas olharam em nossa direção, curiosas. Mesmo estando com a camuflagem de nossos pingentes, ainda éramos pessoas novas e desconhecidas na cidade, por mais que eu duvidasse que alguém da família real tivesse interesse o suficiente para conhecer os rostos de cada habitante da cidade de Tarami, e desconhecimento gera curiosidade.— Nós nunca vimos vocês por aqui — Joa me olhou de cima abaixo, com um sorriso enigmático no canto dos lábios — Vocês vieram de outra cidade?— Não somos daqui — respondi, sentindo-me um pouco desconfortável com essa análise — Viemos de uma cidade no litoral.— Qual delas? — Camilli perguntou, com olhos brilhan
— A minha escola tinha aula de inglês, mas eu não sei inglês tão bem quanto você sabe francês. — Minha escola tinha aulas de francês, espanhol e alemão, e aprendi por fora português, italiano, russo, japonês e mandarim. Estava começando a aprender árabe quando eu morri. — Ora, ora. Pelo visto sua genialidade não é só no xadrez. — Eu acho que viver em uma família com condição e estrutura também ajuda muito. Eu fui estimulado desde cedo a aprender e buscar conhecimento. Eu fui privilegiado na minha vida antiga. — Nessa vida também, não é? — Isso nós dois fomos. Pelo menos durante boa parte dela. Fomos? Bem. Sim. Fomos. Eu sei que eu fui privilegiada nessa vida de alguma forma. Eu tinha um nome, uma forma bípede, mas eu não consigo me lembrar onde eu consegui tudo isso, quem me deu tudo isso. Havia algo que faltava na minha memória. Pessoas, eventos, sentimentos. Tudo isso. Quando eu tentava lembrar, a dor era tão grande
Olhei para o chão da cidade coberto de neve, e depois para o céu da manhã que ostentava um branco que chegava a doer os olhos. A rua da cidade estava coberta de neve, e crianças brincavam de pique-pega, pique-esconde e principalmente, de jogar bolas de neve um no outro. Dá janela, observei tudo com um sorriso no rosto. Apolius brilhava no céu do inverno da capital de Teresia, mas não afetava em nada o clima local, era como um deus distante, que observava sem aquecer. Como provavelmente, de acordo com minhas pesquisas, o planeta onde Area se situa tem a mesma forma geóide dos planetas do universo da minha outra vida, acredito que esteja verão no outro hemisfério — não sei dizer se estamos no norte ou no sul.“Informação: o planeta conhecido como Geia possui a forma que vocês chamam de geóide, redonda com os pólos achatados. De acordo com a noção de norte-sul dos habitantes de Area, esse continente se situa no hemisfério norte, já que o seu norte é muito próximo a um dos polo
— Que mulher doida é essa? — Duda esbravejou contra o vento — Ela podia ter te atropelado!— Não sei o nome dela, mas sei dizer quem é — soltei-me do abraço de Lucas e andei até o lado da humana — Ela é a noiva do Delfin Pito Teresia.— A chifruda? — Fadi soltou um riso de escárnio — Será que ela sabe que seu querido noivo está louco para substituí-la?— Não sei se faria alguma diferença isso — dei de ombros, seguindo na frente enquanto olhava as placas das lojas — Não é como se ele fosse conseguir alguém que o aceite, na verdade. Não que seja feio, mas sua atitude performática o torna repulsivo e nem um pouco confiável.Uma melodia trazida pelo vento invadiu os meus ouvidos, chamando minha atenção para a movimentação de pessoas seguindo para o centro da cidade. Movida pela curiosidade e pela música hipnótica que embalava o ambiente, comecei a seguir as outras pessoas até chegar em uma grande praça recheada de pessoas. No centro, em cima de um pal







