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ESCOLHAS 2

last update Data de publicação: 2026-08-14 04:52:57

O escritório da casa-sede parecia menor naquela tarde.

Talvez não pelas paredes de madeira escura ou pelas estantes abarrotadas de livros de administração rural e documentos antigos, mas pelo peso que a notícia acabara de trazer para dentro daquele ambiente.

A pasta deixada sobre a mesa permanecia fechada, como se nenhum dos presentes tivesse coragem de abri-la imediatamente.

Pela janela, o movimento da fazenda seguia seu curso natural.

Os peões conduziam um pequeno lote de novilhas para ou
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Último capítulo

  • QUANDO O PASSADO BATE A PORTA - O Preço de Um Legado    A ESCOLHA DE ÍRIS 2

    O restante do Dia de Campo avançou sob um sol forte, transformando a Fazenda Luzes da Aurora em um organismo vivo que parecia respirar através das centenas de pessoas espalhadas pelos currais, tendas e áreas demonstrativas. O cheiro de terra aquecida misturava-se ao de carne assando lentamente nos grandes espetos montados perto do galpão, enquanto vozes, risadas, mugidos e o ronco ocasional dos tratores criavam uma sonoridade quase contínua. Íris atravessava aquele movimento cumprimentando produtores, respondendo perguntas e orientando estudantes, mas havia dentro dela uma serenidade diferente. A descoberta que tivera diante daquela pequena produtora permanecia presente, acompanhando-a mesmo enquanto sua atenção precisava se dividir entre o trabalho e as responsabilidades do evento. Pela primeira vez, pensar em Enzo não despertava perguntas. O sentimento continuava novo, ainda cercado por descobertas, mas ela já não precisava perguntar se estava ali por gratidão, pelo testamento

  • QUANDO O PASSADO BATE A PORTA - O Preço de Um Legado    A ESCOLHA DE ÍRIS

    O Dia de Campo amanheceu antes do próprio sol na Fazenda Luzes da Aurora. Às quatro e meia da manhã, quando Íris abriu a janela do quarto, o terreiro já estava iluminado pelos refletores e havia homens atravessando a propriedade em todas as direções. O ronco grave de um trator vinha da área próxima aos currais, misturado ao som metálico das estruturas sendo ajustadas, ao relincho dos cavalos no haras e às vozes dos peões conferindo as últimas tarefas antes da chegada dos visitantes. No horizonte, uma faixa alaranjada começava a romper a escuridão, revelando pouco a pouco os campos cobertos pelo orvalho. O ar fresco trazia cheiro de capim molhado, café forte e lenha queimando na cozinha externa, onde Dona Cida coordenava uma pequena equipe responsável pelo café da manhã. Íris permaneceu alguns segundos diante da janela absorvendo aquele cenário, mas seu olhar acabou desviando para a ala oposta da casa. Pensou em Enzo e na noite anterior, no segundo beijo trocado no silêncio do co

  • QUANDO O PASSADO BATE A PORTA - O Preço de Um Legado    O QUE JÁ NÃO PODEMOS NEGAR 2

    A caminhonete deixou a propriedade de seu Anselmo pouco antes do meio-dia, avançando devagar pela estrada estreita que cortava a Serra Branca. A chuva dos últimos dias abriram pequenas valetas nas laterais e transformaram alguns trechos em corredores de barro avermelhado, obrigando Enzo a manter as duas mãos firmes no volante enquanto desviava dos buracos mais profundos. Pela janela aberta alguns centímetros, entrava o cheiro forte da vegetação molhada, misturado ao aroma de terra revolvida pelos pneus. Íris permanecia no banco do passageiro com a cabeça apoiada no encosto, observando as pequenas propriedades espalhadas pelas encostas, mas sua atenção estava muito longe da paisagem. As palavras de Enzo continuavam retornando com uma insistência desconcertante. Ele não pedirá uma resposta, não cobrará proximidade e não transformará o beijo em direito adquirido. Ao contrário, devolverá a ela exatamente aquilo que tornava qualquer escolha verdadeira: liberdade.Juliano seguia no ban

  • QUANDO O PASSADO BATE A PORTA - O Preço de Um Legado    O QUE JÁ NÃO PODEMOS NEGAR

    O Que Já Não Podemos NegarParte 1Íris não respondeu naquela noite. Depois de manter a mão sobre o peito de Enzo por alguns segundos, sentindo sob a palma o ritmo acelerado que desmentia toda a serenidade aparente dele, apenas sorriu e pediu tempo. Não porque estivesse arrependida do beijo ou assustada com o desejo que começava a surgir entre os dois, mas porque compreendia o tamanho daquela decisão. Os quartos separados tinham sido muito mais do que uma regra prática criada no início de um casamento improvável. Representavam a distância que ambos haviam prometido respeitar, a fronteira entre o compromisso assumido por circunstâncias externas e uma intimidade que deveria nascer apenas se fosse escolhida. Abrir mão daquela separação significaria reconhecer que alguma coisa profunda havia mudado. Enzo aceitara seu pedido sem insistência, limitando-se a tocar de leve os dedos dela antes de desejar boa-noite. Agora, enquanto a manhã se espalhava sobre a Fazenda Luzes da Aurora, Ír

  • QUANDO O PASSADO BATE A PORTA - O Preço de Um Legado    DEPOIS DO BEIJO 2

    O sino do curral voltou a soar alguns segundos depois, misturando-se ao mugido das matrizes que aguardavam a troca de piquete e às vozes dos peões conduzindo os animais pelo corredor de manejo. Ainda assim, Íris e Enzo permaneceram diante um do outro por mais um instante, as mãos unidas entre os dois como uma espécie de acordo silencioso. Não havia necessidade de outro beijo, muito menos de uma declaração capaz de transformar aquela manhã em algo maior do que deveria ser. O que existia entre eles parecia mais importante justamente porque se construía em pequenos passos. Quando Enzo finalmente afrouxou os dedos, não o fez para se afastar. Passou o polegar lentamente sobre o dorso da mão dela antes de soltá-la, um carinho breve que fez Íris sentir um calor subir pelo braço. Ela respirou fundo, abaixou os olhos para esconder o sorriso que ameaçava surgir e voltou a organizar os instrumentos veterinários, enquanto ele permaneceu observando-a por alguns segundos antes de seguir para o

  • QUANDO O PASSADO BATE A PORTA - O Preço de Um Legado    DEPOIS DO BEIJO

    O amanhecer chegou à Fazenda Luzes da Aurora com uma claridade dourada e lenta, filtrada pela névoa fina que pairava sobre os campos ainda úmidos da noite anterior. O terreiro conservava vestígios da pequena comemoração: Alguns lampiões apagados pendiam dos galhos do velho jatobá, mesas permaneciam encostadas perto do caramanchão e o cheiro distante de lenha queimada ainda se misturava ao perfume fresco da terra. Dentro da casa-sede, porém, tudo parecia estranhamente silencioso. Íris estava acordada havia quase uma hora, sentada diante da janela do quarto com os joelhos recolhidos sob a camisola e os cabelos soltos caindo sobre os ombros. Tentara dormir depois da festa, mas toda vez que fechava os olhos voltava ao mesmo instante: A mão de Enzo em sua cintura, a maneira como ele a olhara antes de se aproximar, a hesitação respeitosa que antecederam o beijo e, principalmente, a sensação de que nada nele fora precipitado. Não havia sido um beijo roubado nem consequência da emoção

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