INICIAR SESIÓNO BAILE
Permaneci abraçada a ele por alguns segundos, tentando convencer meu próprio coração de que aquela não era uma ilusão alimentada pela minha imaginação. Durante anos, imaginei Caleb distante, inalcançável — um rapaz mais velho, maduro, prestes a seguir para uma universidade de prestígio, que jamais direcionaria um olhar diferente a uma garota como eu. No entanto, na penumbra daquele quarto, era a mim que ele sustentava entre os braços. Ele se afastou apenas o suficiente para encarar meu rosto. Seus dedos deslizaram com extrema delicadeza sobre a minha pele, enxugando uma lágrima que havia escapado sem a minha autorização. — Eu queria guardar esse momento na minha memória antes de viajar, Harasha — murmurou ele, com a voz grave e pausada. — Eu nunca vou esquecer o que você está fazendo por mim — respondi em um fio de voz, sentindo meus lábios tremerem levemente. Caleb aproximou o rosto do meu sem pressa. Meu pulso acelerou tanto que tive a certeza absoluta de que ele podia sentir a vibração do meu peito contra o dele. Quando fechei os olhos, o toque dos seus lábios nos meus aconteceu como uma carícia hesitante, marcada por um cuidado quase protetor. Foi o meu primeiro beijo. Nesse momento, toda a bagagem de insegurança que eu carregava sobre meu corpo e meu valor simplesmente se dissolveu. — Você me espera? — perguntou ele, mantendo a testa apoiada na minha quando nos afastamos um pouco. — Eu gosto de você, e quero que o que existe entre nós seja especial, não apenas um momento passageiro antes de eu ir para Harvard. Apenas assenti com a cabeça, incapaz de articular uma frase coerente. — A velocidade com que a minha realidade se transformava me deixava atordoada, mas trazia a sensação doce de um sonho antigo finalmente se concretizando. A partir daquele instante, o ar na sala pareceu mudar de densidade. O afeto raso deu lugar a uma entrega física inevitável e profundamente íntima. — Caleb conduziu cada passo com uma paciência terna, atento a cada um dos meus receios, garantindo que o meu nervosismo cedesse espaço ao conforto. Estar com ele pela primeira vez não teve o peso de uma pressa impulsiva, mas sim o selo de uma promessa velada. — Quando o silêncio do quarto voltou a se impor, ele permaneceu ao meu lado, segurando minha mão com firmeza enquanto a minha respiração se desacelerava. Esperou que eu me recomposta totalmente antes de me acompanhar até o banheiro para que eu me preparasse para voltar. Ao nos despedirmos na porta da minha casa, após um trajeto em que seus dedos não soltaram os meus um segundo sequer, ele me encarou através do vidro baixado do carro, sob a luz fraca do poste da rua. — Amanhã, às seis horas da tarde em ponto, venho buscar você para o baile. Um sorriso involuntário tomou conta do meu rosto. Sustentei o olhar dele, criando coragem para fazer a pergunta que sufocava na minha garganta. — Então... nós estamos namorando? Caleb sorriu de volta, um sorriso tranquilo e seguro que pareceu selar o meu destino. — Sim. Entrei em casa sentindo o chão desaparecer sob meus pés. Minha mãe esperava na sala e não conteve a surpresa ao ver a caixa aveludada contendo o vestido azul. —Mostrei a peça a ela, compartilhando a promessa daquela noite com os olhos brilhando. Naquela madrugada, fechei os olhos revivendo cada detalhe — o convite, o toque suave do tecido, a entrega física no quarto dele e a confirmação de que eu pertencia a alguém. Pela primeira vez na vida, acreditei genuinamente que o amor não era algo reservado apenas às outras pessoas. No dia seguinte, a preparação para o baile foi um ritual meticuloso. No salão, deixei que alinhassem minhas tranças com perfeição, e quando vesti o azul-noturno diante do espelho da minha casa, mal reconheci a jovem que me encarava. Às dezoito horas, a campainha tocou. — Caleb estava impecável em um terno escuro sob medida que combinava perfeitamente com a tonalidade do meu vestido. Ele prendeu um corsage de flores delicadas em meu pulso, elogiando minha aparência com o mesmo calor da noite anterior. Contudo, a ilusão começou a desmoronar no exato segundo em que atravessamos os portões do salão de festas da escola. O contraste entre as nossas realidades se fez presente de imediato. A presença de um homem de vinte e três anos acompanhando uma formanda atraiu olhares e cochichos imediatos, mas eu estava disposta a ignorar tudo. O problema surgiu quando o olhar de Caleb cruzou o ambiente e encontrou Liv. Ele simplesmente soltou a minha mão. Não foi um gesto brusco; foi uma desatenção automática, como se tivesse se esquecido instantaneamente de que eu estava ao seu lado. Liv atravessou o salão com a desenvoltura de quem domina qualquer espaço. Com seus cabelos loiros impecáveis e um vestido brilhante que capturava a luz dos refletores, ela se projetou sobre ele com um abraço expansivo. — Caleb! Eu não sabia que você vinha! Em questão de segundos, os dois engataram uma conversa fluida e cheia de referências que me excluíam por completo. Antes que eu pudesse processar o movimento, Caleb já a acompanhava em direção à pista de dança. Fiquei estática no meio do salão. — Esperei que ele olhasse para trás, que fizesse um sinal com a mão, que lembrasse a si mesmo de que havia ido até ali para ser o meu acompanhante. Isso nunca aconteceu. Procurei uma mesa afastada e me sentei, assistindo de longe ao espetáculo. Ele ria das piadas dela, conduzia seus passos com uma familiaridade que me causou um nó seco na garganta. — Tentei racionalizar, dizendo a mim mesma que eram apenas velhos conhecidos, mas a humilhação silenciosa de estar vestindo um vestido caro e ser tratada como uma mobília invisível queimava na minha pele. O ápice da noite veio com o anúncio da rainha do baile. Liv subiu ao palco sob gritos e aplausos efusivos. Ao receber a coroa, pegou uma segunda tiara decorativa da organização e caminhou diretamente até Caleb, posicionando o adereço sobre a cabeça dele sob a comoção dos alunos. Eles começaram a dançar o solo oficial do evento, aplaudidos por todos, enquanto eu permanecia sentada na penumbra de uma mesa vazia, com os olhos ardendo pela contenção do choro. Incapaz de suportar a cena, levantei-me discretamente e caminhei pelo corredor lateral em direção ao banheiro para lavar o rosto. Foi no recuo daquele corredor que o resto do meu mundo desabou. Apoiada contra a parede de alvenaria, Liv mantinha as mãos no ombro dele. E Caleb a beijava. Não era uma hesitação amigável;é um beijo denso, focado e absoluto. O ar faltou nos meus pulmões. A sensação do toque dele na noite anterior, as promessas sussurradas e o peso de ter entregue a minha primeira vez a um homem que agora a devorava com o olhar se chocaram com uma violência devastadora dentro do meu peito. Recuei sem fazer barulho, antes que percebessem a minha presença. Caminhei até a saída do prédio, o vento frio da noite atingindo meu rosto maquiado. Com as mãos trêmulas, peguei o celular e disquei para a minha mãe. — Filha? — a voz dela veio rápida, carregada de uma apreensão maternal instantânea. — Mãe... vem me buscar, por favor — pedi, ouvindo minha própria voz sair fraca, rouca e irreconhecível. — O que aconteceu? Cadê o Caleb? Fechei os olhos com força, deixando que a primeira lágrima finalmente cortasse a minha maquiagem. — Ele está com a Liv. Houve uma pausa dolorosa do outro lado da linha, o tipo de silêncio de quem compreende a gravidade do estrago sem precisar de maiores explicações. — Estou saindo de casa agora mesmo, me espera no portão. Desliguei, o celular e permaneci sozinha, abraçando meus próprios braços sobre o tecido azul do vestido. —Olhando para a iluminação festiva do salão, entendi que o verdadeiro perigo do passado não é quando ele fica para trás, mas sim quando ele destrói o presente antes mesmo que a gente tenha a chance de construí-lo, e por onde eu passo, as pessoas só enxergam uma nerd. Espero por ela do lado de fora do salão. No caminho de volta para casa, permaneço em silêncio, encarando a rua pela janela do carro. Mamãe tenta entender o que aconteceu, perguntando de forma sutil sobre o Caleb, mas eu apenas respondo de forma evasiva que ele estava muito ocupado com o pessoal do baile. Somente quando cruzamos a porta de casa e nos vemos a sós na sala é que o nó na minha garganta finalmente desata. — Mamãe, amanhã cedo eu já quero partir para a casa da tia Atentando a voz do jeito que consigo. — Já vou adiantando, procurando o apartamento onde vou morar. Quando as aulas começarem, eu já vou estar toda organizada. E, mãe... se por acaso o Caleb me procurar, diga que eu viajei. Se ele pedir o meu endereço, a senhora diga que eu pedi para não dar a ninguém, que eu não quero contato com ninguém. Mamãe olha para mim com uma mistura de choque e compaixão, compreendendo finalmente tudo o que aconteceu naquela noite e impressionada pela firmeza da minha decisão. Ela me acolhe em seus braços e diz: — Ele te machucou, não foi, filha? Eu avisei que o Caleb era bem mais velho que você, que seria perigoso... — Não, mãe — interrompo, limpando o rosto. — Ele está certo. Eu é que me iludi. O Caleb nunca me prometeu nada. Ele foi atencioso, me deu o meu vestido, mas os nossos mundos são diferentes. Eu não... eu não tenho a beleza da Liv, eu não sou... — Você é linda, minha filha — ela diz firmemente, segurando o meu rosto com as duas mãos. — Você só se esconde atrás desses óculos e desse aparelho, e você sabe disso. Engulo em seco, encarando minha mãe em silêncio. No fundo, eu sei que a dor não vem do óculos ou do aparelho, mas da certeza de ter me entregado por inteiro a alguém que me trocou na primeira oportunidade. Naquela noite, enquanto arrumo minhas malas para partir de manhã bem cedo, compreendo que alguns sonhos não terminam aos poucos. Eles simplesmente desaparecem.MENSAGEM DA AUTORAQueridos leitores,Obrigada pela paciência, pelo carinho e por terem acompanhado esta história até aqui.Quero lembrar que escrevo em tempo real. Os capítulos vão sendo desenvolvidos e publicados enquanto a história acontece. Eu ainda não descobri onde consigo visualizar todas as avaliações de vocês na plataforma, mas minha editora acompanha os comentários e, quando existe alguma falha ou alguma coisa que precisa ser corrigida, ela me avisa para que eu possa voltar ao capítulo e fazer a correção.Antes de encerrar, quero falar especialmente sobre Liv e sobre um dos assuntos mais delicados que escolhi abordar nesta obra: a interrupção da gestação.Eu sei que existem leitores que pensam diferente de mim e respeito o direito de cada pessoa ter suas próprias convicções. Entretanto, como autora, também tenho as minhas, e este livro carrega uma mensagem que considero importante.Eu sou contra o aborto.Não escrevi a história de Liv para atacar mulheres ou apontar o dedo
Olho surpresa para os meus filhos pequenos, depois encaro a Zara e o Owen:— Vocês dois por acaso aplicaram um experimento científico com os seus próprios irmãos na praia?Owen franze a testinha com toda a seriedade do mundo:— Ué, mamãe, a gente precisava confirmar a hipótese primeiro!Caleb não aguenta e começa a dar risada do filho:— Claro! Método científico aplicado na praia, certíssimo!— Papai, eles entendem e organizam padrões muito rápido — Zara explica com toda a solenidade de uma pesquisadora mirim apresentando os seus resultados. — Igualzinho a gente fazia quando era bem pequeno!— Acontece que vocês dois ainda são bem pequenos, meus amores — lembro a eles com um sorriso doce.Os dois fazem exatamente a mesma expressão de indignação no rosto:— Ah, mamãe!— Oito anos de idade não é mais ser criança pequena! — Owen protestou.Caleb passa o seu braço firme pelos meus ombros, me puxando para o seu peito:— Isso aí está cravado no DNA da família, não tem jeito.Viro o meu rost
A vida da Livy mudou de uma forma completamente emocionante e profunda depois do seu casamento com o Andrew. As três menininhas dele — Lisa, Mabel e Christine — se tornaram filhas do coração dela muito antes de qualquer documento oficial, guarda compartilhada ou sobrenome definir aquele vínculo sagrado. Depois delas, chegaram as crianças que os dois decidiram acolher com todo o amor do mundo através da adoção, e a Livy abraçou aquela maternidade com uma intensidade, uma generosidade e uma dedicação que ninguém jamais imaginaria ao conhecer a mulher fútil que ela foi anos atrás.— E o mais impressionante é que ela ainda fala em aumentar a família no futuro — Caleb comenta, admirado.Levanto a cabeça do seu ombro no mesmo instante, chocada:— Meu Deus! O Andrew que se prepare para essa maratona!— Ele sabia perfeitamente onde estava se metendo quando aceitou o desafio — Caleb brinca.— Sabia nada! As trigêmeas praticamente fizeram o pedido de casamento por ele antes mesmo que os dois da
EPÍLOGO — O REENCONTRO COM O NOSSO PARA SEMPRERADASHATRÊS ANOS DEPOISO tempo passa de uma maneira profundamente curiosa e imprevisível. Durante muitos anos da minha vida, cheguei a acreditar com absoluta convicção de que cinco anos inteiros de distância seriam mais do que suficientes para apagar uma história de amor, sepultar sentimentos antigos e transformar o Caleb apenas em uma vaga lembrança da minha juventude. Hoje, três anos após o dia em que subimos ao altar e dissemos o nosso "sim", olho com emoção para o homem incrível sentado ao meu lado e para os nossos filhos brincando felizes diante de nós, e percebo o quanto eu estava completamente enganada sobre o destino.Estamos novamente na Flórida, o mesmo refúgio litorâneo que escolhemos para a nossa inesquecível lua de mel e que, desde aquele momento, se tornou o lugar mais sagrado e especial para a nossa família. O fim da tarde pinta o céu com um gradiente magnífico de tons alaranjados e lilases sobre o mar calmo, enquanto fic
Liv quase estragou a maquiagem do casamento de tanto dar risada.Voltei a encará-la com carinho.— Sim, Liv, estou muito feliz, tenho meus filhos saudáveis, meu trabalho, minha família unida e o homem que eu amo ao meu lado.— Não significa que a nossa vida seja perfeita o tempo todo. Nós discutimos, discordamos, e o Caleb continua achando que pode aparecer em casa com animais abandonados sem me consultar antes.— Era só um gato filhote! — ele protestou novamente do corredor.— Naquela vez era só um, mas e da segunda? — retruquei.Liv estava praticamente chorando de rir.Segurei novamente as mãos dela com firmeza.— Eu desejo a você toda a felicidade do mundo nessa nova fase, Liv.— Obrigada, Radasha, de verdade.Nesse exato momento, Caroline apareceu na porta do camarim, fazendo uma cena.— Não vale! Isso é uma grande injustiça!Nós duas nos viramos para olhá-la.Ela entrou no quarto com uma expressão totalmente indignada, cruzando os braços.— O que é que não vale, Carol? — pergun
O FLUXO DO DESTINOUM ANO DEPOISÀs vezes ainda acho curioso pensar em tudo o que cabe dentro de apenas doze meses. — Há exatamente um ano, caminhei até Caleb diante de nossas famílias, entreguei minha mão a ele e fiz uma promessa que, durante muito tempo, acreditei que jamais teria coragem de fazer. Prometi confiar, conversar, não permitir que o silêncio voltasse a tomar decisões por nós. Hoje, no nosso primeiro aniversário de casamento, estamos novamente diante de um altar, mas desta vez não somos os protagonistas. — Estamos aqui como padrinhos de uma história que, de certa maneira, começou exatamente no dia em que a nossa se transformou em casamento.Liv escolheu se casar com Andrew na mesma data.Quando recebi o convite e percebi o dia escolhido, cheguei a pensar que se tratava de uma mera coincidência. — Só descobri que não quando estávamos nos preparando para a cerimônia e encontrei Liv alguns minutos antes de ela entrar.Ela estava diante do espelho, já vestida de noiva, aj







