LOGINPOV: Bianca De LucaO jantar já havia terminado quando Lorenzo apareceu à porta do escritório, com a gravata afrouxada e uma pasta de documentos debaixo do braço.Eu estava conferindo os relatórios da Fundação Bellini, tentando encontrar a origem de uma diferença nos valores destinados a duas instituições. Levantei os olhos quando ele entrou e, antes que pudesse perguntar qualquer coisa, Lorenzo colocou a pasta sobre a mesa lateral e puxou a cadeira ao meu lado.— Quanto falta?Olhei para o relógio.— Para terminar esta análise? Talvez meia hora.— Então temos meia hora.Franzi a testa.— Nós?Ele se acomodou, abriu a pasta que trouxera e retirou algumas folhas.— Você trabalha, eu trabalho. Quando terminar, jantamos alguma coisa.Não consegui evitar o sorriso.— Você já jantou?— Não o suficiente para considerar aquilo uma refeição.— Lorenzo!— O quê? A comida estava fria, a reunião se prolongou e Matteo decidiu que precisava me explicar três vezes a mesma coisa. Não tive condições
POV: Alessandro FerraroO portão do depósito começou a se abrir às vinte e duas e dezessete. Permaneci imóvel no banco dianteiro do veículo, observando a movimentação pelo espaço entre as construções abandonadas. A chuva fina que caía desde o início da noite transformava o asfalto em uma superfície escura, refletindo a luz amarelada dos postes. Do outro lado da rua, dois homens da nossa equipe mantinham a posição. Outros estavam espalhados nas vias de acesso, longe o suficiente para não chamar a atenção.O depósito parecia morto havia anos. A fachada descascada, as janelas altas e os muros manchados de umidade combinavam perfeitamente com a história de uma empresa de logística que encerrara as atividades. Mas alguém ainda pagava pela manutenção do terreno. E, naquela noite, alguém tinha decidido movimentar alguma coisa.— Temos atividade na entrada lateral — informou Matteo pelo comunicador.Olhei para o retrovisor. O veículo estacionado atrás de nós continuava com os faróis apagados.
POV: Alessandro FerraroO endereço ficava numa zona industrial nos arredores de Milão, longe o bastante dos centros comerciais para passar despercebido e perto o bastante das principais vias de transporte para receber mercadorias sem chamar atenção.Cheguei às sete e vinte da manhã.O prédio não tinha letreiro. A fachada cinzenta apresentava marcas de infiltração, e as janelas do segundo andar estavam cobertas por uma película escura. Um portão de metal protegia a entrada lateral, enquanto uma câmera antiga permanecia apontada para a rua. Não parecia um lugar abandonado, mas também não havia sinais de atividade recente.Estacionei a duas quadras e observei o movimento.Um caminhão entrou na rua às sete e trinta e seis, reduziu a velocidade diante do portão e seguiu adiante sem parar. Dez minutos depois, um homem saiu de um edifício vizinho, atravessou a calçada e digitou um código no painel de acesso. O portão abriu. Ele entrou, e a estrutura voltou a se fechar atrás dele.Fotografei
POV: Matteo RicciÀs oito e doze da manhã, eu tinha três cópias do mesmo documento sobre a mesa e nenhuma delas era suficiente para confirmar quem havia autorizado a retirada.A primeira vinha do arquivo remanescente da Servizi Archivistici Lombardi, a segunda era uma reprodução digital enviada por Alessandro durante a madrugada, a terceira havia sido extraída dos registros contábeis relacionados ao serviço de reorganização documental.As três apresentavam a mesma referência administrativa.E, nas três, o sobrenome Ruggieri aparecia junto à autorização.O problema era que um sobrenome não identificava um homem. Menos ainda quando a assinatura estava incompleta, o registro não possuía autenticação e o serviço fora contratado por intermédio de outra empresa.Lorenzo tinha sido claro na noite anterior: descobriríamos quem estava por trás da ordem antes de permitir que qualquer suspeita se transformasse em acusação.Eu pretendia cumprir essa determinação.Abri o arquivo digital e ampliei
POV: Alessandro FerraroO endereço não aparecia em nenhum dos registros recentes dos Balestri, mas continuava ativo nos arquivos de uma empresa que oficialmente encerrara suas atividades havia onze anos.Estacionei diante de um prédio comercial discreto na zona norte de Milão e conferi pela terceira vez o endereço enviado por Matteo. A fachada não tinha placa, apenas uma sequência de caixas postais e uma porta de vidro protegida por fechadura eletrônica. Não parecia um lugar capaz de guardar respostas sobre a morte de Giovanni De Luca.Aprendi havia muito tempo que aparências não serviam como critério de investigação.Meu motorista permaneceu no carro. Eu havia vindo com apenas um homem de confiança, sem veículos ostensivos ou qualquer movimentação que chamasse atenção. Lorenzo queria discrição, e eu pretendia entregar algo mais útil do que uma suspeita.Toquei a campainha.Uma mulher atendeu alguns instantes depois. Devia ter pouco mais de cinquenta anos e segurava uma pasta contra o
POV: Matteo RicciÀs seis e quarenta da manhã, eu já havia conferido os mesmos registros três vezes e continuava insatisfeito com o resultado.As seis caixas recuperadas dos Balestri estavam protegidas em uma sala de acesso restrito na Torre De Luca. Os documentos físicos haviam sido catalogados, os dispositivos eletrônicos permaneciam isolados e cada pessoa que entrara no recinto desde a chegada do material tinha seu nome registrado. Não existia motivo para pressa. Existiam motivos suficientes para não confiar em nada que parecesse simples.Abri novamente o inventário digital.A pasta identificada como AURORA / 2009–2010 aparecia em três registros distintos. Um estava relacionado à movimentação logística. Outro mencionava operações externas. O terceiro continha uma referência incompleta a contatos restritos.Até ali, nada era novo.O problema estava na correspondência entre o inventário digital e a documentação física.As seis caixas possuíam etiquetas compatíveis com os registros en







