Início / Romance / Quando o mar nos uniu / Capítulo 4: No meio da multidão

Compartilhar

Capítulo 4: No meio da multidão

Autor: M.R Silva
last update Data de publicação: 2026-05-24 09:38:14

Era oito e meia da manhã quando o telefone começou a vibrar. Camille estava exausta, pois tinha ficado a noite toda brincando com Gabi. Mesmo com seus vinte e três anos, estava sentindo o corpo pedir socorro. Como Gabi conseguia ter tanta energia?

Giulia estava lendo um livro na sala, enquanto as duas brincavam no quarto da menina, já que Ana tinha ido embora fazia muito tempo. Camille ainda estava de camisola quando a mãe de Giulia chegou.

— Vim buscar minha neta para levar ao parque. Espero que você não tenha esquecido — disse a recém-chegada.

— Não esqueci, mãe. Vou arrumá-la, ela ainda está dormindo. Nada de doces, por favor — pediu Giulia.

— Pode deixar. Bom dia, Mile!

— Oi, senhora Tânia. Tudo bem?

— Tudo bem, sim. Bom, aproveitem o sábado. Só trarei a Gabi amanhã à tarde.

Dona Tânia era uma mãe muito presente na vida de Giulia, assim como o senhor Gabriel. Estavam sempre atentos e cuidando de Giulia e Gabriela.

Assim que a menina saiu com a avó, o telefone tocou novamente. Era Faby mandando mensagens no grupo das Inseparáveis:

“Helena, me perdoa. Eu disse que iria com você para o bloco, mas tinha esquecido que iria viajar com meu boy. Ontem estava tão empolgada por termos saído nós quatro que não me dei conta dos planos que fiz com o Anthony. Estamos indo para Búzios, para a casa dos pais dele. Retorno depois do Carnaval. Amo vocês. Quero saber de tudo. Lembrem-se: sempre juntas, uma pela outra.”

Camille e Giulia ficaram indecisas, e tinham certeza de que Helena só iria olhar o telefone mais tarde.

— E agora? Não podemos deixar a Helena ir sozinha. Sabemos que, a essa hora, ela deve estar se arrumando — disse Giulia, colocando o pão na sanduicheira.

— Fácil de resolver. Vai você no lugar da Fabiana...

— Não. Vamos nós duas. Lembra? Sempre juntas, uma pela outra.

Camille bufou.

— Você sabe que eu odeio a multidão.

— Não vou te deixar ir sozinha.

Giulia pegou o celular e digitou no grupo:

“Não se preocupe. Eu e a Camille vamos ao bloco com a Helena. Vamos tomar conta dela. Beijos, e se divirta com seu boy. Use preservativos.”

Depois de tomarem café, foram procurar alguma fantasia que servisse nelas. Como Giulia costumava fazer festinhas de mesversário para a filha, ela tinha várias opções: de princesa, joaninha, abelhinha... Ela era daquelas mães que sempre usavam roupas combinando com a bebê, e não era diferente nos mesversários.

Camille pegou a de abelhinha: uma saia amarela com uma blusa preta, arco amarelo para ficar mais realista. Como ela media um metro e sessenta e tinha seus sessenta quilos bem distribuídos, a saia não ficou muito curta. Mesmo assim, colocou uma bermuda por baixo. Já Giulia escolheu a fantasia de Branca de Neve: um vestido rodado até o joelho, completo com uma peruca.

Helena só viu o celular às nove e meia, quando já estava descendo para ir ao condomínio de Faby. Por sorte, leu a mensagem e viu que Camille e Giulia estavam a caminho e iriam com ela. Sorriu por ver o destino juntar as amigas de novo.

Kauan estava animado. Eles pediram um carro por aplicativo até certo ponto e depois pegaram o metrô. Ficaram esperando Helena na estação. Ela apenas marcou o local na plataforma e disse para eles esperarem, mas não comentou que Faby tinha mudado de planos.

Assim que se encontraram, André abriu um sorriso maroto para Camille, que retribuiu. Ela estava contente por encontrá-lo novamente. Seguiram juntos até o Centro da cidade. Já havia muitas pessoas pelas ruas acompanhando o bloco.

Kauan segurou a mão de Helena. Como estava muito cheio, ele ficou com receio de que se perdessem. Rafael caminhava ao lado de Giulia, e André fazia o mesmo com Camille. A música estava alta; as pessoas dançavam, pulavam e cantavam. Giulia e Helena começaram a entrar no ritmo da festa, e os meninos as acompanharam.

Com o movimento da multidão ficando cada vez mais intenso, Kauan, Helena, Giulia e Rafael acabaram sendo levados pelo fluxo, seguindo o trio elétrico. André e Camille ficaram mais atrás, andando devagar.

De repente, Camille começou a sentir falta de ar. Estava muito calor e havia muita gente ao redor. Ela fez um sinal para André, mostrando que precisava sair dali. Ele olhou para ela e percebeu que estava pálida. Rapidamente, tirou-a do meio do tumulto e a levou até uma tenda próxima, que funcionava como posto de primeiros socorros.

— Ela está passando mal. Provavelmente é o calor — explicou André para a equipe médica.

A enfermeira pediu para Camille se sentar e verificou sua pressão, que estava baixa. Ela deu um copo de água gelada e pediu que a jovem ficasse um tempo ali sentada. André segurava a mão dela com firmeza, e ela correspondia ao aperto.

As pessoas passavam gritando, cantando e vibrando com o bloco. Ele olhava ao redor, tentando encontrar os amigos ou as amigas de Camille, mas não via ninguém na multidão.

— Vou ligar para eles — disse André, tirando o celular do bolso.

Camille segurou a mão dele, impedindo-o.

— Não precisa. O bloco vai seguir por toda aquela rua e depois elas vão retornar. Quando acabar, se não nos encontrarem, elas vão ligar. Não adianta ligarmos agora, elas não vão atender no barulho.

André guardou o telefone no bolso da bermuda e voltou a encará-la. Ela estava linda, tendo prendido o cabelo em um rabo de cavalo.

— Melhorou? — perguntou o bombeiro que estava ajudando no posto.

— Sim — respondeu ela.

O profissional voltou a medir a pressão de Camille. Estava melhorando. Então, pediu que ela não ficasse muito exposta ao sol e, caso aquilo voltasse a acontecer, que procurasse um hospital.

Continue a ler este livro gratuitamente
Escaneie o código para baixar o App

Último capítulo

  • Quando o mar nos uniu    Epílogo: Quando o Mar Nos Uniu🌊

    A energia que emanava de Helena era contagiante, quase eletrificante. No dia do seu casamento religioso com Kauan, ela estava a mil — radiante, sorridente e transbordando aquela vivacidade única que conquistara o coração do noivo.Para tornar a entrada da igreja ainda mais inesquecível, a surpresa ficou por conta do grupo Molecadas. A convite dos noivos e já integrados como grandes amigos da turma, os músicos cantaram na entrada, transformando o início da cerimônia em um momento emocionante, leve e mágico. No altar, ao lado do casal, o grupo das inseparáveis brilhava no papel de madrinhas, celebrando cada segundo daquela união tão desejada.Semanas depois, o grupo se reuniu em Copacabana para um momento de pura celebração e orgulho. Todos estavam em pé na calçada, admirando a fachada iluminada do novo restaurante de André no Rio de Janeiro.Ao olharem para o letreiro cintilante, o grupo sorriu com a linda homenagem. Lá estava escrito: Sapore di Pasta e, no letreiro menor logo abaixo,

  • Quando o mar nos uniu    Capítulo 97: O Amor em Festa

    O grande dia finalmente chegou. A igreja estava ornamentada com flores delicadas, e a atmosfera era pura emoção. Na entrada, o cortejo se organizava com elegância e perfeição: os rapazes vestiam ternos impecáveis em tom azul-escuro, enquanto as madrinhas encantavam a todos com vestidos fluídos em azul-claro.A cerimônia foi emocionante, especialmente a entrada da noiva.Márcio não conseguiu conter as lágrimas ao ver Fabiana caminhando pelo corredor da igreja.Os votos foram sinceros e cheios de amor.Camille prestava atenção em cada palavra. André a observava em silêncio.A entrada da daminha, Gabriela, arrancou suspiros e sorrisos de todos os convidados. Ela parecia uma verdadeira florzinha caminhando até o altar. E quando as portas se abriram para Fabiana, deslumbrante em seu vestido branco, Márcio não segurou as lágrimas. O choro de emoção dele contagiou a igreja inteira. Cada voto trocado diante do padre foi delicado, marcante e inesquecível.Durante a cerimônia, Camille trocava o

  • Quando o mar nos uniu    Capítulo 96: O Amor que Consolida

    Após o alívio e a vitória inquestionável no tribunal, a paz finalmente voltou a reinar. O clima de tensão deu lugar à comemoração mais esperada do ano: o aniversário de sete anos de Gabriela. Foi uma festa impecável e mágica! Giulia fez questão de reunir todos os amiguinhos da escola, do balé e da natação. O salão de festas transbordava risadas, brinquedos e a alegria contagiante de Gabi.Após a festa principal, a bagunça continuou no apartamento. Giulia preparou uma inesquecível festa do pijama, montando delicadas cabaninhas no quarto para as amiguinhas do balé. Ver a filha radiante, cercada de carinho e feliz da vida, tornou aquele momento um dos marcos mais bonitos nas vidas de Giulia e Gabi.Com o passar dos meses, a rotina do grupo foi se reestruturando. Camille já estava devidamente instalada em seu próprio apartamento, curtindo seu novo espaço. Enquanto isso, o foco de todos se voltava para os preparativos do casamento de Fabiana e Márcio. Faby estava a pura mistura de ansiedad

  • Quando o mar nos uniu     A vitória do Amor

    Passados os trinta minutos de intervalo, o juiz retornou à sala e ocupou sua mesa. Ajeitando a toga e fitando a todos com serenidade, ele deu início à leitura da sentença:— Não haverá necessidade de marcarmos uma terceira audiência. Senhora Giulia, a senhora é uma mãe excepcional. Isso foi algo que eu já vislumbrava desde a nossa primeira audiência e que se confirmou plenamente através dos relatórios técnicos e dos depoimentos. A guarda unilateral continua, integralmente, com a senhora.Carlos deu um pulo na cadeira, com os olhos esbugalhados de indignação, mas o juiz prosseguiu em tom firme:— O senhor Carlos tem o direito de conviver com a filha, contudo, nestes primeiros momentos, as visitas ocorrerão apenas com a presença da mãe e acompanhadas por uma assistente social.— Mas, Meritíssimo! — interrompeu Carlos, desesperado e sem controle. — A Giulia não olha a filha direito! Ela não tem capacidade para essa guarda!— Senhor Carlos, peço silêncio e ordem no recinto, por favor! — a

  • Quando o mar nos uniu    Capítulo 95: A Segunda Audiência e a Força da Verdade

    Nas duas semanas que antecederam a segunda audiência, o apartamento de Giulia passou por uma rotina diferente, mas acolhedora. Para que Gabriela não se assustasse nem ficasse confusa, Giulia e Rafael sentaram-se com a pequena para conversar, explicando de forma leve e natural que algumas pessoas iriam visitar a casa deles para ver como ela vivia.Como Gabi era uma menininha extremamente comunicativa e esperta, encarou tudo como uma grande aventura. Na primeira visita da assistente social, a pequena fez questão de pegá-la pela mão e guiá-la por cada cantinho do apartamento:— Olha, tia, esse aqui é o meu quarto! Aqui ficam meus brinquedos e as minhas roupas. Agora vem ver o quarto da minha mãe com o Tio Rafa!— Não precisa, filha... — tentou ponderar Giulia, envergonhada.— Precisa sim, mãe! A tia tem que saber onde fica tudo na nossa casa! — rebateu a menina, convicta.Gabi ainda levou a profissional até a cozinha, fazendo questão de contar:— Aqui é a cozinha! O Tio Rafa sempre faz c

  • Quando o mar nos uniu    Capítulo 94: A União em proteção a Gabi✨

    Assim que a conversa pesada se encerrou ali no corredor do fórum, Rafael olhou para todos ao redor e tentou puxar o ar, buscando aliviar a tensão do ambiente:— Gente, vamos almoçar? Depois do almoço a gente tem a reunião da Gabi na escola. Aí vamos pegar a Gabi e levar para o apartamento. Vocês gostariam de se reunir com a gente lá mais tarde?Os advogados de Giulia, que também precisavam resolver pendências na empresa da mãe de Rafael, responderam prontamente:— Do almoço nós participamos sim! A próxima audiência é só daqui a quinze dias, então nos vemos antes para conversar e alinhar tudo. Vamos analisar direito o trabalho que as assistentes sociais e a psicóloga vão fazer em relação ao bem-estar da Gabi. Mas agora vamos almoçar para quebrar esse clima pesado.O grupo seguiu para um restaurante reservado nas proximidades. Acomodados ao redor de uma mesa ampla, a angústia acumulada de Giulia finalmente transbordou em desabafo.— Eu ainda não consigo aceitar... — começou Giulia, bala

Mais capítulos
Explore e leia bons romances gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de bons romances no app GoodNovel. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no app
ESCANEIE O CÓDIGO PARA LER NO APP
DMCA.com Protection Status