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CAPÍTULO 105— FUGINDO SIM

last update Fecha de publicación: 2026-07-09 07:09:21

POV ZOE

Voltei para o fogão antes que ele pudesse ver o tamanho do estrago que aquela simples presença fazia.

Raul se aproximou da bancada.

Calmo.

Devagar.

Como sempre fazia quando parecia achar que o mundo inteiro tinha tempo.

Eu, por outro lado, já estava me mexendo feito mulher em fuga. Quando ele veio para a esquerda, fui para a direita. Quando ele encostou perto da pia, arranjei alguma coisa para pegar no armário. Quando ele se aproximou do fogão, eu precisei de uma fruta. Quando ele apoio
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Último capítulo

  • RAUL MALDONADO Um contrato sem amor   CAPÍTULO 218 — CAPÍTULO FINAL

    Raul me esperava no fim do jardim.E por um segundo, todo o resto desapareceu.Os convidados.A música.As luzes.Os anos.Só ele.O homem que entrou na minha vida como um acordo.O homem que segurou minha filha antes de ter o direito de chamá-la assim.O homem que chorou quando Rodrigo apertou seu dedo pela primeira vez.O homem que enterrou a avó ao meu lado.Que apareceu no Napolitano quando eu não atendia o telefone.Que discutiu com uma adolescente sobre horário.Que fingia odiar o cachorro e era sempre quem levava o animal ao veterinário.Que ainda me olhava daquele jeito.Raul respirou fundo quando me aproximei.— Você está atrasada.Ri.— Era isso que tinha para dizer?— Não.Estendeu a mão.Segurei.— Está linda, meu amor.— Melhor.O celebrante começou.Não ouvi metade.Olhei para nossos filhos.Lira ao lado de Rodrigo.Os dois elegantes.Os dois tentando não demonstrar emoção.Kyra perto de Lorenzo.Enzo e Luca surpreendentemente parados por mais de três minutos.Heloísa en

  • RAUL MALDONADO Um contrato sem amor   CAPÍTULO 217 — O CASAMENTO

    Quase vinte anos de amizade.Às vezes eu olhava para ela e ainda via a garota que dividiu comigo noites ruins, contas, medo e uma quantidade absurda de decisões erradas.Agora havia uma aliança na mão esquerda.Dois filhos correndo naquela casa.Um marido que ainda carregava todas as sacolas dela.E nenhuma intenção de me deixar esquecer que estivera certa sobre Lorenzo desde o início.— Onde está Luca? — perguntei.Kyra olhou para o teto.— Eu gostaria de saber.Lorenzo fechou os olhos.— Ele estava com Rodrigo.— Então piorou — Raul murmurou.— Muito — respondi.Do andar de cima veio um estrondo.Todos paramos.Depois:— EU NÃO FIZ NADA! — Rodrigo gritou.Treze anos.E continuava sendo uma frase perigosa.Raul respirou fundo.— Vou ver.Segurei seu braço.— Hoje não.— Alguma coisa caiu.— A casa está inteira há décadas. Sobrevive mais duas horas.Lorenzo apontou.— Apoio.Raul olhou para ele.— É seu filho lá em cima também.— Por isso mesmo.Kyra riu.— Grande exemplo de paternida

  • RAUL MALDONADO Um contrato sem amor   CAPÍTULO 216 — DEZ ANOS DEPOIS

    POV ZOEDez anos depoisO Napolitano ainda cheirava igual.Talvez fosse aquilo que eu mais amasse.Quase cem anos de história, reformas suficientes para manter o prédio vivo, uma cozinha que obviamente já não era a mesma da época em que a família de Flora abriu as portas pela primeira vez, equipamentos novos, fornecedores melhores, alguns pratos acrescentados ao cardápio ao longo dos anos.Mas a alma continuava ali.Na madeira escura.Nas fotografias antigas.Nas receitas que ninguém ousava alterar sem uma razão muito boa.No molho que começava a ser preparado cedo.No pão chegando quente à mesa.Nas famílias que voltavam havia décadas e agora apareciam acompanhadas pelos filhos e netos.Passei os dedos pela borda de uma das páginas do cardápio novo.— Essa fica.O chef assentiu.— E o ravioli?— Também. Mas não tira o antigo para colocar esse.— Vai ficar grande.— Então reorganiza.Ele sorriu.— Sabia que ia falar isso.— Se já sabia, por que perguntou?— Esperança.Ri.— Péssima es

  • RAUL MALDONADO Um contrato sem amor   CAPÍTULO 215 — MEU LUGAR

    POV ZOERaul terminou a conta de Lira.— Agora.Ela comparou com o caderno.— Igual.— Eu falei.— A professora faz melhor.Ele fechou os olhos.Eu ri.Lira guardou o lápis.— Posso ver desenho?— Meia hora — Raul respondeu.— Uma.— Meia.— Quarenta.Raul olhou para mim.— Foi você que ensinou negociação?— Não.— Foi o sangue Maldonado — Kyra comentou.— Ela é Pyersen também — respondi.Lira ergueu a cabeça.— Eu sou os dois.Meu coração parou por uma fração de segundo.Ela voltou a guardar os lápis.Natural.Sem peso.Sem dúvida.Eu sou os dois.Sorri.— É, meu amor. É mesmo.Raul olhou para ela.Depois para mim.Não dissemos nada.Não precisava.---Foi mais tarde, depois que as crianças dormiram, que eu voltei ao Napolitano na minha cabeça.Não porque houvesse problema.Justamente porque não havia.Eu estava na varanda do nosso quarto.Raul apareceu atrás de mim com duas taças.Entregou uma.— Água?— Você trabalha cedo amanhã.Olhei.— E?— Água.— Você ficou chato.— Disseram i

  • RAUL MALDONADO Um contrato sem amor   CAPÍTULO 214 — PAZ EM FAMÍLIA

    POV ZOELira aceitou a informação e começou a contar para Flora alguma coisa sobre uma colega que derrubara tinta na escola.E eu fiquei olhando.Minha filha tinha seis anos.Tinha amigos.Escola.Um quarto que considerava território soberano.Um pai que assinava provas.Uma bisavó que escondia chocolate.Um irmão que invadia suas coisas.Uma casa para voltar.Lira não carregava mais a ausência como centro da vida.E isso era tudo que eu tinha desejado sem nem saber formular.---Kyra e Lorenzo chegaram quase no horário do jantar.Juntos.No mesmo carro.Dessa vez nem tentei fingir surpresa.Kyra entrou primeiro.— Eu trouxe sobremesa.— Temos sobremesa — Raul respondeu.Ela passou por ele.— A minha é melhor.Lorenzo entrou carregando duas caixas.Olhei para ele.— Você ainda carrega as sacolas dela.Ele parou.— Três anos, Zoe.— Eu sei.— Já passou da hora.— Nunca vai passar.Kyra me beijou na bochecha.— Você é insuportável.— Foi assim que começou.— Não começou com sacolas.Lor

  • RAUL MALDONADO Um contrato sem amor   CAPÍTULO 213 — A Visita

    POV ZOEOlhei novamente para Raul.— Por que vocês estão aqui?— Fui buscar Lira.— E o pequeno?— Estava com nonna.— Isso não responde.— Nonna disse que Rodrigo precisava sair.— Fó falou passeio — Rodrigo contribuiu.— Fó? — repeti.Ele assentiu.Flora tinha sido oficialmente rebaixada de “nonna” para “Fó” pelo segundo bisneto.Ela fingia reclamar.Mentira.Amava.— E por que vieram ao restaurante?Raul estendeu a mão para mim.— Porque estamos indo para casa.— Eu ainda tenho coisas para fazer.— Não tem.— Raul.— Kyra disse que não tem.Voltei a olhar para minha amiga.Ela nem levantou a cabeça dessa vez.— Covarde!— Eu ouvi!— Ótimo!Lira riu.Rodrigo também, embora não soubesse por quê.Olhei para Raul.— Vocês estão conspirando.— Há três anos.— Eu percebi.Ele estendeu a mão novamente.— Vem.Fiquei olhando.Não era ordem.Não mais.Ainda parecia às vezes.Raul nunca perderia completamente aquele jeito de dizer uma palavra como se o resto do mundo naturalmente fosse obede

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