Compartilhar

RENDIDA PELO ALFA DA MINHA IRMÃ
RENDIDA PELO ALFA DA MINHA IRMÃ
Autor: CANLI

01

Autor: CANLI
last update Data de publicação: 2025-11-26 23:23:27

TARYN

Eu me sentei diante do espelho de mogno, penteando cuidadosamente meus longos cabelos negros, enquanto a mente se recusava a se concentrar no ritual de preparação. Hoje seria o dia em que seria apresentada ao meu noivo, um alfa mais velho, vindo de fora e recentemente viúvo. Eu não o vi, mas sua fama de homem ríspido chegou até mim pelas empregadas. Infelizmente, eu não podia convencer meu pai do contrário quando ele já tinha tomado a decisão.

Meus dedos deslizaram pelos fios macios, arrumando cada mecha, mas meu coração estava em outro lugar. Não havia expectativa, nem entusiasmo, nem qualquer vestígio de curiosidade. Que diferença faria se ele me aceitasse ou me rejeitasse? Meu coração, há muito, pertencia a outro, o marido da minha irmã, o alfa que eu jamais poderia ter. Um amor proibido, sufocado pelo dever e moral.

O espelho refletia meu rosto pálido, quase translúcido sob a luz da lampada. Apertei levemente as bochechas, tentando induzir um rubor que não vinha naturalmente. “Se ao menos houvesse cor suficiente para esconder a falta de vida em meus olhos”, pensei com ironia.

Meu pai, agia como se todo o futuro da família dependesse desse casamento. E talvez dependesse. Mas meu coração estava em pedaços. Eu me arrumei, ajustando o corpete do vestido de seda, tentando não tremer diante da ideia de cumprimentar um homem que mal conhecia, cuja presença deveria trazer prestígio, mas que não despertava nenhum interesse real em mim.

Enquanto me erguia, tentando adotar a postura impecável esperada de uma Windmere, uma parte de mim se encheu de ansiedade silenciosa. Não por ele, mas por aquilo que eu realmente desejava e jamais poderia ter.

Descendo as escadas de carvalho polido, senti meu coração acelerar, não pelo noivo que me esperava, mas pela presença de quem eu realmente desejava esquecer. Lá estavam eles. Kalinda e Caius, minha irmã e meu cunhado. E, ao cruzar os olhos dele, quase fraquejei. O olhar de Caius era intenso, o verde reluzia e se expandia em pontos de luz, parecendo mudar de cor constantemente, também parecia íntimo, mas ainda assim distante. O carinho que ele nutria por mim era meramente fraternal, e eu lutava contra cada batida descompassada do meu peito, decidida a anular meus próprios pensamentos.

Ele estava perfeito em seu terno azul-marinho, impecável, etéreo. A visão dele deveria me machucar mais do que qualquer coisa, mas também me lembrava do que eu perdera antes mesmo de realmente ter. Respirei fundo, lembrando a mim mesma que aquela noite significava outra coisa para mim. Meu passaporte para longe dessa tortura. Eu ficarei noiva de outro homem, mesmo que seja um velho rude, e isso finalmente traria alguma distância entre mim e Caius. Por mais que amasse a ilha, qualquer desculpa para afastar meu coração dele seria bem-vinda.

No fim da escadaria, Kalinda me recebeu com seu sorriso habitual, sempre tão perfeita, gentil e encantadora, e minha sensação de inadequação só aumentou. Ela sempre parecia flutuar pela vida, enquanto eu era apenas a desgraça da família, a garota frágil de beleza mediana, filha de uma amante. Suspirei, cumprimentando-a com cortesia. Para Caius, ofereci apenas um aceno contido.

— Já viu seu noivo? — perguntou Kalinda, com aquela doçura que me irritava sem que ela percebesse. — Um homem interessante.

Mas antes que eu pudesse responder, Caius franziu levemente o cenho.

— Seu pai está sendo precipitado, Kalinda. — A voz firme, mas carregada de cuidado, me fez estremecer. — Ele é muito velho para ela.

E naquele instante, senti novamente o peso de meu coração dividido, de minha própria insignificância diante da perfeição da minha irmã e da autoridade silenciosa de Caius.

— Ele é um alfa, Caius, e tem um bom patrimônio — rebateu Kalinda, a voz suave e firme ao mesmo tempo. — Além disso, não tem filhos.

Ela olhou para mim e sorriu, um sorriso genuíno, radiante, que deixava claro o quanto aprovava a decisão do nosso pai. Eu apenas devolvi um sorriso contido, de lábios fechados. Nunca soube como me impor, nunca aprendi a confrontar ou questionar, principalmente após passar a maior parte da minha vida doente, ouvindo que jamais conseguiria um bom casamento. Palavras cruéis quando se tem dez anos, mas que martelavam a vida de qualquer mulher ômega sem habilidades. Casar e ter uma família é nossa principal função, ou ao menos assim dizia mamãe. Ela repetia todos os dias que eu não tinha muitas escolhas por ser quem era, por não ser uma filha legítima.

Caius me lançou um olhar, profundo e cheio de reservas.

— Quer que eu interfira? Posso falar com seu pai se você quiser. Não precisa se casar até encontrar alguém adequado. —perguntou baixo, quase em confidência.

Mu peito se apertou, já criando ilusões com o cuidado em seu tom. A única pessoa em quem eu conseguia pensar era ele. Encolhi-me levemente, lutando contra o impulso de ceder, de pedir ajuda, de abrir meu coração. Ele percebeu e apenas assenti com a cabeça, em negativa.

— Meu pai fez a melhor escolha para mim.

A testa de Caius se franziu com a minha decisão silenciosa, mas antes que pudesse protestar, Kalinda deu uma risada baixa, melodiosa, que a tornava ainda mais encantadora. Havia uma leveza nela que raramente se via, e era impossível não notar o quanto ela estava realmente feliz essa noite.

— Seu pai deveria ter escolhido um nobre, não um mero comerciante. —Caius resmungou, parecendo irritado.

Abaixei a cabeça, tentando ocultar minha vergonha por suas palavras. Ele estava certo, eu deveria casar com um nobre por ser filha de um nobre.

Minha irmã soltou uma pequena risada, e então engatou seu braço no meu, puxando-me suavemente em direção ao salão principal.

— Querido, você sabe que Taryn é uma filha bastarda, papai não pode fazer exigências. Ele conseguiu o melhor para ela. — minha irmã beijou minha bochecha. —Vamos, irmãzinha, você precisa conhecer o seu noivo.

Continue a ler este livro gratuitamente
Escaneie o código para baixar o App

Último capítulo

  • RENDIDA PELO ALFA DA MINHA IRMà  112

    TARYNO último elo das correntes cedeu com um estrondo.Caius caiu de joelhos por um instante, respirando com dificuldade.Livre.Mas não havia tempo para comemorar.Ele levantou o rosto para mim.— Fuja.Eu fiquei sem entender.— O quê?Minha atenção estava presa ao vermelho espalhado pelo corpo dele.As marcas das correntes.As queimaduras.O sangue.— Caius...Minha voz tremeu.— Você está ferido.Ele se aproximou antes que eu pudesse dizer qualquer outra coisa.Suas mãos seguraram meu rosto com cuidado, como se precisasse ter certeza de que eu estava realmente ali.Os olhos dele percorreram meu rosto.Como se estivesse tentando guardar cada detalhe.— Taryn, escute.Mas eu mal conseguia ouvir.Ele estava livre.Ele estava

  • RENDIDA PELO ALFA DA MINHA IRMà  111

    TARYNEu não sabia quanto tempo havia passado.Minutos.Uma hora.Talvez apenas alguns segundos presos naquele desespero.O grimório permanecia aberto em minhas mãos, suas páginas antigas espalhadas diante de mim.Eu lia.Relia.Voltava para as mesmas palavras, procurando algo que eu tivesse deixado passar.Alguma resposta.Alguma brecha.Alguma forma de entregar a Ekran aquilo que ele exigia.O controle.Não apenas a transformação.Não apenas a capacidade de assumir a forma animal.Mas o domínio completo sobre ela.A parte mais profunda.A força que separava um Alfa de sua natureza perdida.Meus dedos tremeram sobre as páginas.Eu entendia agora.A forma animal não era uma maldição.Era parte da natureza deles.O equilíbrio entre instinto e consci&ecir

  • RENDIDA PELO ALFA DA MINHA IRMà  110

    TARYNO salão mergulhou em um silêncio sufocante.Ninguém parecia capaz de respirar.Foi meu pai quem rompeu aquele vazio.— Isso é impossível! — sua voz ecoou pelo salão. — Exijo uma explicação!Gerald Fenwick deu um passo à frente, sem desviar os olhos da jaula.— Se pretende nos fazer acreditar em tamanha insanidade, Lorde Velmont, apresente uma prova. Como essa criatura poderia ser o Alfa Caius Lockhart?Os murmúrios cresceram ao redor.— É uma ilusão...— Bruxaria...— Isso não pode ser real...Meu olhar encontrou o de Kalinda.Ela estava completamente imóvel.Os olhos arregalados, presos em Caius.Se havia fingimento naquela expressão, eu não consegui enxergar.Ela parecia tão perdida quanto todos os outros.Não con

  • RENDIDA PELO ALFA DA MINHA IRMà  109

    TARYNEu era a atração principal.Pelo menos foi o que imaginei nos primeiros minutos, enquanto encarava a multidão de rostos conhecidos.Até que as portas do salão se abriram novamente.O som de correntes arrastando sobre o mármore fez as conversas cessarem uma a uma.Virei a cabeça.Uma enorme jaula de ferro atravessava o salão, empurrada por vários homens.Ela estava coberta por um pesado tecido negro.Meu coração acelerou.Algo dentro de mim sussurrava que aquilo não fazia parte de um baile.Fazia parte de um espetáculo.A jaula parou bem no centro do salão.Ekran caminhou até ela.Sem dizer uma única palavra, segurou a ponta do tecido.E puxou.Meu fôlego desapareceu.Não.Meu coração simplesmente parou.Dentro da jaula...Estava Caius.Não o homem que eu conhecia.Mas sua verdadeira natureza.A Fera.Seu enorme corpo permanecia imóvel, preso pelas correntes de ferro-frio. O pelo negro parecia absorver a luz das velas, e seus olhos... aqueles olhos...Eles encontraram os meus no

  • RENDIDA PELO ALFA DA MINHA IRMà  108

    TarynEu não sabia por que Ekran havia me dado aquele tempo.No começo, achei que fosse apenas crueldade.Uma forma de prolongar minha agonia.Uma maneira de assistir enquanto eu falhava.Mas depois de todos aqueles dias dentro daquela torre, eu aprendi uma coisa sobre ele.Ekran nunca fazia nada sem um propósito.Cada palavra.Cada ameaça.Cada silêncio.Tudo fazia parte de algum plano.E isso era o que mais me assustava.Porque eu sabia que, quando aquele prazo acabasse, ele não hesitaria.Ele não era um homem que fazia ameaças vazias.Se eu falhasse...Lydia morreria.Caius morreria.E a culpa seria minha.Os dias passaram lentamente.Ekran estava diferente.Mais impaciente.Mais irritado.Ele entrava na biblioteca várias vezes ao dia.Perguntava se eu havia descoberto algo.Se a magia havia respondido.Se eu havia conseguido despertar aquilo que ele tanto desejava.E todas as vezes eu precisava dizer a mesma coisa:— Ainda não.Eu via a frustração crescendo nele.Como uma chama pr

  • RENDIDA PELO ALFA DA MINHA IRMà  107

    TARYNA torre biblioteca parecia pior agora.Antes, aquele lugar parecia ainda esconder respostas.Agora, parecia uma prisão por completo.Ekran abriu uma porta que eu nunca tinha visto. Atrás dela havia uma sala enorme, com paredes inteiras cobertas por conhecimento esquecido.Livros antigos.Pergaminhos amarelados pelo tempo.Grimórios com capas de couro desgastadas.Runas gravadas em pequenas pedras.Era como se séculos de magia tivessem sido enterrados naquele lugar, esperando alguém capaz de encontrá-los.Ekran entrou primeiro.Passou os dedos sobre uma pilha de livros como se tocasse algo precioso.— Tudo que você precisa está aqui.Permaneci em silêncio.Ele pegou um dos grimórios e colocou diante de mim.— Aprenda.Meu olhar encontrou o dele.— O quê?

Mais capítulos
Explore e leia bons romances gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de bons romances no app GoodNovel. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no app
ESCANEIE O CÓDIGO PARA LER NO APP
DMCA.com Protection Status