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Author: CANLI
last update publish date: 2025-12-04 00:53:46

TARYN

A porta da pequena casa onde me deixaram bateu com força quando os homens do meu pai saíram, e me deixaram sozinha no silêncio abafado do cômodo. Havia um cheiro suave de ervas queimadas no ar, o mesmo aroma que minha mãe usava quando queria afastar febres. Só aquilo já era suficiente para apertar meu peito.

Demorou um tempo até eu consegui

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  • RENDIDA PELO ALFA DA MINHA IRMà  Depois do fim

    TARYNUm mês.Fazia exatamente um mês desde que deixamos as ilhas para trás.Às vezes ainda parecia impossível.Eu havia passado dezenove anos acreditando que aquele lugar era o meu mundo. Conhecia cada rua de pedra, cada casa, cada jardim cercado por grades de ferro. Sabia quais famílias se cumprimentavam apenas por obrigação e quais sussurravam umas sobre as outras atrás das portas.Conhecia o cheiro das manhãs frias.O som das carruagens.As badaladas do sino.Conhecia até os olhares, principalmente os olhares.Durante muito tempo, achei que precisava aprender a suportá-los.Hoje percebo que nunca deveria ter precisado.Aproximei-me da janela do quarto e afastei um pouco a cortina.Eu não queria voltar para a ilha onde cresci.Não depois de tudo.Aquelas pessoas haviam me julgado, humilhado e desejado minha morte. Mesmo depois de tudo que acontecera, eu sabia que jamais conseguiria chamar aquele lugar de lar novamente.Caius percebeu antes mesmo que eu dissesse.Ele simplesmente ab

  • RENDIDA PELO ALFA DA MINHA IRMà  118

    TARYNDepois de tudo o que havia acontecido naquela noite, permanecer naquela ilha parecia impossível. Caius caminhava ao meu lado, ainda segurando minha mão, enquanto Lydia seguia conosco. Ela parecia exausta, mas havia algo diferente em seu rosto agora. Estávamos chegando ao cais quando avistei duas figuras mais adiante.Parei.Kalinda.E Noelia.As duas estavam próximas a uma pequena embarcação. Havia uma enorme bolsa aos pés delas, tão cheia que parecia prestes a arrebentar. Noelia segurava uma das alças enquanto Kalinda verificava alguma coisa dentro dela.Então Noelia ergueu o rosto.Kalinda segurou sua cintura.E as duas se beijaram.Fiquei completamente imóvel.Por alguns segundos, apenas observei.Tudo pareceu se encaixar de uma vez.As palavras de Kalinda.Seu desprezo pelo casamento.A maneira como sempre falava dos homens como se nenhum deles pudesse lhe oferecer aquilo que realmente desejava. A forma como tratava a ideia de se casar como uma condenação, mesmo quando faz

  • RENDIDA PELO ALFA DA MINHA IRMà  117

    O sangue de Ekran manchava seu focinho e seu peito, enquanto seus olhos verdes estavam fixos em mim. Havia algo selvagem nele, algo que fazia meu coração disparar, mas eu não senti medo.Não dele.Meu pai ainda segurava meu braço.Caius parou diante de nós e soltou um rosnado baixo.Foi o suficiente.Meu pai me soltou imediatamente.Eu senti os dedos dele se afastarem e, pela primeira vez, percebi que aquele homem que tantas vezes havia usado sua autoridade contra mim não ousava sequer sustentar o olhar de Caius.As pessoas abriram caminho.Ninguém precisou mandar.Elas simplesmente recuaram.Caius era o alfa mais forte daquele lugar. E agora todos sabiam disso.Mais do que isso, todos sabiam que ele havia recuperado aquilo que durante gerações acreditaram ser impossível.A fera.O lobo.A verdadeira natureza de um alfa.Meu companheiro.Caius parou diante de mim. Seus olhos percorreram meu rosto, meu vestido sujo, as marcas de sangue em minha pele. Por um instante, toda aquela feroci

  • RENDIDA PELO ALFA DA MINHA IRMà  116

    TARYNCaius se afastou de mim.Eu o observei atravessar o pátio em direção a Ekran, e, apesar de conseguir sentir a força que havia retornado ao corpo dele, não consegui impedir o medo de apertar meu peito.Ele estava curado.Eu sabia disso.Sentia através da nossa ligação que seu coração batia forte e que a prata já não estava corroendo seus órgãos. Sentia a força percorrendo seus músculos novamente, mas ainda assim havia alguma coisa dentro de mim que gritava para que eu o impedisse de ir.Talvez fosse porque eu já o havia visto morrer uma vez naquela noite.Talvez porque, depois de descobrir que éramos companheiros, a ideia de perdê-lo tivesse se tornado ainda mais insuportável.Caius continuou caminhando.Ekran estava caído alguns metros adiante, tentando se levantar.Foi quando percebi o fogo.A tocha que ele havia deixado cair continuava queimando no chão.As chamas haviam alcançado a madeira espalhada pelo pátio e crescido rapidamente, alimentadas pelo vento. Em poucos segundos

  • RENDIDA PELO ALFA DA MINHA IRMà  115

    TARYN— Não pode ser...A voz de alguém atravessou o silêncio.Um homem mais velho, que eu reconheci como um dos moradores mais antigos de Noverbrook, avançou alguns passos, olhando de mim para Caius como se estivesse tentando compreender o que acabara de testemunhar.— Eles são companheiros.As palavras provocaram uma nova onda de murmúrios.— Companheiros? — alguém repetiu.O homem assentiu lentamente.— Companheiros de alfa.— Isso não existe mais — respondeu Gerald Fenwick, com evidente desprezo.— Talvez exista, sim.O homem olhou para Caius.— Minha avó me contava histórias quando eu era menino. Dizia que, muito antes de as famílias se dividirem, existiam alfas que podiam assumir a forma de animais. Lobos que protegiam as florestas, que viviam entre os seus e que possuíam companheiras destinadas a eles.Algumas pessoas riram nervosamente.Outras fizeram o sinal de proteção que costumávamos usar diante de histórias sobre bruxaria.— São apenas lendas — alguém disse.— Talvez foss

  • RENDIDA PELO ALFA DA MINHA IRMà  114

    TARYNNão tive tempo de pensar.Os guardas agarraram Caius pelos braços e o arrastaram para fora do salão. Eu ainda estava presa pelas mãos de outro homem, tentando me soltar, tentando alcançá-lo, mas cada vez que eu gritava seu nome, era como se minha voz desaparecesse no meio da confusão.— CAIUS!Ele tentou se manter de pé, mas a lança de prata havia deixado seu corpo fraco demais. Seus pés arrastavam-se pelas pedras enquanto o sangue escorria por sua barriga.Foi então que senti.Uma dor aguda atravessou meu peito.Levei a mão até o coração, assustada.Não era minha dor.Eu sabia.De alguma maneira que não conseguia explicar, eu sabia que aquela dor vinha dele.Caius também parou por um instante.Seus olhos encontraram os meus.E, mesmo de longe, vi a mesma mão que segurava seu ferimento apertar o próprio abdômen.A prata estava queimando-o por dentro.— Tirem essa coisa dele! — gritei.Ninguém me ouviu.Ou ninguém quis ouvir.As grandes portas foram abertas e fomos levados para o

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