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CAPÍTULO 53

last update Data de publicação: 2025-08-07 23:34:15

RENZO ALTIERI

— Senhor, ele está tendo uma parada cardíaca.

A voz metálica e fria de Marvin ecoa pelo ponto no meu ouvido como um tiro de fuzil. Por um segundo, o mundo à minha volta congela. Meus músculos enrijecem. O tempo se dilata. Eu olho para o corpinho mole nos meus braços, e pela primeira vez em anos, sinto o chão fugir dos meus pés. Retiro a máscara e jogo longe.

Ajoelho-me com cuidado, deito Dante no chão frio de mármore. Meu filho. Ele não está respirando. Meu coração entra em colap
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  • RENZO ALTIERI - Dita d'Acciaio Livro 1    CAPÍTULO 93

    RENZO ALTIERI Levei a mão ao rosto, e retirei a máscara de metal com um movimento firme, e puxei em seguida, arrancando também as luvas de couro escuro. Joguei os dois itens displicentemente sobre o estofado do sofá, sentindo o ar fresco tocar de verdade a pele marcada das minhas mãos e do meu rosto. Era uma sensação maravilhosa. — Ele está lá em cima. — Zael falou calmamente, sem desviar os olhos, dando mais um gole em sua xícara de café. Assenti com a cabeça, trocando um olhar cúmplice com minha esposa. Começamos a caminhar juntos em direção à imponente escadaria de mármore. Minha esposa deu o primeiro passo, subindo com sua leveza habitual. Assim que fui colocar o pé no primeiro degrau, algo me deteve. Parei, virei o torso e encarei meu sogro. — Zael? — chamei. Zael ergueu os olhos, franzindo levemente as sobrancelhas brancas em uma indagação silenciosa. — Obrigado por cuidar tão bem deles. — falei, deixando transparecer na voz a sinceridade que raramente mostrava a quem que

  • RENZO ALTIERI - Dita d'Acciaio Livro 1    CAPÍTULO 92

    RENZO ALTIERI O som das pás do helicóptero foi diminuindo de intensidade até cessar por completo, enquanto a aeronave aterrissava no heliponto privativo da nossa mansão, situada nos arredores isolados e seguros de Verona. O trajeto até ali havia sido tranquilo. Aproveitamos o momento em que Luigi, exausto após tantas emoções e com o efeito dos remédios fazendo-se sentir, finalmente adormeceu profundamente. Prometi a ele que não sairia do seu lado, mas eu precisava de uma pausa rápida, de algumas horas para respirar o ar de casa e, acima de tudo, para abraçar meu filho. Minha mente e meu coração exigiam isso. Assim que a aeronave estabilizou, desviei o olhar de minha esposa por um segundo para destravar o meu cinto de segurança. Em seguida, debrucei-me levemente para soltar o cinto dela, garantindo que estivesse livre. No mesmo instante, a porta lateral do helicóptero deslizou automaticamente, abrindo-se com um sopro de ar fresco da manhã veronesa. Desci primeiro, pisando firme no

  • RENZO ALTIERI - Dita d'Acciaio Livro 1    CAPÍTULO 91

    RENZO ALTIERI — Eu... — ele começou, a voz saindo um pouco mais firme do que antes. Ele hesitou por mais um segundo e apontou timidamente com o dedo indicador. — Eu gostei de Luigi. Uma gargalhada leve e cheia de alívio escapou dos lábios da minha esposa. Ela fechou os olhos por um segundo, radiante, e voltou a se aproximar da cama, sentando-se na borda do colchão. — Luigi. — ela repetiu o nome saboreando cada sílaba, com um sorriso gigante no rosto. — Luigi... Combina perfeitamente com você. O que acha, meu amor? — ela olhou para mim, buscando minha aprovação. Afastei-me da poltrona e dei dois passos à frente, parando ao lado da minha esposa. Olhei diretamente para o garoto — para o Luigi — cujos olhos âmbar me encaravam agora com uma expectativa genuína, desprovida do medo cego de antes. Coloquei uma das minhas mãos no ombro dele, sentindo a estrutura magra sob o tecido, mas transmitindo toda a firmeza e segurança que eu podia oferecer. — É um excelente nome, Luigi. — fale

  • RENZO ALTIERI - Dita d'Acciaio Livro 1    CAPÍTULO 90

    RENZO ALTIERI A luz do amanhecer começou a tingir o horizonte de Milão, filtrando-se lentamente através da imensa vidraça blindada do quarto do hospital. A noite longa e tensa dava lugar à claridade de um novo dia, trazendo consigo a promessa de um recomeço real. Eu continuava sentado na poltrona, com minha esposa ainda acomodada em meu colo, sua respiração calma sincronizada com a minha. Nenhum de nós dois havia pregado os olhos. Estávamos ali, vigilantes e silenciosos. Foi então que um movimento suave na cama ao lado chamou nossa atenção. O garoto remexeu-se sob os cobertores quentes. Seus cílios longos tremeram antes de se abrirem devagar, piscando contra a claridade difusa da manhã que invadia o quarto. Ele parecia desorientado por um instante, o cérebro acostumado ao terror de acordar em celas escuras tentando processar onde estava. Seus olhos varreram o ambiente até pousarem em minha esposa, que continuava sentada sobre mim, fitando-o com um olhar de pura ternura materna

  • RENZO ALTIERI - Dita d'Acciaio Livro 1    CAPÍTULO 89

    RENZO ALTIERI Os minutos arrastavam-se lentos, mas o tempo parecia ter congelado ali dentro. Eu não tinha a menor intenção de fechar os olhos. Mantive-me vigilante, sentado na poltrona ao lado da cama, velando o sono daquele garoto que respirava agora com um pouco mais de paz. No peito, um sentimento estranho, protetor começou a desabrochar — um carinho genuinamente paterno. Por mais que o sangue que corria nas veias dele fosse o mesmo do desgraçado de Viktor Petrov, a culpa não pertencia à criança. Ele era apenas mais uma vítima. Meus pensamentos foram bruscamente interrompidos por duas batidas suaves e firmes na porta de vidro fosco. — Entre. — autorizei, sem me importar com o fato de estar sem a máscara, com o rosto desfigurado totalmente à mostra. A porta se abriu devagar. Quando a figura dela cruzou o batente, o ar do meu peito pareceu se renovar por completo. Bianca Altieri. Ela estava com o cabelo branco em um coque alto, meio desfeito, com mechas brancas soltas que

  • RENZO ALTIERI - Dita d'Acciaio Livro 1    CAPÍTULO 88

    RENZO ALTIERI O ronco suave das turbinas do jato diminuiu gradativamente, anunciando a nossa aterrissagem. Pela janela da cabine, vi as luzes familiares da pista de pouso privada dos hangares da Holdings Altieri cortarem a neblina do começo da noite. O voo havia transcorrido sem intercorrências, mas o verdadeiro teste começava agora. Assim que a escotilha se abriu, o ar úmido e fresco da noite nos recebeu. Antes mesmo de descer do jato, avistei a unidade móvel de atendimento avançado estacionada logo na pista. Era a mesma equipe do hospital que havia cuidado de Dante quando ele chegou meses atrás. Eles sabiam exatamente como lidar com traumas profundos, com o pavor silencioso de quem nunca viu o lado de fora sem correntes. Desci a escadaria carregando o garoto nos braços, pois ele ainda hesitava em tocar o chão desconhecido. Os paramédicos agiram com precisão e extrema delicadeza, abrindo as portas da ambulância com discretos acenos de cabeça em sinal de respeito. Coloquei-o com

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