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QUATRO

Autor: Liliane Mira
last update Data de publicação: 2022-09-04 02:07:26

Abla Dinis.

Faz exatamente, quatro anos que estou aqui em New York. Naquele mesmo dia em que perdi minha gêmea, tomei a decisão de ir embora da minha cidade, Salvador, capital da Bahia. Mas, o que me surpreendeu mesmo, foi à necessidade de partir do meu país. Eu escolhi essa cidade, na verdade aleatoriamente, não foi porque eu a amava. Em primeiro lugar, nunca havia pisado nela. Foi muito difícil dar esse passo, no entanto, eu estava decidida. 

Para ajudar a nossa mudança, pedi um favor a uma conhecida, ela conseguiu um visto para mim, e para as meninas. Desde que eu cheguei, trabalhei em vários lugares. Tudo isso para dar uma boa estrutura às minhas meninas. No tempo do exército, consegui guardar uma boa soma, mas quando se vive com duas crianças, o dinheiro evapora. Eu preciso de um emprego que possa ganhar melhor, sei que ficarei muito tempo longe delas, mas é necessário para nós três.

Vocês devem ter reparado que as meninas me chamam de mãe! Na verdade, é uma opção delas. Assim que elas completaram quatro anos, eu as chamei e contei sobre a mãe delas, mostrei fotos, e expliquei tudo resumidamente, claro, de forma simples para que elas pudessem entender. Pensei que ao explicar, elas não me chamariam novamente de mãe, mas, ledo engano. Perguntei o porquê, e elas disseram:

— Mamãe, nós entendemos que foi a mamãe Pan, que nos colocou neste mundo, mas, foi a senhora que nos criou. — Quem falou isso foi Nia, ela desde pequena, sempre foi muito esperta, a razão, como eu a classificava, enquanto que a irmã era emoção pura.

— Mamãe é quem cria! Não se preocupe, levaremos nossa mamãe Pan sempre em nossos corações. — Niara também não ficou atrás, porém, fiquei espantada com tanta sabedoria para tão pouca idade.

Eu chorei tanto nesse dia, fiquei muito emocionada. Percebi que meus tesouros já estavam crescendo e me orgulhei muito naquele momento.

— Bom dia senhor Carson! — Comprimento, com o meu melhor sorriso.

— Bom dia menina Abla. — Respondeu-me igualmente. 

O senhor Carson é uma ótima pessoa. O conheci três anos atrás, infelizmente ele não fala muito sobre si, mas, a minha mente doida, já imaginou várias e várias coisas.

— Está com fome? — Perguntei, fazendo o bico no final.

— O que acha? — Me respondeu com outra pergunta. Típico dele. Colocou a mão na barriga sugestivamente, e terminou com um bico, mais longo que o meu. Eu ri da carinha que ele fez, e lhe dei um abraço. Aqueles de rachar costelas.

— Eu trouxe empadão de frango. — Avisei empolgada.

— O Senhor ouviu as minhas preces ontem. — Praticamente puxou a vasilha de minhas mãos. — Menina, comendo sua comida, engordei uns dez quilos. — Informou animado.

— Assim seja! — Levantei as mãos para os céus.

— Vai sair?

— Entrevista de emprego!

— Boa sorte menina Abla! — Sua sinceridade me comoveu.

— Agradeço meu amigo. — Lhe dei outro abraço e saí para pegar a condução. A empresa não é longe, mas, eu já enrolei demais. Se eu inventar de ir andando, chegarei atrasada.  Eu preciso desse emprego, e farei o possível para consegui-lo.

 me sentia sozinha e seca, sem ele ficaria muito melhor.”

Então eu lhe mandei um foda-se, e disse para aquele filho de uma puta, sair de vez da minha vida. Foi um problemão! O infeliz me perseguiu por meses. Não pensem que era porque gostava de mim, longe disso. Ele me perseguia por que estava com o ego ferido. Acho que ele preferia terminar, mas, eu fui mais rápida. Graças a Deus, me livrei daquele embuste.

Voltei a mim quando ouvi a voz da minha futura colega de trabalho. Olhe-me eu sendo positiva! Preciso ser, essa é a verdade.

— Que bom! Vamos até aquela sala. — Ela falou rindo. Entramos e me sentei de frente para ela e esperei que começasse a falar.

— E então, fale um pouco sobre você.

— Como falei antes. sou brasileira, vim para esse país três anos atrás. Tenho 26 anos, mãe e irmã falecidas.

— Sinto muito!  Por que veio para New York?

— Eu precisava recomeçar, e nada melhor que um lugar novo.

— Que bom. Você começa amanhã, não se atrase, seu chefe não gosta de atrasos. — Falou se levantando, deixando-me extasiada.

— Mas como? — Estava de boca aberta. Pensei que suaria bem mais para conseguir esse emprego.

— Você já estava contratada. — Levantou como tivesse livrando-se de um grande peso. Eu quis perguntar-lhe o porquê, porém, desisti. Não irei brincar com a sorte.

— Quem será meu chefe?

— O dono da empresa, o senhor John Riddick!

— John Riddick! — Exclamei pensativa. Eu já ouvi falar desse nome. Dizem que ele é uma lenda. Várias condecorações, o cara é tudo e mais um pouco.

— Isso! — Não me respondeu com uma empolgação tão boa.

— A senhorita possui algum conselho? — Indaguei desconfiada.

— Só não o irrite, ele não é uma pessoa fácil de lidar. Não o encare muito, ele não gosta. Ah!  O senhor usa óculos de sol o tempo todo. 

E agora essa. Por que será?

— Por quê? — Meu lado investigador falando.

Cala a boca Abla! 

Mas também né, essa moça não se calava. Tudo que eu pergunto, ela responde. 

Toma cuidado moça. Nem tudo tem que ser dito.

— Ele sofreu um acidente quando estava em uma missão. Acho que uma bomba explodiu, não agarrou nele, mas o calor quase fritou seus olhos. — Escondeu a boca com suas mãos. — Todos ficaram impressionados porque ele não ficou cego, mas em compensação, ficou com uma irritação a luz do sol.

— Entendi. — Sorri desconfortável. — Agradeço pelas informações.

— Minha querida, eu que agradeço, você salvou o meu pescoço. — Seus olhos estavam arregalados. De novo aquela aflição na voz dela. Será que esse homem é tão ruim assim de se lidar? Bem, não estou nem aí, se ele vier pra cá, não espere que eu baixe a cabeça, porque comigo não.

Despedi-me dela e saí da empresa, estava doida para chegar em casa, no entanto, tenho outras coisas para fazer. Como por exemplo, comprar roupas para o trabalho. Eu não tenho nada bonito para usar como assistente da presidência. Nunca liguei para isso, passei a vida toda com farda e um rifle em mãos. Só que agora é muito diferente, a minha vida é diferente. Fiz as compras necessárias para o mês atual, quando receber meu primeiro salário, comprarei mais coisas. Claro que não comprei só para mim, para minhas meninas também. Ambas estão crescendo muito rápido, então isso quer dizer que suas roupas estão se perdendo da mesma forma.

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Último capítulo

  • RIDDICK   EPÍLOGO

    Abla Dinis — Delegado! — Saudei sorrindo. Ele segurou minha mão e beijou de uma forma cavalheira. — É sempre uma honra revê-la, minha cara. — Já chega de tanto contato. — John disse assustando o pobre homem. Dei um empurrão nele de leve. — Pare de ser um mal educado. — Ele me respondeu com um muxoxo e pediu para o delegado explicar o caso. — É pessoal, estamos lidando com fetichismo sexual e tricofilia! — Joan enunciou, anotando em um quadro disponível para o nosso trabalho após a explicação do delegado. — O que é tricofilia? — Um dos policiais perguntou, anotando algo em seu caderno. Eu respondi. – É um parcialismo no qual uma pessoa vê o cabelo como algo particularmente erótico, sexual e excitante. — Disse analisando a fotos da cena de crime. — Nesse caso, o individuo não tem preferência de gênero, porém, escolhe quem machucar mais. Estão vendo? Ele arrancou todo o cabelo das três mulheres, mas do homem, preferiu apenas raspar. Essa questão me intriga. — E o fetichismo, onde

  • RIDDICK   SETENTA E OITO

    Nove anos depois... Abla Dinis — Se não quiser ir, entenderei minha rosa! — John falou, calmo. O olhei irritada. Ele está me dispensando, ou é coisa da minha cabeça? Como se lesse meus pensamentos, me puxou para ele. — Não estou lhe dispensando, minha amada, sei o quanto é difícil deixar nossos filhos quando o trabalho é longo e longe. Eu quero muito que vá, mas se escolher ficar, entenderei. Merda! Ele sabe como me desarmar viu. Nove anos se passaram desde que tudo aconteceu e nada mudou. O amor que sinto por ele cresce a cada dia. E uma das provas do nosso amor, são nossos filhos. Amir e Akin que hoje estão com nove anos, crescem tão rápido, até demais para o meu gosto. Possuem a mesma pigmentação do pai, mas a cor dos cabelos e os olhos são parecidos com o meu. Não é porque sou a mãe, mas eles são lindos demais. Imagino a fila de meninas querendo me chamar de sogra. Colocarei muitas para correr, estou até vendo. As meninas, Nia e Niara, já estão com quatorze anos. Educadas, e

  • RIDDICK   SETENTA E SETE

    Abla Dinis — Para onde está me levando? — Indaguei a Gena, preocupada. Analisei a mulher e a mesma me parece fora de si. Sabia que algo estava errado em meu dia, assim que me levantei da cama. Mesmo com essa sensação, meu dia transcorreu normalmente, até receber uma ligação de uma nova cliente que me pediu para encontrá-la em um restaurante em frente a empresa. Não achei que algo aconteceria. Dei tchau a Bel e chamei o elevador, me distraí por alguns segundos olhando o celular, quando me acomodei dentro da caixa de metal, senti uma presença ao meu lado. Quando vi de quem se tratava, tentei reagir, contudo, foi tarde, ela já tinha uma arma apontada para minha barriga. — Perguntei para onde está me levando, m*****a? — Inquiri nervosa. Eu precisava reagir, mas meus reflexos não são os mesmos, pelo menos até meus meninos nascerem, e pelo o que estou vendo, será logo. Há alguns minutos comecei a sentir umas dores no pé da barriga. — Cale a boca e dirija, sua vaca! — Exclamou me dando u

  • RIDDICK   SETENTA E SEIS

    Riddick Que tal treinarmos após esse trabalho? — J perguntou-me, esperançoso. Admito que estou falhando com nossa amizade, no entanto, culpo os problemas que aquele maldito gerou em minha vida. — Prepare-se para colocar gelo em todo corpo, vou acabar com você, meu caro. — Não cante vitória antes da hora, posso lhe surpreender, meu caro. — Rebateu confiante. Isso se deve ao fato de ter meses sem treinar adequadamente, porém, o que ele esquece, é que nunca paro, sempre estou em constante movimento. — Veremos! — Sorriu enigmático. Meus pensamentos se voltaram para minha rosa. Ela já está com quase nove meses, segundo a médica dela, a qualquer momento nossos filhos podem nascer, já que são gêmeos e é difícil a gestação chegar até o final. Confesso que estou ansioso, contando os minutos. Deveria estar ao seu lado, todavia, a necessidade falou mais alto. Estamos nos preparando para invadir uma casa. Dentro da residência tem uma mulher com trinta e poucos anos, mentalmente instável, cha

  • RIDDICK   SETENTA E CINCO

    Riddick Paramos em frente ao grande muro que guarda a propriedade. Com o arpéu em mãos, miramos para o alto. O gancho fixou fortemente na parede. Encontramos dois guardas fazendo a vigília daquele lado, com o silenciador na ponta da minha pistola, os derrubei em menos de dois segundos. Mais três homens guardavam a entrada da casa. Atiramos derrubando todos, porém, outro guarda nos viu e começou a atirar chamando a atenção dos demais na casa. Provavelmente Moryart já sabe que estamos aqui. Eles podem estar em maior número, todavia, somos melhores, sem nenhuma modéstia. — Moryart está no quarto, fortemente armado. — Jejei nos avisou. Ele ficou no avião guardando nossas costas. Assim como ele disse, o miserável está muito bem armado com uma metralhadora. Assim que nos viu, começou a atirar sem nenhuma mira. Uma das balas passou de raspão no braço de Joan. Pedi que Vitor a tirasse dali. — Eu vou matá-lo! — Ele bradou sem parar de atirar. Não fiz questão de respondê-lo. Fiz um sinal

  • RIDDICK   SETENTA E QUATRO

    Riddick — Riddick, eu vou a essa missão e, não se fala mais nisso! — Bradou pela quarta vez. Abla quer me matar, só pode. Que mulher teimosa! Com apenas um olhar, todos entenderam o que queria dizer. Quero todos fora para conversar com ela a sós. Eles saíram em fila indiana, claro que antes me pediram calma com minha rosa. Não sou maluco, sei que tenho que cuidar dela, afinal, é a mulher que amo. Pelo fato de ter saído da festa, precisei colocar meus óculos especiais. Assim que saíram, diminui a iluminação e me sentei em minha cadeira. Ouvi um impropério saindo dos lábios dela. Sorri internamente. Sei o quanto me ver sem os óculos a afeta. — Venha aqui! — Ordenei duro. — Não! — Respondeu com as mãos na cadeira. Esse movimento evidenciou ainda mais sua barriga saliente. Ela não quer dar o braço a torcer, mas sei o quanto gosta da minha dominância. Carreguei minha voz para sair mais grave, e lhe chamei novamente. — Venha aqui! — Cacete! — Proferiu, me obedecendo. Parou em minh

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