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CINCO

Autor: Liliane Mira
last update Data de publicação: 2022-09-04 02:15:17

Abla Dinis

Fui para casa correndo, estou com muita saudade delas. Não sei o que vai ser de mim, nunca me separei das minhas pequenas por tanto tempo. Será muito difícil. Bati na porta de Bia e minhas pimpolhas, saíram correndo para me abraçar.

A benção mãe! — As duas falaram juntas, me arrancando uma gargalhada.

— Deus abençoe as duas. — Entreguei as sacolas e elas foram à frente.

— Agradeço muito, Bia. Aqui está o pagamento — Sorri sem graça. — Sei que não é muito, mas quando pegar meu primeiro salário, lhe darei um melhor.

— Não se preocupe senhorita Abla, gosto de cuidar das meninas. — Respondeu-me sincera. Eu sei que ela gosta, se não soubesse, ela nem ia encostar nelas.

— Que bom! — Me despedir dela e fui ver meus furacões em forma de gêmeas. Porque é isso que elas são, meus melhores e mais intensos furacões.

Abla Dinis

Meninas, vocês têm cinco minutos, se eu for aí, vocês não vão gostar! — Disse zangada, para elas se tocarem. Meu pai do céu, toda vez é essa luta para levantarem e irem à escolinha. Eu e a mãe delas não éramos assim, quer dizer, só um pouquinho. Até parece que estou pagando tudo que fiz. Não consegui conter o sorriso.

— Não quero ir, mamãe! — Nia falou choramingando. Não sei com quem aprenderam isso. Eu não vivo dando dengo a elas. Ajoelhei-me e fiquei na mesma altura que ela.

— A escola é o lugar onde aprendemos a ser alguém na vida. Por acaso quer crescer burra, Nia? — Sei que fui dura nas palavras, mas é o certo. Quando é para dar amor, eu dou sem problemas, porém, na hora de educar, eu não penso duas vezes.

— Não, né, mamãe! — Arregalou os olhos assustada com o que acabei de dizer. — Quelo ser tão inteligente quanto a senhola.

— Então levante seu pandeiro daí, chame a sua irmã, preciso arrumar as duas — Pedi ainda séria. Mas por dentro sorria, pelo simples fato de elas quererem se espelhar em mim.

— Mas chabemos nos vestir! — Avisou carrancuda.

— Fazemos assim, ficarei de olho em vocês enquanto se arrumarem, caso não consigam, ajudarei. Combinado?

— Shim! — Concordou rindo, e consequentemente me fazendo rir também. Por ter acordado cedo e ter adiantado as coisas, não saí atrasada. Cheguei à empresa, mas cedo que o necessário. Encontrei Mabel no seu posto, na recepção da presidência. Sorri calorosamente para ela, recebendo um sorriso em troca.

— Bom dia Abla!

— Bom dia Mabel! E o meu patrão? — A quem eu quero enganar, estou ansiosa para pegar no batente.

— Ainda não chegou. Ele chega sempre às 08h00min., em ponto! Se sentou novamente, para digitar algo no computador.

— Entendi! — Sentei de frente para ela. — E o que eu faço daqui até lá?

— Eu não sei. — Deu de ombros. — Você terá que esperar ele chegar. O senhor Riddick não gosta que entrem em seu escritório sem a sua permissão, ainda mais alguém que ele nunca viu na vida.

— Ele está certíssimo! — Falei sincera, me colocando no lugar dele. 

Falamos várias amenidades até ouvir o barulho do elevador chegando. Quando as portas se abriram, saiu um homem grande. Eu digo com um porte físico avantajado. Ele usa óculos escuros, e está todo de preto. Da roupa social ao sobretudo. Não posso dizer que ele é um homem lindo, mas feio também não é. Possui uma beleza rústica, rude, e, um ar de perigo que me fez arrepiar dos pés à cabeça. Ele possui uma beleza singular, sem sombra de dúvidas. Escutei um pigarrear do meu lado, quando olhei, vi Mabel me encarando.

— O quê? — Me sentia desorientada. Agora, por que, não faço a mínima ideia.

— Você o está secando. — Apontou sua cabeça para o homem. — Não seque Abla!

— Quem é ele? — Perguntei ignorando seu aviso. Meu corpo de alguma forma despertou para o desconhecido. Nunca havia acontecido algo do tipo.

— Seu patrão! — Escondeu o sorriso em um pigarro ao ver minha cara de panaca. Eu olhei incrédula para o espécime vindo em nossa direção.

Meu Deus, o homem que emana perigo dos poros, é o meu patrão. Hum, isso não é nada bom.

Olhei no relógio e comprovei o quanto é pontual. Chegou na hora exata que Mabel me passou.

— Tire essa cara! — Avisou rapidamente.

— Que cara? — Questionei confusa. 

Se eu tirar minha cara ficarei com o quê? Pensei debochada.

— Você praticamente o comeu com os olhos. — Mabel está com as feições dura, olhando para mim. — Esqueça Abla, ele não costuma se envolver com seus funcionários. E outra coisa, ele é um homem rude e intimidador. 

Quando eu ia respondê-la, não havia, mais tempo, o homem que estava na pauta de nossa conversa, se aproximou.

— Bom dia senhor Riddick! — Disse séria, e demonstrando preocupação. 

Onde está aquela Mabel alegre e extrovertida? Que coisa estranha viu. Será possível ser tão ruim assim?

— Alguma ligação? — Indagou duramente. Que homem mal educado. Nem respondeu à saudação da coitada. Se antes eu fiquei encantada, o encanto caiu no chão e se quebrou em vários pedaços. Depois que ouviu a resposta da mulher, ele olhou em minha direção. — Quem é essa aí? — Eu senti desprezo na voz dele. Foi isso mesmo? 

Essa aí é as suas quengas! Não perdi tempo. Não vou deixar um desconhecido me inferiorizar. Tenho minha dignidade.

— Me chamo Abla Dinis, sou a sua nova assistente! — Falei me metendo. Ele virou a cabeça para o lado, em um sinal claro de interrogação. Quando olhei para Mabel, eu vi receio. 

Ah, pelo amor viu...

— Me siga! — Disse olhando para mim. Senti-me em desvantagem, afinal, não consigo ver os seus, por causa dos óculos escuros. Porém em nenhum momento parei de encará-lo, pelo contrário, continuei o encarando até que ele desistiu desse duelo ridículo e saiu andando.

— Você está maluca, Abla? — Olhei para ela como se tivesse três olhos.

— Sobre?

— Não pode desafiá-lo dessa maneira! — Ela disse preocupada.

— O que não pode, é ele me tratar dessa forma; com descaso. Ele não me conhece e não tem o direito de ser rude comigo ou com qualquer um. — Eu disse dando de ombros e segui até a sala dele. Bati uma vez e abri, dando de cara com ele sentado, com a cabeça baixa, lendo algo.

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Comentários (1)
goodnovel comment avatar
Priscila
Cadê a continuação desse capítulo autora ? História cortada assim fica difícil poxa
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Último capítulo

  • RIDDICK   EPÍLOGO

    Abla Dinis — Delegado! — Saudei sorrindo. Ele segurou minha mão e beijou de uma forma cavalheira. — É sempre uma honra revê-la, minha cara. — Já chega de tanto contato. — John disse assustando o pobre homem. Dei um empurrão nele de leve. — Pare de ser um mal educado. — Ele me respondeu com um muxoxo e pediu para o delegado explicar o caso. — É pessoal, estamos lidando com fetichismo sexual e tricofilia! — Joan enunciou, anotando em um quadro disponível para o nosso trabalho após a explicação do delegado. — O que é tricofilia? — Um dos policiais perguntou, anotando algo em seu caderno. Eu respondi. – É um parcialismo no qual uma pessoa vê o cabelo como algo particularmente erótico, sexual e excitante. — Disse analisando a fotos da cena de crime. — Nesse caso, o individuo não tem preferência de gênero, porém, escolhe quem machucar mais. Estão vendo? Ele arrancou todo o cabelo das três mulheres, mas do homem, preferiu apenas raspar. Essa questão me intriga. — E o fetichismo, onde

  • RIDDICK   SETENTA E OITO

    Nove anos depois... Abla Dinis — Se não quiser ir, entenderei minha rosa! — John falou, calmo. O olhei irritada. Ele está me dispensando, ou é coisa da minha cabeça? Como se lesse meus pensamentos, me puxou para ele. — Não estou lhe dispensando, minha amada, sei o quanto é difícil deixar nossos filhos quando o trabalho é longo e longe. Eu quero muito que vá, mas se escolher ficar, entenderei. Merda! Ele sabe como me desarmar viu. Nove anos se passaram desde que tudo aconteceu e nada mudou. O amor que sinto por ele cresce a cada dia. E uma das provas do nosso amor, são nossos filhos. Amir e Akin que hoje estão com nove anos, crescem tão rápido, até demais para o meu gosto. Possuem a mesma pigmentação do pai, mas a cor dos cabelos e os olhos são parecidos com o meu. Não é porque sou a mãe, mas eles são lindos demais. Imagino a fila de meninas querendo me chamar de sogra. Colocarei muitas para correr, estou até vendo. As meninas, Nia e Niara, já estão com quatorze anos. Educadas, e

  • RIDDICK   SETENTA E SETE

    Abla Dinis — Para onde está me levando? — Indaguei a Gena, preocupada. Analisei a mulher e a mesma me parece fora de si. Sabia que algo estava errado em meu dia, assim que me levantei da cama. Mesmo com essa sensação, meu dia transcorreu normalmente, até receber uma ligação de uma nova cliente que me pediu para encontrá-la em um restaurante em frente a empresa. Não achei que algo aconteceria. Dei tchau a Bel e chamei o elevador, me distraí por alguns segundos olhando o celular, quando me acomodei dentro da caixa de metal, senti uma presença ao meu lado. Quando vi de quem se tratava, tentei reagir, contudo, foi tarde, ela já tinha uma arma apontada para minha barriga. — Perguntei para onde está me levando, m*****a? — Inquiri nervosa. Eu precisava reagir, mas meus reflexos não são os mesmos, pelo menos até meus meninos nascerem, e pelo o que estou vendo, será logo. Há alguns minutos comecei a sentir umas dores no pé da barriga. — Cale a boca e dirija, sua vaca! — Exclamou me dando u

  • RIDDICK   SETENTA E SEIS

    Riddick Que tal treinarmos após esse trabalho? — J perguntou-me, esperançoso. Admito que estou falhando com nossa amizade, no entanto, culpo os problemas que aquele maldito gerou em minha vida. — Prepare-se para colocar gelo em todo corpo, vou acabar com você, meu caro. — Não cante vitória antes da hora, posso lhe surpreender, meu caro. — Rebateu confiante. Isso se deve ao fato de ter meses sem treinar adequadamente, porém, o que ele esquece, é que nunca paro, sempre estou em constante movimento. — Veremos! — Sorriu enigmático. Meus pensamentos se voltaram para minha rosa. Ela já está com quase nove meses, segundo a médica dela, a qualquer momento nossos filhos podem nascer, já que são gêmeos e é difícil a gestação chegar até o final. Confesso que estou ansioso, contando os minutos. Deveria estar ao seu lado, todavia, a necessidade falou mais alto. Estamos nos preparando para invadir uma casa. Dentro da residência tem uma mulher com trinta e poucos anos, mentalmente instável, cha

  • RIDDICK   SETENTA E CINCO

    Riddick Paramos em frente ao grande muro que guarda a propriedade. Com o arpéu em mãos, miramos para o alto. O gancho fixou fortemente na parede. Encontramos dois guardas fazendo a vigília daquele lado, com o silenciador na ponta da minha pistola, os derrubei em menos de dois segundos. Mais três homens guardavam a entrada da casa. Atiramos derrubando todos, porém, outro guarda nos viu e começou a atirar chamando a atenção dos demais na casa. Provavelmente Moryart já sabe que estamos aqui. Eles podem estar em maior número, todavia, somos melhores, sem nenhuma modéstia. — Moryart está no quarto, fortemente armado. — Jejei nos avisou. Ele ficou no avião guardando nossas costas. Assim como ele disse, o miserável está muito bem armado com uma metralhadora. Assim que nos viu, começou a atirar sem nenhuma mira. Uma das balas passou de raspão no braço de Joan. Pedi que Vitor a tirasse dali. — Eu vou matá-lo! — Ele bradou sem parar de atirar. Não fiz questão de respondê-lo. Fiz um sinal

  • RIDDICK   SETENTA E QUATRO

    Riddick — Riddick, eu vou a essa missão e, não se fala mais nisso! — Bradou pela quarta vez. Abla quer me matar, só pode. Que mulher teimosa! Com apenas um olhar, todos entenderam o que queria dizer. Quero todos fora para conversar com ela a sós. Eles saíram em fila indiana, claro que antes me pediram calma com minha rosa. Não sou maluco, sei que tenho que cuidar dela, afinal, é a mulher que amo. Pelo fato de ter saído da festa, precisei colocar meus óculos especiais. Assim que saíram, diminui a iluminação e me sentei em minha cadeira. Ouvi um impropério saindo dos lábios dela. Sorri internamente. Sei o quanto me ver sem os óculos a afeta. — Venha aqui! — Ordenei duro. — Não! — Respondeu com as mãos na cadeira. Esse movimento evidenciou ainda mais sua barriga saliente. Ela não quer dar o braço a torcer, mas sei o quanto gosta da minha dominância. Carreguei minha voz para sair mais grave, e lhe chamei novamente. — Venha aqui! — Cacete! — Proferiu, me obedecendo. Parou em minh

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