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Capítulo 06

Autor: DANI VENCES
last update Data de publicação: 2023-10-09 21:00:57

Meu coração estava prestes a saltar pela boca, o ar parecia ter sumido de meus pulmões. Como eu podia ter sido tão descuidada peguei no sono aqui?

 Senti um arrepio tomar todo o meu corpo, o medo me tomou de uma maneira que nunca imaginei ser possível. O que eles fariam comigo? Eu estava desarmada e indefesa...

— É só uma menina, afaste isso dela. — O velho diz me olhando.

— Ela pode estar com os ladrões. — O homem de nariz torto se intromete...

— Quem é você? — O belo rapaz pergunta com a espada erguida para mim.

Ele parecia orgulhoso e imponente, com ar de superior, sentia raiva por está desarmada, eu o faria implorar por piedade e ele tiraria aquele jeito presunçoso de me olhar. 

Mas mesmo sobre minha raiva não podia negar que era belo. Agora sobre a luz do dia e bem ali na minha frente eu podia ver os cabelos negros como os meus, seus olhos verdes que me encaravam, o que era um contraste para as sobrancelhas grossas e negras. Ele era forte, mas agora usando apenas uma camisa branca aberta me mostrava seu corpo, senti minhas bochechas ruborizadas, aquilo era ridículo, eu nem conseguia respondê-lo. — Diga logo! — O homem de nariz torto gritou com raiva tirando minha atenção do homem à minha frente..

— Me chamo...

— Pode falar menina, não tenha medo. — O velho garante me acalmando.

— Margarida! — Falo enquanto me levanto irritada, mais comigo do que com o homem. — E estão na minha casa, devem ir.

— O que faz aqui sozinha Margarida? — O belo rapaz pergunta e eu queria dar uma resposta malcriada, mas me ouvi dizendo:

— É a minha antiga casa.

— Onde mora agora? — Eu não queria que eles soubessem que era uma das escolhidas. Olhei para janela que eu tinha deixado escancarada e possivelmente tinha sido por ali que eles me viram.

— Não é da sua conta! — Digo já pulando a janela, não era alta e pulei com facilidade.

— A segure! — ouvi um homem gritar, mas não me preocupo em olhar para trás.

Corro o máximo que posso, entrando na floresta, por um momento sinto que estavam me seguindo me viro, para ver a distância que estavam, quando sinto sendo jogada no chão, seu corpo estava sob o meu.

Me debati tentando me soltar, mas não consigo afastá-lo, ele me puxa virando-me para encara-lo, ele pega meus braços e me olha como se me desafiasse a tentar fugir novamente, eu retribuo o olhar altivo e por um segundo, seu rosto se aproxima do meu de forma lenta, quase hipnótica. Então escuto um barulho ao longe me trazendo de volta e o empurro, mas ele ainda me segura aproximando seu corpo do meu.

— Que abuso! — Digo irritada.

— Me desculpe, eu não ia...

— Me beijar?! — Falei tentando me soltar, ele parece pensar se deve ou não me soltar, mas então afrouxa as mãos. 

— Não! Claro que não. — Ele balança a cabeça negativamente.

— Sim! Se eu não tivesse...

— O que está acontecendo aqui? — O velho pergunta, parecia estar cansado da corrida.

— Ele ia me beijar. — Eu digo o empurrando, ele se afasta e começa a se limpar, ainda no chão.

Ele levantada a sobrancelha e parecer está pensando em como poderia me enforcar facilmente, mas então ergue a mão para me ajudar a levantar, mas não solta o meu braço.

 — Daniel ia beijá-la? — O velho questiona, parecendo se divertir com a nossa situação.

— Eu não! — Ele disse afastando um pouco mais seu corpo do meu, porém não largando o meu braço. — Ela que se aproximou.

— Daniel eu estou inclinado a acreditar nela. — O homem de nariz torto chega falando. — Sei que não pode ver uma moça bonita.

— Ela nem é tão bonita assim! — Ele diz mal-humorado, me olhando com certo desdém. 

— O Que? — Como ele ousa.

Dou um empurrão nele que pela surpresa com minha força me solto, então me aproveitando do momento de distração dos três, e pego a espada que estava no chão e ergo na direção dele.

— Não vou brigar com você! — Ele me olha surpreso por minha ousadia, mas se afasta mais um pouco.

— Está com medo?! — Eu zombo, ele parece reparar em como seguro a espada.

— Você é uma mulher, não vou brigar com você. — Ele olha para os outros como se pedisse para que eles interviessem a seu favor.

— Dominique! — A voz do meu pai em meio a toda aquela loucura me surpreende.

— Pai! — Ele me olha com a espada na mão, depois para os homens que ali estavam.

— O que está acontecendo aqui? — ele questiona se aproximando de onde estávamos.

— O que faz aqui Elias? — O velho pergunta para meu pai.

— Emanuel! — Meu pai se diz meio apreensivo, ele me olha novamente, parecia esperar um sinal, mas eu estava embaçada demais para poder dizer qualquer coisa.

— É sua filha? — O velho volta a me olhar novamente, como se estivesse tentando lembrar-se de alguém.

— Dominique venha cá! — Meu pai me pede olhando para a espada em minhas mãos, eu ando até ele, e penso em falar algo, mas então ele me coloca para trás e pega a espada.

— O que querem com minha filha? — Meu pai diz respondendo o outro velho, mas seu olhar não era gentil como o do homem.

— Ela estava nos vigiando. — Daniel diz com seu olhar de superioridade. — Somos da guarda da rainha, apenas queríamos ter certeza que não era uma espiã.

— Eu não estava te vigiando! — Falei irritada, como ele podia ser tão...

         — Eu sei quem vocês são. — Meu pai olhou para o velho que apenas sorria. — Vamos embora Dominique! 

— Gostei de revê-lo Elias. — Emanuel diz, mas meu pai o ignora se pondo a andar e me arrastar pela floresta.

— Sua mãe está desesperada! — Ele falou, parecia está cansando, me sentir culpada.

— Eu não queria...

— O que você falou para eles? — questionou, mas antes que conseguisse responder continuou. — Não fale sobre eles com sua mãe.

— Por quê?

— Só não diga, ora! — Meu pai estava agindo como um cavalo, e eu devia dar um basta nisso, devia dizer a ele que a culpada não era minha, que eu jamais lhe causaria dor se fosse por escolha, mas eu me calei engoli todas as palavras e o seguir. 

Minha mãe me abraçou, como se eu tivesse passado anos fora de casa assim que colocamos o pé na porta.

— Chega mamãe! — Tentei me esquivar de seus beijos.

— Não podia ter me feito isso! — Ela diz secando as lágrimas que teimam em cair de seus olhos. — Se fizer isso de novo, ficará uma semana de castigo!

— Eu só tenho mesmo uma semana! — Logo que disse me arrependi, minha mãe parecia em chamas, vi uma agonia em seus olhos.

— Vá para o seu quarto! — Ela grita e eu a abraço em resposta.

— Vai ficar tudo bem! — Eu lhe dou um beijo no rosto. — Não chore mais.

— Não, você vai morrer como pode ficar bem? — ela desaba perdendo a postura de raiva.

— Eu só não sei o que dizer! — Eu estava cansada, queria chorar, mas não chorei, só queria que eles sofressem o menos possível, não era pedir muito, era?

— Fuja! — Meu pai disse do nada chamando minha atenção.

— O que está dizendo?

— Isso fuja! — Minha mãe concordou com ele me assustando. Eles estavam desesperados demais, para pensar nas consequências.

— Eles vão torturar vocês! — Respirei cansada constatando o óbvio, não queria ter aquela conversa. — Não posso fazer isso.

— Nada que eles façam vai ser pior do que tirá-la de nós! — Meu pai diz e seu olhar cai sobre a minha mãe.

Já tínhamos passado por isso, eles sabiam que era impossível, que a única coisa que conseguiríamos era diminuir o número da família de três para zero.

— Nada pode ser pior. — Minha mãe concordou.

— Eu não posso, não sabendo disso...

— Você é jovem! Irá conseguir. — Meu pai me interrompe e começa andar de um lado para o outro. — Fiz bem em te ensinar a lutar, você é esperta, vai se virar bem...

— Eu não vou! — Gritei e ele me olhou irritado. Meu pai estava diferente, podia ver.

— Vai sim! — Ele diz, fechando a mão e batendo contra a mesa. — Só precisamos ter um plano.

— Eu não vou! — Gritei novamente, ele me olhou furioso. — Vocês não querem me ver morta, e eu muito menos quero vê-los.

— Vá, por favor! — Minha mãe se aproxima implorando, mas me afasto.

— Chega, vou para o meu quarto. — Sair sem olhá-los.

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  • Rainha de Sangue    Epílogo

    Quinze anos depois Léia Meu tio Reno estava cada vez pegando mais pesado comigo, sei que foi ordem da minha mãe, ela acreditava em uma Tárcia em que as mulheres se defendiam sozinhas, e a verdade Tárcia acabou se tornando conhecida por ter muitas guerreiras mulheres, e como a futura rainha eu não podia desapontar a minha mãe. Mas ela podia colocar qualquer um para me treinar e eu aceitaria de bom gosto, porém o tio Reno sempre se oferecia, ele achava que eu tinha muito no que melhorar. — Com sua idade sua mãe já tinha me derrubado. — Ele falou quando colocou a espada na minha barriga. — Estaria morta em uma batalha. — Não estaria, a verdade é que eu nem iria para uma batalha se esquece que sou princesa? — Eles agiam como se eu fosse realmente liderar uma guerra, eu ficaria segura em meu castelo e mandaria meu exército conquistar para mim. — Sabe que seus pais foram viajar porque o reino de Alequidias está pressionando Tárcia para tomar parte das terras que ele acredita ser dele.

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