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Capítulo 76 – Batimentos Sob a Terra

Author: Aurora Drich
last update publish date: 2025-05-14 01:34:10

O tempo, desde a queda de Mahruk, passou a se medir de outra forma. Não mais pelos ciclos lunares nem pelos ventos das estações. Tudo girava agora em torno da vida que crescia dentro de Brianna.

Os dias eram preenchidos com rituais de restauração, reuniões silenciosas entre os sobreviventes e uma nova rotina de trabalho em comunidade. As fendas haviam sido seladas, mas as feridas abertas por elas ainda pulsavam na terra e nas pessoas. Era uma reconstrução não só de pedra e madeira, mas de confi
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    O tempo, como sempre, seguia seu fluxo calmo e irreversível em Raventon. Desde a reconstrução, os anos haviam passado como brisas mansas, e a vila florescera com a presença constante de magia equilibrada. Era uma paz que nunca se imaginou possível no passado. Um mundo onde as crianças corriam entre os campos, as árvores floresciam em estações irregulares, e as estrelas brilhavam mais forte do que nunca.No coração disso tudo estava Lyara.As linhas de energia da terra pulsavam diferente, como se tivessem sido realinhadas por algo maior, mais antigo e ao mesmo tempo recém-nascido. Etheris não era uma entidade como as que haviam enfrentado. Não era um inimigo, nem uma força que exigisse destruição. Era um convite. Um chamado.Lyara, aos doze anos, parecia mais calma do que se esperava de uma criança diante de tal responsabilidade. Mas havia nela uma maturidade que ninguém ousava questionar. Seus olhos, ainda mutáveis como a luz, refletiam um conhecimento que ultrapassava as eras.— Eu p

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    O sexto inverno chegou e partiu com uma docilidade inesperada. O sétimo trouxe neve apenas nos picos mais distantes. O oitavo veio com flores antecipadas, como se o tempo estivesse desacelerando para não assustar o equilíbrio que Raventon alcançara.Lyara crescia como uma extensão viva da própria terra. Agora com oito anos, suas palavras carregavam uma sabedoria ancestral, e seu silêncio, por vezes, fazia até os mais velhos reverenciarem-na como se estivessem diante de algo sagrado. Ela já lia os grimórios da biblioteca dos Silver com fluência, conjurava pequenas auras curativas com as mãos e era capaz de atravessar a floresta sem que um único galho roçasse sua pele.Peter permanecia como seu porto seguro. Toda manhã, antes mesmo que o sol surgisse, ele já preparava a caminhada matinal com ela. Caçavam juntos — não por necessidade, mas por conexão. Peter lhe ensinava a ouvir o coração da terra, a rastrear com o olfato e a se guiar pela lua. Havia nele uma serenidade que antes não exis

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