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last update Fecha de publicación: 2022-10-08 21:33:25

Uau. Nossa cozinha. Eu sei que ele me pediu pra morarmos juntos, mas “nossa cozinha”? Até parece que ele quer que a gente seja como marido e mulher. Não que eu tenha do que reclamar se esse for o caso.

Ele se abaixa ao meu lado e depois de um beijo rápido, me olha com certa malícia.

— Acho que você se sujou um pouquinho.

— O quê?

— Talvez precise de um banho agora, linda.

— Ainda estou com as minhas mãos enrugadas da piscina.

— Estou vendo. — ele pega minhas mãos e massageia.

— Mas você tem razão, eu preciso de um bom banho de espuma e você faria bem em me dar um.

— Então que tal ir para o quarto e ficar por lá mesmo? Tipo até amanhã?

— Concordo plenamente.

— Você pode me dar um minuto, Nick? — pergunto assim que entramos no banheiro.

— Por quê?

— Não me chama de boba, mas é que eu preciso... — Droga! Por que eu me sinto tão sem jeito?

— Do que você precisa?

— Preciso olhar pra mim por um tempo... Eu... Você entende? Não. Você não entende.

Ele sorri e me beija na testa.

— É claro que eu entendo, Ellen. Eu te dou o tempo que você precisar.

— Obrigada. — dou-lhe um sorriso tímido.

Devo parecer ridícula. Estou prestes a transar com meu namorado e estou nervosa como se fosse a primeira vez que fazemos isso.

— Mas eu estarei o tempo todo aqui do lado de fora encostado à porta.

— Certo.

Nick sai do banheiro e fecha a porta devagar. Eu consigo me locomover muito bem dentro do banheiro. As modificações que ele fez foram ótimas. Ele não poderia ser mais atencioso.

Ligo o jato da banheira e deixo encher. Pego em uma das prateleiras um vidro de sabonete líquido e derramo uma boa quantidade na água. Um perfume maravilhoso enche o ambiente e me relaxa um pouco.

Sei que em uma das gavetas perto da pia tem velas aromáticas. Vou até ela, pego quatro e acendo, colocando uma em cada canto do banheiro. Com esse mínimo esforço, minha respiração acelera. Não importa o quão confortável e prática seja essa cadeira, se locomover com ela por um longo tempo é cansativo.

Depois de preparar o lugar, começo a me despir. Começando pela parte mais fácil. Minha blusa e sutiã saem facilmente como sempre foi, mas não consigo tirar meu short. Não posso erguer os quadris pra puxar para fora o tecido.

Tento uma porção de vezes, mas não posso. Eu não posso.

— Merda. — É inútil tentar fazer isso sozinha.

Apoio os cotovelos nos joelhos e abaixo a cabeça nas mãos. Vai ser mesmo difícil viver assim.

— Nick. — chamo.

— Estou aqui. — ele entra em um piscar de olhos.

— Preciso de ajuda pra tirar minha roupa. — digo sorrindo e com os olhos fechados.

— Hmm. — abro um olho apenas e vejo seu sorriso lindo e cheio de malícia — Interessante.

— Apesar da atmosfera, isso não é nada sexual Nick.

— Quem disse? — ele se abaixa e traça o dedo pela borda do short lentamente.

— Talvez seja bom colocar uma música lenta e sensual pra melhorar o clima.

— E com certeza apagar as luzes também.

Antes de perceber eu já estou nua.

— Ainda precisa de um tempo?

— Agora só com você.

Ele me dá seu sorriso mais sexy e me pega nos braços. Envolvo minhas mãos em seu pescoço e o beijo.

— Não se preocupe em me pedir qualquer coisa que seja, Ellen. Principalmente se for pra tirar sua roupa. — ele beija os dois lados da minha boca e meu queixo — Eu vou adorar fazer isso.

Apenas aceno com a cabeça e ele me põe na banheira. Desliga a torneira e começa a tirar a própria roupa, dando aos meus olhos um show e tanto.

Quando está gloriosamente nu, Nick entra na banheira atrás de mim e me puxa para apoiar as costas em seu peito. Beija minha nuca e meus ombros repetidas vezes.

— Só pra constar Ellen, nada no seu corpo mudou. Você continua sendo a fantasia de todos os meus sonhos eróticos.

Sorrindo, descanso a cabeça no ombro dele.

— É sério?

— Claro que sim.

— Então eu quero que mostre isso de todas as maneiras possíveis, ok. — peço mordendo seu queixo.

— Será um prazer.

Passamos uns bons minutos apenas desfrutando da companhia um do outro com brincadeiras, flertes e provocações. O Nick é ótimo em me provocar quando a atmosfera sugere algo sexual. Ele faz esse joguinho porque sabe perfeitamente que isso me esquenta. Mas o estranho é que apesar de sentir uma coisa muito boa com suas palavras e carícias, meu núcleo não está latejando como já era pra estar e o formigamento que normalmente sinto nessas situações com ele não está aqui.

— Tudo bem, Ellen? — ele sussurra.

— Tudo. Por quê?

— Sei lá. Você ficou tensa de repente.

Disfarço.

— Nada amor. Mas eu estaria mentindo se dissesse que não estou nervosa.

— Nervosa? — ele vira meu rosto para olhar pra ele — Comigo? Desde quando você fica nervosa quando está comigo?

— Exatamente. Esse é o ponto. Eu não sei por que estou nervosa, Nick.

— Então acho que está na hora de sair da banheira e ir pra cama. Vou fazer você relaxar.

Sorrio. É claro que ele vai. Se alguém nesse mundo tem o poder de me levar aos lugares mais distantes, esse alguém é Nicholas Hoffman.

Ele sai primeiro da banheira e em seguida me tira e me carrega nos braços até o quarto. Pingando água por todo o piso, ele parece não se importar com isso e me põe de forma delicada até demais em cima dos seus lençóis brancos de seda.

— Já faz tempo demais que não sinto sua pele íntima da minha. — ele me deposita um beijo no umbigo.

Essa é a hora. É agora que eu saberei se posso ou não lidar bem com a minha invalidez. Se eu puder ser a mesma de sempre com o homem que eu amo, então nada será forte demais, ou doloroso demais que eu não possa aguentar.

— Eu quero você, Nick.

— Eu sou seu. — ele segue uma trilha de beijos desde o meu umbigo até a minha boca — Eu sempre serei seu, Ellen.

Colamos nossas bocas em um beijo apaixonado e ardente. As mãos dele passeiam pelo meu corpo e as minhas pelo dele. Nick geme toda vez que arranjo seu peito, seu abdómen ou suas costas.

— Deus, eu te amo tanto. — digo entre nossos beijos.

A língua dele penetra minha garganta como se ele estivesse com fome e sede de mim. Mas tem uma coisa bem errada aqui. Em metade do corpo, eu sinto fogo e desejo. Na outra metade, eu não sinto nada. Absolutamente nada.

Eu já deveria estar sentindo uma enchente se formando no meio das minhas pernas, mas não. Isso não está acontecendo.

Ele por outro lado está excitado. Muito até. Posso sentir sua ereção na minha cintura, mas eu não me sinto excitada. Gosto do que ele faz. É bom. Chega a ser prazeroso, mas não é nada que possa fazer meu sexo vibrar.

O que está errado?

Ele não parece perceber isso porque continua a me beijar da mesma forma que sempre fez. Eu, porém, estou me sentindo meio desanimada com o que estamos fazendo. Na verdade eu nem sei se desanimada é a palavra certa pra usar nessa situação. Só sei que estou me sentindo muito diferente de antes quando nós dois transávamos.

Os lábios de Nick estão no meu pescoço, no meu queixo, na minha boca... em todo lugar. E minha cabeça está tão nublada por essa falta de sensações sexuais que nem percebo direito quando ele se acomoda entre minhas pernas.

— Estava ansioso pelo seu sabor, Ellen.

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Último capítulo

  • Recomeço    Epílogo

    Quando Nicholas e Ada saíram da bela casa em Miami Beach, não viram que Asher os espreitava perto de uma árvore. Assim que o casal entrou no táxi, Asher sacou o celular e fez uma ligação interurbana.— Ele está saindo. — disse ao homem que atendeu sua chamada.— Ele está sozinho? — o homem perguntou, curioso.— Não. Está com uma loira. Acredito que seja a tal ex-noiva.— Com certeza é ela. — o homem do outro lado da linha disse com um sorriso — Ela me disse com todas as letras que só iria embora depois que soubesse que não tinha mais chance de ser a futura senhora Hoffman.— Eles passaram um bom tempo lá dentro. — Asher soltou um sorrisinho frio — Acho que não é difícil imaginar o que estavam fazendo.— Ótimo. Mesmo sem saber, ela me fez um grande favor ao ir procurá-lo. E quanto à tal da Ellen?— Ela saiu pouco tempo antes deles. Estava chorando. Acho que não receberá mais cartões do dia dos namorados do Nicholas.— Perfeito. — o homem disse muito satisfeito.— Então acho que isso li

  • Recomeço    78

    Tudo bem, não sou hipócrita ao ponto de não admitir que rolou um clima naquela noite, mas não aconteceu nada. Eu logo o afastei. Porém, vendo essas fotos dessa forma, qualquer um entenderia isso errado. Posso ver nos olhos do Nick a pergunta que ele ainda não fez, mas que está se coçando pra fazer. E de repente, um novo calafrio percorre o meu corpo.— Nick, eu posso explicar tudo isso.— Tenho certeza que sim, mas por que eu acreditaria em uma única palavra sua?— Por que tudo o que sempre disse a você é verdade.— Sabe, houve um tempo em que eu olhava dentro desses olhos verdes e acreditava no que você dizia pra mim. Pra falar a verdade, eu realmente achei que existiria uma explicação razoável para essas fotos, mas devido aos novos fatos que eu presenciei...O quê? Que fatos? Meu Deus, o que aconteceu em Nova Iorque que virou a cabeça do Nick desse jeito?— Nick, o que está dizendo? — peço com pavor. Não quero acreditar que ele está duvidando de mim. Ele tem que me deixar explicar.

  • Recomeço    77

    Atravesso as portas duplas da boate e saio com a cara para cima, tomando um pouco de ar fresco. É incrível como está quente lá dentro. A brisa vinda dos mar, quarteirões à frente, me atinge em cheio. Embora existam prédios e casas entre o mar e a boate, aqui ainda dá pra sentir os efeitos dele e a brisa sempre foi minha favorita. Como a brisa que invadia o quarto do Nick quando dormíamos com as portas de vidro abertas.— Mas podemos não beber, se quiser. Por que não vamos ao cinema? — ele me traz de volta ao agora com uma pergunta — Se tivermos muita sorte podemos conseguir um ingresso para aquele filme que você tanto fala.— Qual? — pergunto confusa. Não me lembro de ter falado em nenhum filme ultimamente.— Cinquenta tons de cinza. Você só falava nele desde que soube que lançaria esse ano. Hoje é a estreia.Ah claro. Cinquenta tons de cinza. Eu fiz planos no ano passado de assistir esse filme com o Nick. Não poderia de jeito algum vê-lo agora com outra pessoa. Principalmente com o A

  • Recomeço    76

    Fico pensando bastante na minha conversa com o Oliver ainda por várias horas depois que desligo o celular. E a cada dez minutos, ligo para o Nick e deixo mensagem na sua caixa postal. Tenho plena certeza de que ela já está totalmente lotada, mas eu não me importo. Preciso falar com ele. Mas quando o Benny acorda, pouco depois do meio dia, eu ainda não consegui ouvir a sua voz. Pelo menos não a voz real. Apenas sua voz eletrônica típica, dizendo que está ocupado no momento e para ligar depois. Para me distrair, e também é claro pelo fato de eu não cozinhar muito bem, proponho sairmos para comer fora.Quando chegamos ao Joe's, faço-o pedir o ensopado de lula e polvo que é um dos pratos mais famosos do restaurante. Meio desconfiado, ele segue minha sugestão, mas só por precaução, peço uma porção de camarões à milanesa e arroz branco para mim porque se ele não gostar do ensopado, podemos trocar de prato e eu sei que ele adora camarão. Porém, quando o garçom serve os nossos pedidos, ele de

  • Recomeço    75

    — Vocês se mudaram? — ele pergunta olhando pelo vidro e apontando o polegar para trás, onde a casa ficou distante.— Eu me mudei. — respondo meio séria.Benny analisa a minha resposta por um tempo e após uma aceno de cabeça, me questiona quando não dou maiores explicações.— Eu vou querer saber o motivo?— Quando chegarmos em casa.Depois de contar tudo ao Benny sobre as mais recentes coisas que eu descobri, ele senta-se ao meu lado na cama e me abraça forte. Mais forte do que jamais o fez. Eu não posso resistir à sua demonstração de paternidade e choro em seus braços até ficar aos soluços. Achei que não tinha mais lágrimas depois de todo esse tempo, mas obviamente elas ainda estão aqui. Só precisavam de alguém para fazê-las sair.Ele não sabe, mas deve imaginar pelo quê eu estou passando. Estaria mentindo se dissesse que esse aborto não me afetou mais do que qualquer outra perda que eu já tive. O choque inicial quando eu soube não chega nem perto do que realmente tem se passado no me

  • Recomeço    74

    — Fico imensamente feliz em saber que você já está pronta pra outra, Ellen. — Terry me diz com um sorriso reconfortante ao me readmitir no meu antigo emprego.Não diria que totalmente pronta pra outra, mas certamente, pronta pra deixar o passado pra trás e focar no futuro.— É claro que será um honra tê-la de volta à minha equipe no clube.— Obrigada, Terry. Eu estava ficando louca por não ter o que fazer.Uma semana depois da partida do Nick para Nova Iorque, eu acordei com uma vontade renovada de conseguir de volta tudo o que eu tinha antes, começando pelo meu emprego. É verdade que tirar umas férias, passar algum tempo sem fazer nada é bom, mas chega uma hora em que a vida tem que voltar à sua velha rotina.— Eu imagino que sim. Por mim, você já poderia começar hoje mesmo, mas acho melhor vir só segunda.— Também acho. Preciso ver bem direitinho como vai ficar a minha rotina daqui pra frente.Afinal de contas, não é só o emprego que voltará à minha vida, eu serei estudante novament

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