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Capítulo 11: Passos na Neve e Sombras no Portão

last update Fecha de publicación: 2026-08-04 04:27:58

​O eco do aviso ainda vibrava nas pedras antigas do corredor quando a realidade despencou sobre mim com a força de uma avalanche.

​Caleb estava ali. Na fronteira.

​A menção à Alcateia da Lua Prateada fez o sangue gelar nas minhas veias por apenas um segundo, antes de se transformar em um fogo líquido e furioso que correu direto para o meu estômago. O homem que havia me humilhado diante de toda a matilha, que arrancou a marca do meu peito com crueldade e me expulsou para morrer na lama, agor
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    Eu acordei com vozes. Não na minha cabeça, vozes de verdade, do lado de fora da porta do quarto dele. — Ela não pode ficar aqui, Dante — era a voz de um homem, mais velho, bravo — O conselho já está sabendo, o bando inteiro sentiu o cheiro de cio de despertar hoje de manhã, você sabe o que isso significa, se for uma loba sem marca de matilha... — Ela tem matilha — a voz do Dante cortou, baixa, mas tão fria que eu arrepiei mesmo enrolada nas peles — Ela tem a minha. Eu abri os olhos devagar, o quarto estava escuro de novo, já era fim de tarde, eu dormi o dia inteiro. Dante estava sentado na beira da cama, de costas pra mim, só de calça, sem camisa, conversando com alguém na fresta da porta entreaberta, a luz do corredor entrava e cortava as costas dele. Ele sentiu que eu acordei na hora, sem nem virar. — Já conversamos, Erik — ele disse pro homem lá fora — Ninguém encosta nela, se alguém tentar, eu arranco a garganta. Ele fechou a porta com força e trancou. Quando virou pra mim

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    Eu ainda estava arqueada na cama dele quando ele tirou a boca da minha marca. O quarto inteiro ficou em silêncio, só com a minha respiração descontrolada e o uivo dos lobos lá embaixo no pátio que já estava sumindo. Dante me olhava como se eu fosse a coisa mais perigosa que ele já tinha visto. — Você sentiu? — ele perguntou baixo, com a voz rouca colada na minha orelha. Eu não consegui responder, só assenti, porque se eu abrisse a boca ia sair outro gemido e eu já estava com vergonha demais. Não foi um beijo, foi só a boca dele encostando na minha marca, mas meu corpo inteiro acendeu como se ele tivesse me marcado de verdade, as minhas pernas tremeram, a camisola preta grudou nas minhas costas de suor e a luz dourada da minha nuca ficou piscando igual uma lâmpada louca. É, filhote, agora ferrou, a Elara falou dentro da minha cabeça rindo — Você está em cio, não é mais febre de despertar, é cio de verdade e é por causa dele, o lobo dele chamou e o seu respondeu. — Cio? — eu suss

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    Eu acordei quente. Não febril. Quente. O tipo de quente que vem de dentro, baixo, na barriga, e que não tem nada a ver com a febre dourada. Era o peso de um braço enorme e pesado em volta da minha cintura, me prendendo contra um peito que já não estava mais gelado. Estava morno. Quente como o meu. A cama do Dante ainda cheirava a tempestade, mas agora cheirava a mim também. A ouro queimado e a erva-mãe. Eu tentei me mexer e senti. A toalha tinha sumido em algum momento da madrugada. Eu estava só com a camisola preta seca que a Leonor tinha deixado, fina demais, levantada até o meio da coxa. E atrás de mim, colado em mim, o Dante dormia de verdade. Pela primeira vez desde que eu cheguei aqui. A respiração dele estava funda, lenta, batendo na minha marca. Os braços dele, que ontem estavam travados me segurando com autocontrole, agora estavam relaxados, possessivos, uma mão espalmada na minha barriga por baixo da camisola, a outra enfiada no meu cabelo. As runas dele não estavam ma

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    O quarto dele não cheirava a pinho queimado. Cheirava a tempestade. A pedra fria molhada de chuva, e a lenha molhada. Um cheiro tão dele que, quando ele me colocou na cama enorme, a febre que tinha dado uma trégua no banho ameaçou voltar só pelo cheiro. Ele ainda estava sem camisa. Molhado da cintura pra baixo, com as calças pretas encharcadas grudadas no corpo, as runas douradas ainda acesas fracas no peito, e nos ombros. Ele tinha me enrolado numa toalha, mas não tinha se secado. A Leonor entrou logo depois, com uma bacia de água com mais ervas e uma camisola seca preta, simples, de algodão. Ela não olhou pro peitoral dele. Nem pra mim dentro da toalha. Bruxa velha, sabia de tudo. — A febre vai voltar em ondas — ela disse, enquanto torcia um pano na água verde e colocava na minha testa — O banho puxou o grosso, mas o despertar não termina até o sol nascer. Se ela dormir sozinha, o fogo volta e ela pode convulsionar. O corpo dela ainda não aprendeu a guardar o fogo sozinho.

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    A água já tinha esfriado. Não porque o fogo tinha acabado, mas porque o fogo tinha encontrado onde ficar. Eu ainda estava sentada entre as pernas dele dentro do tonel, com as costas coladas no peito dele, a camisola branca totalmente transparente de tão molhada, colada no meu corpo como uma segunda pele. Eu deveria estar com vergonha. Qualquer outra mulher do bando teria se coberto, teria gritado, teria mandado o Alfa virar o rosto. Eu não consegui. Porque pela primeira vez desde que acordei com essa febre, eu não estava queimando. Eu estava morna. E o único motivo era as duas mãos grandes dele ainda segurando a minha cintura debaixo da água, e a testa dele ainda encostada na minha marca atrás da nuca. O frio dele me ancorava. — Valerie — a voz dele saiu baixa, rouca, perto da minha orelha — A água esfriou. Você vai ficar doente se ficar aqui. — Não vou — eu murmurei, com os olhos fechados, a cabeça tombada no ombro dele — Se eu sair, queima de novo. Ele ficou em silên

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