INICIAR SESIÓNAs lágrimas desceram pelo meu rosto antes que eu pudesse contê-las. Minha vida inteira foi cheia de dor, rejeição e solidão.
Desde que nasci, eu lutei para encontrar um lugar onde pertencesse, e agora, diante de mim, estava Ryan.
Um homem bondoso, carinhoso, que me fazia sentir segura e amada.
Tudo que consegui fazer foi assentir com a cabeça, pois nenhuma palavra saia dos meus lábios.
Ryan sorriu radiante, como se acabasse de receber a melhor notícia do mundo, e me puxou suavemente para um beijo.
Seus lábios tocaram os meus com delicadeza, calor e amor. Meu coração disparou, e senti meu corpo inteiro se arrepiar.
Era o meu primeiro beijo, e eu adorei cada segundo dele.
Ficamos um momento curtindo a sós, e então chegou a hora dele me levar até a parada de ônibus.
Ele olhou para mim com aqueles olhos gentis, um sorriso pequeno nos lábios.
— Tem certeza de que não quer que eu te leve?
Suspirei, sentindo meu coração aquecido pela preocupação dele. Mas balancei a cabeça negativamente.
— Dessa vez não. Primeiro, preciso preparar minha avó e minha mãe. Eu tenho medo que minha mãe fique muito emocionada...
Ryan assentiu com compreensão, seu polegar acariciando suavemente o dorso da minha mão.
— Eu entendo. Mas quero conhecer sua família o quanto antes.
Sorri para ele, sentindo um misto de felicidade e ansiedade.
O barulho do ônibus se aproximando me alertou de que era hora de partir. Antes que eu pudesse sair, Ryan me puxou para um último beijo.
Foi terno, doce, e eu não queria que terminasse. Mas o ônibus já estava parando. Afastei devagar, sorrindo enquanto me despedia.
— Boa noite, Ryan.
— Boa noite, minha linda.
Subi no ônibus, ainda sentindo o gosto do beijo dele.
Sentei perto da janela, observando o seu carro sumir na distância enquanto um sentimento bom se espalhava pelo meu peito. Quem sabe aquele era o primeiro passo para uma vida normal?
O percurso foi o mesmo de sempre.
Pegamos a estrada e, em pouco tempo, cheguei à entrada privada da matilha.
Os guardas estavam lá, escondidos como sempre. Desci e caminhei para dentro, passando por eles sem problemas.
A noite estava silenciosa. Mas, de repente, um rosnado rompeu a tranquilidade.
Meus passos vacilaram e olhei em volta, sentindo um arrepio na espinha. Era tarde, ninguém deveria estar por ali, a não ser os guerreiros em patrulha.
Foi quando ele surgiu.
Um lobo enorme, de pelagem marrom, emergiu das sombras.
Meu corpo congelou.
O passado invadiu minha mente como um vendaval cruel.
Lucius.
A cena da sua investida contra mim há anos atrás voltou com força. Respirei fundo, tentando controlar o medo que ameaçava me dominar.
Não demonstrar medo.
Era o que me diziam. Mas como eu poderia, quando ele rosnava daquela forma ameaçadora?
Tentei continuar meu caminho, ignorá-lo, mas ele se aproximou rápido e farejou minha roupa, meu pescoço.
Um rosnado mais alto ressoou, reverberando pelo ar.
Senti meu coração acelerar de puro pavor.
Antes que pudesse reagir, ele ergueu-se sobre as patas traseiras e me derrubou no chão.
Um impacto seco me deixou momentaneamente atordoada, minha cabeça latejou e a tontura tomou conta de mim.
Foi quando eu senti uma dor lancinante atravessar o meu corpo e em seguida, algo quente e pegajoso escorrer pela minha perna.
Olhei, horrorizada vendo os dentes dele cravados na minha perna.
O sangue jorrava ao redor da mordida e um grito escapou dos meus lábios, mas ninguém veio.
Ninguém nunca vinha.
Lucius finalmente me soltou e se transformou diante de mim, sem se importar com a nudez.
Ele se abaixou ao meu lado, com seus olhos cheios de desprezo e sua boca ainda suja do meu sangue.
— Se você voltar para a matilha com o cheiro de outro macho, eu te mato.
Minha respiração estava entrecortada, a dor me cegava, mas suas palavras ecoaram como um trovão na minha mente.
Ele se transformou de novo e desapareceu na floresta, deixando-me ali, sangrando, ferida.
Levei alguns segundos para conseguir me mover.
Agarrei minha perna, sentindo uma dor profunda irradiar pelo meu corpo. Eu precisava cuidar disso.
Com grande esforço, me levantei.
Cada passo era uma tortura com o sangue deixando rastros pelo caminho enquanto eu cambaleava, cada vez mais fraca.
Meia hora depois, finalmente cheguei em casa. A dor era insuportável, e minha visão começava a escurecer.
Meus olhos estavam pesados, mas eu podia ouvir os passos apressados de minha avó ecoando pela casa.
Quando ela me viu, soltou um grito sufocado de horror e correu para mim, os olhos cheios de desespero.
— Camila! O que aconteceu, minha menina? — Sua voz tremia, e ela se abaixou ao meu lado, tentando me levantar.
Minha boca estava seca, e falar parecia impossível. Tudo o que consegui foi um sussurro trêmulo.
— Lucius...
O nome saiu como um sopro de vento, carregado de dor e desespero, antes que tudo ficasse escuro.
***
Quando acordei, ainda estava no sofá, mas me sentia mais confortável. A dor persistia, embora agora estivesse abafada por algo mais quente e reconfortante.
Olhei ao redor e vi minha avó sentada na poltrona ao lado, a cabeça apoiada nas mãos.
Ela suspirou profundamente, como se carregasse o peso do mundo sobre os ombros.
— Vó... — Minha voz saiu rouca, fraca.
Ela ergueu a cabeça imediatamente e veio até mim, pegando minha mão com carinho, mas seus olhos carregavam uma tristeza profunda.
— Está se sentindo melhor, minha menina? — perguntou suavemente, acariciando meus cabelos.
— A perna... ainda lateja — admiti, franzindo a testa.
A bandagem grossa envolvia minha perna, mas a dor ainda era forte.
— Vai demorar um pouco para cicatrizar — ela disse, seu tom cheio de melancolia. — Mas vai melhorar...
Eu sabia que ela estava mentindo para me confortar.
Ambas sabíamos que uma mordida de um alfa não era algo que se curava tão rápido.
Minha avó ficou em silêncio por um tempo, apenas segurando minha mão com força.
Então, respirou fundo e perguntou, com um tom carregado de preocupação.
— Por que ele fez isso, Camila? O que aconteceu entre vocês dois?
Eu hesitei, desviando o olhar.
Talvez fosse o momento de contar a verdade e me abrir.
Engoli em seco antes de começar.
— Vó, eu... eu sou a companheira dele. — As palavras saíram num fio de voz, e minha avó arregalou os olhos, surpresa. — Descobri há dois anos, no baile. Eu senti... o vínculo. Mas ele me rejeitou naquela mesma noite.
Minha avó ficou em choque, piscando algumas vezes enquanto processava o que eu havia dito.
Então, suspirou, como se tudo começasse a fazer sentido.
— E agora ele ainda sente algo — ela murmurou, mais para si mesma. — O vínculo nunca desaparece completamente...
Assenti devagar, sentindo minha garganta apertar.
— Eu não sei o que está acontecendo com ele. Ele me odeia, vó. Sempre odiou. Mas agora... agora ele parece furioso toda vez que me vê. Como se estivesse lutando contra algo dentro dele. — Apertei os olhos, tentando conter a dor emocional que se misturava com a dor física. — E tem mais uma coisa...
Ela esperou pacientemente.
— Eu aceitei namorar o Ryan. — As palavras saíram apressadas, como se fossem uma confissão proibida. — Eu... eu gosto dele, vó. Ele me faz sentir normal. Mas não sabe sobre minha origem, sobre os lobos. Com ele, eu posso ser apenas... eu.
Minha avó ficou em silêncio por um longo momento. Seu olhar era suave, mas carregava preocupação.
— Camila, minha menina... você sabe o que isso significa? O vínculo entre companheiros é algo poderoso. Mesmo rejeitado, ele não desaparece tão facilmente. Se Lucius ainda sente algo por você... pode ser um problema. Ele não vai deixar nenhum homem se aproximar.
Erick chegou primeiro. Jackson veio logo depois, ainda ajeitando a manga do casaco.Fechei a porta da sala de mapas e passei a chave.— Sentem.— Eu prefiro ficar de pé — disse Jackson.— Eu mandei sentar.Ele sentou e Erick também.— O que aconteceu? — perguntou Erick. — O soldado disse que era urgente.— O Bóris vai viajar hoje.— Viajar para onde?— Para o casamento do filho de um tal Alfa Roderick. Ele e a Thayla.Er
[Cedric]— Repete o que você disse — falei.Thayla cruzou os braços, parada no meio do meu quarto.— Eu disse que as criadas estão falando. Dizem que você anda muito perto da cozinheira.— Criada fala demais.— Elas disseram que você jantou no quarto dela. — Ela inclinou a cabeça. — Você nunca jantou no quarto de ninguém, Cedric.— Eu jantei onde quis.— E por quê?— Porque eu sou o rei. Não preciso te explicar nada.Thayl
Puxei o ar com dificuldade, trincando os dentes para engolir a dor aguda que latejava nas minhas costelas.Cravei os olhos nos dela, sustentando o olhar com todo o ódio que eu guardava.— Nove dias é muito tempo para quem canta vitória antes da batalha, Thayla — devolvi com a voz firme, mesmo com o peito parecendo estar em chamas.A mulher fechou a cara na mesma hora, a arrogância vacilando por um segundo diante da minha falta de medo.— Como você ousa falar assim comigo?!— Eu falo como eu bem entender — dei um passo à frente, obrigando-a a recuar meio centímetro. — Você pode vestir ouro da cabeça aos pés e trazer os
Apertei o passo e me enfiei no meu quarto, batendo a porta atrás de mim com força.Joguei a bandeja na mesinha lateral e sentei na beirada da cama com um solavanco, afundando o rosto nas palmas das mãos frias.Minha respiração saía curta, entrecortada pela raiva e pelo pânico que me consumiam.O cheiro de pinho e tempestade ainda parecia impregnado na minha memória.Eu tinha dormido nos braços dele. Pior… tinha me aninhado no colo daquele homem como se o peito dele fosse o lugar mais seguro do mundo.— Idiota... burra, fraca — xinguei a mim mesma em um sussurro engasgado, esfregando os olhos com força.
— Cuide da segurança externa do quarto dela por enquanto — instruí com a voz saindo quase como um rosnado reprimido. — E garanta que Jackson mantenha os olhos cravados em cada passo que Thayla der por aqueles corredores. Se aquela mulher tentar cruzar o caminho de Camila de novo, ela vai aprender da pior maneira o que acontece com quem mexe no que é meu.— Entendido, meu Rei — Erick bateu o punho fechado contra o peito em continência. — Vou pessoalmente organizar os arquivos e reforçar os vigias da ala sul agora mesmo.— Faça isso imediatamente, Erick — respondi, virando as costas para ele e encarando os mapas antigos sobre a parede.Assim que os passos de Erick sumiram pelo corred
Erick franziu a testa, dando um passo à frente:— Não é?.— É magia antiga misturada com maldição de sangue — apontei com o queixo para a pilha de pergaminhos. — Essa coisa reage ao vínculo entre companheiros. Ela se alimenta da energia da loba dela e da minha própria força quando ficamos perto.O comandante arregalou os olhos, o queixo caindo devagar:— Se isso for verdade, Majestade... a garota está carregando uma bomba viva dentro do castelo.— Exatamente — afirmei, com a voz saindo mais dura do que o aço da minha espada. — E &eacu







