MasukMarcada pelo peso de ser considerada fraca e humana demais, Camila cresceu suportando a rejeição e o bullying implacável dentro da própria matilha. O golpe mais cruel veio quando o futuro alfa, seu companheiro predestinado, a rejeitou sem piedade, deixando-a quebrada e humilhada na lama. Mas o destino e a fúria da Deusa da Lua, reservavam uma reviravolta avassaladora. Quando o temido e poderoso Rei Cedric cruza seu caminho, ele descobre que a mestiça desprezada é, na verdade, a sua verdadeira companheira predestinada. Cego pelo orgulho e determinado a controlar a situação, Cedric a leva para o seu castelo, exigindo que ela sirva como uma simples serviçal, acreditando que mantê-la por perto apenas alimentará o poder do vínculo sem que ele precise ceder aos sentimentos. O que ele não esperava é que Camila estivesse longe de ser frágil. Sob o teto do rei, ela revela uma força indomável, peitando o soberano mais temido do mundo dos lobisomens e transformando a convivência deles em uma verdadeira guerra de cão e gato, repleta de farpas, atração palpável, luxúria e prazer proibido. Conforme resistem à força avassaladora do elo, uma paixão avassaladora e uma profunda admiração mútua nascem entre eles. Mas as surpresas não param por aí: segredos profundos sobre o passado de Camila vêm à tona, revelando que ela carrega uma missão ancestral. Unidos pela força do amor e pela fúria de lutar contra as sombras, o rei implacável e a mulher que se recusou a ser quebrada unirão forças para destruir o mal absoluto, provando que nem mesmo os reis mais poderosos podem escapar do destino.
Lihat lebih banyakA chegada à matilha foi marcada pelo ar fresco, o cheiro de terra molhada e, acima de tudo, pelos olhares hostis e sussurros de desdém que nos cercaram assim que pisamos ali, sentindo o cheiro fraco da minha loba.
Minha avó foi a única que nos recebeu com um olhar preocupado, mas acolhedor.
— Eu já avisei ao Alfa — ela disse. — Ele quer vê-las agora para o vínculo da matilha.
Meu estômago revirou, mas minha mãe parecia tranquila.
Seguimos para a casa do Alfa, onde encontramos o Alfa Edgar e seu filho, Lucius. Assim que entrei, senti os olhos de Lucius sobre mim.
Ele me olhava com desprezo me fazendo encolher.
O Alfa olhou para minha mãe.
— Julia, por que voltou sem seu companheiro e com um filhote?
Minha mãe respirou fundo.
— Meu companheiro é humano. Eu tentei viver com ele, mas ele não sentia o vínculo... E nos machucava... Eu me curava rápido, mas Camila não, era ela quem sentia mais dor.
O Alfa me olhou.
— Você já se transformou?
Baixei o olhar e neguei com a cabeça..
— Mas você tem uma loba?
Assenti.
— Ela surgiu quando eu tinha dez anos. Nós conversamos, mas nunca consegui me transformar.
Ele suspirou.
— Pelo menos isso. Mas seu lado humano a torna fraca. Tenha cuidado.
Assenti, sentindo o olhar de Lucius queimando sobre mim.
— Não é bom ter alguém tão fraco na matilha, pai. — ele murmurou.
— Julia nasceu aqui e será bem-vinda com a sua cria — Edgar o repreendeu.
O Alfa cortou a própria mão com uma adaga e entregou à minha mãe, que fez o mesmo e segurou minha mão.
— Vai doer só um pouquinho — ela sussurrou.
Fechei os olhos, sentindo a dor quando ela fez um pequeno corte na minha palma.
Edgar se aproximou e fez o juramento de vínculo.
Minha mãe e eu juramos respeitar e obedecer o Alfa e acolher a matilha.
Ele pressionou sua mão ensanguentada contra a minha e depois contra a da minha mãe.
— Agora vocês fazem parte da matilha novamente — ele declarou. — Estão liberadas.
Os anos passaram, mas a sensação de não pertencer nunca foi embora.
Desde que chegamos à matilha Lua Nova, eu fui vista como um erro… era fraca demais, humana demais.
A matilha era conhecida por seus guerreiros, por lobos ferozes e poderosos, e eu... bem, eu não me encaixava ali.
Na escola, não era diferente. Sofria bullying constantemente, principalmente de Lucius, que fazia questão de me menosprezar sempre que podia.
Ele era o futuro Alfa, e eu só podia abaixar a cabeça e aceitar.
Hoje era o dia do baile de companheiros e o encerramento das aulas.
Muitos ali já tinham completado dezoito anos e estavam ansiosos para encontrar suas metades.
Mas eu? Eu não sentia empolgação nenhuma.
Ainda não conseguia me transformar, e isso era o que mais me incomodava.
Minha loba sempre dizia que havia algo me impedindo, uma barreira invisível, mas nem ela nem o ancião souberam explicar o que era.
Minha mãe, teimosa como sempre, encomendou um vestido para mim, mesmo com meus protestos.
Então, lá estava eu, saindo da costureira com a sacola do vestido em mãos, quando o grupo de Lucius apareceu.
Ele vinha à frente, com aquele olhar de superioridade.
— E aonde você acha que vai? — Ele arqueou a sobrancelha com um sorriso debochado nos lábios.
Antes que eu pudesse responder, Safira, a filha do beta, tomou a sacola das minhas mãos e sorriu maldosamente.
— Você realmente acha que, sendo tão fraca, vai encontrar um companheiro?
Meu peito apertou, mas me mantive firme.
— Me devolve, Safira.
Ela riu e, sem aviso, me empurrou com força.
Perdi o equilíbrio e caí no chão, sentindo a dor nas mãos ao tentar me apoiar.
Lucius pegou o vestido das mãos de Safira e o ergueu no ar.
— Nem com um vestido bonito desse você ficaria apresentável.
E, como se não fosse o suficiente, ele rasgou o tecido na minha frente, jogou-o na lama e pisou em cima com sua bota suja.
Os outros riam, mas eu mal conseguia ouvir.
Tudo dentro de mim tremia de raiva e humilhação.
Lucius se abaixou, agarrando meu rosto com força.
— É bom ficar em casa hoje à noite. Nenhum lobo daqui vai querer alguém como você.
Ele me empurrou, e o grupo seguiu rindo.
Abracei o vestido rasgado e sujo de lama, segurando as lágrimas enquanto a primeira gota de chuva caía no meu rosto.
Eu já havia vivido um inferno com meu pai. Agora, vivia outro na matilha.
Enquanto isso, minha mãe definhava mais a cada dia, consumida pela saudade do companheiro. Quando cheguei em casa, ela me viu naquele estado e, com os olhos fundos e cheios de súplica, me pediu algo que eu realmente não queria.
— Se você for ao baile, pelo menos por meia hora, eu prometo que vou comer direito por uma semana. Tudo o que você trouxer para mim.
Eu sabia que talvez ela não cumprisse, mas aquilo foi um raio de esperança.
Com muito custo, limpei, costurei os rasgos do vestido e me preparei. Eu não queria ir, mas se isso significava dar à minha mãe um pouco de esperança, mesmo que por trinta minutos, eu iria.
O salão de festas estava iluminado e repleto de lobos animados. Assim que atravessei a porta, senti o peso dos olhares e dos cochichos venenosos.
Mantive a cabeça baixa perto de uma coluna o tempo todo, implorando para que o tempo passasse logo.
Me surpreendi por ninguém ter vindo me perturbar, mas quando meu celular vibrou no bolso com o alarme de que os trinta minutos haviam se passado, soltei um suspiro de alívio e dei meia volta para sair.
Mas, de repente, uma mão forte agarrou meu braço e me puxou para um canto escuro da floresta.
Era Eros.
O cheiro de álcool e maldade impregnava o ar.
— Onde pensa que vai, fraquinha? Só quero brincar um pouco...
O pânico me dominou.
Eu me debati, mas ele me jogou contra uma árvore, fazendo minha cabeça bater com força.
Antes que eu pudesse raciocinar, senti suas mãos puxando o tecido do meu vestido.
— NÃO! — meu grito ecoou.
Erick chegou primeiro. Jackson veio logo depois, ainda ajeitando a manga do casaco.Fechei a porta da sala de mapas e passei a chave.— Sentem.— Eu prefiro ficar de pé — disse Jackson.— Eu mandei sentar.Ele sentou e Erick também.— O que aconteceu? — perguntou Erick. — O soldado disse que era urgente.— O Bóris vai viajar hoje.— Viajar para onde?— Para o casamento do filho de um tal Alfa Roderick. Ele e a Thayla.Er
[Cedric]— Repete o que você disse — falei.Thayla cruzou os braços, parada no meio do meu quarto.— Eu disse que as criadas estão falando. Dizem que você anda muito perto da cozinheira.— Criada fala demais.— Elas disseram que você jantou no quarto dela. — Ela inclinou a cabeça. — Você nunca jantou no quarto de ninguém, Cedric.— Eu jantei onde quis.— E por quê?— Porque eu sou o rei. Não preciso te explicar nada.Thayl
Puxei o ar com dificuldade, trincando os dentes para engolir a dor aguda que latejava nas minhas costelas.Cravei os olhos nos dela, sustentando o olhar com todo o ódio que eu guardava.— Nove dias é muito tempo para quem canta vitória antes da batalha, Thayla — devolvi com a voz firme, mesmo com o peito parecendo estar em chamas.A mulher fechou a cara na mesma hora, a arrogância vacilando por um segundo diante da minha falta de medo.— Como você ousa falar assim comigo?!— Eu falo como eu bem entender — dei um passo à frente, obrigando-a a recuar meio centímetro. — Você pode vestir ouro da cabeça aos pés e trazer os
Apertei o passo e me enfiei no meu quarto, batendo a porta atrás de mim com força.Joguei a bandeja na mesinha lateral e sentei na beirada da cama com um solavanco, afundando o rosto nas palmas das mãos frias.Minha respiração saía curta, entrecortada pela raiva e pelo pânico que me consumiam.O cheiro de pinho e tempestade ainda parecia impregnado na minha memória.Eu tinha dormido nos braços dele. Pior… tinha me aninhado no colo daquele homem como se o peito dele fosse o lugar mais seguro do mundo.— Idiota... burra, fraca — xinguei a mim mesma em um sussurro engasgado, esfregando os olhos com força.






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