INICIAR SESIÓNNeguei com a cabeça, sentindo um peso enorme nos ombros.
— Não sei. É isso que me deixa mais puto. Não tem inimigo por perto, nem cheiro de perigo. É só... um vazio agoniado. Como se estivesse faltando alguma coisa essencial, mas eu não faço ideia do quê.
Erick soltou um suspiro longo, soltando o ar pela boca. Ele me olhou com um misto de pena e preocupação.
— Olha... Tenta se acalmar, Cedric. A gente não veio para o sul para arrumar confusão com os alfas locais à toa. O motivo principal dessa viagem é descobrir quem é o maldito traidor que está vazando informações do norte. Se você continuar tratando todo mundo assim, vai afastar os aliados por puro medo.
— Eu sei qual é a nossa missão. Mas a minha cabeça parece que vai explodir a qualquer momento.
Erick deu um tapinha firme no meu ombro.
— Então tenta dormir um pouco hoje à noite. Amanhã cedo a gente pega a estrada de novo. Vamos direto para a matilha Lua Nova.
— O que tem lá de tão especial? Para mim, todas essas matilhas do sul são iguais, cheias de lobos fracos e bajuladores.
Erick deu um sorriso de canto de boca, tentando aliviar o clima.
— Pelo que fiquei sabendo por alto, a comida é excelente e tem uma cozinheira muito boa por lá, e as mulheres são bem bonitas. Quem sabe um bom prato e um pouco de paz não acalmam esse seu bicho feroz?
Soltei um riso seco e sem humor, balançando a cabeça.
— Duvido muito. Mas, seja o que a Lua quiser. Só quero chegar logo e acabar com isso.
— Ótimo. Vou verificar os carros e nossos homens. Descansa, Rei. Amanhã o dia vai ser longo — disse Erick, dando meia-volta e retornando para dentro da mansão.
Essa inquietação sem explicação no peito só me deixava ainda mais furioso.
Havia algo errado.
Algo muito errado comigo, e o pior de tudo é não saber o que era.
(Camila)
Eu caminhava lentamente por uma floresta desconhecida, com o vento assobiava entre as árvores, trazendo consigo um murmúrio quase ininteligível, como se a própria floresta sussurrasse segredos proibidos.
Adiante, uma luz azulada filtrava-se por entre os galhos retorcidos.
Meus instintos gritavam para eu voltar, mas havia algo de irresistível naquele brilho misterioso.
Com o coração acelerado, avancei, meus olhos encontrando um lago de beleza etérea. A superfície da água brilhava sob a luz do luar, refletindo o céu como um espelho encantado.
Mas não era apenas um lago comum. Ele parecia... vivo. Um magnetismo inexplicável emanava dele, prendendo meu olhar, atraindo minha alma.
Foi então que uma presença se fez sentir.
Uma mulher surgiu das sombras, caminhando sobre a água com uma graça sobrenatural.
Seu vestido negro se desfazia na ponta como uma névoa sombria, corrompendo toda a beleza do lugar conforme se aproximava.
Seus olhos, gêlidos e vazios, pousaram sobre mim com puro desgosto.
Eu queria recuar, mas meus pés estavam presos no chão.
— Você não vai conseguir — sua voz ecoou, baixa e sombria, mas carregada de uma promessa terrível. — Eu a impedirei de conhecer o verdadeiro poder dele.
Meu coração pulou no peito.
— Quem é você?
Ela sorriu.
Um sorriso cruel, que arrepiou minha pele. Seus dedos longos e afiados se ergueram, apontando para mim como garras prontas para rasgar minha alma.
— Você nunca descobrirá o verdadeiro poder dele. Nunca.
Antes que eu pudesse reagir, sua mão agarrou meu rosto com força, suas unhas cravando levemente na minha pele.
Um frio cortante percorreu meu corpo, e uma dor inexplicável surgiu no meu peito.
Tentei me desvencilhar, mas seus olhos queimavam os meus como brasas.
De repente, um grito ensurdecedor explodiu dos lábios da mulher, atravessando minha mente como uma navalha.
A dor foi lancinante.
Meu crânio parecia prestes a explodir, e um desespero irracional tomou conta de mim.
Ela ergueu a outra mão e a pressionou contra meu peito.
Fui arremessada para trás, como se uma força invisível me puxasse violentamente.
Meu corpo voou pelo ar, e antes que eu pudesse gritar, tudo desapareceu.
Acordei com um grito sufocado, com minha mão instintivamente indo ao peito. O local ainda latejava, como se a dor do sonho fosse real..
Suspirei e me sentei, sentindo meu coração desacelerar aos poucos.
Talvez tenha sido apenas um pesadelo sem significado.
Acendi a luz do banheiro e encarei meu reflexo no espelho, mas, assim que meus olhos desceram para o centro do meu peito, o ar me faltou.
Ali, entre os meus seios, estava uma pequena marca negra.
Ela não tinha um formato definido, mas lembrava raízes finas se estendendo a partir de um núcleo sombrio.
Meus dedos trêmulos tocaram a pele, e um arrepio percorreu minha espinha.
O que era aquilo?
Peguei a esponja e esfreguei com força, mas a marca não saiu.
Aquela mulher de preto. Sua voz fria. Seu toque em meu peito.
“Eu nunca deixarei você descobrir o verdadeiro poder dele.”
O que tinha acontecido comigo? O que significava essa marca?
Uma batida firme na porta me fez pular.
— Camila? Você está bem? — Era a voz da minha avó, levemente preocupada. — Vai se atrasar!
Meu primeiro instinto foi contar a ela.
Mas então mordi o lábio e hesitei.
Minha família já tinha problemas, não podia aparecer com mais.
Eu precisava entender isso sozinha antes de envolvê-la.
Respirei fundo e tentei controlar minha voz antes de responder:
— Já estou indo, vó! Só estou terminando de me arrumar.
Três semanas passaram, eu estava no campus, esperando minha vez de apresentar o prato que criei.
De repente, senti uma palma quente cobrindo meus olhos.
— Adivinha quem é?
Sorri instantaneamente ao reconhecer o perfume amadeirado e fresco dele.
— Ryan, você é péssimo nisso. — Ri, afastando as mãos dele do meu rosto.
Ele sorriu e se inclinou, deixando um beijo suave na minha bochecha antes de se virar para me encarar.
— Assim que você terminar sua apresentação, vamos comemorar em um lugar especial.
Arqueei uma sobrancelha, cruzando os braços.
— Que lugar especial?
Ele encolheu os ombros, um brilho travesso nos olhos castanhos.
— Isso você vai ter que descobrir depois que for aprovada.
Soltei uma risada curta.
— E quem disse que eu vou ser aprovada?
Ryan revirou os olhos e deu de ombros.
— Porque você é incrível no que faz. Não existe outra opção além da nota máxima.
Antes que eu pudesse responder, meu nome foi chamado.
Apresentei, sentindo meu coração acalmar a cada segundo até que fiquei aguardando a nota.
— Parabéns, Camila… sua nota é Dez. — O professor Miguel confirmou com um sorriso.
Soltei um grito de alegria e pulei no ar, rindo. Antes que eu percebesse, Ryan me abraçou com força, girando-me no ar.
— Eu sabia! Sabia que você conseguiria! — Ele riu, me colocando de volta no chão.
Quando finalmente nos despedimos dos outros e seguimos para o seu carro, um frio na barriga me atingiu.
Eu gostava dele.
Ryan me fazia sentir normal e talvez... esse fosse o primeiro passo para uma vida comum, longe de tudo aquilo que me prendia ao passado.
Segurei sua mão estendida e desci do carro, mas assim que olhei ao redor, franzi o cenho em confusão.
— O parque? Mas já está quase fechando.
Ryan sorriu.
— Eu conheço o segurança, vamos?
Mesmo sem entender, assenti empolgada e segui ao seu lado pelo parque.
Depois de alguns passos, vacilei, meus olhos se arregalando com o que vi à nossa frente.
Uma manta estendida no chão, rodeada por pequenas velas de LED que piscavam suavemente, iluminando delicadamente o espaço.
Pequenos corações vermelhos estavam espalhados pelo chão e, ao centro, uma cesta de piquenique, um vinho e duas taças.
— Ryan... — cobri a boca com as mãos, sem acreditar. Ele se virou para mim, sorrindo, e disse suavemente:
— Parabéns, Camila.
Ele segurou minha mão e me guiou até a manta, se sentando ao meu lado.
Ryan levou minha mão aos lábios, beijando o dorso de forma carinhosa. Seus dedos tremiam levemente e sua voz saiu um pouco hesitante.
— Eu estou nervoso — ele confessou, sorrindo timidamente. — Mas sei que, se eu não falar agora, talvez nunca mais consiga. Camila, você aceita namorar comigo?
Tentei me levantar, mas a dor me fez fraquejar sem força nenhuma.Meu corpo tremia, e eu sabia que não tinha forças para lutar contra ela.Thayla era uma lycana legítima, filha de um membro do conselho, e eu? Eu mal conseguia me transformar.Se revidasse, ela me esmagaria.E foi por isso que não respondi, porque não valia a pena.Mas isso só a irritou ainda mais e num movimento rápido, sua mão envolveu meu pescoço, e antes que eu pudesse reagir, fui arremessada para o outro lado do quarto.Meu corpo atingiu a parede com um baque seco, e desabei no chão.
A batida na porta me tirou dos meus pensamentos, e eu rapidamente olhei para a entrada.A porta se abriu lentamente e Susy apareceu carregando uma bandeja de comida.Ela estava completamente em choque, caminhando de forma tão mecânica que parecia mais uma marionete do que uma pessoa.Seus olhos estavam baixos, e sua expressão era difícil de ler, mas algo estava claramente errado.Ela colocou a bandeja ao lado da cama com uma delicadeza quase automática, sem fazer um único som, e se virou para sair.Mas antes que pudesse ir, eu a chamei com minha voz baixa e hesitante.— Susy… — Minha garganta estav
(Camila)A dor no meu peito foi o primeiro sinal de que algo não estava certo. Eu tentei ignorá-la, mas ela se intensificou ainda mais e senti como se uma pressão invisível estivesse apertando minha alma. Me forcei a abrir os olhos, e só então percebi que estava em uma clareira. A luz suave do sol se filtrava pelas árvores, criando um ambiente que, à primeira vista, parecia pacífico. Mas algo me dizia que não era bem assim.Enquanto caminhava lentamente, ainda sentia uma dor pulsante em meu peito, só então os primeiros corpos começaram a surgir ao meu redor como uma cena de filme de terror. Havia vários espalhados por todos os lados, com raízes negras saindo de suas peles e alguns já apodrecidos. De repente, o som de um rugido poderoso cortou o ar fazendo o chão tremer sob meus pés. Eu me encolhi, sentindo uma onda de medo invadir meu corpo, quando de repente uma voz celestial chamou meu nome. Meus olhos se arregalaram, procurando de onde vinha aquele chamado. E então, quando
Meu Lycano rosnou, possessivo. Ela não morreria.Usando toda a minha velocidade, corri.Corri como nunca antes, rasgando o vento, cada fibra do meu corpo gritando para salvá-la.Ela era minha.E eu não a perderia.Eu estava furioso. Cada segundo que passava me deixava mais tenso, a angústia dentro de mim aumentando, como se um animal selvagem estivesse tentando rasgar meu peito de dentro para fora. Camila, aquela mestiça teimosa, estava morrendo por causa de sua própria estupidez. Sozinha na floresta, ferida e fraca... Eu ainda não podia acreditar que ela havia feito isso.Quando entrei na clínica, o cheiro de ervas e remédios misturava-se ao aroma metálico do sangue. Meu instinto animal me impulsionou a ser rápido, e imediatamente a coloquei sobre uma maca. O curandeiro, Oshis, já havia sido alertado mentalmente. Não demorou para que ele entrasse na sala, com seus olhos se fixando primeiro em Camila e depois em mim.Ainda em minha forma de Lycano, ronei baixo com uma ameaça aba
(Cedric)O salão principal do palácio estava um caos.Três alfas estavam à minha frente, exalando tensão e desespero. A peste negra estava se espalhando entre os lobos, e agora os líderes vinham exigir minha ajuda.O primeiro a falar foi Alfa Dante, sua voz carregada de angústia.— Majestade, metade do meu bando já morreu! — Ele se inclinou para frente, os olhos selvagens, desesperados. — Não conseguimos deter essa praga! Os corpos apodrecem rápido, tomados por raízes escuras... Isso não é natural! É magia negra!Passei a mão na têmpora, sentindo o início de uma dor de cabeça. Maldita peste.Os alfas começaram a discutir entre si.— Todos nós precisamos de ajuda! — rosnou Alfa Terius, cerrando os punhos. — Meu território já perdeu dezenas de guerreiros! Você acha que seu problema é pior que o meu, Dante?— Meu bando está prestes a ser extinto! — Dante retrucou, os olhos brilhando em fúria. — Restaram poucos homens e apenas duas mulheres. Se eu não protegê-los agora, não haverá ningué
Depois de um dia exaustivo, finalmente me joguei na cama. Meu corpo doía, meus músculos estavam tensos, e a fome roía meu estômago. O banho quente ajudou a aliviar parte do peso do dia, mas não era o suficiente. Eu ainda me sentia vazia.Fechei os olhos, tentando ignorar a sensação incômoda da fome, mas um barulho na porta me fez abrir os olhos. Susy entrou segurando uma sacola, com seus olhos brilhando com algo que eu não consegui identificar de imediato.Me sentei devagar, observando enquanto ela se aproximava e estendia a sacola para mim.— O que é isso? — perguntei, pegando-a com cuidado.Susy já tirava a roupa, preparando-se para dormir, quando respondeu…— Eu vi quando disseram para não deixarem comida para você. — Seu tom tinha um toque de irritação. — Então passei na cozinha agora e peguei umas frutas.Senti um nó se formar em minha garganta.— Eu sei que não é muito, mas amanhã dou um jeito de pegar mais coisas — continuou ela.Meus dedos apertaram a sacola e, quando olhe







