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Capítulo 08

Autor: Mia Bianchi
last update Data de publicação: 2026-07-22 12:14:14

Jady

Corri sem pensar.

Meus pés me levaram até o jardim escondido perto do lago, o lugar secreto onde Orion e eu costumávamos nos encontrar.

A neve caía suavemente, cobrindo tudo com um manto branco e silencioso.

Assim que cheguei, minhas pernas falharam, caí de joelhos na neve fria, as mãos afundando na camada gelada.

O ar saía rasgado dos meus pulmões.

Zara uivava sem parar dentro de mim, um lamento selvagem, cheio de dor e fúria.

Eu tentava respirar, mas a rejeição ainda doía fisicamente, como se alguém tivesse enfiado a mão no meu peito e arrancado algo vital.

Fiquei ali por horas, chorando, tremendo, sentindo o frio penetrar meus ossos, quando finalmente levantei, percebi a dura verdade: eu não tinha para onde ir.

Aquele quartinho miserável atrás das cozinhas ainda era a única “casa” que eu conhecia.

Voltei para dentro do castelo como um fantasma.

Entrei no meu cubículo, fechei a porta e me arrastei até a cama pequena.

Encolhi-me toda, abraçando as pernas contra o peito, o rosto enterrado nos joelhos, chorei sem parar.

Um choro baixo, sufocado, que fazia meu corpo inteiro tremer.

A porta se abriu de repente, uma criada mais nova, de cabeça baixa, falou quase sem voz:

— A Luna Seraphine está chamando.

— Eu não tenho forças… — murmurei, a voz rouca de tanto chorar.

A criada abaixou ainda mais a cabeça, visivelmente desconfortável.

— Não é um pedido.

Meu corpo protestou quando tentei me levantar, cada músculo doía.

Minhas costelas latejavam, o ombro queimava, e o frio da neve ainda parecia preso na minha pele.

Mesmo assim, me forcei a ficar de pé.

Ajeitei a roupa suja e amassada o melhor que pude, limpei o rosto com as costas da mão e saí atrás da criada.

Cheguei ao quarto principal, o antigo quarto de Órion, agora deles.

Abri a porta devagar.

Seraphine já havia tirado o vestido de noiva, estava sentada numa poltrona luxuosa, usando uma camisola fina de seda branca que marcava cada curva do seu corpo.

Seus cabelos loiros caíam soltos sobre os ombros.

Ela estava linda, radiante e vitoriosa.

— Mandou me chamar? — perguntei, a voz quase sem vida.

Ela sorriu, satisfeita.

— Entre.

Entrei, olhando fixamente para o chão.

Seraphine cruzou uma perna sobre a outra com elegância e levantou um dos pés delicados.

— Tire minhas sandálias.

Fiquei imóvel por um segundo.

A humilhação queimava minha garganta.

— Não ouviu sua Luna? — perguntou ela, doce como veneno.

Eu me ajoelhei.

Minhas mãos tremiam enquanto desafivelava as sandálias.

Quando terminei, Seraphine se inclinou para frente, aproximando o rosto do meu, e sussurrou:

— Você conhece o cheiro dele melhor do que qualquer mulher… mas quem vai acordar ao lado dele pelo resto da vida sou eu.

A frase acertou como uma facada no peito.

Engoli em seco, lutando contra as lágrimas.

Assim que terminei, Seraphine empurrou meu ombro com o pé, com força.

Desequilibrei e caí para trás, batendo no chão frio.

— Uma criada nunca seria Luna da Lua de Prata — disse ela com deboche. — Você será sempre a minha escrava.

Respirei fundo, engolindo o orgulho, a dor e a raiva.

— Senhorita Seraphine… posso ir?

Ela ergueu uma sobrancelha.

— Você agora me chama apenas de Senhora Luna.

Senti a humilhação descer pela garganta como ácido.

Baixei a cabeça ainda mais.

— Senhora Luna… posso ir?

Seraphine sorriu, vitoriosa.

— Sai logo da minha frente, sua criada imunda.

Eu me levantei devagar, engolindo em seco.

Virei-me e caminhei até a porta, cada passo pesando como chumbo.

— Ah… — chamou ela antes que eu saísse. — Se eu descobrir que você chegou perto do meu marido… eu te mato, cadela.

Virei a cabeça e encarei Seraphine por um segundo.

Depois abri a porta e saí rápido pelo corredor.

As lágrimas voltaram a cair, silenciosas e quentes, escorrendo pelo meu rosto sem permissão.

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