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Capítulo 07

Autor: Mia Bianchi
last update Data de publicação: 2026-07-22 12:12:45

Jady

Eu não deveria estar aqui.

Mesmo assim, na noite da lua cheia, arrastei meu corpo dolorido até o Bosque Sagrado da Lua de Prata, todo Domínio possui um.

O nosso era magnífico, uma clareira vasta cercada por árvores antigas cujos troncos brilhavam suavemente sob a luz prateada.

No centro, a Árvore Ancestral se erguia imponente, com galhos que pareciam tocar as estrelas.

Diante dela, o Altar de Pedra Lunar, uma grande laje de mármore branco com veios prateados, brilhava como se tivesse vida própria.

Tochas acesas formavam um círculo perfeito ao redor do altar, e centenas de velas brancas flutuavam no ar, sustentadas por magia.

Flores brancas de pétalas brilhantes cobriam o chão, espalhadas como neve.

O ar cheirava a jasmim, incenso sagrado e poder ancestral.

Toda a alcateia estava reunida.

Nobres de todos os Doze Domínios vestiam suas melhores roupas: sedas, veludos e joias que reluziam sob a lua, música suave de harpas e flautas preenchia o bosque, era um evento de puro luxo e poder.

Eu me escondi entre as árvores mais densas, o coração martelando no peito.

Não estava aqui porque ainda acreditava nele, estava aqui porque precisava ver com meus próprios olhos.

Orion subiu ao altar.

Ele estava devastadoramente lindo com a túnica cerimonial negra e prateada, a capa longa caindo sobre os ombros largos.

Seu rosto estava sério, quase sem expressão.

Ao lado dele, Seraphine brilhava como uma rainha, vestido branco com detalhes em prata, cabelo preso com joias, um sorriso vitorioso que ela nem tentava esconder.

O Alfa Alaric Kingsley falou palavras antigas de união e dever.

Depois, chegou o momento que eu mais temia.

Orion pegou o medalhão sagrado, a Marca da Luna e o colocou no pescoço de Seraphine.

Em seguida, inclinou-se e pressionou os lábios contra o pescoço dela, no ponto exato onde a marca de companheiro deveria ficar.

Ele a mordeu.

Não foi um simples beijo, foi o ritual de marcação.

O momento em que ele a aceitava publicamente como sua Luna.

Senti o vínculo que ainda restava entre nós se romper de vez.

Foi como se uma lâmina quente rasgasse meu peito, um grito silencioso ficou preso na minha garganta.

Minhas pernas tremeram tanto que precisei me apoiar no tronco de uma árvore para não cair.

Morta.

Foi assim que me senti por dentro, como se tivessem arrancado minha alma e deixado apenas um buraco vazio.

Zara, minha loba, uivou de dor dentro de mim.

Um uivo longo, agonizante, enlouquecido.

Ela arranhava as paredes da minha mente, querendo sair, querendo atacar, querendo morrer.

A dor dela se misturava à minha até eu não conseguir distinguir onde terminava uma e começava a outra.

Lágrimas quentes escorriam pelo meu rosto enquanto eu via Orion se afastar de Seraphine.

Por um breve segundo, seus olhos prateados varreram a multidão… e por um instante terrível, pareceu que ele me viu escondida na escuridão, mas ele virou o rosto.

Seraphine ergueu a mão, exibindo o anel e a nova marca no pescoço, e a multidão explodiu em aplausos e uivos de celebração.

Eu não aguentei mais.

Virei as costas e corri pelo bosque, tropeçando nas raízes, o peito ardendo, o rosto molhado de lágrimas, cada passo doía, cada respiração doía.

Zara continuava uivando, inconsolável, não tentei acalmá-la, porque eu também queria uivar até o mundo inteiro ouvir minha dor.

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