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CAPÍTULO 18 — BATEDORES

last update publish date: 2026-09-13 20:35:57

Garrick recolheu um galho resistente e quebrou-o até transformá-lo numa arma improvisada. Usou uma pedra afiada para trabalhar uma das pontas.

Depois retomaram o caminho.

O sol avançou pelo céu.

A floresta tornou-se mais densa.

Nyra tentou aplicar o que o pai ensinara. Não depender da loba. Escutar. Observar. Perceber os sinais pequenos.

Folhas esmagadas recentemente.

Galhos partidos.

O movimento repentino de animais.

O vento mudando de direção.

No início, todos os sons se misturavam. Aos pouco
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    A margem estava alta naquele ponto.Mais de um metro acima do nível atual.Havia marcas escuras no tronco de algumas árvores, como cicatrizes deixadas por água antiga.Nada incomum em um rio que subia durante épocas de chuva.Mas algumas marcas estavam altas demais.E longe demais.Evelyn se afastou.Maura ficou perto das carroças enquanto ela caminhava sozinha para o sul.Primeira varredura.Sempre fazia uma.Mesmo quando Vlaus já mandava batedores.Gostava de conhecer o lugar com os próprios olhos.A loba permanecia silenciosa dentro dela.Há muito tempo.Mas os sentidos não tinham ido embora.Evelyn escutava movimentos pequenos.Sentia mudanças no vento.Percebia cheiros antes que outros humanos perceberiam.Uma parte do animal continuava no corpo, ainda que a criatura se recusasse a acordar.Ela seguiu pela margem.O solo mudou.Mais úmido primeiro.Depois, estranhamente seco.Evelyn parou.Agachou.Tocou a terra.Escura.Fértil.Quebrou um pequeno pedaço entre os dedos.Não era a

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    O líder soltou uma risada.— Vocês não estão em posição de negociar.— Nem você — respondeu Evelyn.Ele virou o rosto para ela.— Tem certeza?Evelyn puxou o ar.Homens à direita.Homens à esquerda.Arqueiros mais atrás.Quase trinta.Talvez mais escondidos.Ela marcou mentalmente posições.Saídas.Distância até as carroças.Até Orven.Até Maura.Até as crianças.— Tenho.O homem ficou alguns segundos encarando-a.Então ergueu uma das mãos.Evelyn viu antes.O arqueiro atrás dele puxou a corda.— ABAIXEM!A flecha passou sobre sua cabeça.Não vinha para ela.Trazia fogo.Atravessou o acampamento.Entrou numa tenda.A lona pegou imediatamente.Um grito explodiu.Depois outro.— FILHO DA PUTA! — alguém rugiu.— Água! — Evelyn gritou.A segunda flecha incendiária veio.Vlaus avançou tão rápido que se tornou um borrão.Atingiu o líder no peito.O homem voou para trás.A guerra começou.— CRIANÇAS NAS CARROÇAS! — Evelyn gritou. — IDOSOS AO NORTE! QUEM NÃO LUTA, NÃO FICA NO CENTRO!Um homem

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    — Então criamos uma história melhor — respondeu.— Mentiras ruins matam.— As boas compram tempo.Um dos homens assobiou baixinho.Vlaus ignorou.— E se perguntarem por que quer a terra?Evelyn olhou para fora da tenda.A abertura permitia enxergar uma pequena parte do acampamento.Uma mulher carregando baldes.Um menino correndo.Uma carroça sendo reparada.— Porque estou cansada de fugir.A frase saiu antes que pudesse filtrá-la.Ninguém brincou.Evelyn voltou-se para os homens.— Quantas vezes mudamos no último ano?— Sete — respondeu alguém.— Oito — corrigiu outro.— Oito.Ela apontou para o chão.— Oito vezes desmontamos tudo porque alguém decidiu que nossa presença incomodava. Oito vezes crianças acordaram sem saber onde dormiriam na noite seguinte. Oito vezes os idosos tiveram que atravessar estrada porque alguém apareceu com um papel dizendo que a terra pertencia a outro homem.O tom dela não aumentou.Não precisava.— Temos gente suficiente para defender um lugar. Temos caça

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