MasukCaleb apoiou os cotovelos nos joelhos.— Na coroação achei que fosse impressão.— Impressão de quê?O Beta franziu a testa.— Eu conheço aquela mulher.Theron ficou alguns segundos apenas olhando.— Evelyn Bellumati?— Sim.— Você nunca esteve em Recomeço antes da minha visita.— Eu sei.— E ela não estava lá quando fui.Caleb assentiu.Theron recostou-se.— Então deve tê-la visto em algum cortejo ou cerimônia antes de ela se estabelecer em Asterion.— Pensei nisso.— Você já recebeu centenas de comitivas em Valcrest.— Também pensei nisso.— Então?Caleb passou a mão pelo queixo.— Não encaixa.Theron esperou.— Não é como lembrar de um rosto visto uma vez num salão. É... familiar.Ele pareceu incomodado por não conseguir explicar melhor.— A voz. O jeito de olhar. Algumas expressões. Na coroação perguntei se já tínhamos nos encontrado.Theron arqueou a sobrancelha.— E?— Ela disse que, se tivéssemos, eu provavelmente lembraria.— Parece razoável.— É.Caleb ficou quieto.— Mas?O B
Theron apoiou os antebraços sobre a mesa.— Então olhem.Malrik respirou.— Lady Lyssandra já desempenha funções junto ao povo há anos. Não encontrou um companheiro conhecido, não contraiu casamento e conhece as responsabilidades da posição.O olhar de Theron foi até ela.Lyssandra permaneceu quieta.Não baixou os olhos como uma mulher constrangida com o próprio nome colocado sobre a mesa.Também não sorriu.Era inteligente demais.— E? — Theron perguntou.Varnek respondeu:— Queremos que considere formalmente uma união.Theron olhou para ele.— Querem?A palavra saiu baixa.Foi suficiente para fazer o homem ajeitar a postura.Malrik tomou a frente novamente.— Um casamento fortaleceria a linhagem, daria estabilidade ao Conselho e permitiria que Valcrest finalmente tivesse um herdeiro.Theron virou para Lyssandra.— E você?Ela sustentou seu olhar.— Não pedi que colocassem meu nome sobre esta mesa, Supremo.Era verdade.Tecnicamente.— Mas se Valcrest exigir de mim esse dever, não fu
Valcrest não era mais o domínio que Theron se lembrava de ter recebido das mãos do pai.Ainda era grande.Ainda era poderoso.Ainda possuía exércitos capazes de fazer territórios menores pensarem duas vezes antes de atravessar suas fronteiras, cidades cercadas por muralhas antigas, rotas comerciais que cortavam o Norte e dezenas de alcateias submetidas à autoridade do Supremo Alpha.Mas poder não significava prosperidade.E, havia sete anos, Valcrest parecia ter esquecido como prosperar.Theron estava diante de uma janela aberta quando o terceiro mensageiro daquela manhã terminou o relatório.O homem falava sobre a região de Halvern, ao noroeste, onde os reservatórios artificiais haviam caído abaixo da metade do nível considerado seguro. A distribuição de água para plantações seria reduzida novamente naquela semana, e duas aldeias já estavam restringindo o consumo doméstico durante parte do dia.Theron não interrompeu.Também não precisava olhar para o mapa.Conhecia cada ponto.Havia
O xamã caminhou até ela e estendeu a tocha.— Majestade.Evelyn olhou para o fogo.Depois para Magnus.Sua mão demorou um segundo antes de fechar ao redor da madeira.Lorian permaneceu ao lado dela.Maura e Orven estavam atrás.Vlaus.Darek.Todos ali.E nenhum deles tentou dividir com Evelyn aquilo que pertencia a ela fazer.A nova soberana entregava o antigo rei ao fogo.Evelyn desceu os primeiros degraus.O som de seus passos sobre a pedra pareceu alto demais.Aproximou-se da pira.O calor da pequena chama alcançava seus dedos.Nada comparado ao que viria.Parou diante de Magnus.O rosto dele continuava tranquilo.Ela teve vontade de dizer alguma coisa inteligente.Algo digno de um rei.Algo que os livros pudessem registrar.Não encontrou.Magnus nunca precisara de palavras perfeitas dela.Então não fingiu.Inclinou levemente a cabeça.— Descanse, velho teimoso.A garganta apertou.Evelyn respirou.— Eu termino daqui.Abaixou a tocha.O fogo tocou a madeira.Por alguns segundos, qu
O cortejo começou.As ruas da capital estavam tomadas.Pessoas se alinhavam dos dois lados sem ultrapassar as barreiras formadas pelos guardas. Algumas seguravam flores. Outras traziam pequenas faixas de Asterion. Muitas simplesmente permaneciam com as mãos sobre o peito.O silêncio era mais pesado do que qualquer grito.Evelyn caminhava logo atrás do esquife.Lorian ao seu lado.Ela percebeu quando o jovem começou a olhar para as primeiras fileiras de autoridades posicionadas próximas à avenida principal.Um rei.Dois Alfas.Representantes de grandes Casas.Então ele se lembrou.Virou para o outro lado.Ali havia uma senhora muito velha chorando enquanto segurava o braço de um homem mais jovem.Mais adiante, três soldados aposentados fizeram continência quando Magnus passou.Uma menina colocou uma flor no chão.Lorian observou.Evelyn não precisou dizer nada.Ele entendera.O cortejo demorou.Não por distância.Porque Asterion precisava daquele tempo.Quando chegaram ao campo cerimon
Durante dois dias, Asterion passou diante de Magnus Arden.O corpo do antigo rei foi preparado segundo as tradições da Coroa e colocado no grande salão, não sobre o trono, mas diante dele, para que qualquer pessoa que desejasse se despedir pudesse fazê-lo sem precisar atravessar os espaços reservados à nobreza. Magnus usava as vestes formais de soberano, as mãos repousavam sobre o abdômen e, junto ao corpo, haviam colocado a espada cerimonial que carregara durante boa parte do reinado.Evelyn não permaneceu ali durante todas as horas.Não conseguiria.Entrara na primeira manhã, ficara alguns minutos observando aquele rosto imóvel e saíra quando percebeu que começava a esperar que ele abrisse os olhos para reclamar de alguma coisa.Depois disso, deixou Magnus para Asterion.E Asterion veio.Vieram soldados velhos que haviam servido sob suas ordens décadas antes. Mulheres com crianças nos braços. Agricultores. Comerciantes. Famílias inteiras. Pessoas de Haren. Delegações de cidades dist







