Compartir

Capítulo 4

last update Fecha de publicación: 2025-10-25 22:30:39

Capítulo 4

— Porra, Salvior! — Hector esbravejou, as mãos apertadas em punhos ao lado do corpo, sua voz ecoando no salão agora quase vazio. — Se tudo já estava resolvido, porque cargas d’água me chamou aqui? Eu estava no meio do meu único dia de descanso da semana!

Salvior, que já se afastava do capitão dos bombeiros, voltou-se com um sorriso despreocupado que só aumentou a irritação do amigo. Ele encostou-se na borda de uma mesa, cruzando os braços.

— Calma, tempestade. Está tão nervosinho que até esqueceu que é meio-dono deste lugar. E para responder sua pergunta, te chamei por dois motivos. Primeiro, para o capitão Breed ver que o proprietário leva a segurança do estabelecimento a sério, mesmo que seja um alarme falso. Imagem é tudo. E segundo... — Seu sorriso se tornou amplo e curiosamente juvenil. — Para você me contar como foi a noite de ontem. Em detalhes.

Hector ficou paralisado por um segundo, a fúria dando lugar a uma desconfiança aguda. Ele seguiu Salvior, que agora se dirigia com passos leves para o escritório no andar superior.

— Para você me contar como foi a noite de ontem. — Salvior confessou, e pela primeira vez Hector percebeu um tom ligeiramente envergonhado sob a fachada de descontração. Era um tom raro, que só aparecia quando Salvior estava realmente ansioso por uma informação.

Hector o seguiu pela escada de metal, sua indignação e raiva se transformando em uma sensação de desconforto. Ele sentiu as tábuas de madeira do corredor superior rangirem sob seus pés, um som familiar que hoje parecia acusador.

— Agora conta tudo. — Insistiu Salvior, abrindo a porta do seu próprio escritório e entrando, deixando a porta aberta para Hector.

— Meu Deus! Como ele é fofoqueiro. — Hector pensou, balançando a cabeça negativamente enquanto atravessava a soleira. — Mas não tem nada pra eu te contar. Apenas a levei para casa, como qualquer cavalheiro faria.

— Ahh, Hector, conta outra! — Salvior esbravejou, caindo pesadamente em sua cadeira de couro. — Você acha que eu não conheço aquela sua cara de ‘acordei com o travesseiro do lado errado’? É a mesma cara de quando você fica remoendo algo. Ou alguém.

— Não comece, Salvior. — A voz de Hector soou mais cansada do que ele gostaria.

— Vejo que está estressadinho. — A boca de Salvior curvou-se em um sorriso travesso. — A cama ficou muito quente para dormir? A noite foi... longa demais?

“Filho de uma mãe.” Hector pensou, amaldiçoando um de seus melhores amigos. Ele sabia. Claro que sabia. Hector havia deixado a boate com Theresa, não era segredo. Mas o que Salvior não podia imaginar, o que Hector mal conseguia admitir para si mesmo, era que ele tinha ficado de pau duro a noite toda, deitado na cama fria, o corpo tenso, a mente invadida por imagens vívidas e proibitivas. Imagens de como ele foderia a filha de seu melhor amigo, se as barreiras do dever e da honra não existissem. A memória do perfume dela no carro, o som suave de sua respiração, a curva de seu pescoço sob a luz do luar, tudo se transformara em uma tortura deliciosa e incessante.

— Vai, anda logo, desembucha, homem. — Salvior implorou, inclinando-se para a frente com o olhar brilhante de expectativa, feito uma criança diante de uma guloseima proibida. — Só um detalhe. Um mísero detalhe. Ela estava bem? Conversaram no caminho?

— Não. — Hector respondeu secamente, virando-se para olhar pela janela envidraçada que dava para o salão vazio. A negativa soou oca, até para seus próprios ouvidos.

— Ahhh, inferno! — Salvior praguejou, batendo a mão aberta na mesa. A expressão era de insatisfação genuína, a frustração de quem teve uma história saborosa negada. — Mas se você não quer me contar é porque aí tem coisa. Algo aconteceu. Ela disse algo? Você disse algo?

— Não tem nada não, você pode ir parando de ficar pensando demais. A sua imaginação é mais fértil que o solo da Amazônia. — Hector tentou disfarçar com um tom de brincadeira, mas sua voz soou tensa.

— Que nada. Só estou analisando o que está na cara. — Salvior insistiu, o olhar perspicaz percorrendo o rosto do amigo, buscando uma fenda na armadura. — Você está diferente. Tenso. E é uma tensão específica, do tipo que dá quando a gente vê algo que quer muito mas não pode ter.

A frase atingiu Hector como um golpe físico. Ele se virou de repente, a sombra da janela cobrindo parcialmente seu rosto.

— Vou para o meu escritório. — Declarou, a voz um comando baixo. — Se tiver mais alguma coisa importante — ele enfatizou a palavra — relacionada à boate — outra ênfase — só me chamar.

Ele saiu sem esperar por uma resposta, fechando a porta do escritório de Salvior com um clique suave que era mais definitivo que um golpe. No corredor, a respiração falhou por um segundo. Sua mente, um turbilhão, repetia as palavras de Salvior: “o que está na cara”. Se estava assim tão óbvio para Salvior, que era como um irmão, mas também um dos homens mais perceptivos que conhecia, será que outros notariam? Será que o próprio Johan, seu amigo de infância, o pai dela, perceberia o olhar pecaminoso que ele não conseguia mais controlar quando via Theresa?

Caminhou até a porta de seu próprio escritório, no final do corredor. A chave girou na fechadura com um som metálico que ecoou no lugar.

Continúa leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la App

Último capítulo

  • Resgatada pelo CEO Proibido    Capítulo 52

    Capítulo 52Seis meses depois.O mar estava calmo naquela tarde de primavera, como se o próprio oceano tivesse decidido respeitar o momento. As ondas quebravam suavemente contra as pedras da pequena enseada particular, produzindo um som constante e tranquilizador que parecia embalar o mundo inteiro. O céu exibia um azul profundo, quase irreal, salpicado de nuvens brancas que deslizavam preguiçosamente.Hector Silva estava de joelhos na mesma varanda da casa de praia onde tudo havia começado de verdade.Seis meses haviam se passado desde a noite em que Johan os confrontara. Seis meses de conversas difíceis, de silêncios pesados, de jantares tensos em que ninguém sabia exatamente o que dizer. Seis meses em que Johan aprendera, aos poucos e com dor, a olhar para a filha e para o homem que fora seu melhor amigo sem sentir a facada da traição no peito. Não estava tudo bem. Ainda não. Mas estava melhor. Estava curando.E agora, ali estavam eles.Theresa Michaels estava de frente para ele, v

  • Resgatada pelo CEO Proibido    Capítulo 51

    Capítulo 51Três semanas de silêncio absoluto de Johan.Vinte e um dias sem uma mensagem, sem uma ligação, sem qualquer sinal de vida além de um curto “estou bem” enviado para Theresa no quarto dia. Três semanas em que a casa dos Michaels pareceu ter sido engolida por um vazio frio e pesado. Três semanas em que Theresa emagreceu quase quatro quilos, as roupas começando a ficar largas em seu corpo, os olhos permanentemente inchados e com olheiras profundas. Ela mal conseguia comer. Dormia pouco. Passava as noites encolhida nos braços de Hector, chorando até não ter mais lágrimas.Hector, por sua vez, mal dormia. Passava as madrugadas olhando para o teto, uma mão sempre sobre o corpo de Theresa como se temesse que ela pudesse desaparecer. Ele havia emagrecido também. As linhas de tensão ao redor de seus olhos estavam mais profundas. O homem que sempre fora sinônimo de controle agora carregava uma culpa que o consumia por dentro como ácido.Albia aparecia todos os dias.Às vezes de manhã

  • Resgatada pelo CEO Proibido    Capítulo 50

    Capítulo 50Theresa sentiu o sangue sumir do rosto. Suas mãos começaram a tremer sobre o colo. Hector permaneceu imóvel, mas seus olhos escureceram.Johan inclinou-se ligeiramente para frente, os cotovelos sobre a mesa, olhando alternadamente para os dois.— Vocês dois estão dormindo juntos?O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor.Parecia que o ar havia sido sugado da sala. O tique-taque do relógio antigo na parede soava como tiros. Theresa sentiu o coração martelar contra as costelas com tanta força que tinha certeza de que os dois homens podiam ouvir.Nenhum dos dois respondeu de imediato.Johan esperou. Seus olhos, idênticos aos da filha, estavam cheios de uma dor que cortava mais fundo do que qualquer raiva.— Eu fiz uma pergunta — insistiu ele, a voz rouca. — Vocês dois estão dormindo juntos? Sim ou não?Theresa sentiu as lágrimas queimarem em seus olhos. Sua garganta estava fechada. Ela olhou para Hector, buscando força. Ele sustentou seu olhar por um segundo, depois virou-se

  • Resgatada pelo CEO Proibido    Capítulo 49

    Capítulo 49Johan convidou os dois para jantar na noite de sexta-feira.A mensagem chegou pelo celular de Theresa às onze e quarenta e três da manhã, simples e direta:“Quero vocês dois aqui em casa hoje às 20h. Para celebrar o fim dessa merda. Sem desculpas.”Theresa leu a mensagem três vezes antes de mostrar o celular a Hector, que estava ao seu lado na cama, ainda sem camisa, o corpo marcado pelos arranhões leves da noite anterior. Ele leu em silêncio, o maxilar travando visivelmente.— Ele sabe — murmurou Hector, devolvendo o telefone. — Ou pelo menos desconfia o suficiente para querer nos ver juntos.Theresa sentiu um frio na barriga. Fazia quase dez dias desde a explosão no apartamento. Dez dias de silêncio absoluto da parte de Johan. Nenhuma ligação, nenhuma mensagem, nenhuma visita. Agora, de repente, um convite para jantar. “Para celebrar o fim dessa merda”, como ele mesmo dissera. As palavras soavam quase sarcásticas.— O que a gente faz? — perguntou ela, a voz baixa.Hector

  • Resgatada pelo CEO Proibido    Capítulo 48

    Capítulo 48Provas contra Marcus chegaram como uma avalanche silenciosa.Tudo começou com um pen drive entregue por um mensageiro anônimo na delegacia central, às seis e quarenta e três da manhã de uma sexta-feira. Dentro dele havia gravações de áudio cristalinas, extratos bancários com transferências cifradas, mensagens de texto recuperadas de um celular descartável e até uma filmagem de baixa qualidade, mas identificável, mostrando Marcus entregando o envelope a Diego no porto.Hector havia passado três dias sem dormir direito. Ele, Salvior e dois investigadores particulares que trabalhavam exclusivamente para ele haviam rastreado cada centavo, cada ligação, cada movimento de Marcus nas últimas semanas. Não foi fácil. Marcus era cauteloso, mas arrogante. E arrogância sempre deixa rastros.Às nove e dezessete da manhã, Hector enviou o material de forma completamente anônima através de um advogado terceirizado que não tinha qualquer ligação formal com ele. Não queria seu nome ligado à

  • Resgatada pelo CEO Proibido    Capítulo 47

    Capítulo 47Eles não confessaram. Ainda não.Hector mentiu com a frieza profissional de quem já havia enfrentado crises muito maiores do que aquela. Seu rosto permaneceu impassível, a voz controlada, quase clínica, enquanto sustentava o olhar furioso de Johan do outro lado da sala.— Não é o que você está pensando, Johan — disse ele, a voz grave e firme, sem qualquer tremor. — Eu trouxe Theresa para casa aquela noite porque ela estava destruída depois de pegar o Ryan traindo ela. Eu fiquei no quarto de hóspedes. Só isso. Não há nada mais acontecendo aqui.As palavras saíram tão convincentes que, por um segundo, até Theresa quase acreditou nelas. Mas Johan não era idiota. Seus olhos, afiados como lâminas, percorreram os dois novamente: a camisa de Hector ainda mal abotoada, o robe de Theresa amassado, o ar carregado de algo íntimo e proibido que nenhuma mentira conseguia apagar completamente.Johan soltou uma risada curta, amarga, cheia de dor.— Você realmente acha que eu vou acredita

Más capítulos
Explora y lee buenas novelas gratis
Acceso gratuito a una gran cantidad de buenas novelas en la app GoodNovel. Descarga los libros que te gusten y léelos donde y cuando quieras.
Lee libros gratis en la app
ESCANEA EL CÓDIGO PARA LEER EN LA APP
DMCA.com Protection Status