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O Rebelde e a Cidade Das Lanternas

last update Petsa ng paglalathala: 2026-10-08 08:41:28

Uma semana havia passado e, com ela, Althea havia aprendido um pouco sobre as leis de Valthera e sobre como funcionava o reino. Ainda assim, ela não conseguia pregar os olhos.

O quarto real era vasto demais, e o silêncio dos corredores parecia sussurrar avisos de perigo. Quando a noite avançou, ela abandonou a cama e saiu para caminhar. Em Valthera, as noites eram longas e calmas, o céu tingido por um azul profundo enquanto as quatro luas mantinham sua marcha silenciosa.

Ao dobrar o corredor da ala oeste, encontrou Liam encostado em uma coluna de mármore, os braços cruzados e um olhar divertido. Desde que chegara, ela não havia falado muito com ele nem com os outros três. Althea ainda não conseguia acreditar em tudo o que estava acontecendo.

Ela passou por ele e achou que ele não a notaria, mas ele notou.

— As rainhas não dormem? — perguntou ele, arqueando uma sobrancelha.

Althea suspirou, cruzando os braços para tentar se aquecer do ar gélido do palácio.

— Eu não me sinto uma rainha, Liam... Eu só me sinto completamente perdida.

O sorriso provocador dele desmoronou devagar, dando lugar a um olhar inesperadamente brando.

— A cidade lá fora pode te ajudar com isso. Vem comigo. Vou te mostrar Valthera de verdade, longe dos protocolos e dos joelhos dobrados.

— Mas por que essa mudança agora?

— Continuo o mesmo. A diferença é que eu não aguento mais ver você com essa cara triste.

— Acho que o Kael não vai gostar disso. Ele não quer que eu saia do palácio sozinha.

— Deixa que com ele eu me entendo depois. Vem comigo. Ou prefere continuar trancada aqui?

Ela hesitou por um segundo. Havia algo perigoso em Liam, mas também uma leveza acolhedora da qual ela precisava desesperadamente para não enlouquecer.

Eles deixaram o palácio por uma passagem discreta, alcançando um alto mirante de pedra que se debruçava sobre o vasto vale da capital. O reino era banhado pelo brilho constante dos minerais das montanhas e pela iluminação exótica de Aethelis, a estrela ancestral daquele mundo que já repousava sob a linha do horizonte enquanto as luas dominavam o céu.

— O céu de vocês... não tem nuvens? — observou Althea, franzindo a testa ao encarar a amplidão limpa e escura.

— Nuvens? Não como no seu antigo mundo, até tem alguns nevoeiros, mas nuvens não! — Liam aproximou-se, parando ao lado dela e apontando para os grandes canais de água cristalina que cortavam o vale abaixo. — Olha lá.

O vento da montanha soprou com força, mudando de tom e emitindo um assobio grave. Althea prendeu a respiração quando a água do canal central começou a espiralar. A brisa ergueu colunas colossais de água que subiram em direção ao céu como verdadeiras trombas d'água fluidas e luminosas.

Essas colunas giratórias não se desfaziam. Elas se entrelaçavam no ar, moldando-se em formas orgânicas e fascinantes — arcos, espirais e molduras celestes que lembravam esculturas vivas flutuando na escuridão antes de se dispersarem em uma garoa fina sobre os bairros da cidade.

— O que é aquilo?! — perguntou ela, maravilhada e perplexa.

— Chamamos de Vaults — explicou Liam, os olhos fixos na reação dela. — Como não temos nuvens para acumular umidade, são as Vaults que trazem a chuva. O vento se envolve com a água das fontes sagradas e ergue essas trombas celestes. Antes de expelirem a chuva sobre as terras, elas dançam e formam esses desenhos únicos. Nenhuma Vault é igual à outra.

— É lindo... e completamente louco — admitiu ela, sentindo os respingos sutis da chuva trazida pelas Vaults tocarem seu rosto.

— É Valthera — disse ele suavemente. — Um mundo novo, diferente de tudo o que você conhecia, mas que foi feito para você.

Althea olhou para ele, notando como a luz prateada das quatro luas e o reflexo das Vaults destacavam os traços marcantes do rosto de Liam.

— Eu perdi tudo em pouco tempo... Minha avó morreu nos meus braços, minha vida comum acabou... E vocês esperam que eu simplesmente aceite e confie em quatro estranhos.

Liam aproximou-se mais um passo. A distância entre eles tornou-se febril. O olhar dele baixou por uma fração de segundo até os lábios dela, retornando aos seus olhos com uma intensidade devoradora.

— Eu não espero que você confie em nós, Althea. Eu só... espero que você me dê a oportunidade de provar que não precisa sentir medo de mim.

O silêncio entre eles tornou-se denso, carregado de uma tensão irresistível.

— Por que você se importa tanto? — perguntou ela, a voz quase sumindo.

— Porque você caiu neste mundo totalmente desarmada e, em vez de se quebrar em mil pedaços, continua de pé — disse ele, a voz grave. — E eu não sei fazer as coisas devagar... Muito menos com você. Você parece exatamente o tipo de problema lindo que eu escolheria ter.

Um calor intenso subiu pelo pescoço de Althea, mas ela não recuou um milímetro.

— Você costuma flertar assim com todas as mulheres que encontra?

Liam inclinou a cabeça, os olhos faiscando.

— Não. Só com as que me fazem esquecer, nem que seja por um segundo, que o nosso tempo está se esgotando.

Ele estendeu a mão aberta para ela.

— Aceita confiar em mim só por esta noite?

Althea olhou para a mão dele e, cedendo ao impulso, colocou seus dedos sobre os dele. Liam sorriu de canto, puxando-a para uma caminhada pelas ruelas iluminadas por lanternas azuis.

Lá em cima, no terraço de onde viam o palácio ao longe, Liam soltou a mão dela devagar, os dedos deslizando pela pele dela até o último segundo.

— Você fica ainda mais bonita quando esquece a dor e sorri — sussurrou ele, levando uma mecha do cabelo dela para trás da orelha.

Althea sorriu, um sorriso verdadeiro que iluminou seu rosto. E, naquele instante sob as Vaults e as quatro luas, Liam prometeu a si mesmo que faria o que fosse preciso para proteger aquele sorriso.

—

No alto da sacada superior do Palácio das Quatro Luas, Kael observava a cidade em silêncio.

Sua figura permanecia imóvel na escuridão, mas a linha de seu maxilar estava rígida como pedra.

Seth aproximou-se em passos silenciosos, parando ao lado do líder.

— Você permitiu que ele a levasse para ver a cidade?

— Ela precisava respirar sem o peso das nossas expectativas — respondeu Kael, a voz fria como a noite.

Raven emergiu das sombras do corredor, observando o céu e o movimento lento das Vaults que se desfaziam em chuva.

— Os dias passam rápido demais quando a contagem regressiva começa...

Kael fechou os olhos por um breve instante, sufocando qualquer emoção dentro do peito. Quando os abriu, as íris douradas brilhavam com uma determinação implacável.

— Mantenham o foco. Lembrem-se do motivo pelo qual fomos escolhidos e do que precisamos fazer quando o alinhamento das quatro luas acontecer.

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