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CAPÍTULO 6

Autor: Ara Pereira
last update Data de publicação: 2024-12-24 09:27:54

Após o banho, vesti uma roupa confortável, escovei os cabelos e fui para a cozinha preparar algo para comer.

Enquanto saboreava minha refeição, fui surpreendida por batidas na porta e ao abrir, vi Alex diante dos meus olhos.

A presença inesperada dele trouxe uma mistura de surpresa e curiosidade.

— Alex, o que faz aqui?

— Posso entrar?

Eu acenei com a cabeça concordando.

Alex entrou com cuidado e seus olhos observaram os meus com atenção.

Com gestos suaves, ele segurou carinhosamente meu queixo, notando os olhos vermelhos causados pelas lágrimas.

— Melissa, não permitirei que ninguém a faça chorar novamente dessa forma. Isso não deveria ter acontecido.

A lembrança dos eventos dolorosos ainda pesava no meu peito, e involuntariamente, lágrimas molharam novamente o meu rosto, a vulnerabilidade do momento era evidente, mesmo diante da presença reconfortante de Alex.

Ele percebendo as lágrimas em meu rosto, agiu com gentileza, limpando-as suavemente.

Em seguida, pediu que eu me arrumasse, pois tinha planos de me levar a algum lugar e mesmo sem muita vontade, decidi seguir suas instruções e fui pro meu quarto enquanto ele me aguardava na sala.

Eu fui escovar os dentes e depois fui escolher a roupa que eu usaria. A curiosidade sobre para onde ele me levaria competia com a cautela que as experiências recentes haviam causado.

Eu escolhi um vestido que marcava perfeitamente a minha cintura, eu estava tentando transformar a dor recente em uma expressão de beleza.

Com uma maquiagem leve eu procurei disfarçar os rastros das lágrimas, depois eu organizei novamente os cabelos e calcei as sandálias.

Ao sair do quarto, percebi o olhar fascinado de Alex, captando a transformação.

Alex se aproximou de mim, e seus olhos refletiram apreciação e carinho.

— Melissa, você está deslumbrante.

O elogio dele trouxe um toque de calor à noite, dissipando um pouco das sombras deixadas pelas experiências difíceis.

— Alex, você está muito próximo... Murmurei, sentindo uma proximidade intensa entre nós.

Ele olhou nos meus olhos e, com sinceridade, admitiu...

— Eu estou tentando conter a vontade de beijá-la.

A proximidade da respiração de Alex, tão próxima, fez minha pele arrepiar intensamente.

Cada centímetro entre nós pulsava com uma eletricidade palpável, a troca de calor e a respiração compartilhada criavam uma sensação de proximidade íntima.

O arrepio na pele era um eco das emoções intensas que permeavam o momento, enquanto a noite, carregada de expectativas e desejos contidos, continuava a desdobrar-se em uma dança emocional imprevisível.

Mesmo com a tensão palpável entre nós, Alex revelou que não poderia perder a linha naquele momento, pois tinha que me levar a um lugar específico, e ele se afastou, quebrando momentaneamente a intensidade do momento.

A compreensão de que havia outros planos naquele momento adicionou uma camada de complexidade à nossa interação, e a promessa de algo além do imediato criava uma antecipação ansiosa.

O afastamento de Alex, embora temporário, deixou no ar a promessa de um futuro desconhecido e emocionante.

Ao sair de casa acompanhada por Alex e entrarmos em um carro luxuoso, percebi o olhar atento dos vizinhos, e uma sensação de vergonha se instalou.

A ostentação do momento destacava-se no ambiente mais modesto ao redor.

Alex, atento às minhas emoções, percebeu a vergonha refletida em meu rosto.

O contraste entre os mundos, diante dos olhos dos vizinhos, me deixou desconfortável.

Alex, percebendo minha vergonha diante do olhar deles quebrou o silêncio.

— Amanhã, vou levá-la para morar em outro lugar, assim, não terá mais sua vida sendo comentada por ninguém.

A promessa de um novo lar, longe do julgamento alheio, trazia uma mistura de alívio e expectativa.

— Eu vou morar onde?

— No apartamento que eu prometi que te daria.

A rapidez com que a promessa de Alex iria ser cumprida quase parecia surreal, e uma onda de emoção tomou conta de mim.

Eu Mal podia acreditar que em tão pouco tempo, a promessa de um novo lar iria ser realizada.

Eu agradeci a Alex pela promessa cumprida e, em seguida, me mantive em silêncio durante o restante do percurso, pois o turbilhão de emoções internas pedia um momento de introspecção.

Ao pararmos exatamente em frente ao salão da qual fui humilhada, um nó se formou em minha garganta, o silêncio era carregado de memórias e significados, e o destino escolhido por Alex sinalizava que a noite não seria apenas sobre luxo, mas de justiça.

— O que viemos fazer aqui, Alex?

— Vou ensinar à dona do salão a nunca mais tratar ninguém da forma como você foi tratada, vamos descer, você vem comigo.

Seguindo a determinação de Alex, desci do carro com ele e entrei no salão ao seu lado.

A presença imponente de Alex ao meu lado era palpável, e o salão, que outrora me havia humilhado, agora se transformava em um palco onde justiça e confronto se encontrariam.

A dinâmica da noite assumia uma complexidade ainda maior, e eu me preparava para enfrentar não apenas as memórias dolorosas do dia, mas também para testemunhar as consequências das ações de Alex na busca por equidade e respeito.

O olhar penetrante da dona do salão e das clientes presentes se voltaram para nós, e ficou evidente que a dona estava nitidamente assustada.

A presença de Alex e minha entrada ao lado dele alteraram a dinâmica do salão, transformando-o momentaneamente em um cenário de confronto.

— Alex? O que te trás aqui?

Perguntou enquanto olhava pra mim desconfiada, mas logo em seguida voltou a encará-lo.

O fato dela ter o chamado pelo nome deixava evidente que já se conheciam, e eu fiquei intrigada.

A resposta de Alex foi direta...

— Quero você fora deste estabelecimento pela manhã.

No mesmo momento, uma revelação chocante me atingiu, Alex era o dono do estabelecimento.

A mulher olhou pra mim e pareceu perceber o motivo daquela decisão.

— Eu não sabia que você conhecia essa moça, Alex.

— É sua obrigação tratar bem qualquer pessoa.

— Desculpe, isso não irá se repetir.

— Não irá mesmo, pois você irá devolver o ponto comercial logo pela manhã.

— Você não pode fazer isso Alex, eu estou aqui há cinco anos, e nós renovarmos a pouco tempo o contrato.

— Eu faço questão de pagar a quebra do contrato, isso não será um problema.

— Alex, peço que você reconsidere, dificilmente eu irei conseguir um ponto comercial em um local tão bom e acessível.

Diante do desespero da mulher, Alex olhou pra mim, e imediatamente me deu autonomia pra tomar aquele decisão.

— Você decide Melissa, você permite que ela continue aqui?

A mulher olhou pra mim e se desculpou pela forma como me tratou, e ao receber as desculpas dela, mesmo que não parecessem sinceras, permiti que ela continuasse no estabelecimento.

A superficialidade do pedido de desculpas não alterou minha integridade, e eu escolhi seguir adiante, mantendo minha dignidade inabalável.

A decisão de permitir que ela continuasse refletia não apenas uma força interior, mas também uma compreensão de que, independentemente do tratamento recebido, minha identidade permanecia intacta.

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Último capítulo

  • SEJA MINHA AMANTE    FIM

    MELISSA *Eu mal podia acreditar no que estava acontecendo diante dos meus olhos. Alex se ajoelhou lentamente, como se aquele momento fosse sagrado, e com um brilho intenso no olhar, tirou uma pequena caixinha de veludo do bolso. O tempo pareceu parar. Meu coração disparou como nunca antes, minhas mãos começaram a tremer e, sem que eu pudesse evitar, lágrimas de emoção se acumularam nos meus olhos, nublando minha visão."Melissa, você aceita se casar comigo?", ele perguntou, com um sorriso radiante no rosto, a voz carregada de sentimento e esperança.Era como se eu estivesse vivendo um sonho do qual nunca quisesse acordar. Por um instante, o mundo ao nosso redor desapareceu. O barulho das pessoas no parque, as folhas das árvores balançando ao vento, os passarinhos cantando ao longe... nada mais existia além de nós dois.Eu olhei para Alex, aquele homem que havia sido meu porto seguro nos momentos mais difíceis, meu melhor amigo nos dias de alegria e minha fortaleza quando tudo pareci

  • SEJA MINHA AMANTE    CAPÍTULO 50

    Contar pra Melissa tudo o que aconteceu em dois anos, doeu em mim, parecia que eu estava mexendo em uma ferida ainda não cicatrizada, relembrar de toda a situação em que tentei ser forte por nós dois me fez querer morrer, mas tentei não demonstrar isso pra ela, afinal ela estava viva, ela havia voltado pra mim, mesmo sendo desenganada pelos médico.Parecia que eu estava em um sonho e por um breve momento eu tive medo de acordar, eu tive medo de abrir os meus olhos e encontrar a Melissa de olhos fechados e respirando com a ajuda de aparelhos, demorou um tempinho pra ficha cair e eu perceber que ela realmente estava de olhos abertos, comemorando a notícia de que havia passado no curso de medicina.Eu fiquei me perguntando se as coisas finalmente iriam dar certo, e finalmente nós iríamos poder ficar juntos pra sempre, sem a interferência de ninguém.Durante os dois anos de agonia e incerteza, meu amor por Melissa nunca vacilou. Era como se cada batida do meu coração fosse um lembrete con

  • SEJA MINHA AMANTE    CAPÍTULO 49

    ALEX*Eu carregava a esperança fervilhante de que Melissa despertasse naquela mesma semana. Uma ansiedade transbordante habitava meu ser, ansioso por compartilhar com ela a notícia de que ela havia passado no exame de medicina. No entanto, essa novidade permaneceu reclusa em meu coração, endurecido por dois longos anos. Durante todo esse tempo, todas as possibilidades de Melissa acordar, todas as esperanças, foram arrancadas de mim. — Eu sinto muito Alex, mas não existe nenhuma possibilidade de recuperação.— Não doutor, tem que haver um jeito, o senhor não pode desistir dela.Falei completamente transtornado pela notícia.— Infelizmente isso está muito além do meu domínio. Eu sinto muito.O fato de eu não ser o marido de Melissa, retirava de mim todos os direitos de decidir sobre sua vida, deixando essa responsabilidade aos pais dela. No entanto, durante todo esse tempo, eles pareciam ignorar a condição da filha, e pra eles foi muito fácil tomar a decisão de matá-la.— Por favor, n

  • SEJA MINHA AMANTE    CAPÍTULO 48

    Eu não sabia quem chorava mais, se era eu ou se era ele, mas eu tinha certeza que depois disso, eu nunca mais iria querer sair do lado dele.Que homem ficaria dois anos ao lado de uma mulher que ele não sabia se iria acordar ou não? Aquilo era o tipo de amor que eu iria querer pra vida.— E os meus pais? Como eles ficarem depois de você conseguir isso?— Eles fizeram eu assinar um termo me responsabilizando por você e nunca mais voltaram aqui.— Você está falando sério?— Eu sinto muito por isso meu amor.— Isso não é uma novidade pra mim Alex, eu nunca fui amada por eles, essa é a verdade.— Mas em mim tem amor de sobra.Ele falou enquanto fazia carinho no meu rosto.— E a Camila ainda está presa depois de tanto tempo?— Não.— A justiça desse país só é rígida com gente pobre, rico consegue se livrar muito rápido de tudo.— Mas não foi por causa disso Melissa.— Foi porque então?— Ela se matou dentro da prisão.Eu fiquei imóvel encerando o Alex, eu estava tentando absorver aquela in

  • SEJA MINHA AMANTE    CAPÍTULO 47

    MELISSA*A gente não se lembra do nosso primeiro choro ao sair do ventre da nossa mãe, nós não sabemos a sensação, não sabemos do sentimento que é conhecer o mundo pela primeira vez, mas naquela fração de segundos em que eu abri os meus olhos, eu pude compreender a importância da vida, afinal eu estava viva, mas comecei a engasgar e não havia ninguém ao meu lado, talvez eu tivesse que compreender que seria assim o resto da minha vida, talvez não fizesse parte dos planos do meu destino que eu tivesse alguém ao meu lado, eu me desesperei, eu estava assustada, mas então a porta se abriu, e o Alex entrou assustado, mas logo vi um sorriso emocionado, uma felicidade contida, mas que dava para perceber perfeitamente através do olhar dele.— Meu Deus! Você acordou, você acordou meu amor.Ele correu e começou a gritar pelo médico, e logo o médicos e os enfermeiros entraram no quarto.O médico tirou os aparelhos respiratórios de mim, e o olhar dele era de surpresa, eu havia me formado em 18 te

  • SEJA MINHA AMANTE    CAPÍTULO 46

    Em coma, o amor da minha vida estava respirando com a ajuda de aparelhos.Eu cheguei no hospital desesperado, esperei até o fim da cirurgia, virei a noite no hospital, e esperei ela acordar, mas ela não acordou.A culpa tomou conta de mim de uma forma avassaladora, eu havia entrado na vida daquela garota apenas pra trazer sofrimento, dor, e talvez a morte.— Alex, você precisa ir pra casa, você também passou por uma cirurgia recente, não pode ficar aqui.— Eu não vou a lugar nenhum, Matheus.Falei aos soluços.Eu nunca havia chorado tanto na minha vida, e poderia até ser ridículo pra um homem da minha idade ficar daquela forma, eu preferia estar no lugar dela, do que vê-la passando por tudo aquilo.Do lado de fora do hospital estava cheio de repórteres, eles pareciam urubus atrás de notícias, e o meu advogado falou pro Matheus que do lado de fora da delegacia também haviam vários deles atrás de confirmar as informações que eu havia passado.— Aquela mulher vai pagar por tudo Matheus,

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