Se connecterVictor baixou os olhos por um instante.Quando voltou a encará-la, sua expressão era séria, mas respeitosa.— Eu posso dizer tudo isso para ela.Elisa assentiu, esperançosa.Victor continuou.— Mas acho que a senhora precisa entender uma coisa.Ela o observou.— A Bárbara passou a vida inteira procurando alguém que a escolhesse. E hoje descobriu que a pessoa que ela mais queria que a escolhesse esteve ao lado dela esse tempo todo.Elisa fechou os olhos.— Eu sei...— Ela não vai conseguir entender isso hoje. Talvez nem amanhã.Victor olhou para a porta.— E eu não vou pedir que ela entenda.Elisa chorou silenciosamente.— Só não deixa ela pensar que não merece amor... — implorou.Victor voltou a olhar para ela.— Isso eu posso prometer.Soltou delicadamente o braço.— Porque eu amo sua filha. E não vou deixá-la enfrentar essa dor sozinha.Elisa cobriu a boca com a mão.Victor fez um breve aceno de cabeça.Então se virou e saiu.A porta se fechou atrás dele.Por alguns segundos, ningué
Elisa a observou, incapaz de responder.— Eu ouvi sua história. Ouvi o que aquele homem fez com a senhora. Ouvi como passou fome comigo nos braços. Como teve medo de me perder. Eu ouvi tudo.As lágrimas voltaram a escorrer.— E eu reconheço isso. Reconheço que a senhora lutou para me manter viva. Que me alimentou, me protegeu, fez coisas que eu nem consigo imaginar para que eu pudesse crescer.Elisa assentiu, chorando.— Mas depois, mãe?A pergunta fez Elisa erguer o rosto.— E depois?Bárbara apontou ao redor.— Quando a senhora conheceu o Felipe? Quando se casou? Quando teve a Laura? Quando eu cresci e comecei a fazer perguntas? Quando já não era mais aquela mulher desesperada, sem dinheiro para comprar uma lata de fórmula?Elisa permaneceu em silêncio.— A senhora continuou com medo de Rodolfo, eu sei. Mas ele morreu. E depois que ele morreu?Felipe abaixou os olhos.— Depois que aquele homem não podia mais nos ameaçar, por que a senhora não contou?Elisa abriu a boca.— Porque...
Laura deixou escapar uma risada chorosa.— Estou tentando ser madura. Não estraga.Por um segundo, alguma coisa muito pequena rompeu o peso da sala.Depois Laura voltou a ficar séria.— Eu não sabia.— Eu sei.— Se soubesse...Laura parou.Porque não sabia terminar aquela frase.Bárbara percebeu.— Você teria feito o quê?Laura enxugou o rosto.— Não sei. Não vou fingir que, se tivesse descoberto isso ontem, nós duas teríamos virado melhores amigas instantaneamente. Provavelmente teríamos brigado em cinco minutos.Um sorriso triste passou pelo rosto de Bárbara.— Provavelmente.Laura respirou fundo.— Mas eu teria sabido que tinha uma irmã.A frase fez o sorriso desaparecer.— E você teria crescido sabendo que também tinha uma.Bárbara fechou os olhos.Laura deu um pequeno passo, mas não se aproximou mais.— Não vou pedir para você me chamar de irmã hoje. Nem amanhã. Nem sei o que eu mesma vou fazer com tudo isso quando sair desta sala.Olhou para Elisa por um instante antes de voltar
Felipe abriu a boca, sem encontrar uma resposta que não tornasse tudo ainda pior.Elisa interveio.— Ele quis que eu interrompesse a gravidez.Laura ficou completamente imóvel.Por um instante, Edgar teve a impressão de que ela sequer havia compreendido a frase.Então seus olhos se encheram.— Você queria que eu fosse abortada? — perguntou ao pai.Felipe baixou a cabeça.— Laura, eu...— Meu Deus...Ela levou a mão à boca.Edgar se levantou imediatamente quando percebeu que a esposa também tentava ficar de pé.— Vem cá, meu amor.Laura não discutiu.Apenas se deixou envolver pelos braços dele.— Eu não sabia... — murmurou contra o peito dele.Edgar acariciou os cabelos dela.— Eu sei.— Eu achei que...A frase morreu antes de terminar.Ele a abraçou com mais firmeza.— Você não precisa falar nada agora.Elisa chorava.— Mas eu não aceitei — continuou. — Porque Laura não tinha culpa dos nossos erros. Assim como Bárbara não tinha culpa do crime de Rodolfo.Laura permaneceu nos braços de
O nome fez Bárbara estremecer.— Ele tinha uma obsessão por mim. Eu não queria nada com ele. Nunca quis. Só que começou a emprestar dinheiro para meu pai. Um empréstimo depois do outro, até ele não conseguir pagar.Bárbara já parecia saber o que viria.— Não...— Meu pai me entregou a Rodolfo como pagamento.— Não...— Entregou. E Rodolfo sabia exatamente o que estava fazendo. Armou aquilo. Sabia que meu pai nunca conseguiria pagar.— Para...— Bárbara...— Para.Elisa obedeceu.Por alguns segundos, apenas o choro baixo de Bárbara foi ouvido.Então ela mesma perguntou:— Ele fez aquilo com você outra vez?Elisa demorou a responder.— Fez.Bárbara fechou os olhos.— Mais de uma vez?Elisa assentiu, incapaz de pronunciar qualquer palavra.Bárbara levou as duas mãos ao rosto.Victor deu mais um pequeno passo.Ela não recuou dessa vez.Mas ele ainda não a tocou.— Eu consegui fugir depois de um mês — Elisa continuou. — E pouco tempo depois descobri que estava grávida.Bárbara baixou lenta
Elisa perdeu o pouco controle que ainda tinha.— Porque você estava com fome! Porque eu não tinha leite! Porque não tinha dinheiro para comprar uma lata de fórmula para minha filha! Porque seu pai estava atrás de mim e eu estava apavorada com a possibilidade de ele encontrar você!Bárbara começou a chorar ainda mais.— Então assumiu a vida dela.— Assumi.— O nome dela.— Sim.— O homem dela.Elisa hesitou.— Sim.— E depois teve a Laura. E assumiu ela.A dor atravessou o rosto de Elisa.— Eu errei com Laura também.Laura permaneceu imóvel.Elisa virou o rosto para ela.— Registrei você usando a identidade da minha irmã. Deixei que crescesse acreditando que eu era Érica. E não existe justificativa capaz de apagar isso.Os olhos de Laura se encheram.— Então até o nome da minha mãe era mentira.— O nome era. — Elisa engoliu o choro. — O amor nunca foi.Laura desviou o rosto.Edgar percebeu que ela estava tentando conter as lágrimas.Aproximou-se e passou a mão delicadamente por suas co







