FAZER LOGINEu deitei querendo dormir como pedra aquela noite, mas não pude negar que meus pensamentos ficaram vagando para o vizinho safado dela. Jack era lindo, mas não era isso que chamava minha atenção, ele tinha uma áurea de mistério, algo muito bem escondido. Aquelas tatuagens que se perdiam onde começava sua jaqueta, mas que de certa forma eu sabia que havia uma infinidade delas debaixo de suas roupas.
Meu corpo se esquentava apenas em pensar em como deveria ser o corpo dele pelado e repleto de desenhos, padrões e cores. Mas me repreendi por isso, não devia ficar fantasiando com homens a essa altura da vida, foi por causa disso que acabei onde estou hoje, grávida, desempregada e sozinha.
A única coisa que eu não me arrependia era de ter meu filho, sempre sonhei em ser mãe e nenhum macho babaca me tiraria o prazer disso.
Continuei com os pensamentos incessantes, parecia que a madrugada era o melhor horário para se pensar sobre a vida e os problemas, porque eu simplesmente não conseguia desligar minha mente.
Não sei a que horas consegui pegar no sono, mas fui acordada de supetão quando o ronco do motor soou, eu pulei em pé na cama encarando todos os olhos, meu coração pulava a milhão e eu tinha certeza que iria matar alguém. Meus olhos ainda estavam pesados de sono e eu só queria dormir, não me importava que horas eram.
Por isso me ergui da cama com rapidez e abri a janela com fúria.
— Desliga essa merda! — gritei chamando sua atenção, não sei como ele tinha conseguido ouvir minha voz com aquele barulho tão perto, mas ele ergueu o olhar no mesmo instante e ficou me olhando sem fazer nada. — Vai desligar ou o que? Tem gente querendo dormir aqui! — Jack mordeu os lábios e sacudiu a cabeça em uma negativa, erguendo suas mãos atrás da sua cabeça, como se dissesse que não faria nada. — Vai querer mesmo que eu desça ai?
Quando falei isso ele virou a chave, desligando a moto no mesmo segundo.
— Não, nem pense em descer aqui assim, quero manter esse show só para mim. — sua voz grossa me atingiu e seus olhos desceram por meu corpo.
Foi ai que me dei conta que não estava usando nada, eu gostava de dormir nua, só tinha esquecido desse pequeno detalhe quando pulei da cama. Levei meus braços tampando meus seios apertados, mas aquilo só pareceu chamar ainda mais sua atenção. Eu sei, eu tinha seios fartos, enormes de verdade e isso atraia muito a atenção de alguns homens.
Jack desceu os olhos analisando meus seios agora apertados, eu conseguia tampar meus mamilos e boa parte deles, mas isso não os impedia de aparecer um pouco por cima.
— Melhor você entrar de uma vez, antes que eu suba até ai para te dar bom dia de perto. — eu engoli em seco com aquela ameaça que mais parecia uma promessa de prazer.
Parte de mim queria se manter ali e ver se ele faria isso mesmo, queria saber o que o vizinho tatuado teria coragem de fazer, o quão safado ele realmente era. Mas a parte sensata em mim, me fez se afastar lentamente da janela até que alcançasse a cama.
Eu me sentei com a respiração descompassada e o corpo parecendo em combustão. Que merda era aquela? Eu podia culpar os hormônios, mas nem mesmo sei se era puramente verdade.
Meus seios agora estavam pesados, querendo atenção e havia um incomodo entre minhas pernas, me obrigando a apertar uma coxa contra a outra em busca de alivio.
Esse homem era mesmo um perigo para a sanidade de qualquer mulher!
Não resisti em dar mais uma espiadinha, torcendo para conseguir vê-lo mais uma vez, mas não tinha nem sombra dele quando olhei pela janela, a moto continuava estacionada na frente da sua casa era o único sinal de que ele ainda não havia saído.
— Volte a terra Alicia! — sacudi a cabeça e fui para o chuveiro, precisava de um banho para começar o dia, já que ele tinha estragado qualquer ideia de voltar a dormir.
Depois de tomar banho e comer eu não tinha muito o que fazer ali, Julia tinha saído cedo para seu trabalho na fazenda e só voltaria no fim da tarde, eu não tinha um trabalho e não conhecia ninguém por ali.
Minhas opções eram colocar um biquíni e tomar sol no quintal, ou passear pela cidade e conhecer um pouco das coisas. Levando em conta minha exibição essa manhã, o melhor era mesmo dar uma volta na cidade.
Coloquei um vestido florido confortável e sandálias baixas, não tinha um carro, mas por sorte a cidade era pequena e tudo parecia bem perto. Não demorei mais do que vinte minutos para chegar ao centro, onde tinha muitas lojas, lanchonetes, comercio era todo concentrado ali percebi.
Entrei em uma loja de artigos de bebê e me perdi, não deveria gastar, mas foi inevitável não comprar algumas coisas. Meu filho ainda não tinha nenhuma roupinha, por isso não me controlei e comprei um body, um macacão e uma manta, mesmo não sabendo o sexo eu peguei cores neutras que dariam para os dois, sabia que era pouco, porém tinha que começar de algum lugar, estava usando o restante do meu dinheiro na poupança para isso, mas ele merecia.
Não demorou para que toda a caminhada me deixasse faminta e apesar de vários lugares para comer ali, eu ia direto para casa, não podia gastar mais nenhum tostão, precisava fazer aquele dinheiro render, afinal não sabia quando conseguiria um emprego.
— Não sei se você está me perseguindo ou se é o destino que fica te colocando no meu caminho. — aquela voz irritante e sexy soou atrás de mim enquanto eu passava em frente a uma loja de roupas femininas, já em direção a casa.
— Haha, poderia dizer que você é quem está me seguindo, mas a cidade é um ovo. — dei de ombros e me recusando a olhar para ele.
— Comprando coisas de bebê? — eu apenas concordei fingindo analisar a vitrine — Julia me disse que você está grávida, já sabe o sexo?
— Não, ainda não, está muito cedo. — murmurei não querendo tocar no assunto, porque geralmente essa pergunta era seguida de: e o pai?
— Vai continuar evitando me olhar? Porque você sabe que somos vizinhos, não é? — eu me mantive firme, não queria olhar naqueles olhos ou ver aquele corpo e me perder novamente em pensamentos errados. — Eu já vi peitos antes, Alicia. — meu rosto se esquentou com suas palavras e eu arfei quando senti ele se aproximar ainda mais. — Não tão lindos quanto os seus, é verdade, mas não precisa ter vergonha.
— Você é mesmo muito sem noção! — resmunguei e me virei dando de cara com ele, estávamos tão perto que meus seios roçaram seu braço quando me virei. — Eu estou indo pra casa, tenha um ótimo dia.
Dei um passo para o lado me afastando e querendo colocar uma distância entre nós, antes que meus pensamentos se perdessem. Mas Jack foi mais rápido e segurou meu braço me mantendo no lugar.
— Já almoçou? — ele perguntou bem próximo e eu apenas ergui meu olhar para ele e sacudi a cabeça. — Vem, vamos almoçar.
— Não, eu...
— Vem, pode confiar que eu não mordo, Julia me fez prometer que eu não tentaria nada com você. — seus olhos desviaram dos meus e desceram até minha boca e foram mais além. — Mesmo que seja difícil resistir a você, sou um homem que cumpre suas promessas.
Ele me estendeu a mão tatuada, a palma calejada e ainda suja em alguns pontos de graxa, enfeitada com dois anéis prata, me chamando, me convidando a tocá-lo, como um maldito desafio.
Um ano depoisAcordei e continuei com os olhos fechados, tinha uma leve noção de estar dormindo por muito tempo, mas ainda não estava pronto para acordar. Levei minha mão ao lado, esticando meu braço e preocupando em volta qualquer sinal da minha mulher na cama, mas não encontrei nada.Me virei espreguiçando e abri as persianas blackout, tinha sido sem dúvidas uma das melhores aquisições, só assim conseguíamos um pouco de privacidade, isso e as paredes anti ruídos, com as crianças era essencial.— Papa, papa! — ouvi os gritinhos dos meus bebês seguido de pesinhos correndo no piso de madeira.— Bom dia meus amores, sem correr por aí! — reclamei me sentando na cama, bem a tempo que eles invadissem o quarto correndo até a cama.Stephan e Stela ainda não conseguiam subir na nos cama, mas desde que deram os primeiros passos era difícil mantê-los parados. Me curvei os pegando e colocando ao meu lado na cama.Esse último ano tinha sido o mais feliz da minha vida sem dúvida alguma, não mudari
Quando dei um passo para dentro levei as mãos a boca e senti meus olhos se arregalaram tanto que pareciam que iam sair das orbitas.As lágrimas transbordaram antes que eu conseguisse controlar, o quarto antes sujo e escuro agora estava limpo, iluminado e pintado.As paredes foram pintadas de um tom claro de bege e o teto de um azul claro com nuvens pintadas. O berço duplo estava em uma parede e em frente a janela tinha uma poltrona com um enorme tapete felpudo foi colocado no chão, do outro lado estava um sofá pequeno e todo o chão foi coberto com emborrachado.— Ai meu Deus. Como... como ele... Jack fez isso? — perguntei gaguejando em choque com aquilo tudo.Jack tinha tirado as suas lembranças, desfez o seu mausoléu, sumiu com todas as coisas que o lembravam da vida com Isabella e transformou em um quarto para os nossos filhos. Eu estava em perplexa, não conseguia dizer o quanto tinha adorado tudo aquilo.— Jack, Sean, o grupo todo de motoqueiros, o pai da Isabella... Meu Deus são m
Eu estava me sentindo uma bola, finalmente tinha chegado ao oitavo mês de gestação e não via a hora de ter meus bebês aqui com a gente, em parte porque queria muito me livrar de todo aquele inchaço, mas todo o resto era porque estava louca para conhecer meus filhos.As coisas na minha vida estavam bem até de mais, Jack quis que eu parasse um pouco de trabalhar, não me queria cansada, mas se eu tinha aprendido uma coisa no meu último casamento é que não ia voltar a depender do dinheiro de ninguém.Não que estivesse algum plano de conseguir fugir do motoqueiro safado, ele não me deixaria ir até outra cidade sem ele, que dirá terminar nosso relacionamento. E não era o que eu queria, eu o amava de mais para querer ir para longe.Mas eu continuava a fugir de casamento com ele, já éramos casados por nós dois, mas Jack tinha essa ideia fixa de casar sério, de fazer uma cerimônia e que eu levasse seu nome. Aposto que qualquer mulher no meu lugar estaria pulando de alegria, mas depois de dois
Capítulo LX - JackSentir aqueles dois pacotinhos se mexendo era a coisa mais linda, estranha e perfeita, que eu já tinha experimentado na vida. Mas eu ainda não via a hora de poder tê-los em meus braços, de poder abraça-los e beijar aquelas carinhas minúsculas.— Preparado pra perder? — Sean me provocou, ele não saia mais daqui praticamente, estava pensando seriamente em desconvidar ele como padrinho dos meus filhos.— Não adianta, eu tô certo e vocês estão errados! Não é duas meninas, nem dois meninos, mas sim um casal!— Eu não quero mais nem saber disso, o bolão de vocês está em quase mil reais, vou adorar colocar esse dinheiro na poupança das crianças, mostrando o quão bobos o pai e os tios vão ser.Alicia atravessou a sala com a barriga grande marcada no vestido de malha, que mais parecia um camisetão, ao menos estava cobrindo a bunda deliciosa dela.Estávamos todos ansiosos pra descobrir o sexo dos bebês e isso tinha se tornado uma comoção, mesmo depois dos motoqueiros terem se
Depois de dar meu depoimento a polícia, nós finalmente ficamos em paz. Sean e os amigos decidiram fazer um churrasco, o que eu agradeci, pois já estava cansada de Júlia e Jack disputando para ver quem ficava mais tempo comigo.Já era tarde da noite e eu estava observando a movimentação no quintal de Jack. Nós não estávamos nos importando com a hora, tínhamos muito a agradecer naquele dia. Eu e Jack em especial.E foi só pensar no diabo para que seus braços fortes envolvessem minha barriga.— Você deveria ir dormir. — ele sussurrou ao pé do ouvido. — Teve um dia cheio e deveria descansar.— A última coisa que eu quero agora é descansar. — me virei, continuando dentro do seu abraço, mas agora ficando de frente para ele. — Você e eu temos um pedido de casamento pra comemorar a sós.Joguei meus braços em volta do seu pescoço e me ergui, ficando na ponta dos pés para poder beijá-lo. Seu lábios se abriram de bom grado para me receber, mas tudo o que fiz foi sugar seu lábio inferior e prendê
Não conseguia ficar parado, andava de um lado para o outro na entrada de casa esperando ansioso o momento que eles chegariam ali. Já tinha anoitecido e eu fica ainda mais inquieto por não tê-la aqui. Brutos tinha me avisado no momento em que encontraram o motel caindo aos pedaços na beira da estrada, depois de vasculhar pela área eles encontraram o carro do filha da puta. Inferno, como eu queria colocar minhas mãos naquele desgraçado e acabar com a raça dele. Brutos me garantiu que a polícia não iria atrapalhar, ele tinha uma amiga na polícia federal que daria um jeito para que ninguém fizesse perguntas. — Vai abrir um buraco no chão assim. — Sean falou se sentando na calçada. — Eles já devem estar chegando, se acalme. — Só vou me acalmar quando tiver Alicia apertada em meus braços. Meu coração batia ainda mais descompassado quando eu me perguntava se já teriam tirado ela das mãos daqueles doentes, se ela já estava segura, ou o quão longe minha mulher e meus filhos estariam de mim. —







