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Capítulo 4

Luarina
Ao abrir a porta do camarote, Laura olhou para dentro e viu Henrique sentado, com Marina praticamente colada a ele.

Mesmo vendo o homem tentando se afastar um pouco, Marina ainda se aproximava, insistente. Aquilo era uma provocação escancarada.

Laura observou a mulher. Traços delicados, o tipo de menina frágil e graciosa. E, ainda assim, tinha escolhido ser amante.

— Lala, eu e o Henrique estávamos discutindo os detalhes do casamento de vocês. — Bianca levantou-se depressa. — Ainda bem que você chegou, vamos sentar e conversar.

Ela tentou puxar Laura para dentro, mas o olhar de Laura continuou preso em Marina.

— Quem é ela?

Um lampejo de culpa passou pelos olhos de Henrique. Antes que ele conseguisse responder, Marina pressionou a mão em um ponto sensível dele, por baixo da mesa, totalmente sem vergonha, como se ninguém mais existisse. Laura viu claramente o prazer estampado no rosto de Henrique. Então é isso que ele gosta. Da sensação proibida. Do risco. Da traição.

— Esta deve ser a futura esposa do presidente, certo? — Marina sorriu. — Sou Marina, a nova secretária dele.

— Secretária? — Laura arqueou a sobrancelha. — E, mesmo assim, participa da discussão sobre o meu casamento?

Bianca pigarreou, bebendo um gole de água para disfarçar o desconforto.

— Lala, a secretária Marina está só acompanhando o Henrique para se familiarizar com a situação. Ela é nova e conhece uns fornecedores, pode ajudar com ideias para o casamento.

— Um brinde à noiva do presidente! — Marina se levantou, pegando uma taça de vinho e indo até Laura.

O vestido dela chamou a atenção de Laura. Parecia muito com um do seu próprio guarda-roupa. O dela era peça única, enquanto o de Marina provavelmente era um falso.

Laura pegou a taça. No instante seguinte, a mão de Marina "escorregou", e o vinho derramou direto no vestido dela. Os olhos dela arderam por um segundo.

— Você está bem? — Henrique levantou-se de imediato, puxando Marina para trás dele.

— Sra. Laura, por que jogou o vinho em mim? Eu fiz algo errado? — O olhar de vítima de Marina se voltou para Laura. — Eu sou apenas uma funcionária, quero aprender com o presidente e fazer meu trabalho direito. Nunca imaginei que você fosse me tratar assim.

Lágrimas caíram naturalmente dos olhos dela. Era impossível negar, era lamentável vê-la chorando daquele jeito. Não era de se surpreender que Henrique tivesse caído. Até ela estava comovida com a cena.

Ele estava prestes a erguer a mão para enxugar as lágrimas dela, mas lembrou que Laura estava ali e olhou para ela com desagrado.

— Peça desculpas à Marina. Você jogou vinho nela. Mesmo que ela seja só uma simples secretária, merece respeito.

— E se eu não me desculpar? — Laura arqueou a sobrancelha.

— É só um vestido. Eu pago um novo. — Bianca levantou-se, tentando apaziguar.

— A Sra. Laura acha que não precisa pedir desculpas só porque é noiva do presidente? Esse vestido é alta-costura, muito caro, não é algo que qualquer pessoa possa comprar. Juntei dinheiro por muito tempo para poder comprá-lo. — Marina continuou. — Você pode me desprezar, mas não despreze a minha dignidade!

Laura quase riu. Dignidade? Sendo amante? A dignidade dela estava debaixo da mesa, nas mãos sujas com que tocava Henrique.

— O vestido que você está usando é falsificado. Custou algumas centenas, no máximo. Caro, onde? — Laura tirou duas notas de cem da bolsa e as jogou na frente de Marina. — Pronto. Já está pago. Afinal, falsificação não deixa de ser falsificação.

— Lala, você não era assim. Como pôde humilhar alguém desse jeito? — O rosto de Henrique escureceu. — Onde está a garota doce e gentil que eu conheci?

O coração de Laura apertou, sentiu cada vez mais repulsa. Marina era repugnante, mas Henrique conseguia ser mais repugnante ainda. No final de contas, foi ele quem não conseguiu controlar sua luxúria e causou tudo aquilo. A infidelidade foi consequência. Todos aqueles anos de amor foram desperdiçados.

Henrique percebeu o ódio nos olhos dela. Hesitou por um momento, mas insistiu:

— A Marina está grávida. Peça desculpas. Uma mulher grávida merece respeito.

O olhar de Laura caiu no ventre dela, seus olhos se arregalaram em surpresa.

Grávida.

Com o filho dele.

Ela realmente não conseguia entender o que tinha feito para merecer ser tratada daquela forma. Nem casados estavam, e ele já tinha um filho fora do relacionamento. Queria ser um imperador? Ter o seu próprio harém?

— Por que tanto nervosismo? O bebê é seu por acaso, para você defendê-la assim? — Ela sorriu, cada vez mais sarcástica. — Eu sou sua futura esposa. Já está colocando outra na minha frente?

O rosto dele empalideceu, seguido por um sentimento de culpa.

— E, de qualquer forma, eu nem toquei na taça dela. Se quiser, podemos ver as câmeras de segurança. Senão vão mesmo pensar que eu joguei vinho nela.

— Lala, não precisa disso. — Bianca franziu a testa.

— Eu não fiz nada! — Marina disse, mordendo o lábio. — A Sra. Laura não pode me acusar assim.

Ela segurou o próprio ventre e olhou para Henrique com uma expressão de coitada, como se pedisse proteção. Ele desmoronou na hora.

— Chega. Não vamos ver câmera nenhuma. Eu peço desculpas em nome da Lala. Vai trocar de roupa.

Marina ficou engasgada. Henrique lançou-lhe um olhar dando a entender que, mesmo que ela não quisesse, teria que engolir sua raiva.

— Então, a Sra. Laura poderia me acompanhar para trocar de roupa? — Ela pediu, com os olhos fixos em Laura.

— Claro. — Laura respondeu olhando para ela.

— Eu posso ir também? — Bianca ficou tensa.

Laura riu.

— Está com medo de quê, Bibi? Acha que eu vou machucar o bebê dela? Ele nem é do Henrique. Por que vocês estão tão nervosos?

No vestiário, Marina tirou o vestido longo branco e rosa.

— Sra. Laura, este vestido foi o meu marido quem me deu. O que acha?

Laura congelou. Aquele vestido era igual, exatamente idêntico, ao primeiro que Henrique tinha lhe dado anos atrás. Ele disse que ela ficava perfeita em rosa e branco. E agora, ele tinha dado o mesmo vestido a outra.

— Não é como se meu marido não tivesse me dado também. Está com muita pressa de se exibir, não? — Laura sorriu, fria.

— Não é isso. — Marina tirou o sorriso do rosto. — É que meu marido me ama muito. Agora que vamos ter um bebê, queria dividir essa alegria com você.

— Seu marido te ama muito? — Laura perguntou.

— Ele disse que vai deixar tudo para mim e para o nosso filho. — Marina sorriu, satisfeita. — Que vai nos amar pela vida inteira. Mesmo ocupado, ele sempre prepara presentes com carinho. Tenho inúmeros vestidos como este.

Laura abriu um sorriso lento, cortante.

— Então por que você usa uma cópia barata para ir trabalhar? Ou será que você só pode usar os originais quando está com ele e os falsos diante dos outros?

Ao ouvir isso, o rosto de Marina empalideceu.
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