LOGINJúlio Martim
Sou o mais novo dono da empresa de cosméticos Desing & Stilo, a antiga dona não conseguiu administrar e começou a quebrar, por isso desistiu antes de falir e vendeu, eu adquiri mais um negócio em meio a vários que tenho. Comecei investindo em comércios que já não iam bem há alguns anos, por vontade de ter um dinheiro que não venha da empresa do meu velho pai, não por falta de amor ou por temos algum atrito, mas porque quero ser independente dele, já que me sustentou muito nessa vida. O primeiro investimento foi uma lanchonete de grande porte só que mal administrada, a transformei em um restaurante aconchegante e simples, depois mais duas lojas de roupa e outra lanchonete, agora me aventurei nessa nova loja. Olho no relógio e vejo que se não me apressar vou me atrasar muito, saio de casa correndo e entro no carro acelerando pelas ruas, faço a curva e acelero mais um pouco, não vejo a poça e nem a mulher, é tarde demais molhei toda a sua calça, escuto o grito e ofensas dela, estou focado no trânsito que flui não consigo parar nem se quisesse. Chego à loja e sou recebido pela antiga dona que me leva até o escritório da loja, e vai me passando tudo o que ainda falta. — Bom dia Margaret, desculpe o atraso dormi tarde ontem vendo um pouco da papelada das contas e do estoque dos meus outros negócios, você está bem?— pergunto a ela com um sorriso gentil. — Estou bem Júlio, sem problema foi bom que deu para me despedir da sala onde morei por alguns anos. — rimos do seu comentário, conversamos um pouco, ela me entrega as chaves do estabelecimento se despede e vai embora. Assim que sai vou organizando os papéis da maneira como gosto. Termino um pouco da planilha das contas e vou à frente da loja para ver o movimento e as pessoas trabalhando, comprimento um rapaz que está atendendo uma mulher morena e mais duas mulheres uma no caixa e outra também atendendo, sigo olhando quando vejo a mulher que sujei a roupa, vou até ela para me desculpa, e chego a tempo de ouvir uma cliente falando com ela com falta de respeito e superioridade. — Olá bom dia, sou Júlio em que posso ser útil?— estendo a mão para a mulher linda, mas não gosto de pessoas esnobe e mal-educada, ela me olha de cima para baixo como se fosse me comer, sorrio para ela. — Bom dia, você é o gerente? Sou Rafaela filha do deputado Miguel Alcântara.— fala sorrindo e toda manhosa para mim, achando que já me ganhou. Já a mulher de Costa para mim nem respira direito. — Sou o novo dono dessa loja. — digo ainda sorrindo, e vejo os olhos da loira brilhar ainda mais. — Ótimo, quero fazer uma reclamação sobre essa, ah, não sei nem como chamar isso... — vai falando e eu já não escuto mais nada depois disso, reparo na mulher baixinha de curvas linda e cabelo curto e escuro, que tem um jeito simples e sensual até mesmo suja. Volto ao presente quando vejo que a loira parou de falar, respondo a ela no automático. — Desculpe o transtorno senhorita Rafaela, tomarei as providências para que isso não se repita, vou levá-la até o caixa. E você já para minha sala. — saio com a loira e deixo a morena parada como se fosse ir para o matadouro. Chego ao caixa deixo a cesta que tinha pegado da morena e me viro para a loira que está ansiosa esperando uma investida de minha parte, e lhe digo. — Obrigada pela preferência e volta sempre. — saio cumprimentando os clientes e praticamente corro até minha sala. Entro e ela fica reta na cadeira como se eu fosse decretar a sua morte, seguro o riso e me sento na cadeira e olho para ela, sinto uma conexão incrível e intensa quando seus olhos castanhos se encontram com o meu, meu Deus ela é mais que só sensual ela é linda, de uma beleza tão cativante que fico sem fala por um tempo só a admirando, desperto do seu encanto e falo. — Bom, senhorita... Dou a deixa para ela dizer seu nome, mas ainda está paralisada, me seguro para não rir, e a admiro um pouco mais e tento de novo só que dessa vez um pouco mais rude. — Ficou muda ou vai me responder?— ela acorda e me olha espantada, solto um risinho baixo para ela não ouvir, essa situação está divertida e excitante. — Des... Desculpe, meu nome é Dhaedra.— respondeu gaguejando e com um rubor lindo na bochecha, vou ter de me aproximar dela, estou encantado demais. — O que houve com sua roupa? E há quanto tempo trabalha aqui?— digo me fazendo desentendido, mantenho um tom um pouco firme para não rir. — Um filho de uma cadela velha me jogou água com lama na rua, e trabalho aqui a 3 anos.— responde irritada, eu não aguento e sorrio da ofensa que me fez sem nem saber que sou eu o filho da tal cadela. — Obrigada pelo elogio a minha mãe e desculpa por esse incidente, sobre o ocorrido com a mulher esqueça. Ah, vou precisar de você para passar para mim algumas coisas dessa loja, mais por enquanto volte ao trabalho. — se deixá-la nessa sala mais um segundo além de admirar também vou agarrar e trancar aqui comigo o dia todo, observo quando relaxa na cadeira com a notícia que não vai ser demitida mais do nada fica branca e vermelha e desanda a gritar. — Tá de sacanagem que foi você quem me sujou toda? Filho de uma cadela é pouco seu cego, não me viu na calçada não? Está me devendo uma calça nova e quero das boas viu seu barbeiro. — ainda em choque pelo ataque fico olhando com um tesão infeliz, em seguida começo a rir muito e me levanto e saio andando até a porta, com medo ela estava linda, mas nervosa ela é maravilhosa, me deixou de pau duro. Preciso tirar ela daqui rápido. — Acabou a seção de elogios? Já ouvi piores, agora vá trabalhar que também vou, anda. — ela se levanta e empina o nariz pequeno e arrebitado e sai batendo o pé e resmungando, ainda escuto quando fala. — O que tem de bonito e gostoso tem de escroto, aff meu senhor. — não me seguro e começo a rir alto, e ainda rindo falo para ela. — Eu ouvi isso senhorita Dhaedra.— ela bufa e vai andando mais rápido. Volto para a sala e tento trabalhar, mas meus pensamentos estão só nessa linda mulher que me envolveu sem nem perceber.O grande dia chegou. Olho para a minha barriga quase explodindo e sorrio.— Calma, meninos, ainda falta um tempo para vocês saírem. — Brigo com eles e faço um carinho para diminuir os chutes.Hoje faremos mais um ultrassom para ver como estão; o último foi há quase um mês. Entramos na sala do médico, e ele sorri.— E aí, mãezinha, como está hoje? — Me sento em frente à mesa dele.— Cansada, doutor.— Imagino que está bem pesado aí. — Ele aponta para a barriga; concordo com a cabeça.— Bastante. — Ele acena e vem para o meu lado.— Vamos medir esses pequenos? — Ele estende a mão; seguro, e o Beni pega pelo outro braço. Os dois me ajudam a levantar e me colocam na maca.Graças a Deus a recuperação foi ótima — hoje tenho somente a cicatriz na barriga, e as das pernas mal dão para ver. O pé deu um pouco mais de trabalho para tirar o gesso, e mesmo depois de tirado ainda manco um pouco; o doutor disse que é normal, e
Como é bom estar em casa.Ontem recebi alta no fim de tarde, e tivemos um pequeno pé de guerra para sair do hospital — sorrio só de lembrar a confusão."Ela ficará lá em casa, tem bastante espaço." — Minha sogra diz."Não, ela ficará na casa dela. Eu estarei lá para tomar conta." — Minha mãe grita do outro lado, e eu começo a ficar apreensiva."Mas em casa tem espaço para vocês também." — Meu sogro diz em tom apaziguador."Uma casa enorme, e se ela precisar de socorro, até chegarmos lá demora." — Minha mãe alega, como se eles morassem no Maracanã."Acho que minha opinião vale também." — Entro no meio, tentando mostrar que estou acordada e não moribunda.As duas me olham numa disputa silenciosa para ver quem eu escolho. Realmente era o que me faltava — ciúmes entre as duas."Vou ficar em casa, mas deixarei a disposição para ir para a sua se precisar, Dete. Meus pais ficarão por um tempo, então vou aproveitar, tud
Estou nervosa; as mãos estão suando frio. Quero muito ver meu bebê, saber como ele está com os meus próprios olhos.— Vamos fazer um ultrassom transvaginal para vermos melhor, tudo bem? — Fico com vergonha, mas concordo. O Beni já viu tudo, mas ainda é constrangedor.Ele apoia minhas pernas na maca com cuidado e prepara o aparelho. Sinto um gelinho, mas me acostumо; ele começa. Vira a tela para o nosso lado, e escuto um chiado, depois um barulho forte e ritmado.— Olha só o coração do nosso campeão. Espera — isso eu não tinha visto no primeiro exame. — Gelo. Será que tem algo errado?— Tem algo errado, doutor? — O Beni pergunta primeiro.— Não, esperem só um pouquinho. — Pego a mão dele e aperto; ele devolve o aperto, e o rosto dele estampa a mesma preocupação que o meu.— Isso mesmo, olha só. — O médico fala consigo mesmo e abre duas telas na TV.— Olha a surpresa — esse pequeno estava escondido. Querida mãezinha, dê ol
Saio do quarto extasiado. Me encosto na parede e começo a chorar; me sento no chão e choro de alegria, de gratidão a Deus por cuidar não só da minha mulher, mas do meu filho também.— Obrigado. Obrigado.Não faço ideia de quanto tempo fico ali. Meus sogros saem do quarto, e ele me ajuda a me levantar.— Ela está bem, querido. Respire fundo — é hora de ficar ao lado dela. — Minha sogra diz, me consolando.Ela está certa. É hora de mostrar que vou estar com ela para sempre.— Vou fazer isso, sogra.Beijo a testa dela e saio correndo. Vou até o carro buscar a aliança que já tinha comprado — e não a encontro. Devo ter deixado na empresa. Dou partida e vou buscar.Vasculhei a sala toda e não achei; perguntei ao Carlos e ele também não encontrou. Droga, onde fui enfiar essa coisa — vou olhar em casa.— Sr., boa tarde. Queremos notícias da Lua. — Ainda tenho um resíduo de raiva dele por estar de conversa com a minha mu
Pisco os olhos lentamente. Onde estou?Por que essa luz está tão clara assim?Tive um sonho estranho — acidente, e eu grávida. Olha a loucura. Abro os olhos e olho em volta: esse não é o meu quarto.Não foi um sonho.Meu coração acelera, e as lembranças enchem minha cabeça. Estou viva. Estou aqui. Obrigada, Deus. As lágrimas descem molhando minha orelha — alívio, puro alívio de estar viva. E o bebê?Me recordo do médico dizendo isso antes de tudo ficar escuro; o alívio dá lugar à preocupação.Tento mexer o pé para me levantar, e a barriga repuxa. Droga — não vou conseguir sair daqui. Tento de novo e reparo que tem algo pesando nos pés. Me ajeitо um pouco de lado, mas dói; solto um gemido.— Ai, droga. — O Beni se levanta num pulo.— Florzinha, você acordou. Está bem? Está com dor? Vou chamar o médico. — Ele se apavora, e eu choro; é tão bom vê-lo. Pensei que nunca mais poderia olhar para esse rosto que tanto amo
Medo.Paro o carro na entrada do hospital e corro em pânico para a recepção.— Lua Amaral, ela sofreu um acidente. Me disseram que estava vindo para cá. — Quase grito com a senhora sentada atrás do balcão.— Ela ainda não deu entrada. — Ela nem termina de falar, e a ambulância para na porta.Corro para a entrada, e o que vejo me faz perder as forças: a camisa dela vermelha de sangue, uma mulher segurando-a pela barriga, a calça toda rasgada nas pernas. Tento me aproximar, mas o paramédico me para.— Senhor. — Dario me chama, mas não tiro os olhos dela. Deus, cuide da minha mulher.— Senhor, foi a Amélia. — Ele fala de novo. Vou acompanhando a maca com os olhos e trava na entrada da emergência. Começo a andar de um lado para o outro.— Precisamos fazer a ficha dela. Alguém tem os documentos? — Não olho quem perguntou; continuo andando.— Eu devia ter estado lá. Não devia ter deixado ela sozinha. Porra, é culpa mi







