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Capítulo 2

Auteur: Teresa
Ao sentir o amor contido em cada palavra, finalmente fui obrigada a admitir:

Os sete anos que vivi ao lado de Henrique não significavam nada. Passei a noite inteira sentada no escritório.

No dia seguinte, pedi folga e chamei minha melhor amiga, Sofia Albuquerque, para ir comigo cancelar o casamento.

— Beatriz, você pensou bem mesmo? — Perguntou Sofia assim que me viu.

— Pensei.

— Você e Henrique estão juntos há sete anos, e o casamento é depois de amanhã. Vai cancelar tudo sozinha, sem nem esperar que ele volte?

— Sim.

— Henrique sabe?

— Ele está ocupado.

— Ocupado com o quê?

Não respondi. Sofia permaneceu em silêncio por dois segundos.

— Se você não estiver conseguindo falar com ele, eu ligo. Vocês estão juntos há sete anos. Casamento é uma coisa séria demais. Não posso deixar você enfrentar isso sozinha...

— Ele está ocupado... Se casando. — Falei baixinho.

Sofia ficou paralisada, com uma expressão de desaprovação no rosto.

— O que você disse?

Sorri de leve, peguei o histórico das conversas que havia copiado do computador de Henrique na noite anterior e mostrei a ela.

— Henrique se casou. Ontem, na Suíça. Com Isabella, o primeiro amor dele.

Sofia se calou, e seus olhos começaram a se encher de lágrimas.

— Eu me lembro de que ontem você ficou no hotel ensaiando com a equipe de iluminação até de madrugada. No meio do ensaio, mandou uma mensagem dizendo que estava com dor de estômago e pediu que eu comprasse um remédio. Naquele momento... Henrique estava na Suíça, se casando com outra mulher?

Forcei um sorriso amargo.

— Sim.

Sofia não disse mais nada. Apenas me levou de carro até o salão onde seria realizada a cerimônia.

Durante todo o caminho, segurou minha mão com força. Depois de cancelar a cerimônia, voltei para casa e comecei a arrumar as malas, decidida a deixar a casa onde Henrique e eu moraríamos depois de casados.

Ele me mandou uma mensagem pelo WhatsApp, acompanhada de uma foto tirada na sala de embarque.

Na legenda, escreveu: [A viagem de trabalho acabou. Estou exausto.]

Não respondi. Apenas fiquei olhando, atônita, para o canto inferior esquerdo da foto. Uma mão fina e clara havia entrado por acaso no enquadramento, e um anel de diamantes reluzia no dedo anelar.

Eu conhecia aquele anel. No ano anterior, quando Henrique e eu fomos escolher nossas alianças, a vendedora nos mostrou aquele modelo, o mais caro da loja.

Havia apenas um em toda a cidade. Eu tinha gostado muito, mas Henrique disse que era extravagante demais e não combinava comigo. Na verdade, combinava com Isabella.

Deixei o celular de lado e comecei a tirar minhas roupas uma a uma do guarda-roupa, as dobrando com cuidado antes de colocá-las na mala.

Quando encontrei uma camisa de Henrique, franzi a testa. O tecido exalava um perfume forte, com aroma de jasmim.

Preso à abertura do colarinho, na altura do peito, havia ainda um bilhete escrito com batom.

[Pijama exclusivo da Isabella.]

Foi então que, pela primeira vez em sete anos, descobri que ele já havia levado Isabella à nossa casa.

Também descobri que ele havia deixado, dentro do nosso guarda-roupa, uma camisa impregnada com o cheiro de outra mulher. Coloquei a peça de volta no mesmo lugar e fui arrumar o banheiro.

O celular no meu bolso vibrou. Era Henrique outra vez, fazendo uma chamada de vídeo.

Atendi. Na tela, ele vestia um sobretudo preto, e havia uma rara suavidade em seu olhar, sempre tão frio e distante.

— O que está fazendo?

— Arrumando minhas coisas.

— Os preparativos para o casamento estão indo bem?

— Estão.

— Meu voo é hoje. Amanhã de manhã já estarei de volta ao país. Não vou me atrasar para o nosso casamento.

— Está bem.

— O que foi? Está chateada?

— Não. Só estou cansada.

— Comprei um presente para você. — Ele se inclinou e tirou da pasta que carregava uma caixa branca amarrada com uma fita. — Um amigo se casou e distribuiu alguns bem-casados. Peguei um especialmente para você, para dividir com você um pouco da felicidade dos noivos.

— Um amigo? — Repeti.

Ele sorriu com naturalidade, sem demonstrar o menor sinal de culpa.

— Sim, um amigo.

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