INICIAR SESIÓNO silêncio que se instalou entre eles logo se tornou evidente para Elyssia, que, embora habituada às mudanças de Rowan, notou nele algo incomum. Havia em seu semblante uma expressão distante, e isso a deixava visivelmente inquieta. Ela desviou o olhar para as janelas, mas logo retornou os olhos ao príncipe, como se buscasse decifrá-lo.
Por fim, decidida não apenas a dissipar o incômodo silêncio, mas também a sanar sua curiosidade, arriscou uma pergunta:— Algo o incomoda, Alteza?Rowan aproximou-se alguns passos e então disse:— Nada que se encontre nessas estantes. Estou aqui por você.Elyssia fechou o livro com delicadeza, colocando-o sobre a mesa próxima. Seu sorriso ampliou-se, genuíno e encantador.— Foi difícil encontrar-me aqui? — perguntou ela, abrindo os braços para recebê-lo em um abraço.— De forma alguma. Encontrarei você onde quer que esteja — respondeu, envolvendo-a firmemente em seus braços. Ele inclinou-se levemente, aspirando o perfume, que parecia unicamente dela. — Quando foi que este lugar se tornou tão acolhedor?Elyssia riu suavemente, afastando-se o suficiente para encará-lo.— Imagino que desde o momento em que você cruzou aquela porta.Rowan esboçou um sorriso antes de levar uma mão ao queixo dela, inclinando-se para um beijo. Seus lábios encontraram os dela em um gesto lento e delicado, mas cheio de paixão.Quando finalmente se afastaram, ele permaneceu olhando-
Após deixar o escritório ao lado de Arielle, Elyssia dirigiu-se à biblioteca, ambas entretidas em uma conversa animada. Ao passar por uma ampla janela, Elyssia deteve seus passos. Do outro lado, um pouco distante no jardim, avistou o momento em que Rowan e Merida conversavam. Foi nesse momento que o olhar de ambas se encontrou.Elyssia continuou parada, olhando para ambos, quando uma dúvida inevitável lhe veio à mente: qual seria o teor daquele diálogo?Arielle, percebendo o silêncio repentino de sua amiga, seguiu o olhar dela no exato momento em que Merida se aproximou para abraçá-lo.— Eles ainda têm esse tipo de encontro? — indagou, com uma expressão que oscilava entre incredulidade e preocupação.Elyssia desviou os olhos da janela, retomando a caminhada com uma tranquilidade quase ensaiada. Mas a verdade é que ela se forçou a parar de olhar.— É inevitável que acabem cruzando-se pelos corredores. — E isso não a incomoda? — insistiu Arielle, estreita
Enquanto caminhavam lado a lado pelo amplo corredor depois de deixarem o escritório, Lucian resolveu dizer algo, movido pela curiosidade sobre o que Rowan responderia:— Devo confessar que eu acho que você tem agido de maneira bem diferente desde o dia da festa de Maelis. Jamais imaginei que dentro de ti houvesse um lado tão… doce.Rowan ergueu uma sobrancelha, respondendo com serenidade:— Ora, sempre fui uma pessoa doce.— Eh? Não sei se você está brincando ou se realmente acredita nisso — Lucian soltou uma risada.Rowan apenas esboçou um sorriso discreto diante da reação do seu amigo.— Diga-me — continuou Lucian, com curiosidade evidente — Você e a princesa pretendem oficializar o noivado?Rowan lançou-lhe um olhar ponderado antes de responder.— Ainda não discutimos esse assunto.— Julguei que esse seria o curso natural das coisas — comentou.— Em outros casos, pode até ser, mas nosso caso
Assim que Arielle e Elyssia se viram a sós no escritório, Arielle, incapaz de conter sua curiosidade, fitou a amiga com um olhar inquisidor.— Como pôde ocultar isso de mim? — indagou, semicerrando os olhos.— O-o que quer dizer? — Elyssia vacilou, visivelmente desconcertada com a intensidade do olhar dela.Por mais que pensasse, ela não sabia sobre o que Arielle estava falando.— Ora, não se faça de desentendida. Você e o príncipe... Vocês passaram a noite juntos?O rubor tomou conta das faces de Elyssia, acompanhado de uma expressão de surpresa.— C-como você soube disso? — perguntou, com evidente embaraço.— Não vai sequer negar? Desde quando se tornou tão descarada? — provocou Arielle, cruzando os braços.— Não se trata de querer ocultar... — murmurou Elyssia, desviando o olhar — Eu apenas…— Você sabe que jamais te julgaria, não é? — assegurou Arielle, suavizando o tom.— Eu sei disso. Nunca passou pela minha mente que você fosse me julga
Após a saída de Arielle e Lucian, o silêncio tomou o ambiente, interrompido apenas pelo leve ranger da cadeira quando Rowan se recostou, fitando Elyssia com uma intensidade desconcertante.A princesa, sentada à mesa do outro lado, percebeu o olhar fixo dele e sentiu-se ligeiramente desarmada.— Aconteceu algo que o inquieta? — perguntou, enfim, com um tom de voz suave.Rowan inclinou-se para a frente, apoiando o cotovelo na mesa. Com a cabeça levemente sustentada por uma das mãos, continuou a observá-la.— Apenas procuro respostas para as minhas perguntas.— E posso saber quais perguntas seriam essas perguntas? — ela questionou, franzindo levemente as sobrancelhas em sinal de interesse.Rowan sustentou o seu olhar por mais um instante antes de falar:— Perguntava-me como você pode exercer tamanho poder sobre mim sem sequer tentar. Como é possível eu não estar sobre o controle de nada quando se trata da senhorita?— E isso é algo negativo? —
Algumas horas depois, Rowan folheou alguns papéis e começou a procurar por algo em sua mesa. Como não encontrou o que desejava, ele quebrou o silêncio para dar uma tarefa ao seu assistente. — Lucian, preciso do selo imperial para assinar esses papéis, mas acho que está na sala do Imperador. Você pode ir lá pegá-lo? Lucian assentiu e se levantou. Ele olhou de relance para Arielle, que estava atenta. Sem a necessidade de que ele dissesse algo, ela se adiantou: — Permita-me acompanhá-lo, Lucian — pediu, levantando-se. Após um gesto de consentimento, ela se apressou em direção a ele, e ambos deixaram o escritório, fechando a porta atrás de si. Enquanto caminhavam sem pressa pelos corredores, Arielle iniciou uma conversa: — Sabe, estou curiosa sobre algo. — Sobre o que? — perguntou, olhando para ela atentamente, com visível interesse. — Tenho me perguntado sobre a verdadeira personalidade do príncipe.







