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Capítulo 3

Autor: Romênia
last update Fecha de publicación: 2026-05-11 10:12:25

Ela olhou em direção à porta, desconcertada:

— Eu não poderia ser esse tipo de mulher, que dá prazer. Eu não sei nada. Nunca namorei.

— Só sei cuidar de casa ou de criança.

Ele se afastou, foi guardar o kit de primeiros socorros, calado. Ela se aproximou da porta, começando a ter medo da situação, falou, olhando-o de costas, reparando no quanto ele era forte, bonito e estava cheiroso:

— Você vai me dar os vinte reais

Radael se virou, tirando a carteira do bolso, e falou, achando-a mentirosa:

— Me enganei com você. Achei que precisava de ajuda e segurança.

— Toma. Vou levar você até a porteira. Passam dois ônibus na beira da pista, às seis e às dezessete horas.

Ele entregou uma nota de cinquenta reais, ela pegou, apreensiva, enrolou e segurou firme, dizendo enquanto ia em direção à porta:

— Muito obrigada.

— Como você se chama? Nunca te vi em lugar nenhum.

Ele pegou uma chave na gaveta de um móvel e, indiferente, respondeu:

— Radael Fezal.

— Pode me esperar na varanda, aí fora.

Darla reconheceu o sobrenome, a família dele era muito conhecida, donos de muitas terras na região. Saiu calada e ficou esperando. Logo ele apareceu com um par de chinelos femininos nas mãos:

— Devem servir.

— Espero que não comente com ninguém sobre o que te falei. Afinal, tenho uma reputação a zelar.

Ela calçou os chinelos e respondeu de imediato:

— Obrigada, muito obrigada mesmo. Não sou fofoqueira, jamais contarei. Até entendo, acho… você…

Ele caminhou para a caminhonete e, querendo rir do jeitinho dela, perguntou:

— Ah, é? Entende? Como?

Ele abriu a porta para ela, Darla entrou, ele deu a volta e sentou-se ao volante. Ela falou séria:

— Sei que os homens têm desejos, necessidades… diferentes das mulheres. E, por isso, traem tanto.

Ele ligou o carro, rindo com deboche, e a levou até a porteira. Desligou o carro, falou curioso:

— Como você se chama mesmo?

Ela abriu a porta, falou desconcertada:

— Darla. Que horas são, por favor? Estou sem celular, sem relógio, nada.

Abrindo a porteira, ele respondeu sem nem olhá-la, envergonhado pelo que havia proposto:

— Seis e pouco. Boa sorte, Darla. É só seguir à esquerda que você chega à estrada.

Ela saiu mancando e, novamente, agradeceu. Teve vontade de pedir água ou comida, mas faltou coragem. Caminhou pela estrada de terra, pensando em pedir ajuda a uma antiga professora. Quando chegou ao ponto de ônibus, percebeu que estava sem documentos, celular e quase sem dinheiro. Chorou, triste, desejando ter coragem de fazer uma loucura. Quase não passavam carros, um ônibus escolar apareceu, mas ela não o pegou.

Passou o dia inteiro sentada no mesmo lugar, cada vez mais fraca, com fome e mal-estar, suada, suja, cheirando mal. Ao anoitecer, deitou no banco do ponto e dormiu ali mesmo, com frio e medo, chorando até adormecer.

Radael não conseguiu tirá-la da cabeça. O dia todo se sentiu arrependido por ter sido tão indiferente, por não ter oferecido roupas limpas, comida ou uma carona até um lugar seguro

Na manhã seguinte, resolveu ir até a cidade, dar uma volta e ver se conseguia notícias.

 

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