INICIAR SESIÓNIsabella agiu por instinto, desconectando o dispositivo rapidamente e guardando-o no bolso interno do blazer, segundos antes da porta da sala dos servidores se abrir. Era Damien Cassar.
Seus olhos azuis varreram a sala, parando em Isabella, que tentava parecer casualmente ocupada em um dos terminais, como se estivesse verificando algo rotineiro. O coração dela ainda martelava contra as costelas, mas seu rosto exibia uma calma estudada.
"Senhorita Rossi? O que faz aqui a esta hora? E na sala dos servidores? " A voz dele era suave, quase sedutora, mas havia um fio de aço por baixo, uma suspeita velada.
"Sr. Cassar," ela respondeu, virando-se lentamente, forçando um sorriso surpreso. "Eu estava apenas... verificando umas inconsistências que encontrei em alguns relatórios de projeção. Pensei que poderia haver algum problema de sincronização de dados com o servidor principal. Nada demais, apenas uma checagem rápida para minha própria tranquilidade antes de fechar o relatório.
"A mentira saiu fluida, plausível. Ela era a Diretora de Finanças, afinal. Era seu trabalho ser meticulosa.
Damien a observou por um momento que pareceu se estender por uma eternidade. Seus olhos pareciam capazes de ver através dela, de desvendar cada camada de seu disfarce. "Inconsistências? Que tipo de inconsistências?" ele perguntou, aproximando-se um passo.
Isabella engoliu em seco, mas manteve a compostura. "Pequenas discrepâncias nos fluxos de caixa projetados para o novo cassino online. Provavelmente apenas um erro de entrada de dados em algum ponto, mas queria ter certeza de que não era algo sistêmico." Ela gesticulou vagamente para o terminal. "Parece que está tudo em ordem, na verdade. Falsa alarme."
Ele parou a poucos metros dela, o perfume sutil de sua colônia amadeirada invadindo o ar frio da sala. Era uma proximidade desconfortável, carregada de uma tensão que ia além da simples relação chefe-funcionária. "Você é muito dedicada, Senhorita Rossi. Trabalhando até tarde, investigando cada detalhe."
"Apenas faço meu trabalho, Sr. Cassar", ela replicou, o tom neutro.
"Admiro isso", disse ele, e por um instante, Isabella pensou ter visto um lampejo de algo diferente em seus olhos – respeito? Ou seria apenas mais uma tática para desarmá-la? "Mas certifique-se de não se sobrecarregar. Malta tem muito a oferecer além das paredes deste escritório." Ele deu um leve sorriso, que não dissipou a intensidade de seu olhar. "Se precisar de acesso a qualquer informação, basta solicitar ao departamento de TI ou a mim diretamente. Não há necessidade de se aventurar sozinha pela sala dos servidores."
Aquelas palavras eram um aviso sutil, uma demonstração de que ele estava ciente de seus movimentos, mesmo que não soubesse o propósito real deles. Isabella sentiu um calafrio, mas não se deixou intimidar.
"Agradeço a consideração, Sr. Cassar. E levarei seu conselho em conta." Ela se afastou do terminal. "Acho que por hoje é só. Tenha uma boa noite."
"Boa noite, Senhorita Rossi." A voz dele a seguiu enquanto ela saía da sala dos servidores, sentindo o peso de seu olhar em suas costas. O encontro fora perigoso, um lembrete constante de que ela estava andando na corda bamba. Mas o dispositivo em seu bolso, contendo os dados que poderiam ser a chave para sua vingança, era uma pequena vitória naquela noite tensa.
Ao chegar em seu apartamento, com as luzes de Sliema cintilando lá fora, Isabella conectou o dispositivo ao seu laptop criptografado. As mãos ainda tremiam levemente enquanto os arquivos começavam a ser descriptografados por um programa que Anya havia desenvolvido especialmente para ela. A expectativa era quase insuportável.
E então, os dados começaram a surgir na tela. Planilhas complexas, e-mails codificados, registros de transações que iam muito além do que ela imaginara. Havia nomes, datas, valores que pintavam um quadro sombrio das operações da Phoenix Holdings. E, enterrado em meio àquela montanha de informações, ela encontrou o que procurava: referências diretas a empresas de fachada que, segundo as investigações de seu pai antes de morrer, estavam ligadas à lavagem de dinheiro e, possivelmente, a atividades criminosas que levaram à sua eliminação.
Um nome em particular se destacou, uma empresa chamada "Serpent's Kiss Holdings", com transações vultosas e obscuras diretamente ligadas a projetos supervisionados por Damien Cassar. O nome era sugestivo, quase uma provocação. Isabella sentiu o sangue gelar e ferver ao mesmo tempo. Estava mais perto do que nunca.
Mas a informação, por mais incriminadora que parecesse, ainda não era a prova cabal que ligaria Damien diretamente à morte de seus pais. Era uma peça importante do quebra-cabeça, mas não a última. A vingança exigia precisão, não apenas suspeitas. Ela precisava de mais.
A noite avançou enquanto Isabella mergulhava nos dados, a mente trabalhando febrilmente, conectando pontos, buscando padrões. A imagem de Damien Cassar, seu olhar penetrante, sua presença imponente, voltava a assombrá-la. Ele era um adversário formidável, inteligente e implacável. E, perigosamente, atraente. Essa dualidade a perturbava, a linha tênue entre o ódio que a consumia e uma fascinação que ela lutava para reprimir.
A jornada em Malta estava apenas começando. As sombras da ilha escondiam muitos segredos, e o preço da vingança poderia ser mais alto do que ela imaginava.
"Sr. Vassallo!" exclamou ela, apressando-se para receber o antigo bibliotecário que havia sido instrumental em sua busca inicial por informações sobre Lorenzo Borg, tantos anos atrás.O homem, agora bem na casa dos oitenta anos mas ainda com olhos vivos e atentos, sorriu amplamente ao vê-la. "Sra. Cassar-Rossi, que prazer revê-la após tantos anos.""O prazer é todo meu," respondeu Isabella sinceramente, conduzindo-o para a sombra de uma oliveira. "Como nos encontrou?""Ah, não fui eu quem encontrou vocês," explicou ele, apontando para Anya. "Sua amiga veio à biblioteca nacional pesquisar alguns documentos históricos para a Fundação e mencionou seu nome. Uma coincidência feliz.""Ele tem sido um recurso inestimável para nosso novo projeto de preservação de manuscritos," acrescentou Anya, juntando-se a eles. "E quando mencionei a inauguração de hoje, ele expressou interesse em ver como sua 'pequena pesquisadora determinada' havia se saído na vida."Isabella riu, lembrando-se de como dev
Cinco anos se passaram desde a chegada de Eleni à família Cassar-Rossi. Malta, com seu céu azul intenso e mar cristalino, continuava a ser o cenário onde suas vidas se desenrolavam – agora não mais como uma história de vingança e redenção, mas como uma narrativa de crescimento, propósito e conexões que transcendiam sangue e fronteiras.A villa em Gozo, que havia testemunhado tantas transformações ao longo dos anos, estava especialmente movimentada naquela manhã ensolarada de verão. Isabella supervisionava os preparativos para uma celebração dupla – o aniversário de dezesseis anos de Antonio e a inauguração oficial da nova ala do museu arqueológico na propriedade, um projeto que havia sido desenvolvido em grande parte sob a orientação entusiástica de Eleni, agora com quinze anos."Mamãe, onde coloco estas placas informativas?" perguntou Maria, agora com doze anos, carregando cuidadosamente um conjunto de painéis laminados com informações sobre as mais recentes descobertas arqueológicas
O ano seguinte trouxe novos desenvolvimentos para a família Cassar-Rossi. O centro de inovação de Damien em Valeta foi oficialmente inaugurado, tornando-se rapidamente um hub vibrante para empreendedores e pesquisadores malteses. A Fundação Rossi estabeleceu sua primeira filial internacional na Grécia – uma decisão influenciada em parte pelo desejo de manter Eleni conectada a suas raízes culturais.Para as crianças, foi um ano de crescimento e descobertas. Antonio, agora com onze anos, demonstrava cada vez mais interesse não apenas em arqueologia, mas também em tecnologia de preservação digital – uma combinação que Damien incentivava entusiasticamente, vendo o potencial para inovação na interseção desses campos. Maria, aos sete anos, continuava sendo a força da natureza de sempre, sua curiosidade insaciável levando-a a explorar desde ballet até programação básica, experimentando tudo com igual entusiasmo.Eleni, que havia completado onze anos pouco depois de se juntar à família, encon
O programa de arqueologia tornou-se um catalisador para a integração de Eleni. Três manhãs por semana, ela e Antonio participavam de escavações supervisionadas, workshops de conservação e palestras adaptadas para jovens. Eleni florescia nesse ambiente, sua confiança crescendo visivelmente a cada semana. O conhecimento que havia adquirido com seus pais arqueólogos finalmente encontrava um canal de expressão, e em vez de ser apenas uma fonte de dor, tornava-se uma conexão positiva com seu passado.Em casa, a dinâmica familiar continuava a evoluir. Eleni gradualmente começou a participar mais ativamente das rotinas e tradições da família – ajudando na cozinha durante os jantares de domingo, juntando-se às sessões de leitura noturnas, até mesmo ocasionalmente acompanhando Damien em suas corridas matinais pela praia.Seis meses após sua chegada, durante um jantar especial para comemorar o aniversário de Isabella, Eleni surpreendeu a todos novamente."Fiz algo para você," disse ela timidame
As semanas se transformaram em meses, e lentamente Eleni foi se integrando à família Cassar-Rossi. O processo não era linear – havia dias de progresso significativo seguidos por recuos repentinos, momentos de conexão genuína intercalados com períodos de distanciamento. Isabella e Damien, preparados pelos assistentes sociais e por suas próprias experiências com perda e cura, mantinham-se pacientes e consistentes, oferecendo apoio sem pressão.Antonio e Maria, cada um à sua maneira, desempenharam papéis cruciais na adaptação de Eleni. Antonio, com sua natureza pensativa e seu interesse compartilhado por história e arqueologia, tornou-se um companheiro intelectual para a nova irmã. Juntos, eles passavam horas explorando os livros da biblioteca familiar ou visitando o pequeno museu na propriedade, onde Antonio orgulhosamente mostrava a Eleni as descobertas arqueológicas e explicava o trabalho de preservação da Fundação Rossi.Maria, por outro lado, com sua energia contagiante e afeto espo
Uma semana após a chegada de Eleni, a família organizou um pequeno piquenique na praia privativa abaixo da villa. O dia estava perfeito – céu azul sem nuvens, mar calmo, uma brisa suave carregando o aroma de sal e ervas selvagens. Maria corria pela praia, coletando conchas e pequenas pedras interessantes. Antonio havia trazido um livro sobre mitologia grega e ocasionalmente lia trechos em voz alta, testando seu conhecimento contra o de Eleni, que, para sua surpresa e deleite, sabia ainda mais histórias do que ele.Isabella e Damien observavam a cena com corações cheios. Era cedo demais para dizer que tudo estava perfeito – Eleni ainda tinha momentos de tristeza profunda, ainda se retraía ocasionalmente quando emoções ficavam intensas demais – mas havia progresso inegável, pequenos momentos de conexão que prometiam mais para o futuro."Ela está começando a se sentir segura," comentou Damien em voz baixa, observando como Eleni agora explicava animadamente para Antonio a história de Pose







