LOGINTodo mundo sabia que Lavínia Duarte era a amante secreta de Dante Vasconcelos. Ela chegara ao ponto de tatuar o nome dele na clavícula, em um lugar impossível de passar despercebido. Mas só Dante conhecia a verdade. Aquela mulher estava apenas se aproveitando dele. Certa vez, Lavínia foi encurralada contra a porta de uma sala reservada. O homem segurava sua cintura com firmeza, sem a menor intenção de esconder o que queria. Ela ergueu os olhos e encarou o atrevido à sua frente. — Você tem mesmo coragem de pôr a mão em mim? — E por que eu não teria? Lavínia arqueou uma sobrancelha. — Eu sou a mulher do senhor Vasconcelos. Não tem medo de que ele acabe com você? O homem soltou uma risada. — Então agora eu não posso mais tocar na minha própria mulher? No começo, Dante havia deixado as regras bem claras. — Lavínia, o combinado é só diversão. Nada de sentimentos. Não vá se apaixonar por mim. Mais tarde, porém, quando outro homem começou a ficar íntimo demais dela, foi Dante quem não conseguiu manter a palavra. — Lavínia, volta para mim. Volta a me amar, vai? No início, Dante só queria se divertir com Lavínia por algum tempo. Até perceber que queria continuar aquele jogo com ela pelo resto da vida.
View MorePor mais espaçoso que o carro fosse, ainda era apertado.Principalmente ali na frente.Definitivamente não era, como Dante dissera antes, maior do que a casa dela.Lavínia sabia muito bem onde havia encostado quando se mexera daquele jeito.Não tinha como fingir que não percebera.Mas já tinha se mexido.Já tinha encostado.E agora?Fazer o quê?Ignorando o calor da mão pousada em sua cintura, Lavínia ligou o celular às pressas. Nem olhou para as notificações que começaram a surgir na tela. Abriu o WhatsApp e escaneou imediatamente o QR Code de Dante.Assim que enviou a solicitação, lembrou-se de avisar:— Aceita aí.Para Dante, ela parecia preocupada apenas em finalmente adicioná-lo no WhatsApp.Como se a posição em que os dois estavam naquele momento não tivesse a menor importância.Assim que ele aceitou, uma mensagem de Lavínia apareceu na tela.Uma sequência de números.— Meu número.Para ela, era óbvio que os dois também deveriam ter o telefone um do outro salvo.Um sorriso malici
O carro entrou no condomínio e parou em frente ao prédio.Dante olhou para a mulher ao seu lado.Lavínia dormia profundamente.Lá fora, o céu continuava escuro e carregado, sem o menor sinal de que a chuva fosse diminuir tão cedo.Dante reclinou o próprio banco e se acomodou.Dentro do carro, os dois pareciam isolados do resto do mundo. A chuva batia sem parar na lataria e nos vidros, mas o som chegava abafado, quase como um ruído branco.Ele fechou os olhos.Sem perceber, acabou pegando no sono também.Lavínia despertou com o estrondo de um trovão.Passou alguns segundos encarando o para-brisa, ainda meio atordoada.Chovia tanto que mal era possível enxergar o que havia do lado de fora.Quando se deu conta de que continuava dentro do carro, virou imediatamente o rosto.Dante estava de olhos fechados.Dormindo.Então ele realmente não a tinha acordado.Lavínia ficou observando-o.De perto, dava para reparar ainda melhor em cada detalhe.A pele lisa e bem cuidada, as sobrancelhas marcad
A chuva caía pesada, formando uma névoa esbranquiçada sobre a rua.Lavínia olhou para Dante.— Você não está se sentindo bem?— Estou ótimo. — Dante lançou-lhe um olhar de lado. — Veio se consultar?Lavínia balançou a cabeça.— Não. Vim visitar alguém que está internado.Dante não insistiu.— Dante.Ao ouvir a voz, Lavínia se virou.Era Patrícia.Felipe vinha ao lado dela.Como sempre, ele vestia um terno impecável. Mesmo dentro de um hospital, tinha o ar de quem estava ali para tratar de negócios. A única coisa que quebrava aquela imagem era o guarda-chuva em sua mão direita.Patrícia, por outro lado, vestia uma blusa verde-abacate e uma calça branca de tecido leve. Os cabelos soltos caíam sobre os ombros, deixando-a com uma aparência fresca e delicada.Ao lado da sobriedade de Felipe, ela parecia uma pincelada de cor.— Lavínia. Você também está aqui.Patrícia a cumprimentou com um sorriso.Lavínia apenas assentiu.Sem demonstrar curiosidade sobre o motivo de ela estar ali, Patrícia
O coração de Lavínia se apertou.— O que aconteceu com o tio André?— O médico disse que, no caso dele, o melhor seria fazer um transplante de rim. Só assim o problema poderia ser resolvido de vez.Renata enxugava as lágrimas enquanto falava.Lavínia franziu a testa.— Eu sei. O médico já tinha falado disso antes.— É que eu ouvi alguém comentando que apareceu um rim para doação. Você não pode falar com o médico e perguntar se dá para fazer o transplante no seu tio André?Ainda havia lágrimas presas aos cílios de Renata, e ela olhava para a filha cheia de esperança.Foi só então que Lavínia entendeu.A mãe não a havia chamado às pressas porque algo tivesse acontecido com André.Ela soltou o ar devagar, aliviada, embora o peito continuasse pesado.— Mãe, transplante de rim não funciona assim. Não é porque apareceu um órgão que ele pode ser transplantado para qualquer pessoa. — Lavínia conteve a irritação e tentou manter a voz calma. — Por enquanto, o tio André está estável. A gente vai












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