LOGINEles viajaram por mais duas noites. Sophia estava exausta, mas a fome de Alaric, a única coisa mais intensa que o frio de seu corpo, a mantinha desperta. A cada dia, o escudo da memória de Diana se tornava mais fino.
Na terceira noite, eles deixaram a carruagem em uma clareira e seguiram a pé. O cheiro de sal e algas anunciava o litoral.— Estamos perto — sussurrou Alaric.A neblina se dissipou, revelando o Farol de Greyhaven no alto da colina rochosa. Sua torre de pedra cinzeO Tempo Esgotando-seA ordem de Alaric havia forçado o Errante a virar para o leste. A decisão, tomada na primeira noite após a descoberta da cura, significava que eles haviam perdido o tempo de viagem inicial para o sul. O capitão, sob a ameaça velada de Alaric, navegava na velocidade máxima que o pequeno escuna podia suportar.Eles estavam agora na quarta noite desde a descoberta do "Frio Inacabado", o que significava que restavam apenas seis dias até a Lua de Sangue. A corrida contra o tempo era absoluta.O Registro como InteligênciaSophia e Alaric estavam na cabine minúscula. O corpo de Alaric estava em seu repouso diurno, mas sua mente estava em vigília total, fixada na pesquisa de Sophia.— Margaret não teria ido para um esconderijo qualquer — disse Sophia, traçando linhas no mapa que havia desenhado. — Ela preza o controle e a segurança. Ela teria retornado a um de seus ativos de linhagem, onde pudesse se reorganizar sem levantar suspeitas.O Registro Halloway não conti
A travessia durou o que pareceram ser séculos. O pequeno escuna, batizado de O Errante pelo velho e taciturno capitão, cortava as águas escuras do Atlântico em direção ao sul, para um destino que só existia nos mapas rabiscados de uma mulher morta e na memória milenar de um vampiro. A vida a bordo se tornou uma rotina de claustrofobia e vigilância silenciosa.A Rotina do ExílioSophia passava o dia na cabine minúscula, onde o cheiro de mofo e peixe seco se misturava ao salitre. A cabine, espremida sob o convés, era um forno úmido ao sol. Ela se movia em um espaço reduzido, sempre em alerta, como um pássaro enjaulado que, a qualquer momento, esperava ser caçado. Sua única companhia era o Registro Halloway e a rosa murcha, o último fragmento de Diana.Alaric, por sua vez, habitava o convés superior. Ele era a sombra alongada da vela principal. Durante o dia, ele se reclinava sob a cobertura improvisada, seu corpo de mármore em repouso forçado, mas nunca em paz. Sophia
A luz do amanhecer não era mais uma ameaça de morte para Alaric, mas um lembrete do preço brutal que ele havia pago pela sobrevivência. O sangue fresco dos caçadores o havia revigorado, transformando a carcaça fria em uma figura de poder sombrio.Eles voltaram ao local onde a carruagem estava escondida. Alaric, agora forte, dirigia com uma velocidade e precisão que Sophia nunca havia testemunhado. Ela estava sentada ao seu lado, encharcada pela fuga no túnel, observando-o. O silêncio era tão opressor quanto a escuridão da noite anterior.A Convivência ForçadaAlaric passou os dias no convés, sob a sombra das velas, onde a luz do sol era filtrada e o ar era frio. Sophia permanecia na cabine úmida, emergindo apenas ao entardecer.Pensamentos de Sophia:Sophia lutava com a realidade do que havia testemunhado. Ela havia barganhado com uma fera, e a fera havia sobrevivido, transformando-se em algo que a desejava com a intensidade de sua imortalidade. O beij
A luz do amanhecer não era mais uma ameaça de morte para Alaric, mas um lembrete do preço brutal que ele havia pago pela sobrevivência. O sangue fresco dos caçadores o havia revigorado, transformando a carcaça fria em uma figura de poder sombrio. Eles voltaram ao local onde a carruagem estava escondida. Alaric, agora forte, dirigia com uma velocidade e precisão que Sophia nunca havia testemunhado. Ela estava sentada ao seu lado, encharcada pela fuga no túnel, observando-o. O silêncio era tão opressor quanto a escuridão da noite anterior. O Gosto Amargo da Vida Eles chegaram ao porto de Saint Agnes. Alaric parou a carruagem em uma doca abandonada e desceu. Ele já havia trocado a camisa manchada de sangue por uma limpa que Sophia havia comprado, mas a aura de violência ainda o envolvia. — Não podemos ir para o continente — Alaric declarou, observando o mar revolto. — Margaret terá avisado todos os portos. Precisamos de um barco pequeno e rápido. Algo que nos leve para o S
O som na escadaria era o prelúdio da violência que se seguiria, amplificado pela acústica úmida e fria da gruta. Não eram apenas os passos leves de Margaret, mas o pisar pesado de homens armados, um presságio de que o confronto final havia chegado. O corpo de Alaric, embora resgatado do colapso pelo beijo de Sophia, ainda fervia em uma luta desesperada contra a fome, e o cheiro de vida humana fresca na entrada da caverna era um tormento.Margaret surgiu na abertura da porta de pedra, acompanhada por dois caçadores robustos. Ela irradiava uma frieza vitoriosa. Os homens portavam armas improvisadas: um, um martelo de madeira e uma tocha; o outro, uma clava pesada. O terror era visível em seus olhos – eles esperavam um espectro, não uma criatura disposta a lutar.— Aí estão vocês, ratos encurralados — sibilou Margaret, a voz cortante e triunfante. — Eu sabia que a memória de Diana o traria para o lar, meu amor.Ela olhou para Alaric, que estava rígido, controlando cada músculo. Seu o
A porta de pedra que levava à gruta estava escondida sob a escadaria principal do farol, na base da torre. Era uma abertura baixa, reforçada com ferro oxidado e selada com uma placa de bronze brilhante que exibia o emblema dos Halloway. A placa estava fresca, sinal de que Margaret havia estado ali há pouquíssimo tempo.Alaric empurrou a porta. O metal não cedeu.— Ela a cimentou — sibilou ele, a frustração aumentando sua palidez.— Não. Ela usou o selo de chumbo. — Sophia apontou para as ranhuras ao redor da placa. — O chumbo é um metal que inibe a força sobrenatural. Ela usou a magia da família para garantir que você não pudesse quebrá-la.Alaric recuou, a expressão de predador assumindo o controle por um instante. — Ela me conhece. Ela me odeia por ser imortal, e me prende com a fragilidade mortal.— Eu não sou frágil — retrucou Sophia. Ela pegou a lanterna e examinou o selo de chumbo. — Precisamos de fogo e algo pontiagudo.A busca por ferramentas c






