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Capítulo 4

Author: Washing Wheat
Empurrei Bianca com força.

Instintivamente, levei a mão ao rosto para coçá-lo, mas a dor foi tão intensa que quase perdi o ar.

— Cof... cof... Meu rosto está queimando... O que foi que jogou em mim?

Lucas correu na minha direção, segurou meu pulso e perguntou, tomado pela fúria: — Você não disse que era só demaquilante? Como o rosto dela ficou coberto de manchas desse jeito?!

Bianca ficou vermelha de nervoso.

— Eu... eu não sabia! Peguei qualquer frasco sem olhar! Além disso, ela vive fazendo aquelas maquiagens de sonsa só pra competir comigo. Eu odeio isso! E foi você quem disse que aquilo nem ficava bonito nela, por isso concordou com a brincadeira!

Meu corpo inteiro tremia. Os membros começaram a ficar dormentes, e até respirar estava se tornando difícil.

— Eu devia saber que você nunca teria coragem de fazê-la me pedir desculpas de verdade! Lucas... você nem merece que eu tente terminar tudo em paz!

Com o rosto queimando de dor, tentei caminhar cambaleando até o banheiro para lavar o rosto.

Mas, assim que dei o primeiro passo, minha visão ficou completamente turva.

— Marina! Não faz isso comigo, por favor!

Quando voltei a abrir os olhos, já era fim de tarde.

A dor no meu rosto continuava intensa.

Antes de perder a consciência, ainda ouvi alguém dizer que os cortes no meu queixo e no lado direito do meu rosto eram graves e precisariam levar pontos.

Quando tentei me levantar, o movimento acabou despertando Lucas, que estava sentado ao meu lado, vigiando meu leito.

— Marina, você finalmente acordou. Eu fiquei morrendo de preocupação. O médico disse que você entrou em choque anafilático depois de entrar em contato com um desinfetante ao qual é alérgica.

— A Bianca realmente queria pedir desculpas. Você sabe que ela só é orgulhosa demais. Talvez tenha passado dos limites em algumas atitudes, mas ela não fez isso por mal. Por favor, não fique com raiva dela, tá?

Em todas aquelas palavras apressadas, não havia sequer uma pergunta sobre como eu estava ou se sofria por ter ficado com o rosto marcado.

Tudo o que Lucas fazia era encontrar desculpas para Bianca.

Olhei para ele, para aquele rosto que eu tinha amado por tantos anos e que, naquele momento, me parecia completamente estranho.

As lágrimas escorreram pelo meu rosto sem que eu conseguisse contê-las.

— Eu não estou com raiva. Só me arrependo... de ter ficado com você.

Lucas ficou imóvel por um instante. Estava prestes a responder quando a tela do celular dele se acendeu.

Assim que viu o nome "Chefinha" aparecer na tela, ele reprimiu imediatamente todas as emoções que haviam surgido em seu rosto.

— Vou sair por um instante. Descanse um pouco. Já volto.

Ele saiu às pressas. Sem nem entender o motivo, acabei indo atrás dele.

Pela fresta da porta da escada de emergência, vi Lucas sentado ao lado de Bianca.

— Pronto, para de se culpar. A Marina não vai ficar com raiva. No fim, é sempre a mesma coisa.

Bianca deu um soco leve no ombro dele.

— Ela já surtou por causa disso. Imagina se descobrisse que você só foi atrás dela porque perdeu uma aposta com a gente, ou que escolhemos o Dia da Mentira de propósito para a sua declaração? Aí sim ela explodiria de vez!

Naquele instante, foi como se algo explodisse dentro da minha cabeça.

Tudo o que consegui ouvir foi um zumbido ensurdecedor. O resto desapareceu.

Lucas tapou a boca de Bianca às pressas e começou a olhar ao redor, nervoso, para ver se alguém tinha escutado.

— Psiu! Isso aconteceu há anos! Enterra essa história e nunca mais fala nisso!

Minhas pernas cederam na mesma hora. Foi como se toda a força tivesse sido arrancada do meu corpo, e eu mal conseguia continuar em pé.

Finalmente encontrei a resposta para todas as dúvidas que me atormentaram durante tanto tempo.

Por que, sempre que precisava escolher entre nós duas, Lucas escolhia Bianca?

Por que Lucas dizia me amar, mas sempre permitia que Bianca me machucasse?

Durante todo esse tempo, eu me convenci de que ele apenas valorizava demais a amizade que tinha com ela.

Nunca imaginei que tudo o que ele me ofereceu fosse construído sobre uma mentira.

Até mesmo aquilo que eu considerava o começo da minha salvação da vida não passava de uma farsa desde o início.

A verdade era que, aos olhos deles, eu nunca fui realmente a namorada de Lucas.

Eu era apenas a palhaça, alguém que eles usavam para se divertir.

Naquele instante, toda a dignidade que eu tentava preservar foi despedaçada.

Tapei a boca com força para conter os lábios trêmulos.

Eu precisava ir embora.

Longe de toda aquela mentira sufocante.

Peguei um carro até o hotel, busquei minhas malas e segui direto para a Estação Central.

Troquei minha passagem pelo primeiro trem disponível com destino à sede.

Pouco antes do embarque, uma mensagem de Lucas apareceu na tela do meu celular.

"O médico disse que você ainda precisa ficar em observação. Não saia por aí. Onde você está? Eu vou buscar você."

Ao ler aquela preocupação hipócrita, comecei a rir até as lágrimas escorrerem pelo meu rosto.

Não respondi. Apenas bloqueei e apaguei o contato de Lucas, assim como o de todos os amigos dele.

Lucas...

Eu não vou mais participar dessa brincadeira que vocês chamam de Dia da Mentira.

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